Até quando irá durar a “Era Andrés Sanchez” no Corinthians?

O futuro (Andrade) entre o passado (Sanchez) e o presente do passado (Gobbi)

Quando conheci Andrés Sanchez nunca imaginei ter ele tanta habilidade, engenhosidade e capacidade de planejamento. Dava para notar que naquela diretoria do então presidente Alberto Dualib, cheia de doutores e juristas, ele era o mais humilde. Um homem simples. Tinha fama de bom negociante (dono de banca de frutas no CEASA) e de formador de craques (vinha das equipes de base, onde nunca se negou a tirar dinheiro do próprio bolso para ajudar o clube). Dualib via inimigos em todos os cantos do Parque São Jorge, menos ao olhar para Sanchez.

Bastaram pouco anos e um convívio direto com o departamento de futebol para Sanchez transformar-se em mito para uns e monstro para outros. Veio a parceria com a MSI. Dualib, então, cometeu um erro. Quis ser mais esperto do que os investidores russos e se deu mal. Bater de frente com Boris Abramovich Berezovsky não foi uma boa idéia. Afinal, o cara era forte opositor de Vladimir Vladimirovich Putin, presidente da Rússia remodelada e capitalista outra vez. Sanchez percebeu a brecha, aliou-se ao representante de Beresovsky, Kia Joorabichian, e foi para cima de Dualib.

Não foi apenas essa aliança fundamental para o jovem empresário. Deu voz para o “baixo clero” do clube, ou seja, sócios humildes, pequenos empresários e alguns contraventores. Formou um grupo de “renegados”. E mais: trouxe para o Parque São Jorge a Gaviões da Fiel, formando o movimento “Fora Dualib”. Articulações perfeitas: pressionado Dualib largou o cargo e Sanchez conseguiu elerger-se. Caiu para a Série B no futebol e se viu obrigado a investigações arrogantes da Polícia Civil, Federal, com telefones grampeados e tudo o que a Justiça tinha direito. O Corinthians era todo dia manchete das Editorias de Polícia nos meios de comunicação.

Sanchez, com uma base real fora e dentro do clube, voltou para a Série A e deu um golpe de mestre  com a contratação de Ronaldo Fenômeno. Campeão paulista invicto e da Copa do Brasil, além de enorme projeção internacional. Por causa de ingressos discutiu e rompeu com o então presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio. Cansou das ingerências da Federação Paulista de Futebol e aliou-se a Ricardo Teixeira na CBF. Antes disso, passou a bola para Mário Gobbi. Esse levou a Libertadores, o bi mundial de clubes, a Recopa e mais Paulistão.

Sanchez quebrou a cara da CBF (perdeu a disputa para José Maria Marin, velho caudilho do futebol) mas conseguiu o maior aliado possível no Brasil: Luís Inácio Lula da Silva, presidente e homem forte da política nacional. Estadista elogiado por Obama, presidente dos Estados Unidos. Quando os adversários pararam para pensar, o Corinthians tinha um Centro de Treinamentos (com todos os méritos denominado Doutor Joaquim Grava) com Hotel Seis Estrelas, um estádio que abriu a Copa de 2014 e Sanchez elegeu-se deputado Federal pelo Partido dos Trabalhadores. Tudo isso em menos de nove anos. Uma ascenção meteórica, porém, perene e duradoura.

Gobbi entregou o cargo na sexta-feira de maneira brilhante (peitou Federação, Ministério Público e Palmeiras para Fiel torcida ir ao clássico). No sábado, o grupo de Sanchez reelegeu mais um: Roberto Andrade com 57% contra 43% do oponente Antônio Roque Citadini, em um universo de quase 4 mil votantes. Por mais três anos, a Oposição corintiana terá de esperar. O “Poder” continua com o grupo de Sanchez, espalhado pelos quatro cantos do Brasil como se fosse uma enorme teia (até a TV cedeu as negociações e Timão e Flamengo ganham uma fortuna em relação aos outros clubes).

Onde isso irá parar? É bom ou mau para o Corinthians?

Não sei.

Fico sem resposta. Nem tudo nessa vida e nas relações humanas precisam de explicações racionais, controláveis, previsíveis. Mesmo porque o que hoje vale, amanhã pode não valer mais. Conceitos e convenções mudam. Quem vive o momento presente não tem visão histórica do momento futuro. “A Coruja de Minerva levanta voo às Seis da Tarde”, repetia o filósofo alemão Hegel. E o Sol do Timão só irá se esconder daqui a três anos. Esperemos.

