Gazeta Esportiva

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Será que precisamos de ciência no esporte? Basta pensar na ciência por trás dos diferentes métodos de treinamento físico e na tecnologia por trás dos equipamentos esportivos disponíveis aos atletas atualmente para responder. Protocolos de treinamento específicos para cada modalidade esportiva; calçados especializados para a pisada de cada corredor; tecidos inteligentes que facilitam a evaporação do suor e melhoram o desempenho; robôs que atiram bolas de tênis de mesa com frequência e velocidades pré-programadas durante o treinamento; instrumentos, como os dinamômetros, para medir a força de cada grupo muscular. A ciência está por trás de muitas das melhorias que afetam a vida do atleta e que vão bem além do tipo de calçado que usa ou da fibra do seu uniforme.  Os dez projetos do programa “Ciência no Esporte”, apoiados pela Lei estadual de Incentivo ao Esporte e desenvolvidos dentro do Instituto Vita, são a prova disso.

Os projetos tratam de temas diversos no âmbito do esporte, abordando tanto aspectos físicos como psicossociais de atletas de várias modalidades. Por exemplo, uma equipe de pesquisadores composta por treinadores físicos, psicólogos e médicos estuda a saúde e as condições de vida de ex-jogadores de futebol da seleção brasileira que paticiparam de copas do mundo. O objetivo central deste projeto é traçar o perfil do ex-jogador com ênfase no momento delicado de transição de vida representado pela aposentadoria. Os resultados desta pesquisa contribuirão para o entendimento mais detalhado dos fatores que influenciam a qualidade de vida do atleta aposentado, podendo servir de base para a elaboração de programas de integração social e assistência médica às gerações futuras.

Partindo de outro ângulo, uma equipe composta por médicos,  fisioterapeutas, profissionais de educação física e físicos dedica-se a estudar a biomecânica do movimento em corredores para avaliar se os tênis especializados desempenham com eficiência sua função corretiva e de suporte da pisada.  Nestes estudos o movimento tridimensional dos corredores é avalidado por um método onde são utilizadas várias câmeras de vídeo para captação de imagens que permite o cálculo de ângulos, ajudando a destrinchar o efeito de cada tipo de calçado durante a corrida.  Deste trabalho podem surgir recomendações pertinentes tanto às empresas que manufaturam os calçados, quanto à comunidade dos profissionais de saúde que assistem os corredores, explica o físico Marcos Duarte, da UFABC.  Ainda no universo da biomecânica, outras equipes estudam a movimentação da articulação do ombro de judocas e arremessadores de handebol para definir os padrões de movimento que podem preceder lesões, com o intuito de elaborar programas de fortalecimento e prevenção.

Quanto ao desempenho em ambiente competitivo, uma equipe de médicos, treinadores, fisioterapeutas e psicólogos estuda o perfil completo dos mesatenistas da seleção brasileira. Esta modalidade, promissora para o Brasil nos jogos de Londres deste ano, ainda não contava com programas de treinamento altamente individualizados e respaldados pela ciência. A equipe de pesquisadores do Vita realizou uma bateria de exames médicos, ergoespirométricos, físicos e psicológicos específicos para mesatenistas. Com base nos resultados destes testes, desenvolveram-se ciclos de treinamento que visam aumentar a performance do atleta sem esquecer da qualidade da experiência do indivíduo durante os jogos olímpicos. E estes são apenas alguns exemplos.

Os 10 projetos “Ciência no Esporte 2012”, desenvolvidos dentro do Vita Care, uma Organização da Sociedade Civil e Interesse Público (OSCIP) ligada ao Instituto Vita, são executados por uma equipe de 10 pesquisadores,  12 médicos, e 3 coordenadores. O programa fez-se possível através do financiamento da Lei de Incentivo ao Esporte e do apoio de empresas como a Adidas, 3M, Durafloor, Duratex e Deca. Esta lei, da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo, entrou em vigor em 2008 e prevê mais de R$ 60 milhões de reais em incentivos para realização de diversas atividades filantrópicas e sociais lideradas por várias organizações sem fins lucrativos, como ONGs, ou fundações. O Vita Care é a primeira OSCIP a receber o apoio da Lei do Incentivo ao Esporte para ações de um programa de pesquisa, afirma Daniel Carreira, gestor do Vita Care.

