Para ser o melhor do mundo

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Quem via Neymar tentando ser um atuante isolado na seleção brasileira se encantou, evidente, de sua participação no segundo jogo pela Olimpíada. Fez um serviço de craque (como é, lógico) só que como homem de equipe, oportuno e inteligente nos toques que deu na bola.

As fintas e firulas exageradas parece que começam a dar lugar a toques mais práticos. Garoto ainda, por toda intimidade que tem com a bola tende a crescer muito para chegar próximo da perfeição.

Tomara que sim, que curta a naturalidade com que ergueu a cabeça e realizou a perfeição do passe justo na cabeça do Pato. Que aprimore ainda mais sua habilidade para fazer um tiro indefensável como na falta que bateu. Por último, que tenha cada vez mais o reflexo com que deu de calcanhar para Oscar fazer o terceiro.

O Neymar que o Brasil adora, joia do futebol mundial, está crescendo. Sua consagração como melhor do mundo pode estar mais perto do que se espera.

Arte de sofrer conformado

foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Mais uma qualidade revelada por Ney Franco após segunda partida como treinador do São Paulo: conformação.

Em tom sereno, ouvindo atentamente e fixando os olhos dos repórteres, ele, pacientemente, reconheceu que a equipe jogou mal. Deixou entender mesmo que ainda não teve tempo para conhecer melhor o grupo com que trabalha. Gostei da franqueza.

Sobre as modificações no time titular, confessou que esperava um tipo de rendimento mas precisou mudar certas coisas ao longo da partida. A uma pergunta minha, até justificou, dadas as circunstâncias, porque não retirou do banco para o gramado Casemiro e Maicon.

Lógico que mostrou na coletiva um rosto marcado pela frustração. Evidente que tinha intimamente convicção de que a equipe poderia obter os tres pontos sonhados pela galera. Nem tem dúvida que foi para casa decepcionado com o fracasso. Afinal, são dois jogos e nenhum resultado bom.

Neste começo de trabalho, continuo bem impressionado com seus pontos de vista. Ainda assim, diria que talvez tenha sido um exagero lançar jovens atletas durante a crise. Penso que, enquanto durar a turbulência e não se recuperar a autoconfiança, o ideal será manter os profissionais mais experientes.

Restabelecida a firmeza do futebol são-paulino -  e contra adversários menos fortes – aí, sim, caberia dar oportunidades às promessas.

Desse jeito ficaria mais fácil tranquilizar a torcida que pegou pesado em mais uma atuação infeliz do time. Com a consequente oportunidade, lógico,  dos primeiros sorrisos de alegria de Ney Franco no Morumbi. Ele merece ser feliz no tricolor.

Os operários de Felipão

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Fatos que fazem do Palmeiras um baita campeão da Copa do Brasil são consequência do jeito de ser de um profissional acostumado a ganhar troféus – Luis Felipe Scolari.

O sucesso de hoje terá sido resultado de um dos mais complicado problemas que ele teve de resolver. Talvez o maior de todos. Com limitações e dificuldades, Felipão foi remontando com enorme paciência um elenco que tinha como maior adversário, por certo, o descrédito.

Com sua autoridade precisou peitar até sua diretoria para impor o trabalho que sabia ser o mais correto para devolver aos palmeirenses o orgulho de ter seu time de novo como o melhor de uma disputa.

Nunca abalado em seu otimismo, levou a peito uma tarefa que só não foi mais árdua porque é um técnico dono de absoluta sua autoridade no exercício de seu cargo. Teve que engolir sapos em tentativas de contratações que lhe negaram. Nunca fez segredo disso. Mas, se no campo administrativo soube acatar decisões das quais discordava, nunca cedeu um centímetro de seu espaço no terreno técnico. Aceitou o duro desafio e juntou sua maior perseverança aos sonhos de sucesso dos atletas alvi-verdes. Fez do jeito como sabe, assumiu tudo e, enfim, entregou a taça que queria dar ao seu clube.

Trabalhou com o que lhe proporcionaram. Inteligente e profundo conhecedor da alma do jogador de futebol, fez do seu grupo, com o correr dos jogos da Copa do Brasil, um time de vibrantes e solidários lutadores, operários da bola, defensores da causa mais pura no esporte – o ideal do torcedor.

