Muito pouco para Tite

Se foi o clube que decidiu, a decisão não reflete bem o que vale o técnico do Corinthians. Tite merecia mais, bem mais que um novo ano de contrato de trabalho. Num país em que profissionais que comandam times não tem maiores garantias no cargo, um autêntico vencedor devia merecer uma situação especial, uma relação de trabalho privilegiada.

Grandes atletas assinam por quatro ou cinco anos. Vá lá, são estrelas que, mais ou cedo ou mais tarde, irão retribuir com sobras o investimento dos clubes. Ainda que não signifiquem qualquer retorno financeiro, os treinadores de ponta, por sua vez, pelo menos mereciam contratos mais longos, capazes de dar-lhes segurança futura.

Confirmando que não tenho a menor idéia sobre quem definiu o novo contrato de Tite só por um ano, ainda assim insisto que ele deveria ter a chance de fazer planos para exercer sua atividade no Corinthians por, pelo menos, umas tres ou quatro temporadas mais.

Ou será que as partes decidiram esperar pelo final do ano, após definido o título mundial, para voltar a conversar?

Contra o mal do grupo rachado

Foi-se o tempo em que temas particulares em um clube de futebol se resolviam ( ou não… ) internamente, mas dificilmente transbordavam para além das portas da associação. Ser discreto no trato dos assuntos de cada um e de todos marcava lo dia-a-dia no futebol.

Claro que sempre existiram choque de opiniões, discordâncias e papos mal resolvidos. Mas tudo ficava com eles e só para eles – técnicos, atletas e dirigentes – com o objetivo de preservar a imagem da própria entidade, livrando-a de fofócas e irônicas ilações.

Hoje, os artistas do show da bola não andam tão reservados. Mais do que rapidamente, os cartolas deveriam tentar conter os desabafos inoportunos. Nada de imposição ditatorial, coisa do tipo calar a boca, não. Apenas lembrando que, democraticamente, cada um faça as colocações a que tem direito, sempre com respeito ao próximo, mas em momentos próprios, em conversas francas porém educadas dentro do ambiente interno. E nunca em exposição pública via câmeras e microfones.

Pode ser uma boa maneira de preservar a própria equipe contra desunião e rachaduras.

Mano está virando o jogo?

AFP

AFP

As dúvidas sobre seu plano tático ( “filosofia de jogo”, como se costuma dizer ) de Mano Menezes podem estar começando a desaparecer. Nada a ver com a vitória sobre o Iraque, mas da goleada sobre os japoneses. Foi de repercussão mundial. Seja pela colocação dos nipônicos no ranking da Fifa, seja pela invencibilidade que eles vinham sustentando desde o dia 23 de maio deste ano.
Podem até os eternos pessimistas alegar que os asiáticos sentiram o velho respeito ante a camiseta amarela e – sem trocadilho – teriam amarelado. Ou será que o problema é que o treinador italiano ainda não conseguiu ainda estabelecer um sistema mais perfeito de marcação? Parece mais viável a segunda hipótese.
De fato, sem um atacante fixo dentro da área deles, como que se confundiram. Acharam que era fácil sair pro jogo. E foram com tudo. Daí, os contra-ataques jorraram faceis demais.
O que chamou a atenção foi a simplicidade como os volantes conseguiam chegar, a começar pelo incrível Paulinho e sua mania de fazer gols.
Moral da história: o esquema de Mano funcionou. Era consenso que seria partida difícil. Não foi. Disputada, sim. Jogando e deixando jogar, também. Jogo limpo, de passes bonitos ( dos dois lados ) só que a seleção brasileira entrou para fazer gols. Enquanto o Japão, se pensou nisso, não teve a maior condição de chegar lá.
Hoje, mais solta e muito rápida, a bola tocada por Neymar e sua turma ( euper reforçada por Kaká ) tem muito mais jeito de futebol brasileiro. Tomara que continue desse jeito. Precisamos acreditar que o técnico vai mudando o time para melhor, gente!

Triste sonho de Resistência

AFP

AFP

A que ponto chegamos, torcedores. Levaram o “superclássico das Américas” para um estádio com capacidade para 25 mil pessoas onde jamais se havia realizado uma partida de primeira divisão. De jogo internacional, nem se fala. De seleções, então, inimaginável. Dá para duvidar da importância que os próprios organizadores do evento deram a ele.  

A capital da província do Chaco – Resistência – não conseguiu fazer o jogo. A iluminação pifou. Não foi possível o reparo e se chegou ao absurdo de uma espera de mais de hora. Não tem como justificar a falta de estrutura, a nenhuma logística e o vexame. O povo pagou, vaiou, só viu os rapazes confraternizando durante aquecimento em campo e teve que ir embora. 

A televisão dos dois países abriu sua grade, gastou alto com satélite, anunciou as escalações e teve que permanecer exibindo um lance de arquibancadas até nem lotado. Dos craques, alternando uns poucos de cada time, só o tradicional jogo do bobinho para manter o aquecimento. De vez em quando, abraços e risos, muitos risos. Dos próprios argentinos entre sí, dos brasileiros por seu lado e até deles juntos, no papo entre colegas doCorinthians, por exemplo.

Para uma platéia acostumada a modestos jogos de divisões inferiores, o sonho de assistir ao jogo mais histórico das Américas foi sonho mesmo. Um sonho triste…