Os projetos “Ciência no Esporte 2012” representam um grande passo no sentido de traduzir achados científicos para aplicações práticas que melhorem diretamente a saúde do atleta. Eles têm em comum a visão do atleta como um todo: um sistema físico altamente capacitado comandado por uma mente que também merece cuidados. Nossa missão é não só adicionar conhecimento às diversas áreas da ciência esportiva, mas torná-lo acessível ao público, melhorando, desta forma, a qualidade de vida do atleta, tanto profissional quanto amador, movimento por movimento.

O uso da crioterapia para finalidade terapêutica é frequentemente utilizado por fisioterapeutas e profissionais que lidam com a reabilitação

Neste artigo iremos responder algumas perguntas sobre a utilização do gelo como forma terapêutica, seus benefícios, efeitos fisiológicos, quando e como utilizar a crioterapia de forma a ajudar no tratamento e reabilitação no futebol.

Mas afinal o que é crioterapia?

Crioterapia visa com sua aplicação de uma substância, reduzir a temperatura local, consequentemente diminuindo a temperatura tecidual.

Efeitos fisiológicos da crioterapia na fase aguda de lesão

Sobre o Metabolismo celular

A aplicação de gelo na fase aguda faz com que ocorra vasoconstrição relativa gerando efeito de bombeamento reduzindo o metabolismo celular, consequentemente, as reações químicas também serão mais lentas. Sabe-se, também, que o frio age inibindo a liberação de histamina. Após uma lesão as células lesadas estimulam a liberação de histamina que é um poderoso vasodilatador que acarretará em um aumento drástico no fluxo sanguíneo para determinada área. O efeito global deste processo é o surgimento e a manutenção de grandes quantidades de líquido edematoso.

Sobre a Dor

O frio é um recurso que também é utilizado para alívio da dor, ajudando assim no tratamento e na reabilitação das lesões. A baixa temperatura promoverá a redução na velocidade de condução nervosa após a aplicação de crioterapia, o frio alivia a dor através do mecanismo de controle das comportas por interferir na transmissão dos impulsos dolorosos.

Espasmo muscular

Existem três hipóteses:

1) Diminuição da transmissão nervosa pelas vias aferentes (o frio diminui a velocidade da condução nos nervos motores e sensitivos, causando uma diminuição na atividade motora);

2) Mecanismo reflexo;

3) Quebra do ciclo espasmo-dor, sendo que, com o efeito analgésico do uso do gelo, ocorreria a diminuição da dor com a quebra do ciclo espasmo-dor.

Qual o maior beneficio do uso da crioterapia?

O maior beneficio, além dos efeitos que a crioterapia oferece, é o baixo custo e a fácil aquisição, pois como gelo é um produto natural e de fácil acesso.

Quando e como utilizar a crioterapia?

A crioterapia geralmente é utilizada na fase aguda da lesão. Sua utilização ocorre de diversas formas, tais como: bolsas de gelo convencionais; bolsas de gelo comerciais; balde ou banho de gelo e, também, massagem com gelo.

Marwan Lopes

Fisioterapeuta – Vita Care

O momento por que passamos, enquanto país responsável pelo desenvolvimento de inúmeros eventos esportivos em nível mundial, favorece a ocorrência de encontros que discutam o fenômeno com a ampliação da “lupa de observação” e diversidade de posicionamentos.

Com esse objetivo e centrando as discussões em quatro diferentes pontos de análise: Atividade Física e Saúde; Esporte e Saúde; Políticas Públicas para a Atividade Física e Esporte e; Medicina do esporte, será desenvolvido, na sede da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, nos dias 10, 11, 12 e 13 de abril, o Seminário: “Esporte, Atividade Física e Saúde”, com a presença de renomados professores, pesquisadores e administradores da área.

O encontro é facultado a todos os interessados pela temática, gratuito e com o fornecimento de certificados de participação a todos os presentes no encontro com frequência igual ou superior a 75%.

Para tomar conhecimento da programação, receber ficha de inscrição e poder confirmar participação basta encaminhar e-mail para cursos@vita.org.br aos cuidados de Andrea e/ou Ana Eliza.

