Gazeta Esportiva

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Há quantos anos todos nós, brasileiros, ouvimos as mesmas notícias, desculpas e “broncas” imediatamente após o fim dos Jogos Olímpicos? Ontem, em uma grande emissora de rádio de SP ouvi comentários que demonstram nossa incapacidade de avaliar a realidade do meio esportivo nacional. O radialista, em sua análise, atribuiu a responsabilidade do que chamou de fracasso Olímpico à ausência de estrutura para o componente curricular educação física e o não desenvolvimento dos esportes na escola. Cabe aqui lembrar que a escola não tem como objetivo formar ou favorecer o desenvolvimento específico desta ou daquela potencialidade humana, mas sim a formação básica de qualidade do cidadão brasileiro.

Vamos aos fatos concretos, façamos uma conta rápida para melhor compreender a realidade e a proposta de desenvolvimento do esporte olímpico na escola. Temos um ano letivo com 200 dias com dois encontros semanais reservados para a Educação Física, ou seja, um total máximo de 80 aulas anuais. Se considerarmos que o componente está presente da primeira série do ensino fundamental até a terceira do ensino médio, teremos 12 anos ou 960 encontros para essa disciplina, e cada um deles com duração máxima de 50 minutos com cerca de 40 seres humanos para organizar. Agora, se vamos considerar os esportes olímpicos como uma prioridade de oferta durante essas aulas, ainda que incoerente e descabida, qual será o tempo necessário para que ocorra este relacionamento entre o aluno e a modalidade esportiva? Além da diferença de gêneros, que deveria ser respeitada quando pensássemos na especificidade esportiva.

Podemos até aceitar que o espaço de convergência descentralizado representado pela escola é excelente, mas não cabe à Educação Básica Nacional resolver o problema do esporte competitivo. No máximo podemos esperar que as crianças e os jovens se apropriem de saberes sobre as práticas esportivas e as adotem em suas vidas, não apenas para o rendimento esportivo, mas principalmente na expectativa de uma melhor qualidade de vida. Também cabe ao componente curricular o ensinamento sobre o significado das práticas da cultura corporal de movimento, dentre elas o esporte.

A Educação Básica busca formar o cidadão e não apenas o esportista, o escritor, o jornalista, o médico e tantas outras potencialidades humanas. Ou será que queremos formar os expectadores esportivos?

Prof. Daniel Carreira Filho

O joelho é, sem dúvida, a articulação que apresenta os maiores índices de acometimento de lesões entre os esportistas. A redução destas ocorrências está diretamente relacionada com o processo de avaliação da articulação, a organização do treinamento e o aprofundamento de conhecimentos por parte dos profissionais que atuam diretamente com os praticantes. A questão da recuperação pós-traumática é um segundo e importantíssimo ponto.

O grupo de profissionais do Instituto Vita/Vita Care estará realizando encontros para a discussão deste e outros tópicos. São encontros de curta duração e de aprofundamento de conhecimentos em um tópico específico previamente escolhido (grupos reduzidos). O primeiro do ciclo é o Ligamento Cruzado Anterior. Para maiores informações acesse o site www.vita.org.br ou encaminhe suas dúvidas para cursos@vita.org.br .


Os celulares evoluíram de simples telefones móveis para computadores multifuncionais superportáteis. Cada vez mais pessoas têm acesso a este tipo de aparelho e os planos de telefonia oferecidos apresentam mais facilidades para os planos de dados e de mensagens.

A mensagens de texto, pela sua comodidade e preço, tornaram-se o método preferencial de comunicação de boa parte da nossa população, desde o adolescente com poucos créditos no celular que formata mensagens de texto no teclado alfanumérico até os executivos que respondem aos e-mails nos seus “smartphones”.

O que essas populações têm em comum são um novo tipo de digitação e navegação, baseados no uso dos polegares. Muitas vezes, um único polegar é responsável por segurar o aparelho, navegar e digitar simultaneamente.

Um estudo canadense recente, com 140 pessoas do meio universitário, mostrou que 84% apresentavam alguma dor e a mais comum foi a no polegar. O uso do navegador de internet aumenta em 2,21 vezes a chance de dor no polegar, quando comparado com usuários de celular sem  internet.

Mesmo com o uso das abreviações e com a subtração de letras das palavras, o ritmo frenético enfrentado pelo polegar é muitas vezes maior que aquele que a natureza o preparou para enfrentar.

