Arrebentou do lado do Leão

Gazeta Press

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Qual o interesse de cada torcedor nos motivos da dispensa de um treinador? No duro, nenhum, pois não é de explicações que o fanático vive; só de resultados. Então, temos que o presidente do São Paulo perdeu ótima oportunidade para ser elegante para com Emerson Leão.

Responsável direto pelos atletas contratados, ainda assim, incrível como o dirigente não se sente nada envolvido com a situação deplorável do time de futebol do Morumbi. Justo isso? Se não foi o técnico quem indicou os “reforços”, por que, então, atribuir a ele a falta de resultados, É ou não é?

O que o presidente fez foi repetir velha (e esfarrapada) desculpa, única maneira que os que mandam utilizam quando não desejam criticar a sí próprios.

Quem tem o poder não se importa sequer em ser original. Fácil malhar o demitido acreditando dar uma satisfação ao torcedor. Simples e enganoso o expediente. Quem tem um pouco de conhecimento de bola sabe que não é de treinador o problema são-paulino, mas, sim, de ingredientes para que a receita do bolo tricolor dê certo.

Neste novo episódio, o São Paulo encerra de modo decepcionante o ciclo de um treinador que lutou muito – até contra a interferência dos próprios dirigentes em seu trabalho – e perdeu a causa por um só motivo, obviamente coisa antiga também: a corda arrebenta sempre do lado mais fraco…

Primeira vez do Corinthians

Sérgio Barzaghi/Gazeta

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Foi por uma falha defensiva do Santos que Emerson teve a bola à feição para fazer o gol da vitória no primeiro jogo. No Pacaembu, em outro erro, Danilo ficou na cara do gol para dar só um tapinha e empatar.

O Corinthians foi grande na defesa, de novo. Todo o primeiro tempo ficou aguardando pelo adversário, atento às chances de um contra-ataque. Não foram mais que três nos primeiros 45 minutos.

Estabelecida a igualdade, o Timão voltou a ser um baita bloco defensivo. E tudo acabou com o sucesso que Tite esperava do seu projeto de trancar as portas sem maiores pretensões de vitória.

Legal, está provado que o time está redondíssimo para jogar atrás. Um golzinho aqui, outro ali, sempre marcando com perfeição, o time vai dando à Fiel a maior felicidade.

Agora, para a final, tomara que a receita funcione como tem acontecido. Que mais uma Libertadores venha para o Brasil. Que a primeira vez do Corinthians seja o triunfo de um projeto tático de alto risco, mas muito corajoso e bem sucedido até aqui.

Juvenal precisa fazer um pacto com Luis Fabiano

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

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Um atleta profissional tem que se comportar como a natureza de seu trabalho impõe: cuidar-se para manter sua sa[ude e seu talento no melhor nível possível. Ademais, seu contrato estabelece que cumpra horários e respeite os termos da organização da empresa (clube) para qual trabalha. Enfim, como em qualquer atividade, o cidadão que abraça a carreira de jogador de um determinado esporte assume compromissos com quem o contrata.

Lógico que Luis Fabiano sabe de tudo isso. Um quase veterano, tem conhecimento daquelas coisas de participar dos treinamentos, atender as convocações para jogos, viajar com o grupo e concentrar-se com sua delegação. Não me consta que ele falhasse em qualquer dos itens todos de sua atividade como jogador.

Como é, sem dúvida, bom funcionário, bom colega e boa gente, choca vê-lo perder o equilíbrio dentro das partidas, tentar discutir decisões (que ele sabe serem irrecorríveis) dos apitadores. Evidente que lhe terão dito inúmeras vezes que é pago para jogar, nunca para bater boca com adversários ou juizes. Lógico que seu técnico tem aconselhado, tem conversado particularmente para lembrar que reclamar nunca levou a nada. Ademais, deve estar mais do que ciente de que jogador contestador cria fama entre os próprios árbitros.

Com toda vasta experiência que possui, como explicar que perca as melhores oportunidades para ser um jogador capaz de ensinar aos colegas mais novos como fazer gols, mas – e isso é muito importante! – mostrar também como reagir a uma falta ou advertência (mesmo que lhe pareça coisa injusta) sem alterar no diálogo?

