Gazeta Esportiva

Será que precisamos de ciência no esporte? Basta pensar na ciência por trás dos diferentes métodos de treinamento físico e na tecnologia por trás dos equipamentos esportivos disponíveis aos atletas atualmente para responder. Protocolos de treinamento específicos para cada modalidade esportiva; calçados especializados para a pisada de cada corredor; tecidos inteligentes que facilitam a evaporação do suor e melhoram o desempenho; robôs que atiram bolas de tênis de mesa com frequência e velocidades pré-programadas durante o treinamento; instrumentos, como os dinamômetros, para medir a força de cada grupo muscular. A ciência está por trás de muitas das melhorias que afetam a vida do atleta e que vão bem além do tipo de calçado que usa ou da fibra do seu uniforme.  Os dez projetos do programa “Ciência no Esporte”, apoiados pela Lei estadual de Incentivo ao Esporte e desenvolvidos dentro do Instituto Vita, são a prova disso.

Os projetos tratam de temas diversos no âmbito do esporte, abordando tanto aspectos físicos como psicossociais de atletas de várias modalidades. Por exemplo, uma equipe de pesquisadores composta por treinadores físicos, psicólogos e médicos estuda a saúde e as condições de vida de ex-jogadores de futebol da seleção brasileira que paticiparam de copas do mundo. O objetivo central deste projeto é traçar o perfil do ex-jogador com ênfase no momento delicado de transição de vida representado pela aposentadoria. Os resultados desta pesquisa contribuirão para o entendimento mais detalhado dos fatores que influenciam a qualidade de vida do atleta aposentado, podendo servir de base para a elaboração de programas de integração social e assistência médica às gerações futuras.

Partindo de outro ângulo, uma equipe composta por médicos,  fisioterapeutas, profissionais de educação física e físicos dedica-se a estudar a biomecânica do movimento em corredores para avaliar se os tênis especializados desempenham com eficiência sua função corretiva e de suporte da pisada.  Nestes estudos o movimento tridimensional dos corredores é avalidado por um método onde são utilizadas várias câmeras de vídeo para captação de imagens que permite o cálculo de ângulos, ajudando a destrinchar o efeito de cada tipo de calçado durante a corrida.  Deste trabalho podem surgir recomendações pertinentes tanto às empresas que manufaturam os calçados, quanto à comunidade dos profissionais de saúde que assistem os corredores, explica o físico Marcos Duarte, da UFABC.  Ainda no universo da biomecânica, outras equipes estudam a movimentação da articulação do ombro de judocas e arremessadores de handebol para definir os padrões de movimento que podem preceder lesões, com o intuito de elaborar programas de fortalecimento e prevenção.

Quanto ao desempenho em ambiente competitivo, uma equipe de médicos, treinadores, fisioterapeutas e psicólogos estuda o perfil completo dos mesatenistas da seleção brasileira. Esta modalidade, promissora para o Brasil nos jogos de Londres deste ano, ainda não contava com programas de treinamento altamente individualizados e respaldados pela ciência. A equipe de pesquisadores do Vita realizou uma bateria de exames médicos, ergoespirométricos, físicos e psicológicos específicos para mesatenistas. Com base nos resultados destes testes, desenvolveram-se ciclos de treinamento que visam aumentar a performance do atleta sem esquecer da qualidade da experiência do indivíduo durante os jogos olímpicos. E estes são apenas alguns exemplos.

Os 10 projetos “Ciência no Esporte 2012”, desenvolvidos dentro do Vita Care, uma Organização da Sociedade Civil e Interesse Público (OSCIP) ligada ao Instituto Vita, são executados por uma equipe de 10 pesquisadores,  12 médicos, e 3 coordenadores. O programa fez-se possível através do financiamento da Lei de Incentivo ao Esporte e do apoio de empresas como a Adidas, 3M, Durafloor, Duratex e Deca. Esta lei, da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo, entrou em vigor em 2008 e prevê mais de R$ 60 milhões de reais em incentivos para realização de diversas atividades filantrópicas e sociais lideradas por várias organizações sem fins lucrativos, como ONGs, ou fundações. O Vita Care é a primeira OSCIP a receber o apoio da Lei do Incentivo ao Esporte para ações de um programa de pesquisa, afirma Daniel Carreira, gestor do Vita Care.

Os projetos “Ciência no Esporte 2012” representam um grande passo no sentido de traduzir achados científicos para aplicações práticas que melhorem diretamente a saúde do atleta. Eles têm em comum a visão do atleta como um todo: um sistema físico altamente capacitado comandado por uma mente que também merece cuidados. Nossa missão é não só adicionar conhecimento às diversas áreas da ciência esportiva, mas torná-lo acessível ao público, melhorando, desta forma, a qualidade de vida do atleta, tanto profissional quanto amador, movimento por movimento.





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