Essa sobrecarga gera um tipo de lesão que vem sido reportada desde meados dos anos 2000. Termos como “texting tendinitis” têm sido reportadas principalmente em adolescentes digitadores compulsivos.

Como essas lesão acontecem?

O polegar tem vários movimentos. O movimento de flexão é realizado pela ação de um tendão forte, robusto, preparado para suportar até o peso do corpo de uma pessoa. O movimento de extensão, entretanto, é realizado por um tendão delgado cuja função primordial é posicionar o polegar momentaneamente para que ele possa apanhar um objeto.

Na vida moderna, para cada clique que o polegar realiza, segue-se um movimento de extensão, que, ao final de várias mensagens acaba por causar microlesões no delicado tendão extensor que, então se inflama. A própria articulação da base do polegar (chamada trapézio-metacarpal) também se inflama pelo excesso de atrito do movimento circular do polegar (em busca do 2ABC, ou do 9WXYZ), gerando um tipo de artrite (inflamação na articulação).

Felizmente, essas inflamações tendem a melhorar com o repouso, com o uso da bolsa de gelo e com medicamentos analgésicos.

Como então evitar essas lesões?

Além das orientações básicas, como evitar longos períodos digitando e fazer alongamentos periódicos, há algumas dicas úteis:

1                            Faça o uso consciente dos teclados dos celulares, pensando bem se é mesmo necessária a comunicação imediata ou se é possível esperar até encontrar um teclado normal (ajuda a controlar a ansiedade e evitar mensagens impulsivas, geralmente desastrosas)

2                            Evite navegar ou digitar com a mesma mão que segura o celular. Prefira dividir o trabalho entre as duas mãos ou apoie o celular

3                            Ative o sistema de “predição de texto”, “texto preditivo”, ou sistema similar que “adivinha” o que você está tentando escrever. Na maioria das vezes, ajuda.

4                            Em caso de necessidade profissional para o uso desses aparelhos, existe o médico e o terapeuta especializados em mãos, que podem fazer o diagnóstico específico e o tratamento adequado.

Os “smartphones” são uma tendência sem volta no nosso dia-a-dia e, até que apareçam aparelhos melhor adaptados aos seres humanos, cabe a nós usá-los com o máximo de consciência possível para podermos usufruir dos seus benefícios.

Mateus Saito

Cirurgião da Mão do Insituto Vita e da OSCIP Vita Care

Membro titular das Sociedades Brasileiras de Cirurgia da Mão (SBCM), Ortopedia e Traumatologia (SBOT), Medicina do Esporte e do Exercício (SBME).

Usuário consciente de smartphone.

REFERÊNCIAS

1- Williams IW, Kennedy BS. -  Texting tendinitis in a teenager. J Fam Pract. 2011 Feb;60(2):66-7

2 - Berolo S, Wells RP, Amick BC 3rd. Musculoskeletal symptoms among mobile hand-held device users and their relationship to device use: A preliminary study in a Canadian university population. Appl Ergon. 2011 Jan;42(2):371-8.

3 - Ashurst JV, Turco DA, Lieb BE. Tenosynovitis caused by texting: an emerging disease. J Am Osteopath Assoc. 2010 May;110(5):294-6.

4 - Storr EF, de Vere Beavis FO, Stringer MD. Texting tenosynovitis. N Z Med J. 2007 Dec 14;120(1267):U2868.

5 - Yoong JK. Mobile phones can be a pain–text messaging tenosynovitis. Hosp Med. 2005 Jun;66(6):370.

6 - Menz RJ. ”Texting” tendinitis. Med J Aust. 2005 Mar 21;182(6):308.

A popularidade da corrida tem aumentado significadamente ao longo das últimas décadas devido aos benefícios que traz à saúde. Em contrapartida, houve um aumento da taxa de lesões musculoesqueléticas por sobrecarga do tornozelo e dos pés dos corredores. Sabe-se que a qualidade do movimento da pisada, ou seja, a maneira como o pé se apoia no chão e sua posição em relação ao tornozelo durante a corrida, é um dos fatores que influenciam a incidência dessas lesões. As pisadas podem ser classificadas, com base no ângulo formado entre o calcanhar e o tornozelo, como neutras, supinadas (as laterais do pé exercem maior pressão no chão), e pronadas (a parte de dentro do pé exerce mais pressão com colapso do arco).  A pisada pronada, além de ser a mais comum, já foi também relacionada na literatura com um número maior de lesões. Desta forma, há grande interesse da comunidade científica e médica, assim como das empresas responsáveis pela produção de tênis de corrida,  tanto em métodos eficientes para classificação das pisadas quanto nos mecanismos de lesão.

