Dallas espera um show de bola!

Foto: Mowa Press

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Que delicia… Ganhar de goleada é das melhores coisas para o brasileiro. Os rapazes da equipe que vai à Olimpíada com a obssessiva intenção de quebrar um dos mais intgrigantes tabús do futebol nacional satisfizeram este país de norte a sul.
 
Naquele outro jogo, contra a Dinamarca, a felicidade causada pelo time de Mano já tinha sido prá lá de completa: 3 a 1. Foi samba no pé e bola na rede deles. Nesta quarta feira, então, com os 4 a 1, o show no tapete green dos americanos transbordou. 

Alô, Londres, entenda o segundo recado de Neymar e sua turma! A meninada sabe muito bem que esse ouro olímpico está mais que fazendo falta na CBF. E vai com tudo para busca-lo. Beleza, nota dez nas duas primeiras provas. Se não bastarem, atentos, agora, ao jogo em Dallas.  

O México é para dura, é, sim. Só que o time amarelinho está mais que voando baixo. Pode até nem ser uma exibição tão espetacular como nos dois amistosos até aqui. Afinal, sempre é bom ter um pé atrás. Mas o torcedor brasileiro acredita.  

Será que em Dallas terá mais alegria? Afinal, essa é a marca da terra das largas avenidas, carrões de luxo, cowboys de gravata e lindos edifícios inteligentes. Nada mais indicado para outro show de bola brasileiro. Será que dá?

Paulinho pagou o ingresso do povão

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Velho ditado diz que água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

Todo time motivado faz desse jeitinho. Desenvolve obsessivamente um plano de continuado ataque, até conseguir desestabilizar e tirar proveito do erro que é quase inevitável. Argentinos e uruguaios fazem isso muito bem.

Poucas vezes tenho visto uma equipe competente e batallhadora, mesmo diante de uma outra do mesmo nível, deixar de fazer pelo menos um gol e quebrar uma resistência fortíssima. Tudo fica por conta do acidente dentro da área.

O Vasco encarou o Timão em pleno Pacaembu. Esteve algumas vezes a pique de fazer seu gol. Não soube dar o bote certeiro na hora de finalizar. Pagou caro porque Diego Souza preferiu colocar a bola no canto esquerdo a dar uma cavadinha.

Paulinho, na sua vez, foi diferente: tirou partido da desatenção adversária que o deixou livre, subiu só e de olhos abertos. Ao cabo de noventa e dois minutos, em não mais que tres segundos tirou o esquadrão cruzmaltino da Libertadores.

Fez o Pacaembu explodir, como que devolveu em dobro o preço do ingresso de cada torcedor e está fazendo render gozação para alguns dias, nas horas saborosas de contar vantagens aos torcedores de outros times.

Os grandes e seus sonhos

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

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O Corinthians nem se importou com o primeiro jogo, de olho que está na Libertadores. Seu plano grande é ganhar do Vasco na volta.

Mesma coisa do lado do Fluminense, que só pensa no Boca na próxima parada internacional que terá.
O Santos (que pensa dia e noite no Vélez) também não deu muita bola para o primeiro dia do campeonato nacional e até esnobou na Bahia. Saiu no empate, até que bom.

Se a Fiel foi ao Pacaembu pensando que o time iria com tudo para ganhar do Flu, saiu frustrada, mas não na bronca. Deu bem para perceber isso. Corinthiano apoia sempre. Entendeu que os três pontinhos perdidos para os reservas do Flu nem farão falta lá na frente, na hora de ver quem sai campeão brasileiro.

Claro que o Tricolor do Rio foi na mesma. Botou um time possivel em campo para não dar w.o. Não merecia mais que o empate, mas deu sorte e saiu de visitante ganhador. Passo importante deram seus garotos.

Agora, o São Paulo, não; levou a sério a estreia no Brasileirão. Foi com time titular ao Engenhão e se deu muito mal. Para os pupilos de Leão, tomar a virada pegou mal. Culpa de quem? Do Botafogo, ora. Sem essa de culpar o treinador. O Bota é que botou água no chope tricolor.

Cada um do seu jeito, foi sem graça a estreia dos grandes paulistas, a começar pelo Palmeiras que deixou a Portuguesa ser ela mesma como em todos os tempos. Só um pontinho para Felipão e seu grupo, mas fazer o que?

Deixa pra lá. Faz de conta que foi só um aquecimento. Da segunda rodada em diante, cairá a ficha para cada um dos sempre candidatos ao título.

A despeito da estreia gelada, os times ainda brigam por uma final (e um título, lógico) na Copa Libertadores.