 

A lesão muscular se constitui em uma das principais lesões dentro da medicina do esporte e acomete tanto praticantes de atividade física como atletas profissionais, podendo ser uma consequência importante do processo de fadiga muscular, sobretudo  em corredores de longa distância.

         De uma maneira geral as lesões resultantes de atividades esportivas podem ser classificadas em dois grupos básicos: 1

1. Lesões intrínsecas: causadas por fatores individuais e biológicos (fatores antropométricos, história pregressa do atleta, nível de condicionamento).

2. Lesões extrínsecas: causadas por fatores externos e do meio ambiente (piso de corrida, equipamento esportivo, condições climáticas).

As corridas de longa distância, esporte considerado sem contato físico, normalmente geram lesões intrínsecas1.  As mais comuns incluem tendinopatias, bursites, fasciites, fraturas de stress e lesões musculares.  As lesões musculares afetam os corredores principalmente durante os treinos de velocidade, incluindo os tiros e os intervalados.  Os atletas de elite podem apresentar maior predisposição a este tipo de lesão pela alta intensidade de seus treinamentos.  A literatura atual classifica estas lesões em diretas ou indiretas (mecanismo de ação), parciais ou totais (resultado da lesão), e traumáticas ou atraumáticas (presença ou ausência de contato físico) 1 .   

O estiramento muscular é uma lesão indireta frequente entre os corredores.  É causado por um alongamento das fibras musculares além de sua capacidade normal de trabalho, decorrente de ciclos intensos de contração e relaxamento do músculo envolvido.  Ocorre geralmente na junção músculo-tendínea, área de menor resistência do músculo, ou também na inserção do tendão ao osso, em situações na qual o músculo não está adequadamente alongado, portanto despreparado para aquele esforço físico.  Durante treinamentos que envolvem velocidade, como os intervalados ou tiros, lesões musculares são frequentes. 

Os treinos intervalados predispõem a estes tipos de lesões, pois a musculatura exerce um esforço forte e contínuo durante os intervalos pré-determinados do treino, e os tiros são preocupantes pois entre um esforço físico e outro o músculo pode contrair excessivamente e perder parte de sua capacidade de se alongar, tornando o atleta predisposto a sofrer uma lesão no tiros seguintes ou ao final da sessão.   

Fatores como fadiga muscular e lesões prévias são importantes considerações a serem feitas na prevenção de estiramentos musculares.  A fadiga muscular, característica presente principalmente no final das sessões de treinos de velocidade, provoca uma alteração no automatismo do movimento de corrida do atleta e, portanto se torna um fator predisponente para a ocorrência de lesões.  As lesões prévias induzem à formação de fibrose (tecido cicatricial) nas áreas afetadas que não apresentarão a mesma capacidade de alongamento e força que tecidos não lesados, portanto constituindo um local propício para o surgimento de novas lesões.  A atividade adequada de toda a musculatura dos membros inferiores, seguida de exercícios de alongamento, são condições que auxiliam na preparação desta musculatura e consequentemente reduzem os riscos de estiramentos.  No caso de corredores, as regiões mais afetadas incluem a parte posterior (atrás) da coxa, especificamente os músculos ísquio-tibiais, e a panturrilha (batata da perna).       

O sintoma clínico característico referido pelo atleta é uma fisgada no músculo, seguida de dor e comprometimento da função muscular a ponto de interromper o treinamento ou a competição.  Parada a atividade física, deve-se aplicar gelo na região acometida em ciclos de 10 a 15 minutos, através de bolsa envolvida por tecido fino para a proteção da pele, e feita uma bandagem para a compressão do local.  O membro deve permanecer elevado e em repouso, porém a imobilização deve ser evitada ao máximo a fim de minimizar a perda de tônus muscular e propriocepção (sensibilidade do movimento).  Como medicamentos, podem ser utilizados os analgésicos, já que os antiinflamatórios podem comprometer o mecanismo de reparação tecidual em andamento.  Todas estas condutas, que objetivam a diminuição da dor e o controle do edema, podem ser seguidas pelas próximas 24-48 horas.  Após este período, são introduzidas as medidas fisioterápicas que incluem a utilização de ultra-som pulsado para o auxílio da regeneração dos tecidos.  Na terceira semana devem ser iniciados os exercícios para o ganho de força desta musculatura e amplitude de movimento das articulações envolvidas.  O objetivo do tratamento deve ser o retorno ao esporte em cinco semanas.  Persistindo a dor, é necessária uma consulta com um médico especialista em medicina esportiva para a correta reavaliação da lesão e condução do tratamento.  É importante salientar que a reabilitação adequada das lesões musculares depende de um diagnóstico médico preciso, tratamento fisioterápico completo e colaboração total do atleta.