            Para identificar o método mais apropriado para diagnóstico da pisada uma equipe multidisciplinar de fisioterapeutas, preparadores físicos, ortopedistas e físicos do Instituto Vita e Vita Care avaliará três tipos de testes aplicados atualmente. Dentre eles destaca-se o baropodômetro, ou tapete de pressão, um dispositivo que produz uma imagem colorida (ILUSTRAÇÃO) dos pés do indivíduo avaliado com base na pressão exercida por diferentes áreas da planta do pé. Esse tapete é amplamente utilizado devido à sua portabilidade e facilidade de uso, porém gera uma análise estática do pé e não é capaz de avaliar a funcionalidade dinâmica. Nossa equipe multidisciplinar pretende avaliar a confiabilidade do baropodômetro para implementar melhorias do método.  Paralelamente, analisaremos também a influência do tênis SUPERNOVA SEQUENCE da marca ADIDAS para pronadores na pisada de corredores.

            Participarão destes dois projetos 34 corredores amadores de ambos os sexos, idade entre 20 e 40 anos. Um sistema de análise do movimento composto por 6 câmeras de vídeo que operam no infravermelho será utilizado para registrar marcadores posicionados em pontos anatômicos dos pés e pernas dos corredores durante a marcha e a corrida em uma esteira ergométrica. A partir dessas imagens será construído um modelo tridimensional do esqueleto do corredor em movimento que será usado para a classificação da pisada com e sem o tênis especializado. Os resultados desta avaliação cinemática tridimensional serão comparados com os obtidos através do baropodômetro e da avaliação subjetiva visual.  Desta forma, poderemos determinar o melhor método para classificar a pisada, além de avaliar o benefício produzido por tênis especializados em corrigir a pisada dos corredores. Estes conhecimentos auxiliarão no entendimento dos mecanismos de gênese de lesões por sobrecarga sofridas comumente por corredores, e permitirão a prescrição de tratamento adequado.  

Pesquisadora Responsável: Andreia Miana – Vita Care

A prática esportiva submete os atletas a esforços intensos que, por vezes, se constituem em forte determinante de lesões e consequentemente afastamento das competições. São exemplos destes esforços os arremessos que são movimentos centrais à pratica de certas modalidades esportivas tais como: handebol, basebol, tênis (saque), voleibol (arremate) e atletismo (lançamentos de dardo). Nestes movimentos o ombro atua como alavanca, possibilitando a transferência de energia cinética gerada nos membros inferiores e tronco para o membro superior. Para que a execução do arremesso seja bem sucedida é preciso coordenar e sincronizar a ação dos músculos agonistas responsáveis pela aceleração e dos antagonistas, responsáveis pela desaceleração e frenagem do movimento. 

No handebol, especificamente, os atletas realizam cerca de 48.000 arremessos por temporada, com velocidade média de 130 km/h, um nível de desempenho que ultrapassa os limites fisiológicos do ombro. Um bom arremesso depende do aumento da capacidade de aceleração do movimento que se traduz no desequilíbrio entre os grupos musculares do ombro, com fortalecimento dos agonistas e enfraquecimento dos antagonistas. Este desequilíbrio, por sua vez, resulta em instabilidade da articulação do ombro expondo a musculatura e os tendões à ocorrência de lesões.

Há muito pouco na literatura sobre a movimentação do ombro durante o arremesso do handebol. O objetivo deste estudo é avaliar as relações entre a musculatura agonista e antagonista do ombro durante todas as fases do movimento de arremesso do handebol para estabelecer protocolos de treinamento que visem a melhora do desempenho e contribuam na prevenção de lesões.

Este projeto de pesquisa está em desenvolvimento desde o dia 01 de fevereiro de 2012, é coordenado pela equipe de profissionais do Instituto Vita e Vita Care, e subvencionado pela Lei de Incentivo ao Esporte do Estado de São Paulo – Projeto Ciência no Esporte e conta com o apoio de empresas como: 3M, Adidas, Deca, Duraflor e Duratex.

