Reservas do São Paulo viram na raça contra a Ponte

Mauro Horita/SPFC

Mauro Horita/SPFC

A vitória de 2 a 1 do São Paulo sobre a Ponte Preta, neste domingo, no estádio Moisés Lucarelli, deixou claro a tese do futebol competição: quando não vai na bola, dá-lhe raça. Com bravura e muita dedicação, os reservas do Tricolor venceram uma partida difícil e muito disputada contra o melhor time do Interior sem dúvida. A superação valeu. Afinal, apenas Rogério Ceni e Alan Kardec estavam em campo. Técnico Muricy Ramalho poupou vários titulares para a partida de “vida ou morte” diante do San Lorenzo, da Argentina, na próxima quarta-feira, no Morumbi, válida pela Libertadores.

Roni abriu o placar para a Macaca, depois de uma falha coletiva da zaga são-paulina. Esse mesmo jogador, aliás, poderia ter definido a partida. Esteve por mais duas vezes cara a cara com o goleiro Rogério Ceni que, desta vez, salvou a pátria. O veterano estava em tarde inspiradíssima. O São Paulo virou mesmo na etapa final. Paulo Miranda, de pé esquerdo praticamente de voleio no ar, deixou tudo igual. Um golaço. E Alan Kardec, após cruzamento certeiro da esquerda e Ewandro, meteu a cabeça na bola e decretou números finais: 2 a 1.

O resultado positivo terá efeito de um resgate, de uma reabilitação, pelo menos psicológica nos bastidores tricolores. Depois de perder para o Corinthians, pelo Paulistão, o treinador balançou no cargo. Deixou visível um racha com a diretoria. Vencer a Ponte, com quatro garotos (Lucão, Auro, Hudson e Boschilla) e promover o retorno de Rodrigo Caio, vai somar pontos para Muricy, acusado de aproveitar pouco a base de Cotia e apostar só em medalhões.

Futuro tricolor, agora, fica por conta da performance na Libertadores.

E tenho dito!

 

Palmeiras arriscou e petiscou na matinê de domingo

Zé Roberto ficou devendo diante do 15 de Piracicaba. Foto de Fernando Dantas/Gazeta Press

As equipes do Interior entraram em desespero total. Por isso mesmo, jogam retrancadas, bicando bola para tudo quanto é lado, pouco se importando em praticar um bom futebol pelo menos. Técnicos querem garantir emprego e atletas, que o salário não atrase no final do mês. Daí, o 15 de Piracicaba (assim como todos ameaçados de rebaixamento) ter estragado o espetáculo da manhã deste domingo, no Alllianz Parque, diante do Palmeiras. No entanto, o time da casa insistiu, arriscou e petiscou. Com um “canhão” de fora da área, Gabriel garantiu a vitória esmeraldina para a alegria de 28 mil pessoas presentes ao estádio.

O campeonato paulista, aliás, entra em uma fase meio chata. O desespero dos ameaçados ao rebaixamento se junta à esperança de quem ainda tem chance de classificação para a fase final, onde começará de fato o torneio. Como Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos (esse matematicamente) já estão bem adiantados, os outros correm atrás do prejuízo. Fica a certeza de que essa fórmula de disputa precisa ser repensada, sob pena de um prejuízo irreversível para a já problemática e complicada bola nacional.

Destaque para Gabriel sim. Não apenas pelo belo gol, mas também por sua boa marcação, coragem e persistência. O goleiro Fernando Prass, por sua vez, quando exigido estava lá para salvar a pátria (completou 100 jogos pelo Verdão em grande estilo) e, de novo, menção honrosa para Gabriel Jesus. Garoto está se sentindo à vontade em campo. Criou e teve oportunidade de fazer o primeiro gol como profissional. E tem uma qualidade essencial: não erra passe.

E tenho dito!

Feijoada de sábado fez mal ao Corinthians…

Emerson Sheik derruba juiz no melhor lance da partida. Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

No cardápio nacional, aos sábados, é dia de feijoada. Quarta-feira também. Mas no final de semana ninguém consegue desprezar a culinária genuinamente brasileira, com direito a caipirinha, torresmo e uma cervejinha gelada. Só assim mesmo para explicar o péssimo futebol do Corinthians diante do Red Bull Brasil, na Arena de Itaquera, pelo campeonato paulista, em um arrastado 0 a 0. Passes errados, jogadas sem pé nem cabeça, chutes a gol raríssimos, sem falar dos jogadores visivelmente desligados. Pareciam todos terem engordado 20 quilos no “belo” almoço. Devem ter comido feijoada, na certa.

