Corinthians de dois tempos

Foto: Djalma Vassão/Gazeta PressVeloz e ambicioso, dominador e dono do jogo no primeiro tempo de suas partidas, o Timão é um carro de Fórmula 1 na largada. Depois do intervalo, tudo muda. O Corinthians volta para o segundo tempo completamente diferente. Não foi a primeira vez, agora, contra o Ceará, que tudo mudou no campo alvi-negro na segunda metade da partida. Inexplicável como o time ficou atrás, deixou de lutar no ataque e permitiu que o adversário partisse faminto na direção de sua área. E tudo isso acontece – incrível! – num estádio tomado por trinta mil fanáticos torcedores que não param de gritar na tentativa de ajudar a vencer.
Dá para entender a queda de temperatura, do fervor de quarenta e cinco minutos para a frieza da fase final? Quem pode explicar esse fenômeno?

Rivaldo tem que falar jogando.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta PressRivaldo está preocupado com o inseguro comportamento do São Paulo quando joga no Morumbi. Claro que nem só ele tem razões de sobra para querer conversar com os colegas buscando encontrar respostas para o mistério. Muito bom que ele utilize sua experiência. Agora, será que isso não seria função específica do treinador? Inclusive começando pelo próprio Rivaldo, a quem nunca deveria colocar no banco, ao contrário, escalando-o para começar as partidas em que suas condições físicas sejam as melhores? Ou seja, Adilson entra com o veterano craque, ele, aí, sim, inicia orientando os rapazes, com isso as chances de fazer um placar favorável no primeiro tempo são maiores. Quando Rivaldo tiver feito sua parte pedirá para ser substituído e o tricolor, mais tranqüilo, terá condições de tocar a bola e fazer seu jogo sem sobressaltos até o final.

Medalhões por revelações

O resultado diante da Alemanha não pode surpreender ninguém. Desde quando a atual seleção brasileira vem jogando bem e ganhando com alta qualidade?

O jogo com o time germânico foi só uma confirmação de que todo o processo de formação de um time para jogar  em 2014 está errado.

Não deu para perceber naquele amistoso contra a Holanda? Nem, agora, no resultado negativo das duas provas contra o Paraguai, na Copa América? A eliminação humilhante no torneio sul-americano tem que ser levada a sério. A verdade atual exige profunda reflexão. Nosso joguinho está muito pequeno. 

Preservar antigos titulares durante um tempo de testes é o maior engano. Qual deles é certeza de que vai chegar, daqui a três anos, como dono de uma posição? A hora é de laboratório nos amistosos que não comprometem o passado que temos. O bom senso manda tentar amadurecer os talentos jovens.

É preciso ter a determinação suficiente para descartar medalhões e dar as camisas às revelações.

Neymar valoriza o craque brasileiro

Foto: AFP

Foto: AFP

Da mesma forma como faz seus gols com presença constante na área e precisão nas finalizações, o comandante Borges, do Santos, falou e disse ao comentar a recusa de Neymar ao interesse do Real Madrid. Certo ele, ao entender que essa negativa da maravilhosa revelação do futebol brasileiro só irá valorizá-lo para o futuro.

Quando um atleta tem a frieza de não se abalar com a milionária oferta de euros de um baita clube como
o dono do Santiago Bernabeu é porque sabe muito bem que seu sucesso mundial ainda nem começou.

Propostas outras virão. Na verdade, o futuro reserva uma corrida de poderosas associações do futebol internacional. Um dia, a oferta que hoje parece grande poderá ter valor pouco expressivo.

O mundo da bola constata que Neymar é uma Jóia de valor bem maior do que se imagina. Percebe que o futebol brasileiro já lhe proporciona rendimentos que rivalizam com o que lhe ofereceriam no velho mundo.

Talvez os interessados em tira-lo do Santos precisem dobrar o lance feito pelo Real. Com isso, com certeza, o craque mais famoso do Brasil esteja abrindo um atalho importantíssimo para o futebol nacional, levando a uma
valorização de outros tantos jovens que um dia também voarão em busca da fortuna longe daqui.