Gazeta Esportiva

Arquivos do mês: maio 2012

Ao longo dos anos, cientistas e estudiosos do treinamento desportivo buscaram informações e atualizações das tendências do treinamento aplicado aos desportos individuais e cíclicos. Os europeus, americanos e cubanos escreveram, analisaram e publicaram inúmeros métodos de análise e aplicação dos meios de treino para saltadores, velocistas, levantadores de peso, nadadores, maratonistas, entre outros.

Os desportos coletivos, através dos seus atletas, técnicos e preparadores físicos, ainda sem referenciais próprios, eram obrigados a adaptar os treinos de acordo com as informações recebidas dos pesquisadores e seus estudos dos desportos individuais.

Essa adaptação não necessariamente gerava transferência plena à realidade da modalidade específica exigida pelo atleta e pela sua equipe de treinamento. Por inúmeras vezes a informação fornecida pelos estudiosos dos atletas de atletismo ou de natação não ajudava na correta e fiel elaboração dos treinos e sua ideal organização anual de diluição dos exercícios para os desportos coletivos.

Os desportos são diferentes, as demandas motoras e metabólicas impostas para os desportistas de esportes coletivos são diferentes dos esportes individuais.

Por esse panorama ao longo das últimas décadas resultados de análises dos jogos e treinos dos desportos coletivos apareceram na literatura científica.  No início todos aproveitaram muito e os treinos dos desportos coletivos perceberam incremento de qualidade e abriram espaço para, cada vez mais, especializar o alto rendimento de cada modalidade de forma distinta.

Contudo, ao analisar com mais cuidado detectou-se que nem todos os esportes coletivos são acíclicos e por inúmeras vezes observamos desportos individuais com a característica acíclica.

A diferença primária dos esportes acíclicos para os cíclicos está na mudança de direção. Os esportes que tem as constantes, inúmeras e sem pré- programadas mudanças de direção como diferencial para o desempenho estão classificados como esportes acíclicos.

Com essa definição, o tênis mesmo sendo um desporto individual se torna acíclico, e o revezamento 4X100 metros (por exemplo), mesmo sendo uma modalidade coletiva, é classificado com desporto cíclico.

Estas constatações e a preocupação com a socialização de saberes nos leva a propor o desenvolvimento de curso Sistemas de Preparação Física em Desportos Acíclicos, em que abordaremos as características de cada modalidade, bem como suas capacidades físicas determinantes e específicas, possibilitaremos aos alunos uma compreensão das avaliações físicas para cada modalidade e sua prevenção específica de lesões.  Capacidades determinantes como força, velocidade e resistência serão analisadas com atenção especial para a característica específica dos desportos acíclicos.

Professores escolhidos com experiência acadêmica e larga aplicação prática abordarão os temas específicos e os detalhes relacionados a cada modalidade.

O curso Sistemas de Preparação Física em Desportos Acíclicos esta voltado para os preparadores físicos, técnicos e atletas que visam melhora e aprimoramento do desempenho específico de cada modalidade.

Interessados em participar podem acessar www.vita.org.br , área de ensino, e obter detalhes da proposta.

Professor Sandro Sargentim

Será que precisamos de ciência no esporte? Basta pensar na ciência por trás dos diferentes métodos de treinamento físico e na tecnologia por trás dos equipamentos esportivos disponíveis aos atletas atualmente para responder. Protocolos de treinamento específicos para cada modalidade esportiva; calçados especializados para a pisada de cada corredor; tecidos inteligentes que facilitam a evaporação do suor e melhoram o desempenho; robôs que atiram bolas de tênis de mesa com frequência e velocidades pré-programadas durante o treinamento; instrumentos, como os dinamômetros, para medir a força de cada grupo muscular. A ciência está por trás de muitas das melhorias que afetam a vida do atleta e que vão bem além do tipo de calçado que usa ou da fibra do seu uniforme.  Os dez projetos do programa “Ciência no Esporte”, apoiados pela Lei estadual de Incentivo ao Esporte e desenvolvidos dentro do Instituto Vita, são a prova disso.