Referência Bibliográfica:

     1. Cohen, M., Abdalla, R., Lesões nos Esportes – diagnóstico, prevenção, tratamento Revinter, 2003

Dr José Marques Neto

Médico formado pela Faculdade de Medicina USP – Pinheiros.  Especialista em Ortopedia e Medicina Esportiva pelo Hospital das Clínicas.  Pós-graduado em Fisiologia do Exercício pelo ICB – USP.  Ortopedista e médico do esporte do Instituto VITA (São Paulo).

A associação entre medicina e hospital é muito comum. A maior parte dos médicos vive essa rotina de consultório e jaleco branco, no entanto, existem aqueles que trocam tais lugares por gramados e quadras. É nesse contexto que vive o médico do esporte.

            A profissionalização de atletas e a organização de clubes esportivos permitiu a criação de comissões técnicas cada vez mais especializadas. Hoje, fazem parte dessa comissão: técnico, auxiliar técnico, preparador físico, fisiologista, fisioterapeuta e médico, entre outros. A participação de cada um desses profissionais tem se tornado cada vez mais importante a medida que crescem as exigências físicas dos atletas.

            Dentre as funções do médico estão: avaliações periódicas de atletas, diagnóstico e tratamento das lesões e doenças mais comuns entre os atletas, prevenção de lesões, atendimento de emergência e primeiros socorros, reabilitação, acompanhar e criar programas de retorno progressivo ao esporte, orientar outros membros da comissão técnica e atletas. Sendo assim, deve ter conhecimentos em cardiologia, traumatologia, fisiologia do exercício, biomecânica, nutrição, atendimento de emergência.

            Para exercer todas essas funções com maestria é necessário investimento em estrutura e em profissionais de diversas disciplinas. Em um departamento médico, assim como nos esportes coletivos ninguém faz nada sozinho, é preciso trabalhar em equipe. O treinamento dos profissionais envolvidos é fundamental, ter conhecimento do esporte, conhecer o padrão de movimento do gesto esportivo e relacionar com lesões específicas. Restrição de sono, hábitos alimentares, uso de álcool, cigarro e drogas também podem implicar em queda de rendimento e doenças.

            A preparação do médico pode ser realizada através de cursos de atualização como é o caso do curso “Team Physician” de órgãos como American College of Sports Medicine (ACSM) e International Federation of Sports Medicine (FIMS), existem também cursos de pós graduação na área, muitos médicos vem de outras especialidades como é o caso da Ortopedia e da Cardiologia, atualmente, já existe há 5 anos residência de Medicina do Esporte e do Exercício.

            Fica a cargo do departamento médico a compra de medicamentos, equipamentos de resgate, mala de campo, organização de enfermaria e ambulatório. Outro problema muito comum é atuar em outras localidades, como obter o material ou exame necessário em outras cidades, estados ou países. Problemas relacionados as leis que regem os esportes como é o caso da lista de medicamentos que não podem ser utilizados por atletas, também, devem ser de conhecimento de toda comissão técnica.

Leonardo Kenji Hirao

Medicina do Esporte e do Exercício

Grupo de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas – FMUSP

A obesidade já é caracterizada por muitos como uma pandemia. As causas são as mais variadas possíveis passando pelas emocionais, sociais e biológicas. A questão é por que estamos engordando?

A literatura científica tem apontado para fatores ambientais, como sedentarismo e consumo de gordura na dieta, e não para uma tendência genética no crescimento da obesidade mundial. Diversos pesquisadores têm apresentado as possibilidades de fatores ambientais modificarem a expressão gênica, ativando proteínas capazes de modificar a manifestação dos genes contidos no DNA. Isto significa que não teríamos uma alteração na sequência dos genes, mas sim uma alteração em como estes genes estão sendo manifestados no organismo.

