CANSAÇO, JÁ?

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Terminado o jogo contra o Goiás, durante a coletiva, levantou-se a surpreendente hipótese de o time do São Paulo estar apresentando sinais de cansaço. Caiu de produção no segundo tempo e foi seriamente atacado pela equipe goiana. Semelhante fenômeno se havia observado nos 45 minutos finais da partida contra a Portuguesa de Desportos, domingo. Estamos tão somente em abril, a temporada irá até a primeira quinzena de dezembro. Não parece muito cedo? Dentro do Campeonato Brasileiro, entre viagens e jogos, serão 38. Como estará o grupo lá pelos meses do terceiro trimestre?

QUANTA FORMALIDADE

A CBF programou uma vistoria a ser realizada pessoalmene pelo técnico Mano Menezes ao estádio do Pacaembu nesta sexta-feira. Segundo ouvi dos responsáveis, serão inspecionados os vestiários. Mas claro que o treinador não deixará de dar um passeio para uma espiadinha no estado do gramado. Tudo isso ocorrerá com a promessa de que Mano visitará, olhará, mas não fará nenhum pronunciamento à mídia. Por que tanto segredo? Aliás, por que tamanha preocupação com instalações que o professor conhece tão bem, não é verdade?

AMADURECENDO

Mais uma declaração importante de Neymar – ele que tem pago um certo preço pelo noviciado – sobre as faltas que sofre em cada partida, especialmente nesta recente, contra o América do México. Ao dizer que está aprendendo a não explodir, chegando a falar que compreende que deva ser marcado com seriedade, a Joia deixa claro que os conselhos de seu pai e as orientações dos treinadores começam a dar resultados. Enquanto os adversários busquem tomar dele a bola e entrem para as divididas sem deslealdade, tudo bem, o maior craque do Brasil de hoje irá amadurecendo, percebendo o futebol com um enfoque mais profissional, mostrando que começa a entender o que é, dentro de campo, cada um lutar por sua equipe e pelo seu pão de cada dia.

Argentinos enchem a bola brasileira

Conca | Sérgio Barzaghi / Gazeta Press

O jornal portenho Clarin abre espaço, na edição desta terça feira, para avaliar o status atual do futebol do Brasil em comparação com o da Argentina. Em um enfoque bem ponderado, realça a superioridade da nossa seleção (terceira no ranking da Fifa) enquanto a dos hermanos vem duas oposições abaixo. Ademais, estampa com seriedade o fato de cinco clubes daqui continuarem na Libertadores da América contra apenas dois deles. O texto lembra que enquanto equipes argentinas se ressentem de grandes talentos, três dos seus maiores jogadores da atualidade são titulares absolutos de Internacional, Cruzeiro e Fluminense – D’Alessandro, Montillo e Conca. Por fim, o diário acena com a expectativa de que, em julho, na Copa América, em seu  território, a seleção da AFA possa inciar uma recuperação.

Sem ida e volta é muito melhor

Decisão na base do mata na primeira tem muito mais sabor. O Paulistão está aí para mostrar.

O Santos sofreu para chegar à semifinal. Mesmo de músculos doloridos teve que correr. Sem uma segunda chance, aquela do tradicional ida-e-volta, o jeito era lutar ou lutar. Lutar muito, como o time fez. Pelo menos até um gol – um, apenas – como fez a estrela Neymar.

Uma só partida tem o condão de exigir dos grandes (e históricos candidatos a títulos) total aplicação de seus recursos ofensivos. Pode o adversário, sim, tentar segurar o empate na esperança de buscar uma sorte nos tiros da marca do penalte. Mas àquele que tem obrigação de vencer nenhuma outra opção existe senão pressionar, com isso fazendo espetáculo do jeito que o torcedor mais gosta – na garra.

Ao Corinthians não foi outra a alternativa. Saiu veloz na procura do gol, conseguiu, e, depois, teve que encarar um Oeste paciente e manhoso. Convicto de que havia muito tempo pela frente, o time de Penápolis se colocou no aguardo de um momento acidental. Que aconteceu de forma incrível naquele finzinho do primeiro tempo. Robustecido pela igualdade no placar, foi, todo fechado,  projetando também uma decisão depois dos noventa minutos. Só a obsessão tirou o Timão de uma série de penais. Obsessão e habilidade pessoal de William. Que entrou na hora certa. Que abraçou a chance de ser heroi. Que sacudiu mais de trinta mil pessoas da galera alvi-negra.

Santos e Corinthians passaram. Com dificuldades mas passaram. Uma luta, com certeza.Concluiram bem a primeira das possiveis tarefas. Mas na competição é assim mesmo: sem se aplicar até o limite do que pode não se chega a lugar nenhum. Afinal, o valor das conquistas está no volume das dificuldades superadas.

Nervosismo e correria

Não era para tanto. A equipe do São Paulo encarou o segundo jogo contra o Santa Cruz como qualquer coisa parecida com decisão de título. Ficou complicado. Um baita nervosismo marcou seu surpreendente jeito afoito em Barueri. O motivo terá sido – quem sabe? – o esquema de amarrar o jogo adotado pelo time pernambucano na busca provocar desequilíbrio do tricolor paulista. Ainda que se reconheça que a luta são-paulina era também contra o relógio, repito, não era para tanto.

A permanência na Copa do Brasil acabou sendo mais tensa do que o esperado. Aquela reação do garoto Lucas, quando expulso, foi a maior prova de que as cabeças estavam quentes. Na coletiva, o técnico procurou amenizar, alegando que ele só queria pedir satisfações ao árbitro. Mas isso não faz parte do jogo. Atleta tem que aceitar as providências do juiz, e pronto. Questionar, nunca. Tal atitude pode trazer, no relatório da autoridade, denúncia mais pesada ao tribunal.

As coisa seriam diferentes, talvez, se Rogério Ceni tivesse marcado naquele penalte que cobrou ainda no primeiro tempo. Se virasse com dois a zero, o tricolor paulista iria encarar um Santa Cruz obrigado a abandonar a cera e a catimba, obrigado a atacar e deixando, por via de consequência, mais espaços para se jogar futebol.

Muricy, aposta certa

Foto: Gazeta Press

Foto: Gazeta Press

Muricy Ramalho volta ao futebol paulista vestindo a camisa do Santos, para realizar um trabalho de, acima de tudo, arrumar a casa da Baleia. Dono de um elenco de bom para ótimo, o Peixe estava precisando de um professor, um técnico para reacertar funções individuais e dar um perfil ao time.

Responsável, carismático e senhor de autoridade que os atletas respeitam, o melhor do Brasil nestes últimos anos pode conseguir aquilo que a galera praiana há bom tempo sonha – ver, em campo, um futebol compatível com a alta qualidade de alguns craques de prestígio internacional.

Seguro que ele tem competência (enorme) e paixão pelo que faz, o torcedor praiano sente que, enfim, seu clube tem um vencedor a treinar e dirigir Neymar, Ganso, Elano e os demais craques da Vila. Nem tem dúvida: Muricy é a melhor aposta que poderia ter sido feita.