Gazeta Esportiva

Arquivos do mês: junho 2012


Os celulares evoluíram de simples telefones móveis para computadores multifuncionais superportáteis. Cada vez mais pessoas têm acesso a este tipo de aparelho e os planos de telefonia oferecidos apresentam mais facilidades para os planos de dados e de mensagens.

A mensagens de texto, pela sua comodidade e preço, tornaram-se o método preferencial de comunicação de boa parte da nossa população, desde o adolescente com poucos créditos no celular que formata mensagens de texto no teclado alfanumérico até os executivos que respondem aos e-mails nos seus “smartphones”.

O que essas populações têm em comum são um novo tipo de digitação e navegação, baseados no uso dos polegares. Muitas vezes, um único polegar é responsável por segurar o aparelho, navegar e digitar simultaneamente.

Um estudo canadense recente, com 140 pessoas do meio universitário, mostrou que 84% apresentavam alguma dor e a mais comum foi a no polegar. O uso do navegador de internet aumenta em 2,21 vezes a chance de dor no polegar, quando comparado com usuários de celular sem  internet.

Mesmo com o uso das abreviações e com a subtração de letras das palavras, o ritmo frenético enfrentado pelo polegar é muitas vezes maior que aquele que a natureza o preparou para enfrentar.

Essa sobrecarga gera um tipo de lesão que vem sido reportada desde meados dos anos 2000. Termos como “texting tendinitis” têm sido reportadas principalmente em adolescentes digitadores compulsivos.

Como essas lesão acontecem?

O polegar tem vários movimentos. O movimento de flexão é realizado pela ação de um tendão forte, robusto, preparado para suportar até o peso do corpo de uma pessoa. O movimento de extensão, entretanto, é realizado por um tendão delgado cuja função primordial é posicionar o polegar momentaneamente para que ele possa apanhar um objeto.

Na vida moderna, para cada clique que o polegar realiza, segue-se um movimento de extensão, que, ao final de várias mensagens acaba por causar microlesões no delicado tendão extensor que, então se inflama. A própria articulação da base do polegar (chamada trapézio-metacarpal) também se inflama pelo excesso de atrito do movimento circular do polegar (em busca do 2ABC, ou do 9WXYZ), gerando um tipo de artrite (inflamação na articulação).

Felizmente, essas inflamações tendem a melhorar com o repouso, com o uso da bolsa de gelo e com medicamentos analgésicos.

Como então evitar essas lesões?

Além das orientações básicas, como evitar longos períodos digitando e fazer alongamentos periódicos, há algumas dicas úteis:

1                            Faça o uso consciente dos teclados dos celulares, pensando bem se é mesmo necessária a comunicação imediata ou se é possível esperar até encontrar um teclado normal (ajuda a controlar a ansiedade e evitar mensagens impulsivas, geralmente desastrosas)

2                            Evite navegar ou digitar com a mesma mão que segura o celular. Prefira dividir o trabalho entre as duas mãos ou apoie o celular

3                            Ative o sistema de “predição de texto”, “texto preditivo”, ou sistema similar que “adivinha” o que você está tentando escrever. Na maioria das vezes, ajuda.

4                            Em caso de necessidade profissional para o uso desses aparelhos, existe o médico e o terapeuta especializados em mãos, que podem fazer o diagnóstico específico e o tratamento adequado.

Os “smartphones” são uma tendência sem volta no nosso dia-a-dia e, até que apareçam aparelhos melhor adaptados aos seres humanos, cabe a nós usá-los com o máximo de consciência possível para podermos usufruir dos seus benefícios.

Mateus Saito

Cirurgião da Mão do Insituto Vita e da OSCIP Vita Care

Membro titular das Sociedades Brasileiras de Cirurgia da Mão (SBCM), Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Medicina do Esporte e do Exercício (SBME).

Usuário consciente de smartphone.

REFERÊNCIAS

1- Williams IW, Kennedy BS. -  Texting tendinitis in a teenager. J Fam Pract. 2011 Feb;60(2):66-7

2 - Berolo S, Wells RP, Amick BC 3rd. Musculoskeletal symptoms among mobile hand-held device users and their relationship to device use: A preliminary study in a Canadian university population. Appl Ergon. 2011 Jan;42(2):371-8.