Marcos Caetano

Professor de Educação Física

Instituto Vita

Com o aumento no número de participantes em esportes competitivos, cresceu também o interesse pelo estudo epidemiológico de lesões e suas características. O número de lesões que os atletas sofrem durante a vida esportiva é influenciado por diversas variáveis, como gênero e características mecânicas do esporte. Os dados epidemiológicos encontrados na literatura sugerem também que fatores como volume de treino, tempo no esporte e a estrutura técnica da equipe podem determinar a frequência de lesões. No entanto, os estudos epidemiológicos, além de esparsos, oferecem achados inconsistentes. Por esse motivo, o objetivo desse trabalho é avaliar o impacto de variáveis físicas, psicossociais e relacionadas ao treino especifico de atletas de alto rendimento em diversas modalidades, no aparecimento de lesões. Para isso, mais de 270 atletas do Esporte Clube Pinheiros, representando 12 modalidades esportivas responderão a questionários que registrarão dados pessoais e informações retrospectivas das lesões sofridas por eles durante toda a sua carreira. O índice e a natureza das lesões serão então correlacionados com diversas variáveis consideradas relevantes na literatura e pela nossa equipe de treinadores, ortopedistas, fisioterapeutas e psicólogos. A nossa hipótese é que atletas do sexo feminino e os que praticam esportes de alto impacto apresentarão mais lesões. Os resultados deste trabalho contribuirão para o melhor entendimento dos fatores de risco para o desenvolvimento de lesões e poderão servir como base para elaboração de programas de prevenção.

Carla Prisco Arnoni

Professora de Educação Física

Instituto Vita

 

A gestão da carreira esportiva no Brasil é tema que requer mais atenção e estudo já que apresenta características distintas das outras profissões. O futebol de campo, que oferece visibilidade e retorno financeiro, mas que antagonicamente possui pouca estrutura extra campo, talvez seja um dos esportes onde o atleta esteja menos preparado para enfrentar a aposentadoria. Considerando a identidade atlética e suas múltiplas implicações, dois projetos em andamento desde Fevereiro de 2012 estudam a transição de carreira dos ex-atletas de futebol participantes de Copa do Mundo.  Ex-jogadores de futebol de campo que tenham participado de uma ou mais Copas do Mundo representando o Brasil vêm sendo entrevistados por uma equipe de treinadores e psicólogos do Instituto Vita e do Vita Care, em colaboração com uma equipe de psicólogos da Faculdade de Educação Física da USP. Os projetos têm por finalidade estabelecer uma visão geral da qualidade de vida do ex-jogador, considerando a saúde física, psicológica, nível de independência, relações sociais e meio em que vive.  A partir das histórias de vida pretende-se analisar aspectos que possam embasar estratégias de enfrentamento e suscitar discussões para elaboração de documento referencial. Os projetos de pesquisa em desenvolvimento são financiados pela Lei de Incentivo ao Esporte do Estado de São Paulo e contam com o apoio de empresas como: Adidas, Deca, Duraflor, Duratex e  3M.

Ao longo dos anos, cientistas e estudiosos do treinamento desportivo buscaram informações e atualizações das tendências do treinamento aplicado aos desportos individuais e cíclicos. Os europeus, americanos e cubanos escreveram, analisaram e publicaram inúmeros métodos de análise e aplicação dos meios de treino para saltadores, velocistas, levantadores de peso, nadadores, maratonistas, entre outros.

Os desportos coletivos, através dos seus atletas, técnicos e preparadores físicos, ainda sem referenciais próprios, eram obrigados a adaptar os treinos de acordo com as informações recebidas dos pesquisadores e seus estudos dos desportos individuais.

Essa adaptação não necessariamente gerava transferência plena à realidade da modalidade específica exigida pelo atleta e pela sua equipe de treinamento. Por inúmeras vezes a informação fornecida pelos estudiosos dos atletas de atletismo ou de natação não ajudava na correta e fiel elaboração dos treinos e sua ideal organização anual de diluição dos exercícios para os desportos coletivos.

Os desportos são diferentes, as demandas motoras e metabólicas impostas para os desportistas de esportes coletivos são diferentes dos esportes individuais.

Por esse panorama ao longo das últimas décadas resultados de análises dos jogos e treinos dos desportos coletivos apareceram na literatura científica.  No início todos aproveitaram muito e os treinos dos desportos coletivos perceberam incremento de qualidade e abriram espaço para, cada vez mais, especializar o alto rendimento de cada modalidade de forma distinta.

Contudo, ao analisar com mais cuidado detectou-se que nem todos os esportes coletivos são acíclicos e por inúmeras vezes observamos desportos individuais com a característica acíclica.