Enfim, gente, quem, lá dentro do São Paulo, cuida dessa parte importante que é o relacionamento de seus atletas dentro de campo? Isso devia ser uma constante, não só com o Luis Fabiano, mas com o elenco todo. Afinal, a profissão é pautada por atritos que resultam dos contatos coorporais e verbais. Não só com o Fabiano, mas com todo o grupo. Afinal, na luta por vitórias e títulos tem que haver limites. Quem exagera prejudica o grupo, enfraquece sua equipe. Dá mole para o adversário. No fundo, joga contra.

O presidente promete punir, mas não vejo necessidade de castigo. No duro, cabe um diálogo sério, maduro e equilibrado em que se exija moderação e respeito aos apitadores e adversários, aliás, respeito a partir dos próprios companheiros. Isso, Juvenal precisa firmar um pacto com seu craque.

O Pacaembu vai tremer!

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

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O Santos jogou fora a chance de sair na frente. Irreconhecível, foi dominado no primeiro tempo, tomou um gol que o Corinthians mais que mereceu fazer e, já na segunda metade do jogo, não demonstrou qualquer talento para mudar sua sorte para melhor. Nem mesmo com um a mais em campo depois da expulsão de Emerson.

Foi a vitória do equilíbrio imposto por Tite a sua equipe. Em campo, quanta diferença entre as equipes! Ataques (muitos) no segundo tempo feitos pela equipe de Muricy. Todos em vão, ante a falta de boas jogadas que pudessem abrir a perfeita marcação corinthiana. Uma vez apenas Neymar chegou junto à trave. Não conseguiu acertar o pé na bola. Uma só cabeçada deu Borges. E Cássio mostrou porque estava lá.

O Corinthians foi frio, compacto e inteligente, mesmo sob risco de sofrer o empate. Realizou uma tática que poderia nem dar certo. Compactado em seu meio-campo, ficou à espera de brechas para o contra-ataque. Se não deu certo por um lado, por outro conseguiu seu objetivo.

E como houve coisas para deixar o espetáculo feio. Aquela fumaceira provocada pelos sinalizadores não pode mais acontecer. Apagão de metade da iluminação num estádio em que se joga pela Libertadores, em pleno século 21, mas como?
E vem mais daqui há sete dias. Semana de um Corinthians que deu um passo decisivo na direção da final. Programa de um Santos que, mesmo batido, ainda é candidato a seguir na Copa.

Um e outro dos times sabem que nada está resolvido. Vão, no Pacaembu, viver as mesmas esperanças e o mesmo clima nervoso que acompanharam seus últimos sete dias. Corinthians fixado em repetir o jogo em que abalou a Vila. O Peixe, convicto de que não pode jogar tão mal quanto neste dia de Santo Antonio.
Segunda e última disputa de vaga na final sulamericana fará o Pacaembu tremer.

Sombreros, guitarrons e trumpetes mexicanos

Foto: AFP

Foto: AFP

Logo que o jogo terminou recebi um telefonema de cobrança. ” E daí, o show em Dallas, foi cancelado?” Responder o que? Deve ter sido a descontração, sucesso na cabeça depois de duas grandes exibições, enfim, aquele “desligamento” que costuma acontecer dentro de uma série de amistosos. Isso, confiança demais pode fazer mal quando o time sabe que não precisa brigar por três pontos. Foi o que aconteceu, expliquei, à falta de melhor coisa para dizer. E podem ter certeza de que foi isso, sim.

Aliás, qualquer coisa me dizia que era preciso ter um pé atrás. O México, faz tempo, perdeu aquela timidez enorme que tinha ante o futebol brasileiro. Além do que, sua seleção (e seus clubes) têm desenvolvido como que um plano especial para as ocasiões em que nos encaram. Garra, muita garra, aquela coisa que começa quando seus jogadores abrem os olhos, pela manhã, no dia do jogo. Cada um dos seus craques começa agarrando a primeira fatia de pão do café da manhã como se fosse um adversário. Morde com mais força, mais fome, praticando um exercício de dominar o pedaço que dura até a hora de pisar o gramado.
E Dallas perdeu a chance de ver o show de bola e samba ao vivo. Acabou se conformando com um outro, de mariachis. Não tão espetacular como o que esperavam, mas, enfim…

Muito na bronca, teve gente que jura ter visto cowboy atirando as botas para longe. Isso, eles chutando as texanas e os mexicanos chutando para dentro da rede da seleção brasileira. E duas vezes, chato… Nada a lamentar , o time jogou feio, não segurou lá atrás e a festa brasileira fica adiada.
Assim, o cenário foi dominado por sombreros, guitarrons e trumpetes estridentes…