3 - Ashurst JV, Turco DA, Lieb BE. Tenosynovitis caused by texting: an emerging disease. J Am Osteopath Assoc. 2010 May;110(5):294-6.

4 - Storr EF, de Vere Beavis FO, Stringer MD. Texting tenosynovitis. N Z Med J. 2007 Dec 14;120(1267):U2868.

5 - Yoong JK. Mobile phones can be a pain–text messaging tenosynovitis. Hosp Med. 2005 Jun;66(6):370.

6 - Menz RJ. ”Texting” tendinitis. Med J Aust. 2005 Mar 21;182(6):308.

A popularidade da corrida tem aumentado significadamente ao longo das últimas décadas devido aos benefícios que traz à saúde. Em contrapartida, houve um aumento da taxa de lesões musculoesqueléticas por sobrecarga do tornozelo e dos pés dos corredores. Sabe-se que a qualidade do movimento da pisada, ou seja, a maneira como o pé se apoia no chão e sua posição em relação ao tornozelo durante a corrida, é um dos fatores que influenciam a incidência dessas lesões. As pisadas podem ser classificadas, com base no ângulo formado entre o calcanhar e o tornozelo, como neutras, supinadas (as laterais do pé exercem maior pressão no chão), e pronadas (a parte de dentro do pé exerce mais pressão com colapso do arco).  A pisada pronada, além de ser a mais comum, já foi também relacionada na literatura com um número maior de lesões. Desta forma, há grande interesse da comunidade científica e médica, assim como das empresas responsáveis pela produção de tênis de corrida,  tanto em métodos eficientes para classificação das pisadas quanto nos mecanismos de lesão.

            Para identificar o método mais apropriado para diagnóstico da pisada uma equipe multidisciplinar de fisioterapeutas, preparadores físicos, ortopedistas e físicos do Instituto Vita e Vita Care avaliará três tipos de testes aplicados atualmente. Dentre eles destaca-se o baropodômetro, ou tapete de pressão, um dispositivo que produz uma imagem colorida (ILUSTRAÇÃO) dos pés do indivíduo avaliado com base na pressão exercida por diferentes áreas da planta do pé. Esse tapete é amplamente utilizado devido à sua portabilidade e facilidade de uso, porém gera uma análise estática do pé e não é capaz de avaliar a funcionalidade dinâmica. Nossa equipe multidisciplinar pretende avaliar a confiabilidade do baropodômetro para implementar melhorias do método.  Paralelamente, analisaremos também a influência do tênis SUPERNOVA SEQUENCE da marca ADIDAS para pronadores na pisada de corredores.

            Participarão destes dois projetos 34 corredores amadores de ambos os sexos, idade entre 20 e 40 anos. Um sistema de análise do movimento composto por 6 câmeras de vídeo que operam no infravermelho será utilizado para registrar marcadores posicionados em pontos anatômicos dos pés e pernas dos corredores durante a marcha e a corrida em uma esteira ergométrica. A partir dessas imagens será construído um modelo tridimensional do esqueleto do corredor em movimento que será usado para a classificação da pisada com e sem o tênis especializado. Os resultados desta avaliação cinemática tridimensional serão comparados com os obtidos através do baropodômetro e da avaliação subjetiva visual.  Desta forma, poderemos determinar o melhor método para classificar a pisada, além de avaliar o benefício produzido por tênis especializados em corrigir a pisada dos corredores. Estes conhecimentos auxiliarão no entendimento dos mecanismos de gênese de lesões por sobrecarga sofridas comumente por corredores, e permitirão a prescrição de tratamento adequado.  

Pesquisadora Responsável: Andreia Miana – Vita Care

A prática esportiva submete os atletas a esforços intensos que, por vezes, se constituem em forte determinante de lesões e consequentemente afastamento das competições. São exemplos destes esforços os arremessos que são movimentos centrais à pratica de certas modalidades esportivas tais como: handebol, basebol, tênis (saque), voleibol (arremate) e atletismo (lançamentos de dardo). Nestes movimentos o ombro atua como alavanca, possibilitando a transferência de energia cinética gerada nos membros inferiores e tronco para o membro superior. Para que a execução do arremesso seja bem sucedida é preciso coordenar e sincronizar a ação dos músculos agonistas responsáveis pela aceleração e dos antagonistas, responsáveis pela desaceleração e frenagem do movimento. 

