Gazeta Esportiva

Arquivos do mês: agosto 2012

Há quantos anos todos nós, brasileiros, ouvimos as mesmas notícias, desculpas e “broncas” imediatamente após o fim dos Jogos Olímpicos? Ontem, em uma grande emissora de rádio de SP ouvi comentários que demonstram nossa incapacidade de avaliar a realidade do meio esportivo nacional. O radialista, em sua análise, atribuiu a responsabilidade do que chamou de fracasso Olímpico à ausência de estrutura para o componente curricular educação física e o não desenvolvimento dos esportes na escola. Cabe aqui lembrar que a escola não tem como objetivo formar ou favorecer o desenvolvimento específico desta ou daquela potencialidade humana, mas sim a formação básica de qualidade do cidadão brasileiro.

Vamos aos fatos concretos, façamos uma conta rápida para melhor compreender a realidade e a proposta de desenvolvimento do esporte olímpico na escola. Temos um ano letivo com 200 dias com dois encontros semanais reservados para a Educação Física, ou seja, um total máximo de 80 aulas anuais. Se considerarmos que o componente está presente da primeira série do ensino fundamental até a terceira do ensino médio, teremos 12 anos ou 960 encontros para essa disciplina, e cada um deles com duração máxima de 50 minutos com cerca de 40 seres humanos para organizar. Agora, se vamos considerar os esportes olímpicos como uma prioridade de oferta durante essas aulas, ainda que incoerente e descabida, qual será o tempo necessário para que ocorra este relacionamento entre o aluno e a modalidade esportiva? Além da diferença de gêneros, que deveria ser respeitada quando pensássemos na especificidade esportiva.

Podemos até aceitar que o espaço de convergência descentralizado representado pela escola é excelente, mas não cabe à Educação Básica Nacional resolver o problema do esporte competitivo. No máximo podemos esperar que as crianças e os jovens se apropriem de saberes sobre as práticas esportivas e as adotem em suas vidas, não apenas para o rendimento esportivo, mas principalmente na expectativa de uma melhor qualidade de vida. Também cabe ao componente curricular o ensinamento sobre o significado das práticas da cultura corporal de movimento, dentre elas o esporte.

A Educação Básica busca formar o cidadão e não apenas o esportista, o escritor, o jornalista, o médico e tantas outras potencialidades humanas. Ou será que queremos formar os expectadores esportivos?

Prof. Daniel Carreira Filho