E tenho dito!

 

No último segundo da prorrogação, golaço de Mário Gobbi

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

A Fiel torcida exige algumas coisas dos jogadores em campo quando vestem o Manto Alvinegro. Raça, garra, espírito de luta e principalmente vergonha na cara. Pode até perder de goleada, mas precisa comer grama, bater a cabeça na trave e colocar o coração no bico da chuteira. E fora de campo? A mesmíssima coisa. E nos últimos instantes como presidente do Corinthians, Mário Gobbi marcou um golaço: entrou na Justiça, conseguiu uma liminar garantindo ingressos para a torcida corintiana no clássico diante do Palmeiras e fim: “Aqui é Corinthians! Respeitem”.

Até na prorrogação (sexta-feira às 19h30, faltando dois dias para a partida), o dirigente mostrou alma alvinegra. Foi para cima de todo mundo com o escudo do clube no peito. Derrubou argumentações do Ministério Público, desmoralizou o presidente do Palmeiras (Paulo Nobre) e pôs no devido lugar a Federação Paulista de Futebol. Deu uma aula de Direito Civil, de semântica legal, calando os coleguinhas mais arrogantes que, ainda cheirando à tinta, querem estabelecer regras, para não falar outra coisa.

Impossível não me lembrar de Vicente Matheus. Em 1979, o velho e saudoso dirigente parou o campeonato paulista na marra. Telê Santana era técnico do Verdão. Esmeraldinos vinham embaladíssimos. Como a decisão ficou para o ano seguinte, o time esfriou e deu Corinthians. Gobbi está de parabéns. Agiu com a energia dos grandes cartolas do passado.

Me deu até vontade de bradar com as mãos erguidas aos céus, de joelhos em sinal de reverência: “Volta, Mário Gobbi”!

E tenho dito!

Fantasma do fracasso ronda de novo pobre Palmeiras

Dudu faz cara esquisita na estréia com derrota contra Ponte

Foram 19 contratações (a última de Claiton Xavier). Veio um treinador inteligente, elegante, profundo conhecer de futebol, Oswaldo Oliveira. Torcida encantada com o Allianz Parque. Famílias inteiras prestigiando o time na atual temporada. Tudo conspira a favor de novos e bons tempos. Certo? Não, errado. Nesta quinta-feira, o Palmeiras voltou a decepcionar, perdendo de 1 a 0 para a Ponte Preta (gol de Wanderson).

Os velhos fantasmas de 2014, quando o time se livrou de cair para Série B, retornaram. Principalmente porque no próximo domingo, às 17 horas, tem clássico no mesmo local contra o embalado Corinthians. Ganhar do tradicional oponente passou a ser obrigação. Ainda mais tendo apenas palmeirenses no estádio, como quer o Ministério Público.

Não tem nada, não. Um bom resultado diante do Timão e tudo volta ao normal. A esperança, afinal, é verde e o Dérbi ocorrerá na casa palestrina. Em tempo: a estréia do badalado Dudu foi ruim demais. Mostrou-se um atacante como outro qualquer.

E assim caminham as sombras e a mediocridade…

Heróis e vilões deixam Timão na boca da classificação

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

A goleada do Corinthians sobre o Once Caldas por 4 a 0, no primeiro jogo da Pré Libertadores, na Arena Itaquera, teve dois lados nesta quarta-feira à noite. Um bom, afinal de contas o placar garantiu uma vantagem numérica enorme que dificilmente será reduzida na próxima quarta-feira, em Manizales, na Colômbia. Outro mau. Para não dizer péssimo. Guerrero, o artilheiro da equipe, e o capitão Fábio Santos foram expulsos de campo e serão desfalques certos para a partida de retorno. Ou seja, o Timão do técnico Tite mostra estar maduro para enfrentar dificuldades em campo, mas ainda inseguro para assumir-se de maneira total, fazendo uso da experiência dos mais consagrados.

Como um jogador prestes a renovar um contrato bilionário (38 milhões em três anos) como Guerrero agride o adversário com um soco? Ronaldo Fenômeno jamais agiria assim, por exemplo. Fábio Santos, com tarja de capitão e homem de confiança do treinador, disputa uma bola aos 46 do segundo tempo (faltava um minuto para o árbitro apitar o final) e entra de sola na canela do colombiano. Um absurdo. Gestos violentos e desnecessários. Com certeza, em Manizales, haverá revide.