A diferença primária dos esportes acíclicos para os cíclicos está na mudança de direção. Os esportes que tem as constantes, inúmeras e sem pré- programadas mudanças de direção como diferencial para o desempenho estão classificados como esportes acíclicos.

Com essa definição, o tênis mesmo sendo um desporto individual se torna acíclico, e o revezamento 4X100 metros (por exemplo), mesmo sendo uma modalidade coletiva, é classificado com desporto cíclico.

Estas constatações e a preocupação com a socialização de saberes nos leva a propor o desenvolvimento de curso Sistemas de Preparação Física em Desportos Acíclicos, em que abordaremos as características de cada modalidade, bem como suas capacidades físicas determinantes e específicas, possibilitaremos aos alunos uma compreensão das avaliações físicas para cada modalidade e sua prevenção específica de lesões.  Capacidades determinantes como força, velocidade e resistência serão analisadas com atenção especial para a característica específica dos desportos acíclicos.

Professores escolhidos com experiência acadêmica e larga aplicação prática abordarão os temas específicos e os detalhes relacionados a cada modalidade.

O curso Sistemas de Preparação Física em Desportos Acíclicos esta voltado para os preparadores físicos, técnicos e atletas que visam melhora e aprimoramento do desempenho específico de cada modalidade.

Interessados em participar podem acessar www.vita.org.br , área de ensino, e obter detalhes da proposta.

Professor Sandro Sargentim

Será que precisamos de ciência no esporte? Basta pensar na ciência por trás dos diferentes métodos de treinamento físico e na tecnologia por trás dos equipamentos esportivos disponíveis aos atletas atualmente para responder. Protocolos de treinamento específicos para cada modalidade esportiva; calçados especializados para a pisada de cada corredor; tecidos inteligentes que facilitam a evaporação do suor e melhoram o desempenho; robôs que atiram bolas de tênis de mesa com frequência e velocidades pré-programadas durante o treinamento; instrumentos, como os dinamômetros, para medir a força de cada grupo muscular. A ciência está por trás de muitas das melhorias que afetam a vida do atleta e que vão bem além do tipo de calçado que usa ou da fibra do seu uniforme.  Os dez projetos do programa “Ciência no Esporte”, apoiados pela Lei estadual de Incentivo ao Esporte e desenvolvidos dentro do Instituto Vita, são a prova disso.

Os projetos tratam de temas diversos no âmbito do esporte, abordando tanto aspectos físicos como psicossociais de atletas de várias modalidades. Por exemplo, uma equipe de pesquisadores composta por treinadores físicos, psicólogos e médicos estuda a saúde e as condições de vida de ex-jogadores de futebol da seleção brasileira que paticiparam de copas do mundo. O objetivo central deste projeto é traçar o perfil do ex-jogador com ênfase no momento delicado de transição de vida representado pela aposentadoria. Os resultados desta pesquisa contribuirão para o entendimento mais detalhado dos fatores que influenciam a qualidade de vida do atleta aposentado, podendo servir de base para a elaboração de programas de integração social e assistência médica às gerações futuras.

Partindo de outro ângulo, uma equipe composta por médicos,  fisioterapeutas, profissionais de educação física e físicos dedica-se a estudar a biomecânica do movimento em corredores para avaliar se os tênis especializados desempenham com eficiência sua função corretiva e de suporte da pisada.  Nestes estudos o movimento tridimensional dos corredores é avalidado por um método onde são utilizadas várias câmeras de vídeo para captação de imagens que permite o cálculo de ângulos, ajudando a destrinchar o efeito de cada tipo de calçado durante a corrida.  Deste trabalho podem surgir recomendações pertinentes tanto às empresas que manufaturam os calçados, quanto à comunidade dos profissionais de saúde que assistem os corredores, explica o físico Marcos Duarte, da UFABC.  Ainda no universo da biomecânica, outras equipes estudam a movimentação da articulação do ombro de judocas e arremessadores de handebol para definir os padrões de movimento que podem preceder lesões, com o intuito de elaborar programas de fortalecimento e prevenção.