No handebol, especificamente, os atletas realizam cerca de 48.000 arremessos por temporada, com velocidade média de 130 km/h, um nível de desempenho que ultrapassa os limites fisiológicos do ombro. Um bom arremesso depende do aumento da capacidade de aceleração do movimento que se traduz no desequilíbrio entre os grupos musculares do ombro, com fortalecimento dos agonistas e enfraquecimento dos antagonistas. Este desequilíbrio, por sua vez, resulta em instabilidade da articulação do ombro expondo a musculatura e os tendões à ocorrência de lesões.

Há muito pouco na literatura sobre a movimentação do ombro durante o arremesso do handebol. O objetivo deste estudo é avaliar as relações entre a musculatura agonista e antagonista do ombro durante todas as fases do movimento de arremesso do handebol para estabelecer protocolos de treinamento que visem a melhora do desempenho e contribuam na prevenção de lesões.

Este projeto de pesquisa está em desenvolvimento desde o dia 01 de fevereiro de 2012, é coordenado pela equipe de profissionais do Instituto Vita e Vita Care, e subvencionado pela Lei de Incentivo ao Esporte do Estado de São Paulo – Projeto Ciência no Esporte e conta com o apoio de empresas como: 3M, Adidas, Deca, Duraflor e Duratex.

Marcos Caetano

Professor de Educação Física

Instituto Vita

Com o aumento no número de participantes em esportes competitivos, cresceu também o interesse pelo estudo epidemiológico de lesões e suas características. O número de lesões que os atletas sofrem durante a vida esportiva é influenciado por diversas variáveis, como gênero e características mecânicas do esporte. Os dados epidemiológicos encontrados na literatura sugerem também que fatores como volume de treino, tempo no esporte e a estrutura técnica da equipe podem determinar a frequência de lesões. No entanto, os estudos epidemiológicos, além de esparsos, oferecem achados inconsistentes. Por esse motivo, o objetivo desse trabalho é avaliar o impacto de variáveis físicas, psicossociais e relacionadas ao treino especifico de atletas de alto rendimento em diversas modalidades, no aparecimento de lesões. Para isso, mais de 270 atletas do Esporte Clube Pinheiros, representando 12 modalidades esportivas responderão a questionários que registrarão dados pessoais e informações retrospectivas das lesões sofridas por eles durante toda a sua carreira. O índice e a natureza das lesões serão então correlacionados com diversas variáveis consideradas relevantes na literatura e pela nossa equipe de treinadores, ortopedistas, fisioterapeutas e psicólogos. A nossa hipótese é que atletas do sexo feminino e os que praticam esportes de alto impacto apresentarão mais lesões. Os resultados deste trabalho contribuirão para o melhor entendimento dos fatores de risco para o desenvolvimento de lesões e poderão servir como base para elaboração de programas de prevenção.

Carla Prisco Arnoni

Professora de Educação Física

Instituto Vita

 

A gestão da carreira esportiva no Brasil é tema que requer mais atenção e estudo já que apresenta características distintas das outras profissões. O futebol de campo, que oferece visibilidade e retorno financeiro, mas que antagonicamente possui pouca estrutura extra campo, talvez seja um dos esportes onde o atleta esteja menos preparado para enfrentar a aposentadoria. Considerando a identidade atlética e suas múltiplas implicações, dois projetos em andamento desde Fevereiro de 2012 estudam a transição de carreira dos ex-atletas de futebol participantes de Copa do Mundo.  Ex-jogadores de futebol de campo que tenham participado de uma ou mais Copas do Mundo representando o Brasil vêm sendo entrevistados por uma equipe de treinadores e psicólogos do Instituto Vita e do Vita Care, em colaboração com uma equipe de psicólogos da Faculdade de Educação Física da USP. Os projetos têm por finalidade estabelecer uma visão geral da qualidade de vida do ex-jogador, considerando a saúde física, psicológica, nível de independência, relações sociais e meio em que vive.  A partir das histórias de vida pretende-se analisar aspectos que possam embasar estratégias de enfrentamento e suscitar discussões para elaboração de documento referencial. Os projetos de pesquisa em desenvolvimento são financiados pela Lei de Incentivo ao Esporte do Estado de São Paulo e contam com o apoio de empresas como: Adidas, Deca, Duraflor, Duratex e  3M.