A vitória teve pontos únicos e sensacionais, compondo o lado artístico do encontro. Emerson Sheik, por exemplo, fez um golaço por cobertura; provocou os adversários e perturbou a vida da arbitragem. Tudo dentro das regras, usando de malícia e de malandragem. Renato Augusto, improvisado de centroavante, executou as funções de pivô com elegância e precisão. Deu um passe de calcanhar para Fágner selar a goleada. Elias, até que enfim, ressurgiu das cinzas. Aproveitou-se de uma triangulação ofensiva e tocou para as redes colombianas como há muito não conseguia.

Mesmo o irregular zagueiro Felipe brilhou. Na raça meteu a cabeça na bola e balançou as redes. Ganhou moral e recuperou-se de uma jornada ruim. Agora, faltam mais dois tempos em uma peleja disputada em quatro. Timão deixou classificação bem encaminhada.

E tenho dito!

Ascensão e queda do Homem Aranha…

Foto/Divulgação

A Dona Aranha não subirá mais pela parede, infelizmente

Uma mistura de surpresa e decepção com a notícia do doping de Anderson Silva, o nosso  eterno Homem Aranha. Afinal, o adversário era um tremendo Zé Mané. Em condições normais,  tinha ido para a lona nos primeiros segundos de luta.  No entanto, o Spider levou cinco rounds para vencer o adversário por pontos, aqui entre nós, resultado modesto.

Mas fica a dúvida depois da denúncia e da tragédia anunciada: Anderson lutou com quem? O oponente ou Ele Mesmo? Sim porque estava visivelmente nervoso e inseguro. Teve uma grave contusão e quase abandonou o Octogono por isso. Se tivesse agido assim, mereceria aplausos. Voltar sem condições psicológicas é ir a nocaute antes de o árbitro gritar o famoso “figth” mancha toda uma trajetória gloriosa, mítica, reconhecida até pelos norte americanos, sempre patriotas e por demais ufanistas.

Ficar longe dos holofotes derrotado no ringue não é demérito para ninguém. Um lutador  de alta performance tem prazo de validade. Alias, todos temos. O Esporte imita a Vida, finita e limitada. Um dia as luzes se apagam. Restam apenas fotos, vídeos e declarações transformadas em documentos pela magia da história. Lembranças de momentos passados.

Spider, aranha em inglês, dessa vez caiu para valer. E esqueçam: nunca mais subirá pelas paredes. A chuva forte da vaidade a derrubou. O Sol dessa vez não irá surgir e a Dona Aranha continuará imóvel, com uma tonelada de culpa pesando em suas costas.

E tenho dito!

 

 

 

 

Timão sério e objetivo de Tite passa confiança

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press


<br /> “Apertado”, Felip o deixa Thiago Silva iniciar reconhecimento de gramado | GE.Net na Copa

Alguém poderia perguntar: qual é a cara do Corinthians de Tite em relação ao de Mano Menezes? Simples responder. Timão do atual treinador é sério e objetivo. O do outro, carrancudo e resmungão. Com Tite, o toque de bola e as jogadas de primeira estão de volta. Antes, chutões, estourões e precipitações desnecessárias. Por isso, o Corinthians estreou no Paulistão goleando por 3 a 0 e poderia ter sido por muito mais (o goleiro do Marília fez três ótimas defesas).

Consciência e segurança no passe. Jogadas ensaiadas, fruto de intensa repetição nos treinos, ficaram evidentes. Mesmo com a saída de Lodeiro confirmada para o Boca Juniors, da Argentina (2,5 milhões de dólares) antes de a partida ter início, o grupo não se abalou. Jadson entrou no lugar. Tudo bem que o meio-campo perdeu um canhoto. Porém, o destro Jadson mostrou um futebol dígno de crédito.

Foram dos pés dele (Tite não deixou o rapaz ir para o Flamengo) os passes para dois gols, o de Renato Augusto e depois o de Fágner. Sem falar de uma grande finalização seguida de defesa milagrosa. Aliás, Lodeiro não vinha agradando na pré-temporada. Com ele, a equipe ficava travada, futebol não fluia, obrigando os laterais a descerem mais do que o necessário. Jadson tem outra dinâmica e sabe alimentar bem o ataque.