No esquema abaixo podemos visualizar estes fatores.

A tendência secular no aumento da obesidade parece ocorrer paralelamente à redução na prática de atividade física e aumento no sedentarismo. O hábito da prática de atividade física é influenciado na criança pelos pais, e quando desenvolvidos nesta fase, tendem a se manter do mesmo modo até a fase adulta. Além disso, uma redução natural no gasto energético é observada com a modernização, ocasionando estilo de vida mais sedentário com transporte motorizado, equipamentos mecanizados que diminuem o esforço físico de homens e mulheres tanto no trabalho como em casa. Já foi demonstrada uma redução de aproximadamente 600 kcal/dia nas crianças com a diminuição do tempo despendido com brincadeiras de rua e o aumento do tempo assistindo televisão. Para uma criança que tem como necessidade diária 1500 kcal, esta redução de 600 kcal é muito significativa. Do mesmo modo cortar grama com as mãos gastava aproximadamente 500 kcal/h, enquanto, com a utilização de cortadores elétricos de grama o gasto diminuiu para 180kcal/h, lavar as roupas no tanque consumia aproximadamente 1500kcal/dia enquanto usar a máquina de lavar requer apenas 270kcal/2h para a mesma quantidade de roupas. De fato poucas atividades hoje em dia são classificadas com muito ativas, enquanto há algumas décadas atrás várias atividades tinham esta característica.

Por outro lado a oferta, disponibilidade e o acesso aos alimentos aumentaram muito nas últimas décadas. As porções servidas em alguns restaurantes, lanchonetes são cada vez maiores e se não forem o cliente reclama que saiu com fome. O refrigerante pequeno em boa parte dos cinemas no Brasil tem meio litro. Tudo leva a um consumo cada vez maior. Com a globalização e a melhora da condição social um número muito maior de pessoas tem acesso a alimentos industrializados em detrimento do consumo de alimentos in natura, frescos. No caso do Brasil, as mudanças demográficas, socioeconômicas e epidemiológicas ao longo do tempo permitiram que ocorresse a denominada transição nos padrões nutricionais, com a diminuição progressiva da desnutrição e o aumento da obesidade. Estas mudanças encontradas no padrão alimentar da população brasileira com maior consumo de gordura saturada, maior ingestão de açúcar, redução do consumo de fibras, cereais (como arroz, feijão) é responsável, junto com a redução do gasto energético, pelo aumento da obesidade e sobrepeso, mas também pela dificuldade que indivíduos comuns têm em emagrecer.

Hoje a ida a academia por 1h ao dia é o mínimo que podemos fazer para compensar todo conforto da vida moderna. Hoje em dia, além deste conforto temos várias desculpas que acabam nos conduzindo a um comportamento mais sedentário, por exemplo, as pessoas não andam a pé porque se sentem inseguras, as crianças brincam mais no computador, dentro dos apartamentos porque é mais seguro. É claro que estes argumentos são válidos, mas não será que acabamos nos apoiando neles para mantermos uma atitude mais sedentária e confortável? Temos vários bairros em São Paulo, ou pequenas cidades nas quais as pessoas moram perto de shoppings, bancos, perto das escolas e mesmo assim acabam fazendo tudo de carro. Até que ponto falamos de insegurança e até que ponto preferimos o conforto? Se o problema é segurança por que então não usamos as escadas ao invés dos elevadores em shoppings, prédios? Por que preferimos chamar um colega de trabalho que está alguns metros de nós pelo telefone ao invés de caminharmos até ele? Sei que muitos dirão, para ganhar tempo…então direi, e perder saúde!

Podemos optar pelo conforto, mas temos que ter consciência do custo que isto representa por outro lado. Precisamos comer menos e melhor, gastar mais energia nas academias e clubes, onde nos sentimos mais seguros, pois do contrário o balanço energético só pode ser positivo: gastamos menos, consumimos mais = engordar.

Algumas dicas práticas:

1) Tente fazer seu dia mais ativo, sempre que possível use escadas, caminhe mais

2) Faça exercícios regularmente, isto tem que ser uma prioridade, é questão de saúde

3) Consuma alimentos mais integrais e frescos, evite alimentos industrializados

4) Coma menos, uma dica: NUNCA repita. Sirva-se uma vez, acabou, acabou!

