Virada de Mano em Belém

Ufa! Com essa vitória sobre a Argentina, quem sabe se vá para sempre a fase das cabeçadas no escuro. Mano Menezes, enfim, alcança o que procurava e estava merecendo: um resultado digno do grande futebol brasileiro.  Agora, pode dormir mais tranqüilo. Ganhou sua primeira partida contra um grande, justamente coincidindo com a primeira derrota de Sabella em quatro jogos com a seleção de seu país.

Fico pensando como nosso treinador terá sofrido durante aquele duro período de jogos contra adversários sem nenhuma expressão técnica mais significativa, dados seus péssimos resultados. Imagino também como terá sido complicado  explicar nas coletivas o inexplicável mau futebol  do time.

Ganhar da Argentina, seja em amistoso, seja em final de copa, em qualquer nível de uma seleção nacional é importantíssimo. O triunfo de Belém, aplaudido até pelo treinador ( e pela mídia ) deles vai repercutir, com certeza, no mundo inteiro.

Tenho forte esperança de que Mano Menezes venha a fazer essa seleção crescer. E acredito que volte com ela ao lugar em que quase sempre esteve – a primeira posição no ranking da Fifa.

Clubes e seus direitos

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Reclama o Santos contra as constantes ausências de Neymar. Convocado pela Seleção, o mais famoso craque sul-americano faz falta ao time dirigido por Muricy Ramalho em partidas importantes. Mesma coisa acontece na Argentina, onde dirigente do Boca Juniors pede à AFA mais atenção ao calendário, de forma a evitar desfalques de craques insubstituíveis em partidas dos clubes pelos seus campeonatos nacionais. Idêntico é o apelo santista. O que se pede cá é o mesmo que se pleiteia lá. Tudo muito justo, pois, quando não seja para competição oficial, a programação de jogos de uma equipe nacional deve levar muito em conta o quanto as associações gastam com suas estrelas e quando perdem em qualidade de seu futebol em partidas oficiais. Será assim tão difícil um ajuste de datas?

Esquentar é o pior

Aceitemos os argumentos de Emerson. Respeitemos que de fato sentia dores quando caiu ao solo do Pacaembu no domingo. Sim, o árbitro pode ter-se precipitado ao exibir o amarelo. Ocorre que uma coisa é reclamar e outra é ironizar. Ainda mais com palminhas. O correto é acatar o cartão amarelo, mesmo que injusto, deixando para seus dirigentes, mais tarde, os devidos passos em termos de protesto.
Os clubes deviam orientar seus atletas sobre conduta em competição. Se fizessem isso, talvez nenhum deles se deixasse levar por arroubos de indignação. Como aconteceu duas vezes neste mês – uma com Cleber Santana, do Atlético Paranaense (que outro dia também ‘aplaudiu’ um árbitro ) e esta do Emerson.

Política do futebol argentino

Eleição do presidente da Associacion de Futbol Argentino, mês que vem, esquenta o ambiente do futebol do país hermano. Julio Grondona, pela primeira vez, enfrenta uma proposta opositora. A insatisfação dos descontentes está no fato de que a indicação para o cargo é feita por apenas 49 votos. Outros clubes legalmente federados, em todos os níveis e divisões, pedem o direito de participar do pleito. O clima vai aquecer ainda mais, a partir do instante em que ações forem promovidas via justiça comum para mudar o regulamento da entidade, coisa até agora tida como impossível.

Quem explica o São Paulo?

Sem conseguir vitórias em seu estádio, o São Paulo vê crescerem suas dúvidas quanto aos motivos desse estranho comportamento.

Poxa, com um estádio enorme e a presença sempre candente de sua torcida, o que está faltando a esse time que, fora, tem sido muito mais competente? O mistério paira no ar do Morumbi.
O último episódio foi desconcertante. Mostrou um futebol pobre, uma preocupante ( no modo de dizer do próprio técnico Adilson Batista ) sonolência inicial que animou o tricolor carioca a sair para o jogo e encarar o dono da casa sem a menor cerimônia.  Por fim, uma derrota que afasta o clube do chamado G-4 seguida de um clima de tensão nervosa que vai além dos limites admissíveis para atletas experientes.

Derrota que só não foi por dois a zero porque o Rogério Ceni fez o golzinho de penalte. Penalte considerado injusto.
Claro que não é normal o capitão recordista mundial de gols com bola parada correr até o árbitro para questionar coisas de uma página virada e receber cartão amarelo depois do jogo encerrado.
Está no ar uma dúvida séria, muito séria que  vai além da rotina do futebol: o que acontece com esse tradicional ganhador de canecos nacionais e internacionais?

Elas ensinam como

Foto: AFPPrimeiro foi Fabiana Murer, campeã mundial na acrobática e complicada prova do salto com vara. Ganhou bonito de concorrentes de países com tradição nessa especialidade. Abocanhou o ouro e deu mais um recado importante aos governantes, um forte clamor por um programa nacional de desenvolvimento esportivo.

Nesta sexta-feira foi a vez de Fabiane Beltrame remar fortíssimo com seu incrível single skiff e botar dois barcos de vantagem sobre as meninas famosas na modalidade. Mais uma brasileira campeã mundial que chega ao pódio por pura vocação e enorme força de vontade.

Será que não dá  – num país de tantas crianças fascinadas pela atividade esportiva – para as secretarías de esportes e as federações respectivas organizarem um baita programa básico de formaçao para talentos que se perdem por falta de chances e recursos financeiros?

Pode não ser tão fácil. Mas possível, sim, claro que é. As duas fenomenais brasileiras acabam de dar provas de que da quantidade se extrai, lógico, a qualidade.