Vitória deixou Fiel mais ainda junto com o time para o primeiro desafio do ano dos profissionais: ganhar bem do Once Caldas, da Colômbia, na Arena Itaquera e definir a classificação definitiva para a disputa da Libertadores.

E tenho dito!

Parabéns, Luís Fabiano!

O São Paulo venceu a Penapolense por 3 a 1, em Penápolis, mas o destaque mesmo da estréia tricolor no Paulistão foi o atacante Luís Fabiano. O Favela marcou o segundo do São Paulo e o de número 200 com a camisa do “Mais Querido”. Aliás, um belo gol. Pegou de primeira uma bola dividida com o zagueiro.

Aí, sim!

Foto: Rubens Chiri/SPFC

Foto: Rubens Chiri/SPFC

Novo Palmeiras atropela Audax, um Barcelona sem grife

Fernando Dantas/Gazeta Press

Robinho marca o segundo gol e comemora com elegância, 3 a 1

O Palmeiras do técnico Oswaldo de Oliveira é completamente outro em relação ao ano passado. Nada da ineficiência do hermano Gareca e nem da verborragia inútil de Dorival Junior. Na estréia do Verdão contra o Audax, 3 a 1. E foi pouco. A equipe palestrina dominou o jogo de cabo a rabo e levou um gol no último minuto da prorrogação que em nada mancha a boa apresentação, de ótimo nível técnico. Já o Barcelona sem grife, do treinador Fernando Diniz, mostrou-se confuso, com bom toque de bola, porém sem objetividade nenhuma. Goleiro Fernando Prass nem sujou o uniforme.

Os gols foram de Leandro Pereira, Maikon Leite e Robinho (Palmeiras), com Rafinha (Audax) fazendo o de honra do adversário. A rigor, da tragédia de 2014 restaram apenas Prass, Tóbio, Allione e depois Cristaldo. Para alegria dos palmeirenses nem Valdívia deu as caras na Arena. Lúcio, Marcelo Oliveira e Wesley já se mandaram, dentre outros. A mudança estrutural, com Oswaldo e Alexandre Mattos (no lugar de Brunoro) vai muito bem, obrigado.

A tendência é melhorar mais ainda. Antes do jogo apresentou-se Arouca, ex-Santos, um dos melhores meio-campistas do futebol brasileiro. Agora, vai.

E tenho dito!

Timão começa ano com pé certo e leva Copinha

Maycon, de 17 anos apenas, faz gol do título e vibra no Pacaembu

A primeira meta foi cumprida. O primeiro desafio já era. De maneira invicta, o Corinthians conquistou a Copa São Paulo de Juniores ao vencer o Botafogo SP por 1 a 0, gol de um menino de 17 anos apenas, Maycon. Tudo bem que o goleiro Tales (um dos melhores na posição na competição) falhou. Tomou o chamado “peru”, o que desequilibrou a partida e deixou o Timãozinho livre para comemorar mais uma vez. Aliás, essa mesma equipe alvinegra, conquistou o Campeonato Paulista e o Brasileirão, todos Sub-20. Força inquestionável. Um presente para os 461 anos da cidade de São Paulo e um colírio para 37 mil pessoas presentes ao Pacaembu.

Não apenas os números agradaram. O futebol mostrado em campo também. Do goleiro ao ponta esquerda, vamos dizer assim, todos corresponderam as expectativas.  Gostei do lateral Príncipe. No meio campo agradou Mateus Vargas e no ataque Gabriel Vasconselos, um tanto caprichoso na hora de concluir, por isso perdeu gols feitos. De bico também vale, ora essa! Arana pegou bem na lateral-esquerda. No Botinha, Tales levou um frango, mas é ótimo. No ataque o badalado e caro Isac (preço fixado em R$ 2 milhões) sumiu no gramado.

O técnico Osmar Loss é gaúcho, porém nada de retranca. Tomara que continue assim. Ninguém aguenta mais Mano Menezes, Tite, Felipão e outros treinadores, conhecidos por privilegiarem a desconstrução do que a arte da criação. Afinal, para que ganhar de 6 se de 1 vai bem demais? Lógica irritante e destruidora, corroendo o talento individual da molecadinha brasileira. Jogo vencido por 1 a 0 pelo Todo Poderozinho, mas o Botinha esteve melhor. Caique, arqueiro corintiano, salvou gol certo e fez outras boas defesas.

