No palco em que acontecem os gols espetaculares, um novo e maravilhoso momento do nosso futebol para encantar torcedores de quaisquer idiomas: Rogério Ceni. Vinte anos de carreira e o inédito titulo de maior goleiro artilheiro do mundo. Taí um cidadão que se dedicou a fazer o que nunca ninguém tinha conseguido. Ele projetou – treinando obsessivamente quase todos os dias – chegar ao fantástico recorde e, lógico, fará mais ainda, chegará a quanto puder alcançar até encerrar sua carreira. No dia em que a mídia nacional e internacional botou em manchetes o feito que parece impossível de ser igualado, ele tratou de lembrar, na maior naturalidade, que sua coleção de gols não pára por aqui. Explodindo de emoção, ainda assim teve serenidade ao falar das tantas vezes em que superou barreiras e colegas adversários, demonstrando que continuará buscando, com a mesma motivação, marcar e dar vitórias ao clube de sua vida. Diante de tudo isso, ao se ver um Rogério Ceni pleno de condição técnica e titular absoluto do São Paulo, conclue-se que até pode ser,sim, que apareça outro - aqui ou em outro país – que consiga pelo menos igualar-se a ele. Mas é uma possibilidade remotíssima , dificílima a chance de isso acontecer. Porque virão outros gols, mais dez, vinte, trinta, sabe-se lá quantos. Até o dia em que o artilheiro único deixar os gramados, muitas bolas ainda irão, alegres porque tocadas por ele, visitar o fundo da tela de cordel que enfeita o retângulo que é a “mosca” buscada pelas estrelas dos estádios. É muito, mas muito provável mesmo, que essa gloriosa história de Rogério não se repita jamais.
HAJA REDES…
Volto de férias e vejo o futebol paulista num momento muito bom. Que beleza…Quatro grandes pontuando em alternância são a exata definição de que a fase está excelente. Palmeiras toma a liderança que era do Corinthians encantando a galera. São Paulo se encosta nos dois em dia do ponto mais alto na carreira de Rogério Ceni, e o Santos sem dez titulares marca 3 pontos na festa de reinauguração do estádio Novelli Junior. Resultados que enriquecem a história (como o fim do longo tempo sem vitórias do Tricolor sobre o Timão, Timão que perdeu mas jogou um bolão) do melhor estadual do Brasil pela emoção das partidas mas, principalmente, pelos gols de enorme qualidade.
Sempre se apreciou um futebol brasileiro ao estilo de muito toque fino de bola e jogo de aproximação do gol para chutes e triunfos. Fazia falta a melhor pontaria nos tiros de média e longa distância. Tivemos gloriosos momentos das famosas tabelinhas que deixavam atacantes “na cara” dos goleiros. Mas os tempos, decididamente, são outros, pois, afinal, as defesas são mais fortes e já não dão mole. É quando constatamos que o expediente de arriscar de longe se torna linda realidade. Em cada jogo, praticamente, temos um golaço do tipo canhão.
A rodada mostrou Thiago Heleno, Dagoberto e Dentinho, entre outros, praticando lançamentos de “mísseis” de enorme alcance. É o novo jeitão do futebol do Brasil, bem melhor no aproveitamento, preciso na arte de meter a bola nas redes de posições cada vez mais surpreendentes.
Estamos dando menor importância às jogadinhas de efeito,aos totós e chapéus que tanto fizeram a alegria das gerações do século vinte. Vemos que, além de atacantes bons de chutes e cabeçadas, já assistimos a vitórias com finalizações de fora da área que matam a dureza dos marcadores violentos. Haja redes para serem estufadas nesta moderna (e mais completa) versão do melhor futebol do mundo.