Alguns lembrarão que o foco está todo voltado para a próxima apresentação, em Montevidéu, contra o Danúbio, terça-feira, pela Libertadores. Afinal, uma vitória coloca o Timão na beira da classificação antes mesmo do returno dessa competição. Como pegará Danúbio e San Lorenzo na Arena, a hora seria essa. Pode ser. Mas precisa ir tão mal diante de uma das piores defesas do Paulistão? Fágner acertou o travessão ainda no primeiro tempo. Tentou cruzar, bola pegou efeito e quase engana o goleiro adversário.

Na etapa final, Vágner Love criou duas ótimas chances de gols. Faltou calibrar melhor o potente chute de pé esquerdo. Emerson Sheik correu muito e merece as honras de menos pior em campo. No primeiro tempo, deu um encontrão no árbitro, arrancando risos e aplausos das 31 mil pessoas presentes ao estádio alvinegro. Na verdade, muito dinheiro, ótimo público e futebol que é bom, oh! (como diria o finado Chico Anysio no papel de Professor Raimundo).

E assim caminham a preguiça e a mediocridade..

 

 

 

Reservas do Timão fazem mal a lição de casa

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Partida feia demais na Arena de Itaquera. Com vários jogadores reservas, o Corinthians venceu o São Bernardo (sério candidato ao rebaixamento para a Série B do Paulistão) por apenas 1 a 0, do garoto Malcon (errou passes demais). Resultado ridículo. Afinal, o adversário é tão ruim que dá vontade de chorar. Vágner Love deu o passe para o gol corintiano. No entanto, continua em branco. Ainda não fez o tão esperado golzinho com a camisa alvinegra. Nesta quarta-feira era a noite ideal para começar vida nova no Timão e ficou devendo.

Danilo rendeu o de sempre; Petros matou-se no meio-campo; Cristian está em ritmo de “turismo” (corpo está no Brasil e a cabeça na Turquia); e até o goleiro Cássio quase levou um peru. Depois de pegar pênalti de Rogério Ceni, no clássico contra o São Paulo, domingo passado (1 a 0, gol de Danilo), ficou desatento em um chute de fora da área. A bola escapou-lhe, bateu na trave e ai sim parou em seus braços. O técnico Tite precisa repensar esse papo de ficar poupando alguns jogadores, como Sheik e Guerrero (no banco de reservas durante o jogo). Já dispensou a concentração. De repente, o time perde o foco e começa a entrar bem na Libertadores.

E aí, como vai ser?

E assim caminham o relaxamento e a mediocridade…

Palmeiras: 10 min de Bayern e 80 de Íbis na Vila Belmiro

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

O Palmeiras é uma equipe desequilibrada demais. No clássico contra o Santos, na Vila Belmiro, pelo Paulista, nesta quarta-feira à noite, teve uma apresentação sensacional nos primeiros 10 minutos de jogo. Lembrou o Bayern de Munique, da Alemanha, a melhor equipe do mundo na atualidade. Fez até um gol de bola parada, com o zagueiro Vitor Hugo, de cabeça. Daí para frente, um desastre. Baixou o Íbis, de Pernambuco, o pior time do planeta, e veio a virada do Santos por 2 a 1, gols de Renato e Ricardo Oliveira.

Instabilidade emocional, padrão de jogo zero à esquerda, nervos à flôr da pele e marcação ruim foram apenas alguns pontos fracos do Palestra. O técnico Osvaldo Oliveira, aliás, fala muito e ainda não conseguiu um resultado de peso. Já havia perdido do Corinthians, no Allianz Parque (1 a 0, Danilo) e agora levou uma virada na cabeça do ex-clube, o Peixe. Pior: nenhum jogador alvi-verde salvou-se da mediocridade geral, o que preocupa para a próxima fase, onde só deverão acontecer clássicos no campeonato paulista.

Já o Santos, ainda sem técnico, assimilou a volúpia inicial do adversário, neutralizou as principais jogadas e partiu para cima. Faltou mais capricho no passe final e nas conclusões. Do contrário, o placar poderia ter sido bem maior. Insisto: em relação ao ano passado, o Verdão melhorou muito. No entanto, ainda falta comer muita pizza para se transformar em um grande time.

E tenho dito!

Por quê esse cara não fez o mesmo na Copa 2014?