Quanto ao desempenho em ambiente competitivo, uma equipe de médicos, treinadores, fisioterapeutas e psicólogos estuda o perfil completo dos mesatenistas da seleção brasileira. Esta modalidade, promissora para o Brasil nos jogos de Londres deste ano, ainda não contava com programas de treinamento altamente individualizados e respaldados pela ciência. A equipe de pesquisadores do Vita realizou uma bateria de exames médicos, ergoespirométricos, físicos e psicológicos específicos para mesatenistas. Com base nos resultados destes testes, desenvolveram-se ciclos de treinamento que visam aumentar a performance do atleta sem esquecer da qualidade da experiência do indivíduo durante os jogos olímpicos. E estes são apenas alguns exemplos.

Os 10 projetos “Ciência no Esporte 2012”, desenvolvidos dentro do Vita Care, uma Organização da Sociedade Civil e Interesse Público (OSCIP) ligada ao Instituto Vita, são executados por uma equipe de 10 pesquisadores,  12 médicos, e 3 coordenadores. O programa fez-se possível através do financiamento da Lei de Incentivo ao Esporte e do apoio de empresas como a Adidas, 3M, Durafloor, Duratex e Deca. Esta lei, da Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Estado de São Paulo, entrou em vigor em 2008 e prevê mais de R$ 60 milhões de reais em incentivos para realização de diversas atividades filantrópicas e sociais lideradas por várias organizações sem fins lucrativos, como ONGs, ou fundações. O Vita Care é a primeira OSCIP a receber o apoio da Lei do Incentivo ao Esporte para ações de um programa de pesquisa, afirma Daniel Carreira, gestor do Vita Care.

Os projetos “Ciência no Esporte 2012” representam um grande passo no sentido de traduzir achados científicos para aplicações práticas que melhorem diretamente a saúde do atleta. Eles têm em comum a visão do atleta como um todo: um sistema físico altamente capacitado comandado por uma mente que também merece cuidados. Nossa missão é não só adicionar conhecimento às diversas áreas da ciência esportiva, mas torná-lo acessível ao público, melhorando, desta forma, a qualidade de vida do atleta, tanto profissional quanto amador, movimento por movimento.

O uso da crioterapia para finalidade terapêutica é frequentemente utilizado por fisioterapeutas e profissionais que lidam com a reabilitação

Neste artigo iremos responder algumas perguntas sobre a utilização do gelo como forma terapêutica, seus benefícios, efeitos fisiológicos, quando e como utilizar a crioterapia de forma a ajudar no tratamento e reabilitação no futebol.

Mas afinal o que é crioterapia?

Crioterapia visa com sua aplicação de uma substância, reduzir a temperatura local, consequentemente diminuindo a temperatura tecidual.

Efeitos fisiológicos da crioterapia na fase aguda de lesão

Sobre o Metabolismo celular

A aplicação de gelo na fase aguda faz com que ocorra vasoconstrição relativa gerando efeito de bombeamento reduzindo o metabolismo celular, consequentemente, as reações químicas também serão mais lentas. Sabe-se, também, que o frio age inibindo a liberação de histamina. Após uma lesão as células lesadas estimulam a liberação de histamina que é um poderoso vasodilatador que acarretará em um aumento drástico no fluxo sanguíneo para determinada área. O efeito global deste processo é o surgimento e a manutenção de grandes quantidades de líquido edematoso.

Sobre a Dor

O frio é um recurso que também é utilizado para alívio da dor, ajudando assim no tratamento e na reabilitação das lesões. A baixa temperatura promoverá a redução na velocidade de condução nervosa após a aplicação de crioterapia, o frio alivia a dor através do mecanismo de controle das comportas por interferir na transmissão dos impulsos dolorosos.

Espasmo muscular

Existem três hipóteses:

1) Diminuição da transmissão nervosa pelas vias aferentes (o frio diminui a velocidade da condução nos nervos motores e sensitivos, causando uma diminuição na atividade motora);

2) Mecanismo reflexo;

3) Quebra do ciclo espasmo-dor, sendo que, com o efeito analgésico do uso do gelo, ocorreria a diminuição da dor com a quebra do ciclo espasmo-dor.

Qual o maior beneficio do uso da crioterapia?

O maior beneficio, além dos efeitos que a crioterapia oferece, é o baixo custo e a fácil aquisição, pois como gelo é um produto natural e de fácil acesso.

Quando e como utilizar a crioterapia?

A crioterapia geralmente é utilizada na fase aguda da lesão. Sua utilização ocorre de diversas formas, tais como: bolsas de gelo convencionais; bolsas de gelo comerciais; balde ou banho de gelo e, também, massagem com gelo.

Marwan Lopes

Fisioterapeuta – Vita Care