Os projetos tratam de temas diversos no âmbito do esporte, abordando tanto aspectos físicos como psicossociais de atletas de várias modalidades. Por exemplo, uma equipe de pesquisadores composta por treinadores físicos, psicólogos e médicos estuda a saúde e as condições de vida de ex-jogadores de futebol da seleção brasileira que paticiparam de copas do mundo. O objetivo central deste projeto é traçar o perfil do ex-jogador com ênfase no momento delicado de transição de vida representado pela aposentadoria. Os resultados desta pesquisa contribuirão para o entendimento mais detalhado dos fatores que influenciam a qualidade de vida do atleta aposentado, podendo servir de base para a elaboração de programas de integração social e assistência médica às gerações futuras.

Partindo de outro ângulo, uma equipe composta por médicos,  fisioterapeutas, profissionais de educação física e físicos dedica-se a estudar a biomecânica do movimento em corredores para avaliar se os tênis especializados desempenham com eficiência sua função corretiva e de suporte da pisada.  Nestes estudos o movimento tridimensional dos corredores é avalidado por um método onde são utilizadas várias câmeras de vídeo para captação de imagens que permite o cálculo de ângulos, ajudando a destrinchar o efeito de cada tipo de calçado durante a corrida.  Deste trabalho podem surgir recomendações pertinentes tanto às empresas que manufaturam os calçados, quanto à comunidade dos profissionais de saúde que assistem os corredores, explica o físico Marcos Duarte, da UFABC.  Ainda no universo da biomecânica, outras equipes estudam a movimentação da articulação do ombro de judocas e arremessadores de handebol para definir os padrões de movimento que podem preceder lesões, com o intuito de elaborar programas de fortalecimento e prevenção.

Quanto ao desempenho em ambiente competitivo, uma equipe de médicos, treinadores, fisioterapeutas e psicólogos estuda o perfil completo dos mesatenistas da seleção brasileira. Esta modalidade, promissora para o Brasil nos jogos de Londres deste ano, ainda não contava com programas de treinamento altamente individualizados e respaldados pela ciência. A equipe de pesquisadores do Vita realizou uma bateria de exames médicos, ergoespirométricos, físicos e psicológicos específicos para mesatenistas. Com base nos resultados destes testes, desenvolveram-se ciclos de treinamento que visam aumentar a performance do atleta sem esquecer da qualidade da experiência do indivíduo durante os jogos olímpicos. E estes são apenas alguns exemplos.

Os 10 projetos “Ciência no Esporte 2012”, desenvolvidos dentro do Vita Care, uma Organização da Sociedade Civil e Interesse Público (OSCIP) ligada ao Instituto Vita, são executados por uma equipe de 10 pesquisadores,  12 médicos, e 3 coordenadores. O programa fez-se possível através do financiamento da Lei de Incentivo ao Esporte e do apoio de empresas como a Adidas, 3M, Durafloor, Duratex e Deca. Esta lei, da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo, entrou em vigor em 2008 e prevê mais de R$ 60 milhões de reais em incentivos para realização de diversas atividades filantrópicas e sociais lideradas por várias organizações sem fins lucrativos, como ONGs, ou fundações. O Vita Care é a primeira OSCIP a receber o apoio da Lei do Incentivo ao Esporte para ações de um programa de pesquisa, afirma Daniel Carreira, gestor do Vita Care.

Os projetos “Ciência no Esporte 2012” representam um grande passo no sentido de traduzir achados científicos para aplicações práticas que melhorem diretamente a saúde do atleta. Eles têm em comum a visão do atleta como um todo: um sistema físico altamente capacitado comandado por uma mente que também merece cuidados. Nossa missão é não só adicionar conhecimento às diversas áreas da ciência esportiva, mas torná-lo acessível ao público, melhorando, desta forma, a qualidade de vida do atleta, tanto profissional quanto amador, movimento por movimento.