E o futuro desses meninos, três vezes seguidas campeões de tudo no Sub-20?

Aí, meus amigos e amigas, depende do tamanho da fatia da pizza. Parte do passe deles é de um empresário (com certeza), outro do clube revelador e, por último, sobra alguma coisa para o clube atual. Triste realidade da bola nacional. Contexto responsável pelos tristes 7 a 1 da Alemanha lá no Mineirão na Copa 2014.

Próximo desafio do Alvinegro Paulista: passar pelo Once Caldas na Libertadores. Agora, responsabilidade é dos marmanjos.

E tenho dito!

Timão vence e os titulares de Tite não convencem

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Os reservas Danilo e Luciano fizeram a festa e titulares passaram em branco

A tal da pré-temporada encerrou-se neste sábado para o Corinthians. E com vitória: 3 a 0 sobre o Corinthian Casuals, na Arena de Itaquera. Mesmo a partida sendo amistosa (troféu Sócrates foi entregue por Cássio ao capitão do adversário), os gols saíram apenas depois de os reservas entrarem em campo. Danilo (aliás atuou para os ingleses também) e Luciano Ronaldo (2) marcaram. Ou seja, os titulares decepcionaram diante de uma equipe limitada, da Oitava Divisão inglesa.

E por que isso preocupa? Para o Paulistão e o resto da temporada tudo bem, há tempo de um entrosamento maior. No entanto, antes disso tem a trágica pré-Libertadores. De repente, “matar” o primeiro jogo em casa, na própria Arena, será fundamental contra o Once Caldas, da Colômbia. Lá, na terra deles, será ossos duro de roer. Não existe corintiano sem trauma: lembrar do Tolima é um pavor recorrente. Embora Émerson Sheik esteja se esforçando, ao lado de Elias e Lodeiro, rende pouco. Os dois meio-campistas encontram enormes dificuldades de encostar no ataque para tabelar ou mesmo chutar em gol. O prejuízo para Guerrero ainda é maior.

Por isso, toda vez que eles saem e dão lugar a Bruno Henrique, Petros ou Danilo o jogo desenvolve com mais fluidez. Sem falar que Uendel apoia melhor do que Fábio Santos. O mesmo fato já tinha ocorrido diante do Colônia e do Bayer de Leverkusen, ambos da Alemanha, no Torneio da Flórida, nos Estados Unidos. Dá tempo ainda para Tite rever conceitos e escalar uma equipe mais afinada.

E tenho dito!

Cartolas jogam dinheiro e talentos pela janela na Copa São Paulo

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Garotos dão show na Copinha e depois são relegados a segundo plano

Dirigentes de Corinthians, Palmeiras e São Paulo deveriam vir a público e prestar contas sobre as equipes de base. Embora apenas o Timãozinho tenha chegado na final contra o Botafogo SP, está na cara que o futebol paulista é pródigo em revelações. O Tricolor revelou João Paulo. Fez até gol olímpico de tão bem que bate na bola. Põe a criança onde bem entende. Será que vai para o time de cima? Duvido. Muricy Ramalho não gosta de trabalhar com jogador promessa. Prefere os prontos, acabados. Esses custam caro.

O Palmeiras encontrou uma pérola: Gabriel Jesus. Atacante objetivo, goleador, driblador, ofensivo. Para mim, tem lampejos de Edílson Capetinha, Ronaldo Fenômeno e por que não Careca? E Cristopher então? Belo segundo atacante, melhor do que qualquer um desses argentinos mequetrefes contratados no malfadado 2014. No Corinthians, então, uma penca de moleques poderia muito bem completar o elenco para temporada 2015.

Vamos lá: o artilheiro Gabriel Vasconselos (“matador” nato, um gol por jogo); Mateus Vargas tem um futebol elegante; joga de cabeça erguida, rápido, não erra passe e faz gols. Mateus Cassini idem. Gastaram um dinheirão em Mendonza, Romero (paraguaio) e Luciano. Nenhum deu conta do recado. Apenas Malcom, atualmente na seleção brasileira pré-olímpica, mostrou raça, vontade, esforço para acompanhar o raciocínio de Guerrero.

É preciso passar em pratos limpos o motivo de essa garotada surgir na Copinha e sumir na sequência.

Pelo jeito, estão jogando talentos e dinheiro pela janela.

E assim caminham a injustiça e a mediocridade…