Fechados com ele, os jogadores do Verdão atingiram um nível que só as equipes conduzidas por um lider forte e carismático podem alcançar. Aos brados de seu general, jogo a jogo, conseguiram levar a galera verde a comemorar uma conquista que se junta a tantas outros da bela história desse clube vencedor.

A discreta firmeza de Ney Franco

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Chegou simpático, olhando, conversando em tom educado, sorrindo e procurando demonstrar firmeza. Foi assim que Ney Franco pisou o gramado do Morumbi, domingo, perto de uma hora antes do São Paulo começar a jogar contra o Coritiba. Ficou pouco tempo ao lado do gol, na altura da boca do tunel, cumprimentou afavel aos que lhe estenderam a mão e foi para o camarote da diretoria ver como a rapaziada se iria comportar.

Nas primeira entrevista, no CCT, mostrou-se humilde. Mas não deixou de garantir que tem enorme confiança no trabalho que poderá realizar no tricolor. Impressionou bem sua abertura aos torcedores para que cobrem dele o melhor que esperem de seu novo treinador.

Dono de bom curriculo, o técnico que assume um time ainda com problemas mostra que não sabe dissimular nas respostas. Tudo indica que pode dar certo, sim. Tomara que dê, pois a equipe que vinha jogando feio dentro e fora de casa precisa ganhar ares de candidata a titulo mesmo. É justamente o que ele promete.

Ao passar pela competência de Milton Cruz, ganhando duas seguidas e subindo na tabela, o São Paulo chega um pouco mais confortavel aos braços do novo treinador, um homem de atitudes e palavras extremamente confiáveis.

Um profissional que assume disputar para ganhar. Em momento algum posa de estrela. Assim, ganha de cara tôda esperança da galera.

Conheça, Boca: Corinthians e a Fiel

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

O torcedor corinthiano tinha que ser compensado pela longa espera. Tantos anos batalhando, sofrendo com eliminações sem nunca perder seu fervor, um dia teria que chegar seu prêmio por tamanha fidelidade.

Vem, finalmente, numa campanha perfeita, a vez do sofredor, a hora do povão. Para essa galera e para o Brasil o Timão conquista a melhor e mais retumbante de todas as versões da Copa Libertadores.

Era preciso que fosse uma vitoria desse tamanho, justamente contra o adversario mais famoso e respeitado – o Boca. Tinha que ser contra um dos maiores colecionadores desse importante trofeu – o bicho-papão de La Bombonera.

Durante a semana, meus amigos corinthianos se orgulhavam pela decisão ante o Boca Juniors. Porque sonhavam ver o mais famoso caneco continental levantado perante aqueles que se julgavam, ao entrarem para a partida, simplesmente unicos e imbativeis. Importava-lhes que vencer um adversario de alta categoria tem muito mais sabor.

O Boca tinha firme esperança de que sua tradição se repetiria como em tantas decisões fora de Buenos Aires. Pisou o gramado do Pacaembu convicto de que tinha mesmo enorme chance de levar outra taça em partida disputada no terreno adversario.

Se não conseguiu, foi por desconhecer duas das maiores e mais emocionantes verdades do futebol do Brasi: o poder de conjunto do adversãrio e sua fantastica massa torcedora.

Corinthians fez nesta final seu futebol de operarios da bola, equipe trabalhadora, disciplinada, pronta a quebrar tradições. Nos degraus e no alambrado, a Fiel acompanhou jogando tambem. E como jogou essa gente que nunca falta, nunca deixa de fazer sua parte!

Tudo complicado no Santos

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Muito mais dificil do que Muricy imaginava essa volta do Santos a seu futebol normal. Impressionante como o time da Vila não acha seu rumo, decepciona e não consegue se explicar em campo.

Situação mais do que estranha a dessa equipe que teve enorme felicidade no primeiro tempo, quando a Portuguesa poderia ter saido com uns dois gols de vantagem. E que, aos 40 do segundo tempo, no unico lance otimo de Neymar ( colocou Borges livre e com a bola na frente de Dida ) teve a berrante inversão da sorte no momento raro em que poderia ter ganho a partida. Jogando quase nada, desfigurado em seu futebol, o Peixe decepciona e causa a pior impressão neste brasileiro.

Tomara que a horrivel crise técnica passe logo. Aquele time que ainda outro dia desfilava de candidato a finalista da Libertadores tem que se sacudir, dar a volta por cima e acabar com a complicada maneira de tratar a bola.