Contra o Barça, dar espaços é fatal

Djalma Vassão/Gazeta Press

Justo, mas não era para tanto. Ganhar a final foi simples demais para o Barcelona. Bastou exibir sua enorme qualidade e contar com o talento incrível de suas estrelas. Levou o caneco de goleada, encantou o mundo e deu mais uma baita prova de que é sua a escola mais perfeita.

Tudo claro e indiscutível, mas o Santos não precisava abandonar seu estilo, entrar em campo tão humilde e recuado, mais assistindo ao adversário tocar a bola do que tentando fazer o que sabe. Ao contrário da ofensividade exibida na primeira partida, ficou longe demais sem exercitar marcação que tem competência para fazer.

Nem de longe se exigia do Peixe que vencesse e desse show. Mas podia, pelo menos, tornar mais trabalhosa a partida para o Barcelona. Não era para se ver seus jogadores tão perdidos na marcação, abrindo espaços absurdos para a troca de passes dos espanhóis.

A vitória do time catalão não significa que, mesmo reconhecidamente melhor, seja tão superior. A inexperiência dos melhores talentos santistas para esse tipo de parada internacional foi responsável pela timidez que apagou a chama do extraordinário futebol de Neymar e Ganso. Marcados com rigor, foram encapsulados pelo esquema do melhor time do mundo.

Sem conseguir utilizar a pleno suas duas maiores estrelas, o time de Muricy Ramalho caiu para quase a metade do seu nível de atuação. Quanto ao Barça, mereceu, sim, pois jogou tudo que sabe, um lindo futebol.

Santos do jeito que o Brasil gosta

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Que ótimo! Bastaram dezoito minutos para o Santos aquecer e chegar próximo do seu melhor nível. Até então, com a bola entre lá e cá, a partida era veloz, alegre, equilibrada e, lógico, ineressante. Faltavam os gols.

Chegando aos vinte, o que era bom para os brasileiros começou a se tornar ótimo. Foi quando aconteceu o primeiro. Feito por quem devia – Neymar. Passe de quem mais sabe entregar a bola – Ganso. Pronto, estava oficialmente  apresentada ao mundo (e ao vivo) a dupla famosa. Um par de artistas excepcionais, dois legítimos representantes do melhor futebol do mundo.

Aberto o placar  – que beleza! – continuou o espetáculo do jeito que o torcedor gosta. Nem bem o time japonês havia se recuperado da pancada e Borges, em estilo espetacular também, fez o segundo. Voltar do intervalo com dois a zero era tudo que a galera alvi-negra queria.

Evidente que o show não podia parar. Mesmo sofrendo um gol do Kashiwa nem pensar em perder o ritmo. E foi no melhor da euforia local que aconteceu o lance que costuma decorar as melhores páginas do futebol de quem mais sabe e gosta de jogar – batida na bola parada. Ganso encenou. Só para deixar o goleiro confuso. E Danilo mandou a bomba certeira. Também empolgante o terceiro gol.

Foi marcado pela superioridade brasileira, foi encantador mas nada fácil. O vencedor teve que lutar para sair sob os aplausos. Aliás, ganhar de ninguém qualquer um ganha. Mas não tem a menor gaça; é obrigação. O Santos foi Brasil fazendo exibição contra um respeitável time dirigido por Nelsinho Baptista. Só podia ser um brasileiro a dar aquela qualidade de toque de bola aos garotos de camisa amarela.

Excelente que o Peixe tenha dado o retorno aos milhares que pagaram muitos ienes para ver de perto o melhor futebol. Um futebol em ritmo de samba, um show que o mundo adora.

Quanto à final, bem… tomara que seja tão verde-amarela quanto à saborosa estreia.

Fiel, incrível campeã!

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Sem a Fiel, nem de longe o Corinthians seria o fenômeno que é.

Mais uma taça do Corinthians e se assistiu a mais uma festa dupla. É isso: vitória do Timão quer dizer um espetáculo dentro de outro. No campo, o time corre, enquanto, em torno, o povão joga o jogo encantador da paixão, paixão que rola pelos degraus e alcança os craques com seus inflamantes bordões.

Com mais um título conquistado, de novo a história se repete. Parece que cada triunfo tem que ser como este último, difícil, arrastado, sofrido até o último instante da derradeira partida.

O sabor com o que está acostumada a Fiel é marcado pela árdua luta que termina em inigualável explosão de calor humano. Isso é inesquecível, é indescritível, é inexplicável.

O Corinthians é, sim, um campeão grande, sempre altaneiro. Porque é mais que um clube que com ótimo time de futebol. Carregado pela massa, por milhões de fanáticos artistas anônimos que tornam cada jogo um mega-show, ele é a felicidade, a sublimação do amor por um puríssimo ideal. Ideal brasileiro de ser feliz sempre, seja como for, haja o que houver.

Sem a Fiel, nem de longe o Corinthians seria o fenômeno que é.