David Luís, que não afina nunca, deixou o dele de cabeça também. Foto AFP

O Paris Saint German conseguiu um resultado épico, eliminando o Chelsea, na Inglaterra, com um empate de 2 a 2. No tempo normal, 1 a 1. O mesmo placar se repetiu na prorrogação e o clube francês se classificou no saldo de gols fora de casa. O que deixa qualquer um de barbas de molho é que dois brasileiros foram os responsáveis pelo “estrago”. David Luís e Thiago Silva, ambos de cabeça, enterram as esperanças inglesas para delírio geral.

O jogo foi complicado. Expulsaram o tal de Ibrahimovic meio forçado, obra de um árbitro “caseiro” demais para meu estômago. Um carrinho de lado, na bola, pegou Oscar e valeu cartão vermelho. Mas o importante não é a partida. O PSG segue na briga da Liga dos Campeões. Boa sorte. A pergunta que não quer calar é outra: porquê demônios o Thiago Silva não jogou toda essa bola na Copa de 2014 pelo Brasil?

Como capitão da Canarinho, na dramática prorrogação contra o Chile, sentou em cima da bola no meio-campo e chorou feito criança. Aquele zagueiro, grandão e covarde na proporção do próprio corpo, virou um leão no PSG. E olhem que fez besteira (deu um pênalti de graça para o Chelsea no tempo extra). Tomara ter esse rapaz aprendido a lição. Na próxima Copa, na Rússia em 2018, deixe para chorar quando estiver erguendo a taça do hexa.

E tenho dito!

Danilo e Cássio derrubam São Paulo e apito trapalhão

Para variar, Danilo deixou a marca de sempre em jogos decisivos. Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Todos clássicos Corinthians e São Paulo estão virando uma estranha rotina. A arbitragem erra demais e influencia no resultado. Cartões amarelos não têm o mesmo critério. Jogadores na “captura” um dos outros em campo acirrando a rivalidade. Neste domingo, no Morumbi, em jogo válido pelo Paulistão, as coisas não foram diferentes. O Timão teve de vencer, convencer e aguentar os desmandos do apito (pênalti duvidoso e expulsão de Gil). Danilo bateu de primeira, após cruzamento consciente de Guerrero, vencendo Rogério Ceni. Derrota empurra são-paulinos em uma crise velada, com nome do técnico Muricy Ramalho deixando de ser unanimidade nos bastidores.

Aliás, Cássio pegou um pênalti cobrado por Rogério Ceni que, a rigor, pode ser questionado. O juizão marcou mão do zagueiro Gil fora da área. Fato: Luís Fabiano chutou forte, zagueiro protegeu o rosto com o braço esquerdo, onde a bola bateu realmente. Aí, então, o bandeirinha interferiu e garantiu ter ocorrido o lance dentro da grande área. Árbitro, pressionado, voltou atrás e apontou a marca penal. Gil tinha recebido um cartão amarelo, daí o vermelho. Jogadores tricolores voaram no pescoço do bandeira e armaram um circo.

Depois do “milagre” de Cássio o Timão abdicou do ataque, fechou-se todo na defesa e esperou o tempo passar. Tricolor tentou, tentou e parou na muralha corintiana, então formada por Cristian, Ralf, Edu Dracena e Felipe. Equipe de Tite mostrou ser cascuda e estar pronta para a “guerra”. Entra em campo para derrotar o adversário e o apito, se precisar.

E tenho dito!

Palmeiras fica devendo futebol mais uma vez

Rafael Marques fez golzinho isolado e mais nada. Foto Djalma Vassão/Gazeta Press

O Palmeiras venceu o Bragantino por 1 a 0, gol de Rafael Marques, no lotado Allianz Parque, neste sábado, em jogo válido pelo Paulistão. De novo, porém, ficou devendo um futebol melhor. Afinal, o adversário é um dos últimos colocados na competição. A desculpa de não ter atuado com alguns titulares, não serve diante da fragilidade do opositor. Zé Roberto salvou-se em meio a mediocridade geral e um voto de confiança para Gabriel Jesus. Menino da base estreou como profissional e mostrou boa disposição. Arriscou chutar a gol e dar passes.

Arouca entrou apenas na etapa final para ajudar na armação do meio-campo. Engraçado: ele não está à vontade com a camisa palestrina. Futebol do ex-santista anda travado. Consegue errar passes de curta distância e tem visível receio de arriscar uma descida ao ataque. A bola pesa “200 quilos” no pé do rapaz. Outro garoto, João Pedro, mostrou-se ruim na marcação e bom no apoio. Foi nas costas dele que o técnico Márcio Araújo, do Braga, colocou o tal de Muralha na etapa final e quase o jogo complica.