Luciana Lancha

Nutricionista e Bacharel em Esporte

A exigência de avaliação médica antes de se iniciar a atividade física em academias, parques e clubes tem sido cada vez mais freqüentes. Esse processo é comumente denominado de avaliação pré-participação.

Tal prática é utilizada há alguns anos em países europeus e norte americanos, e tem como objetivo principal rastrear doenças e identificar fatores de risco cardiovasculares que possam ser lesivos para a saúde. Entre os atletas de alta performance é fácil entender o porquê das avaliações periódicas, basta lembrarmos de algumas tragédias como a dos jogadores de futebol Serginho, Miklos Feher e Marc-Vivien Foe.

A Itália foi o primeiro país a tornar obrigatória a avaliação pré-participação entre atletas que entrassem em qualquer competição oficial, construíram centros de formação e treinamento de profissionais altamente capacitados e centros de avaliação de atletas e investigação de patologias. A partir disso, protocolos de avaliação inicial que incluem história pessoal e familiar, exame físico e eletrocardiograma foram desenvolvidos e aplicados com os rigores necessários. Passados quase 30 anos, podemos verificar uma diminuição importante no número de atletas que apresentaram morte súbita em solo italiano.

Apesar de ser discutível o uso de exames como eletrocardiograma, teste de esforço e ecocardiograma, não se discute a importância da avaliação periódica de atletas. No entanto, quando falamos em esportistas amadores, praticantes de atividade física e pessoas que desejam iniciar atividade física não existem estudos científicos que sustentem tal prática ou mesmo recomendações precisas sobre quais são as doenças a serem rastreadas.

Pensando nisso, deixo duas perguntas a serem respondidas: será que todas as pessoas se beneficiam de realizar tal avaliação pré-participação? É necessário realizar um exame médico para fazer exercícios?

A avaliação dos riscos cardiovasculares, por outro lado tem grande valia, pois, praticar atividade física com maior segurança é sempre importante, principalmente, para aqueles que visam saúde. Além disso, o exame médico pode trazer outros benefícios como prevenção de lesões, otimizar e procurar o melhor tipo de treinamento para tratar os problemas detectados, orientação alimentar e de descanso. A diversidade marca esse grupo de pessoas praticantes de atividade física, mas, que não são atletas profissionais. Portanto, suprir as necessidades de cada praticante é fundamental.

Prática de atividade física regular é o fator mais importante para a longevidade e melhora da qualidade de vida, sendo, recomendada para todas as pessoas. Progressão correta da atividade física, especialmente em indivíduos que apresentam fatores de risco para doença cardiovascular, iniciando com exercício leve a moderado e evoluindo sem excessos. Respeitar as limitações como no caso de lesões prévias, indicar o melhor tipo de exercício ou esporte, respeitar idade e sexo, orientando o exercício de forma individualizada. Nesse caso, o ideal seria realizar não só a avaliação inicial, mas, acompanhar a evolução do paciente até ingressar em programa de exercícios mais intensos.

Em atletas profissionais que apresentam alto estresse fisiológico, levando o corpo ao limite, é prudente que se faça os exames para rastrear e descartar possíveis doenças graves, como a doenças cardíacas congênitas. Em contrapartida, a população comum pode se beneficiar muito de uma avaliação que vise a promoção de saúde e melhora da qualidade de vida.

Leonardo Kenji Hirao

Medicina do Esporte e do Exercício

Grupo de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas – FMUSP

Com a realização do Parapan, na cidade do México, nos veio a ideia de vasculhar o acervo pessoal do professor Antonio Boaventura da Silva, falecido em 2005, que temos a honra de guardar. Tínhamos algumas informações sobre a experiência do professor Boaventura nos Estados Unidos da América do Norte nos anos de 1940, quando de seu estágio na Michigan University.

Quando no Brasil, já na segunda década do século XXI, ainda vivemos o distanciamento das pessoas das práticas da cultura corporal de movimento; a valorização unilateral dos mais hábeis e; a precoce seleção de talentos, nos deparamos com fotos que retratam, e muito fielmente, quanto atrasados estamos quanto à inserção de deficientes nos esportes em nossa sociedade. Não vamos nos alongar em texto, anexamos, apenas, algumas fotos que provocarão, certamente, as pessoas envolvidas com o Esporte cidadão em nosso país.