Quanto aos que estão de fora dela, a questão é jogar bonito na Copa do Brasil. Enfim, a ideia é chegar até a final e levar o caneco. Objetivo de tricolores e palmeirenses.

No cenário nacional ou na disputa internacional, cada um dos clubes principais de São Paulo tem, portanto, seu grande sonho para um futuro próximo. Muito justo.

Inigualável qualidade do futebol do Brasil

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Deu Santos. Um espetacular tricampeão, capaz de levar ao Morumbi (junto com o Guarani) quase 60 mil que pagaram e respeitável número dos que não precisam de ingresso.

Foi um jogo de futebol do jeito que os apaixonados amam – técnico, ritmado, de duas equipes interessadas em dar show, uma festa digna de uma final paulista.

Para os otimistas, um prato cheio. Para os pessimistas, a constatação de que o Morumbi continua a ser o palco principal em que os craques gostam de exibir seu talento.

A final do Paulistão juntou duas formações afinadas com a seriedade do jogo limpo e aberto. Ao campeão, a festa emocionante do povo com seus bordões e foguetório. Ao vice, o reconhecimento de como soube ser leal, limpo, competente e bom de jogo também.

Neymar – a estrela fora de série – completou mais um jogo em que exibiu fintas, toques e passos de um balé mágico. Mas todos fizeram sua parte. Dos dois lados. O principal foi a exibição coletiva.

O time de Muricy fez o que o que o povo queria: venceu. O Guarani jogou, tentou na bola levar o título que lhe resultou impossível. No fim, Cada qual com seu caneco, ambos fizeram mais um espetáculo com a qualidade inigualável do futebol do Brasil.

Show como nos velhos tempos

Foto: AFP

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Foi retumbante o jeito santista de vencer. Brilhante a forma de jogar. Obcecada, a equipe começou cêdo contra os jogadores bolivianos que julgavam ter o plano ideal para evitar que as feras chegassem ao seu gol – sair atacando.

Contra craques como Neymar, Ganso, Elano, Borges e Arouca sair para o jogo é cair no que eles mais adoram. Óbvio: para quem sabe de bola, adversário que esgarça sua defesa e dá espaços está mais é pedindo para tomar gols. Os pupilos de Muricy adoraram a proposta dos visitantes.

Na verdade, o Bolivar serviu o prato mais saboroso. A Baleia jantou até se fartar.
Comentam jornais de La Paz que, para seu representante, foi a noite do futebol-desastre, consequência de uma ousadia sem propósito e ingênua. Lembram os colegas lá do alto que foi a segunda humilhação . Recordam que, em 2005, depois de ganhar na altitude por 4 a 3, os celestes desembarcaram ao nivel do mar para sofrer 6 a 0. Foi, coincidentemente, num dia ll de maio.

Na Vila tudo é diferente, é histórico. Mesmo com o adversário fazendo o melhor que possa, a diferença fica por conta de um esquadrão que, na praia ( o hino já diz ) é quem dá bola.
E como é grande a diferença quando o pacto de vestiário de Neymar e sua banda é dar show. Show de matar saudades dos velhos tempos de Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe, reprise fascinante de um modo encantado de exibir os noventa minutos mais lindos de se ver sobre um gramado.

Onde é que eu assino?

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Do princípio até as semifinais do Paulistão tudo corre nos conformes do tradicional. Cada clube tem seu estádio, portanto desfruta do seu direito de jogar uma em casa e outra fora, vai somando (ou perdendo) seus pontinhos, sobe ou cai, mas, enfim, nada muda o andar da carruagem.

Chegamos à final e, pronto, ninguém mais manda nada; só a Federação. Nem se pode discutir, pois o regulamento aprovado por todos os participantes antes da temporada começar é claro: nas duas partidas a organizadora do torneio decide. Daí, que se disputará o título no Morumbi.

Justo? Sim, pelo que os homens assinaram no dia em que se reuniram para estabelecer regras. Não, entretanto, se entendermos que cada um dos dois finalistas bem que merecia arrumar direitinho sua casa, acolher o visitante, alcançar renda substancial ou não, permitir que sua torcida participasse da festa só pagando pelo ingresso (sem ter que gastar em viagem) enfim, produzir o seu espetáculo como mandante.

Agora, só resta a Santos e Guarani mandar encher o tanque do onibus e sair para a estrada nos dois próximos domingos. E sair cedo, que as rodovias andam muito movimentadas nos fins de semana…

Ano que vem, que tal os 20 presidentes examinarem bem tudo quanto estiver escrito e tentarem alterar o texto?

Ou será de novo na base do “onde é que eu assino?”.