Os tendões do corpo humano são faixas de tecido conjuntivo compostas por colágeno em sua maior parte, com baixo suprimento sanguíneo e de difícil cicatrização, que fazem a conexão entre os músculos e os ossos, responsáveis pelo movimento de nossos membros. O complexo músculo-tendão-osso recebe o nome de entésio, e as doenças que afetam esta região são denominadas de entesopatias.
O tendão é o componente principal deste conjunto anatômico, sendo um tecido frequentemente acometido por um grupo de sinais e sintomas, incluindo dor crônica (mais de três semanas) com piora progressiva, inchaço (edema), aumento de espessura, redução da mobilidade que melhora após o aquecimento, diminuição da força de impulso, presença de calcificações e eventualmente podendo levar à ruptura tendínea. Esta síndrome é chamada de tendinopatia pela literatura médica atual, ao invés de “tendinite”, termo tradicionalmente utilizado de forma errônea na prática clínica para diagnosticar a dor crônica no tendão. O termo “tendinite” implica na formação de um processo inflamatório responsável pelo surgimento da dor, porém as evidências do estudo microscópico e bioquímico do tendão apontam para a presença de uma lesão no corpo do tendão descrita como “tendinose”, caracterizando um processo degenerativo local.
Não podemos excluir a ocorrência da inflamação durante os estágios iniciais desta doença, porém a literatura atual reserva o termo “tendinite” para processos inflamatórios agudos envolvendo a bainha tendínea (membrana que envolve o tendão), enquanto que tendinopatia é o termo mais adequado para descrever quadros de dor crônica nos tendões, acompanhada dos sinais e sintomas já descritos anteriormente.
Todos os seres humanos começam a apresentar uma redução de elasticidade de seus tecidos a partir dos 25 anos de idade, porém esta perda começa a se acentuar durante a quarta década de vida (31 a 40 anos), portanto exercícios de alongamento realizados diariamente desde a infância auxiliam na manutenção da flexibilidade do sistema músculo-esquelético e na prevenção de tendinopatias. Diversos fatores são predisponentes a esta condição, incluindo os fatores intrínsecos (relacionados ao atleta) como peso, alterações biomecânicas (ex.: pés cavos ou planos), hipermobilidade articular, desalinhamento e/ou discrepância do comprimento de membros inferiores, e déficit de alongamento e/ou fortalecimento muscular. Os fatores extrínsecos (relacionados ao meio ambiente) envolvem erros de treinamento (aumento indevido de volume, frequência, intensidade), deficiências técnicas, uso de tênis inadequado e superfície desfavorável para a corrida.
O diagnóstico das tendinopatias é fundamentalmente clínico, pois os exames de imagem podem detectar alterações anatômicas proporcionais às suas condições técnicas, mas que muitas vezes apresentam apenas limitada correlação com o quadro clínico do paciente. Seu tratamento envolve diversos aspectos e pode ser bastante trabalhoso e demorado: repouso relativo com ênfase em atividades aeróbicas alternativas à corrida, medicação analgésica e/ou antiinflamatória, medidas fisioterápicas para redução da dor e ganho de amplitude de movimento do local, exercícios de alongamento e programas de fortalecimento muscular normalmente são recomendados.
José Marques Neto
Ortopedista e Médico do Esporte do Instituto Vita.
Médico formado pela Faculdade de Medicina da USP.
Especialista em Ortopedia e Medicina Esportiva pelo Hospital das Clínicas.
Pós-graduado em Fisiologia do Exercício pelo ICB – USP


