RISCO DE INTERDIÇÃO

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Imaginem a cidade ficar apenas com dois estádios – Morumbi e Canindé. Não se surpreendam mas, ainda que remota, essa situação poderá vir a ocorrer. A administração do Pacaembu convidou as redes de televisão para reunião, neste 18 de janeiro, no espaço dos vestiários sob o tobogã, quando revelou sua preocupação ante a probabilidade de, entre outras coisas, ocorrer a demissão de diretores, aplicação multas diárias de elevado valor e até a proibição, pelo Ministério Público, de jogos no “Paulo Machado de Carvalho” se não forem tomadas umas tantas providências que garantam a segurança, o conforto e a acessibilidade plena ao público.

Um dos pontos observados pelo Coordenador dos equipamentos da Secretaria Municipal de Esportes – Alessio Gamberini – e pelo Diretor do estádio Mauro Castro foi o estacionamento das unidades de transmissão junto aos portões de numeração par na Rua Desembargador Paulo Passaláqua. Eles deixaram claro que a calçada em torno terá que ficar desimpedida para circulação de pedestres. A alternativa é posicionar os veículos do outro lado da mesma rua.

Mas será preciso achar uma solução que assegure o ir e vir, sem riscos, a centenas de técnicos dos diversos canais que necessitam locomover-se às pressas, a qualquer momento, durante as partidas, entre as unidades geradoras e o interior do Pacaembu. Na busca de um plano que libere o passeio aos torcedores, chegou-se à conclusão de que será necessária uma passarela entre as duas calçadas. Até o final da reunião foi a única saída que se achou.

Como erguer essa passagem? Qualquer que seja, o projeto precisará ser levado à apreciação do órgão que autorizará ou não tal obra – o CONDEPHAAT. Em razão de se tratar de edificação tombada pelo seu expressivo valor histórico, qualquer alteração em seu interior ou no entorno terá que ser expressamente aprovada pela autoridades daquele Conselho.

SAIR GANHANDO: OBRIGAÇÃO DE GRANDES

Começar ganhando é o-bri-ga-ção de time grande. Sair na frente dá moral aos craques e aos fanáticos das arquibancadas. Três dos históricos candidatos ao título de campeão paulista fizeram sua primeira tarefa de 2011 sem problemas. Santos voando baixo nos 4 a 1 em Lins, Corinthians precisando só de um tempo do jogo para tomar 3 pontos da Portuguesa e São Paulo, passando fácil em Mogi Mirim, foram competentes o suficiente na largada.

Palmeiras patinando, andando de lado e só marcando um pontinho contra o retornado Botinha ( como diz Sócrates ) já mexeu com o sistema nervoso do torcedor. Não dá para entender esse resultado para uma equipe famosa atuando de mandante. Ninguém pode reclamar do povão. Como todos os que gostam do jogo da bola e se apaixonam por uma camisa, os palmeirenses, dentro de seu pleno direito, esperaram pacientes para só fazer cobranças no final do jogo. Deram o crédito até quando foi possível.

Campeonato é para se disputar logo ao primeiro apito do árbitro na rodada inaugural. Dar tempo ao tempo, nem pensar. Ficar na ponta logo é indispensável. “Vamos conversar bastante durante os próximos dias, tentar corrigir as falhas da estréia” é só uma daquelas frases feitas utilizadas quando não se tem muito como explicar um insucesso. Profissionais não podem pedir calma nem alegar que se trata de início de temporada ou escapar pela tangente sob alegação da falta de melhor condicionamento físico. Depois dos dias de férias todos os jogadores passaram por um recondicionamento. Nenhum clube deixou de garantir condições ideais para seu grupo chegar ao mais próximo de seu condicionamento. Cada comissão técnica ofereceu generosamente o apôio que cada profissional precisaria ter.

A parte a ser feita no gramado, essa só os atletas teriam que cumprir. Quem fez sua lição direitinho já deu um importante passo à frente. Quem não conseguiu pontuar tem que, desde já, tratar de corrigir sua rota e torcer por tropeços dos concorrentes.

Pentacampeonato

Foto: AFP

Foi lindo de se ver.  A Fifa qualificou e o futebol elegeu os melhores. Juntaram-se grandes nomes, famosos talentos, maravilhosos artistas dentro e fora do gramado. Nesse clube  de ganhadores e seus prêmios maravilhosos a maior estrela, sem dúvida, é brasileira – Marta. Ninguém é eleito melhor do mundo por cinco vezes. O Brasil registrou, na figura da querida atleta mais um pentacampeonato. O mundo aplaudiu. Porque, com Marta, deu a lógica mais uma vez.