As anotações do rodapé das fotos são originais.

A primeira foto é do Capitão WLFORD HOLSBERG, amputação dupla das pernas, que demonstra suas habilidades como o Golfe.

Senhor Walter Bura, também com amputação na perna esquerda, praticando salto ornamental.

Por fim, um grupo de amputados praticando esporte

Prof. Dr. Daniel Carreira Filho

Professor de Educação Física

Gestor da OSCIP Vita Care

O desejo do ser humano de se superar continuamente, tentando ser mais forte, vitorioso, sem respeitar limites éticos, pode ser observado em todas as etapas da história da humanidade – não podendo ser diferente no esporte.

Qual o preço de uma vitória?

Se resgatarmos na História do Esporte, em meio à segunda Guerra Mundial, a vitória representava superioridade étnica. Nas décadas de 80 e 90, no auge da Guerra Fria, supremacia política. Já em tempos atuais, em meio à globalização, a vitória representa dinheiro -muito dinheiro através de publicidade.

Na raiz de sua definição, Esporte é uma atividade física e intelectual de natureza competitiva governada por regras institucionalizadas.

Oportunamente, diante este conceito, pergunta-se: O que é o Doping?

Doping nada mais é que a violação de uma das regras do esporte competitivo. Regra esta, que independente da modalidade esportiva ou dos interesses sociais, políticos e financeiros envolvidos na modalidade, determina que: é eminentemente proibido o uso de determinadas substâncias ou métodos que possam beneficiar o rendimento físico, fazendo o atleta obter vantagem sobre seu adversário.

Assim, à exceção dos valores morais que atribuímos, doping pode ser definido como o uso, por atletas federados, de substâncias ou métodos proibidos presentes na publicação anual da Agência Mundial Anti-Doping (WADA) – que desde 2004 controla esta regra dentre todos as instituições desportivas do planeta.

Atualmente, o controle de dopagem se limita a análise química – através da cromatografia a gás ou espectrometria de massa – de amostras biológicas provindas do atleta: urina ou sangue. Esses métodos de análises são extremamente apurados, capazes de identificar doses ínfimas das substâncias proibidas no organismo do atleta. Tudo isso, com o único intuito de dar uma resposta: sim = amostra com presença de substância proibida ou não = amostra livre de substâncias proibidas.

E, justamente, por emitir apenas um laudo técnico qualitativo, o doping acarreta tanta discussão perante a imprensa e a opinião pública. Teste anti-doping positivo não atesta intenção do atleta e sim o contato do organismo do atleta com a substância proibida.

Resumidamente, existem duas formas de um atleta transcender a regra do doping:

-       tendo contato intencional com a substância.

-       sendo negligente diante seus atos e, mesmo sem intenção, resultando em um teste adverso.

Para identificar e coibir a utilização intencional de substâncias proibidas pelos atletas, os órgãos responsáveis aumentaram consideravelmente o numero de controles anti-dopings. Por sua vez, o aumento do numero de controles, acarretou em uma elevação exponencial dos casos decorrentes de desatenção, falta de informação ou mesmo exposição ocasional.

Diferente da justiça forense, no esporte todo atleta é culpado até prova em contrário. Por assim entender, todo atleta que apresenta resultado adverso em controle anti-doping terá o direito de um julgamento que seguirá uma seqüência hierárquica institucional, culminando na decisão final do  órgão máximo do esporte: a Corte Arbitral do Esporte (CAS – sigla em inglês).

A ciência do doping, se assim podemos mencionar, esta totalmente focada em desenvolver substâncias e métodos capazes de não serem identificados nos modelos atuais de análise química. Em 2009, a ex-corredora americana Marion Jones declarou publicamente o uso do anabolizante sintético THG (que na época não era passível de detecção nos controles anti-dopings) e acabou perdendo suas medalhas. Quantas destas outras substâncias não estão sendo desenvolvidas? As hipóteses atuais é que além dessas substâncias sintéticas, a manipulação genética, através da modificação de genes, é capaz de transformar corpos humanos em verdadeiras máquinas de competição.