Ou seja, embora esteja praticamente classificado para a próxima fase, o Verdão precisa comer muito feijão ainda se quiser conquistar alguma coisa na atual temporada.

E tenho dito!

Abençoado Corinthians despacha o time do Papa

AFP

AFP

O San Lorenzo esteve durante boa parte do jogo com o domínio da bola. Criou, no mínimo, quatro oportunidades claras de gol. Mandou uma bola na trave. Apesar de ser a equipe para a qual o Papa Francisco torce, santificado estava o Corinthians. Em um lance de contra-ataque, Elias surgiu na cara do goleiro. Tentou rolar para Petros. A bola rebateu no zagueiro e voltou para o corintiano. Elias chutou alto, de pé direito e decretou a queda do atual líder da Libertadores, no estádio de Nuevo Gasómetro, em Buenos: 1 a 0. O fato de a torcida estar ausente (punida pela Conmebol), ajudou muito a equipe brasileira.

Resultado deixou o Timão em situação privilegiada no Grupo da Morte. Agora, com seis pontos em dois jogos, empurrou os hermanos papais para o São Paulo e assumiu a liderança numa boa. O Danúbio, do Uruguai, está com zero pontos. Antes de ser um presente divino para a Fiel, vencer acabou sendo uma bênção para o esforçado e tático time alvinegro. O técnico Tite, desta vez, fechou mesmo a porteira. O futebol pragmático, aquele disputado com o regulamento debaixo do braço, prevaleceu. O decantado 4-1-4-1 cedeu lugar para o 5-4-1 e pau na máquina.

Elias, o melhor em campo, é que fez a diferença. Danilo, como pivô, tentou acionar Speed Mendoza. De tanto levar pancadas do adversário, o colombiano forçou e sentiu a virilha. Com a vinda de Petros, Timão compactou-se mais ainda. Cássio, por sua vez, praticou defesa milagrosa e argentinos quiseram sair na mão com Petros no final. Animos serenados, Corinthians na cabeça e com pinta de campeão.

Que os anjos passem e falem amém.

E tenho dito!

Timão lembra Ferrari 450 e faz Mogi comer poeira

Quem já dirigiu uma  Ferrari 450 garante ter o carro velocidade progressiva. Isto é, conforme o sujeito muda de marcha (são sete ao todo), o carro tem um “up” a mais. O Corinthians do técnico Tite está mais ou menos do mesmo jeito. Diante do Mogi Mirim, 3 a 0, na Arena de Itaquera, a equipe fez o resultado na medida que trocava de jogadores. Depois de um primeiro tempo horrível, bastou a entrada de Danilo (a 5ª da  Ferrari 450), para sair o gol de Jadson. Veio Luciano (a 6ª) e tocou para fazer o segundo. Para atingir os 350 km por hora, Luciano passou e Guerrero (a 7ª) encaixou, dando números finais ao placar.Ferrari F450

A comparação, a bem da verdade, não é minha e sim do meu filho Paulinho (aquele ainda são paulino). Ele teve a impressão de estar vendo um teste na pista de provas da famosa marca italiana de automóveis, que embala o sonho consumista de qualquer pessoa que aprecia carros. E o Timão, do técnico Tite, começa a ter o mesmo efeito para quem gosta de um futebol bem jogado, sem conversinha fiada, em sentido vertical à meta adversária, como uma flecha certeira bem no meio do alvo.

Teve até um improvisação interessante. O queridinho da Fiel, Speed Mendoza, atuou de lateral-esquerdo. Afinal, Tite está sem Fábio Santos (recuperando-se de cirurgia) e poupou Uendel para a partida de quarta-feira, contra o San Lorenzo, em Buenos Aires, válida pela Libertadores. O colombiano atrapalhou-se de início com a marcação, no entanto, na etapa final com a equipe se soltando mais, triangulou bonito com Danilo e Jadson pelo setor esquerdo.

Placar poderia ter sido maior. Vágner Love e Edu Dracena acertaram o travessão do Mogi por duas vezes. Equipe do Interior excelente, aliás, com bom toque de bola e sem dar um pontapé. Afinal, comer poeira da Ferrari da Fiel não é um castigo e sim uma honra.

E tenho dito!