Corrida do ouro

Foto: AFP

Não deu para  Palmeiras nem para o Grêmio. E daí? Ainda que o resultado desse leilão deixe enorme frustração entre os torcedores dos dois clubes, será que vale a pena esquentar a cabeça? Para os fanáticos que desejavam Ronaldinho com a camisa de seu time, paciência.  A eles resta esquecer e botar  tudo quanto se noticiou na conta de um sonho de que despertaram. Afinal, estão acostumados a passar por sofrimentos maiores (e mais dolorosos) tipo derrotas e perdas de títulos. Um reforço não obtido não irá fazer diferença, com certeza. Ainda que se trate de badalado fora-de-série com lindo currículo no cenário internacional.

Quanto aos administradores do Verdão e do Tricolor gaúcho deveriam escolher  o caminho do silêncio. O melhor remédio é dar o assunto por esquecido e buscar no horizonte dos craques outras possiveis alternativas. Se conseguirem ou não, melhor não passar recibo. Afinal, fizeram todo o possível. Trabalharam durante meses na direção de conquistar o jogador. Não deu certo por circunstâncias alheias à sua vontade e capacidade de trabalho. O torcedor sabe disso.

Vamos aguardar sem preocupação de consolar ninguém. Afinal, o Verdão e o Tricolor não perderam nada. Apenas não conseguiram ganhar essa corrida do ouro. Ouro que, já sabemos, sairá (ou não?) dos cofres de mais um rubro-negro na carreira do craque.

Personagens – 2

Não existe lugar especial para nascer um craque. Assim como Pelé veio ao mundo em Três Corações-MG, Marcos Roberto Silveira Reis nasceu na pequena Oriente-SP. O goleiro campeão do mundo de 2002 é dono de uma carreira que já dura 18 anos, 12 deles como titular do Palmeiras.

Jogar bem, sempre jogou. Gênio de lider sempre teve. Simplicidade e simpatia são características suas, seja no trato com o público, seja para com os jornalistas que se aproximam dele. Enfim, um profissional nota 10. Inclusive na transparência que se obriga ter, jamais fugindo do foco de uma questão, pelo contrário, até insistindo em analisar atuações suas e de seu time com extrema transparência, até quando julgue necessário criticar.

Com o mesmo orgulho de ser palmeirense na condição de titular, senta-se no banco de reservas e procura contagiar seus companheiros com palavras e atitudes de sincero apoio. Nesse particular, foi peça chave para o bate-volta da equipe em 2003 no Campeonato Brasileiro. Extrema ironia do destino para um campeão titular absoluto da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2002.

Gente, não é qualquer um que recusa uma proposta milionária do Arsenal, da Inglaterra. Marcão fez isso, em uma baita prova de amor ao Verdão, preferindo ser o apaixonado craque de um clube só.

Profissional de pés no chão, estabelece 2011 para encerrar sua carreira. Sabe bem das dificuldades que os choques e traumatismos lhe causaram, de quantas vezes teve que ficar de longe, peças protéticas nos punhos roubando-lhe o prazer de estar no dia-a-dia do trabalho que tanto dignifica.

Com bom humor verdadeiro, foca cada fato a que se liga (com ele ou sem ele no centro) sorrindo e esbanjando simpatia.

E é por essas e outras que declaro meu respeito a esse cidadão que faz do futebol um espetáculo lindo e emocionante para o público que ama e, ao mesmo tempo, uma profissão de trabalhadores altamente responsáveis e respeitáveis.

Marcos Roberto Silveira Reis é, nesta série que abri, outro PERSONAGEM EXEMPLAR DO FUTEBOL. Um grande talento brasileiro! Um artista aplaudido pelo mundo!

NÃO COMO ANTIGAMENTE

Legado de Paulo Machado de Carvalho quando secretário municipal de Esportes, a Copa São Paulo de Futebol Junior já não é a mesma. No quesito vitrine de novos talentos, sim, tudo bem. Mas no formato e na quantidade de paricipantes, atingiiu o limite do exagero. Levaram o torneio a um inchaço de quase 100 inscritos para correr atrás da bola durante 20 dias. Vá lá que, ainda assim, uma ou outra pedra preciosa possa ser descoberta entre os participantes pouco tradicionais no cenário nacional. Mas, como qualidade técnica, o evento já não ostenta o nível de antigamente. Ainda bem que o baú da história guarda a maioria absoluta de grandes clubes como campeões.

BONS NEGÓCIOS?

No dizer do presidente do Corinthians, o problema dos clubes candidatos a títulos não é só conseguir grandes craques. Difícil é também diminuir o elenco. Difícil e caro. Boa a ponderação de Andrés Sanchez que, dentro dos hábitos atuais, repassar um atleta fora dos planos do treinador a uma outra associação é plenamente viável se o dono dos direitos federativos continuar pagando os salários do jogador, ainda que jogando com outra camisa. Transferir temporariamente, responsabilizando-se pelo menos pela metade do ordenado, até que dá, mas é mais complicado. Agora, emprestar sem assumir financeiramente nada, deixando ao tomador todo o encargo, torna-se quase impossível.

A questão levantada pelo presidente é apenas uma das coisas incríveis de um esporte que se vai tornando cada dia mais inflacionado, com o sério risco de fugir ao controle até das mais tradicionais e maiores instituições