Portanto, enquanto perdemos tempo discutindo culpabilidade de atletas já julgados por órgãos estritamente especializados, a indústria do doping cresce perigosamente. O foco não pode ser desviado, todos que trabalhamos e gostamos de esporte devemos ter responsabilidade de coibir o uso de qualquer forma de ganho artificial, defendendo a competição justa. Não nos cabe discutir penas e sim, brigar por controles eficazes. A política anti-doping se faz efetiva com muita educação. O atleta, desde cedo, deve ter acesso ao máximo de informação e estar sempre rodeado de profissionais muito bem orientados. As federações não podem se limitar a controles, devem oferecer estrutura, segurança, informação. Briguemos por justiça e paremos de expor nossos atletas.

 

Dr. Gustavo D. Magliocca

Médico do esporte

Instituto Vita

Os tendões do corpo humano são faixas de tecido conjuntivo compostas por colágeno em sua maior parte, com baixo suprimento sanguíneo e de difícil cicatrização, que fazem a conexão entre os músculos e os ossos, responsáveis pelo movimento de nossos membros.  O complexo músculo-tendão-osso recebe o nome de entésio, e as doenças que afetam esta região são denominadas de entesopatias.

O tendão é o componente principal deste conjunto anatômico, sendo um tecido frequentemente acometido por um grupo de sinais e sintomas, incluindo dor crônica (mais de três semanas) com piora progressiva, inchaço (edema), aumento de espessura, redução da mobilidade que melhora após o aquecimento, diminuição da força de impulso, presença de calcificações e eventualmente podendo levar à ruptura tendínea.  Esta síndrome é chamada de tendinopatia pela literatura médica atual, ao invés de “tendinite”, termo tradicionalmente utilizado de forma errônea na prática clínica para diagnosticar a dor crônica no tendão.  O termo “tendinite” implica na formação de um processo inflamatório responsável pelo surgimento da dor, porém as evidências do estudo microscópico e bioquímico do tendão apontam para a presença de uma lesão no corpo do tendão descrita como “tendinose”, caracterizando um processo degenerativo local.

Não podemos excluir a ocorrência da inflamação durante os estágios iniciais desta doença, porém a literatura atual reserva o termo “tendinite” para processos inflamatórios agudos envolvendo a bainha tendínea (membrana que envolve o tendão), enquanto que tendinopatia é o termo mais adequado para descrever quadros de dor crônica nos tendões, acompanhada dos sinais e sintomas já descritos anteriormente.

Todos os seres humanos começam a apresentar uma redução de elasticidade de seus tecidos a partir dos 25 anos de idade, porém esta perda começa a se acentuar durante a quarta década de vida (31 a 40 anos), portanto exercícios de alongamento realizados diariamente desde a infância auxiliam na manutenção da flexibilidade do sistema músculo-esquelético e na prevenção de tendinopatias. Diversos fatores são predisponentes a esta condição, incluindo os fatores intrínsecos (relacionados ao atleta) como peso, alterações biomecânicas (ex.: pés cavos ou planos), hipermobilidade articular, desalinhamento e/ou discrepância do comprimento de membros inferiores, e déficit de alongamento e/ou fortalecimento muscular. Os fatores extrínsecos (relacionados ao meio ambiente) envolvem erros de treinamento (aumento indevido de volume, frequência, intensidade), deficiências técnicas, uso de tênis inadequado e superfície desfavorável para a corrida.                    

O diagnóstico das tendinopatias é fundamentalmente clínico, pois os exames de imagem podem detectar alterações anatômicas proporcionais às suas condições técnicas, mas que muitas vezes apresentam apenas limitada correlação com o quadro clínico do paciente.  Seu tratamento envolve diversos aspectos e pode ser bastante trabalhoso e demorado: repouso relativo com ênfase em atividades aeróbicas alternativas à corrida, medicação analgésica e/ou antiinflamatória, medidas fisioterápicas para redução da dor e ganho de amplitude de movimento do local, exercícios de alongamento e programas de fortalecimento muscular normalmente são recomendados.

José Marques Neto

Ortopedista e Médico do Esporte do Instituto Vita.

Médico formado pela Faculdade de Medicina da USP.

Especialista em Ortopedia e Medicina Esportiva pelo Hospital das Clínicas.

Pós-graduado em Fisiologia do Exercício pelo ICB – USP