Melhor acreditar

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press


Não é fácil encarar críticas e descrédito de alguns torcedores, antes, até de seu primeiro treino no time, sem perder o equilíbrio. Ao ver como ele sabe segurar a onda com categoria, entendo que a galera deve reagir como se Adriano estivesse fazendo um primeiro gol pelo Corinthians. Suas palavras marcadas por humildade me impressionaram. Fico – por que não? – com aqueles que acreditam no futebol do Imperador e espero que seja muito feliz nesta volta a São Paulo. Não é só a Fiel que conta com sua estrela brilhando. O futebol do Brasil tem esperança de vê-lo de novo explodir em grandes atuações e gols, muitos gols.

Golaços amargos

Rodrigo Souto (São Paulo) no Recife e Gilson (Grêmio) em Caxias marcaram gols tipo de atacantes que sabem se colocar muito bem na área. Coisa incrível! Se alguém assistiu sem conhecer os times terá pensado que foram a favor. Lembrei-me daquele do Oséas, em 1998, pelo Palmeiras, no Morumbi, uma cabeçada fortíssima que valeu para o Corinthians empatar o clássico por 1 a 1.

Nunca mais?

No palco em que acontecem os gols espetaculares, um novo e maravilhoso momento do nosso futebol para encantar torcedores de quaisquer idiomas: Rogério Ceni. Vinte anos de carreira e o inédito titulo de maior goleiro artilheiro do mundo. Taí um cidadão que se dedicou a fazer o que nunca ninguém tinha conseguido. Ele projetou – treinando obsessivamente quase todos os dias – chegar ao fantástico recorde e, lógico, fará mais ainda, chegará a quanto puder alcançar até encerrar sua carreira. No dia em que a mídia nacional e internacional botou em manchetes o feito que parece impossível de ser igualado, ele tratou de lembrar, na maior naturalidade, que sua coleção de gols não pára por aqui. Explodindo de emoção, ainda assim teve serenidade ao falar das tantas  vezes em que superou barreiras e colegas adversários, demonstrando que continuará buscando, com a mesma motivação, marcar e dar vitórias ao clube de sua vida. Diante de tudo isso, ao se ver um Rogério Ceni pleno de condição técnica e titular absoluto do São Paulo, conclue-se que até pode ser,sim, que apareça outro - aqui ou em outro país – que consiga pelo menos igualar-se a ele. Mas é uma possibilidade remotíssima , dificílima a chance de isso acontecer. Porque virão outros gols, mais dez, vinte, trinta, sabe-se lá quantos. Até o dia em que o artilheiro único deixar os gramados, muitas bolas ainda irão, alegres porque tocadas por ele, visitar o fundo da tela de cordel que enfeita o retângulo que é a “mosca” buscada pelas estrelas dos estádios. É muito, mas muito provável mesmo, que essa gloriosa história de Rogério não se repita jamais.

HAJA REDES…

Volto de férias e vejo o futebol paulista num momento muito bom. Que beleza…Quatro grandes pontuando em alternância são a exata definição de que a fase está excelente. Palmeiras toma a liderança que era do Corinthians encantando a galera.  São Paulo se encosta nos dois em dia do ponto mais alto na carreira de Rogério Ceni, e o Santos sem dez titulares marca 3 pontos na festa de reinauguração do estádio Novelli Junior. Resultados que enriquecem a história (como o fim do longo tempo sem vitórias do Tricolor sobre o Timão, Timão que perdeu mas jogou um bolão) do melhor estadual do Brasil pela emoção das partidas mas, principalmente, pelos gols de enorme qualidade.

Sempre se apreciou um futebol brasileiro ao estilo de muito toque fino de bola e jogo de aproximação do gol para chutes e triunfos.  Fazia falta a melhor pontaria nos tiros de média e longa distância. Tivemos gloriosos momentos das famosas tabelinhas que deixavam atacantes “na cara” dos goleiros. Mas os tempos, decididamente, são outros, pois, afinal, as defesas são mais fortes e já não dão mole. É quando constatamos que o expediente de arriscar de longe se torna linda realidade. Em cada jogo, praticamente, temos um golaço do tipo canhão.

A rodada mostrou Thiago Heleno, Dagoberto e Dentinho, entre outros, praticando lançamentos de “mísseis” de enorme alcance. É o novo jeitão do futebol do Brasil, bem melhor no aproveitamento, preciso na arte de meter a bola nas redes de posições cada vez mais surpreendentes.

Estamos dando menor importância às jogadinhas de efeito,aos totós e chapéus que tanto fizeram a alegria das gerações do século vinte. Vemos que, além de atacantes bons de chutes e cabeçadas, já assistimos a vitórias com finalizações de fora da área que matam a dureza dos marcadores violentos. Haja redes para serem estufadas nesta moderna (e mais completa) versão do melhor futebol do mundo.

Um e outro pisaram

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Totalmente procedente a insatisfação do Felipe Scolari porque Kleber não se poupou no carnaval. Só que, em casos assim, o assunto tem cunho muito pessoal. O jogador está sentido, e tem razão. Seu treinador bem que poderia conversar com ele, criticá-lo no ambiente interno, evitando a exposição na midia. Tudo leva a concluir que Kleber, de fato, pisou na bola ao quebrar sua linha de repouso e recuperação. Mas Felipão também teve menos reserva do que seria de se esperar.

Hora de perder existe

Concordo com o Fábio Santos. Pelo andar da carruagem, o Corinthians chegará à fase decisiva do Campeonato Paulista com folga na classificação. Portanto, faz sentido julgar que a derrota para a Ponte Preta não quer dizer nada nem pesará na esteira dos jogos futuros. Quem duvida que até 17 de abril o time dirigido por Tite sustentará média de pontos mais do que suficiente para disputar a fase mata-mata? Lógico que a Macaca registra pelo sucesso no Pacaembu um feito a mais a seu favor na história do confronto entre os dois clubes.