Gazeta Esportiva

O desejo do ser humano de se superar continuamente, tentando ser mais forte, vitorioso, sem respeitar limites éticos, pode ser observado em todas as etapas da história da humanidade – não podendo ser diferente no esporte.

Qual o preço de uma vitória?

Se resgatarmos na História do Esporte, em meio à segunda Guerra Mundial, a vitória representava superioridade étnica. Nas décadas de 80 e 90, no auge da Guerra Fria, supremacia política. Já em tempos atuais, em meio à globalização, a vitória representa dinheiro -muito dinheiro através de publicidade.

Na raiz de sua definição, Esporte é uma atividade física e intelectual de natureza competitiva governada por regras institucionalizadas.

Oportunamente, diante este conceito, pergunta-se: O que é o Doping?

Doping nada mais é que a violação de uma das regras do esporte competitivo. Regra esta, que independente da modalidade esportiva ou dos interesses sociais, políticos e financeiros envolvidos na modalidade, determina que: é eminentemente proibido o uso de determinadas substâncias ou métodos que possam beneficiar o rendimento físico, fazendo o atleta obter vantagem sobre seu adversário.

Assim, à exceção dos valores morais que atribuímos, doping pode ser definido como o uso, por atletas federados, de substâncias ou métodos proibidos presentes na publicação anual da Agência Mundial Anti-Doping (WADA) – que desde 2004 controla esta regra dentre todos as instituições desportivas do planeta.

Atualmente, o controle de dopagem se limita a análise química – através da cromatografia a gás ou espectrometria de massa – de amostras biológicas provindas do atleta: urina ou sangue. Esses métodos de análises são extremamente apurados, capazes de identificar doses ínfimas das substâncias proibidas no organismo do atleta. Tudo isso, com o único intuito de dar uma resposta: sim = amostra com presença de substância proibida ou não = amostra livre de substâncias proibidas.

E, justamente, por emitir apenas um laudo técnico qualitativo, o doping acarreta tanta discussão perante a imprensa e a opinião pública. Teste anti-doping positivo não atesta intenção do atleta e sim o contato do organismo do atleta com a substância proibida.

Resumidamente, existem duas formas de um atleta transcender a regra do doping:

-       tendo contato intencional com a substância.

-       sendo negligente diante seus atos e, mesmo sem intenção, resultando em um teste adverso.

Para identificar e coibir a utilização intencional de substâncias proibidas pelos atletas, os órgãos responsáveis aumentaram consideravelmente o numero de controles anti-dopings. Por sua vez, o aumento do numero de controles, acarretou em uma elevação exponencial dos casos decorrentes de desatenção, falta de informação ou mesmo exposição ocasional.

Diferente da justiça forense, no esporte todo atleta é culpado até prova em contrário. Por assim entender, todo atleta que apresenta resultado adverso em controle anti-doping terá o direito de um julgamento que seguirá uma seqüência hierárquica institucional, culminando na decisão final do  órgão máximo do esporte: a Corte Arbitral do Esporte (CAS – sigla em inglês).

A ciência do doping, se assim podemos mencionar, esta totalmente focada em desenvolver substâncias e métodos capazes de não serem identificados nos modelos atuais de análise química. Em 2009, a ex-corredora americana Marion Jones declarou publicamente o uso do anabolizante sintético THG (que na época não era passível de detecção nos controles anti-dopings) e acabou perdendo suas medalhas. Quantas destas outras substâncias não estão sendo desenvolvidas? As hipóteses atuais é que além dessas substâncias sintéticas, a manipulação genética, através da modificação de genes, é capaz de transformar corpos humanos em verdadeiras máquinas de competição.

Portanto, enquanto perdemos tempo discutindo culpabilidade de atletas já julgados por órgãos estritamente especializados, a indústria do doping cresce perigosamente. O foco não pode ser desviado, todos que trabalhamos e gostamos de esporte devemos ter responsabilidade de coibir o uso de qualquer forma de ganho artificial, defendendo a competição justa. Não nos cabe discutir penas e sim, brigar por controles eficazes. A política anti-doping se faz efetiva com muita educação. O atleta, desde cedo, deve ter acesso ao máximo de informação e estar sempre rodeado de profissionais muito bem orientados. As federações não podem se limitar a controles, devem oferecer estrutura, segurança, informação. Briguemos por justiça e paremos de expor nossos atletas.

 

Dr. Gustavo D. Magliocca

Médico do esporte

Instituto Vita





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