Felipão volta para vencer

AFP

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Luiz Felipe Scolari já nem precisava tentar mais nada no futebol. Seu currículo completo, sua experiência e o respeito mundial que ostenta constituem uma obra acabada, muito bem acabada, por sinal. Ainda assim, aceitou a tarefa complicadíssima, avaliar toda a obra deixada por Mano Menezes, modificá-la (ou não) no que for preciso, dar à Seleção seu estilo e buscar torna-la, de novo, campeã do mundo.

Como todos, claro que ele sabe quanto vai ser difícil seu trabalho. O nivel de nosso futebol anda baixo, o próprio time nacional caiu muito no ranking da Fifa e, mais que isso, o tempo de que dispõe para modificações não é nada grande.

O jeito será sair correndo ao encontro dos treinadores das equipes do país, ouvi-los, assistir ao maior número possível de vídeos de jogos e, num tempo recorde, eleger seus favoritos a convocar.

Felipão sabe que o país espera uma equipe que jogue moderno, agressiva, vencedora e seja capaz de explodir em conquistas dignas da tradição nacional. O que quer dizer, simplesmente, um time capaz de vencer a Copa das Confederações e conquistar a Copa Mundial da Fifa.

Para um técnico que não relutou em assumir o cargo, sua volta significa que não entra nessa para perder. Tomara que dê tudo certo.

Felipão, Tite, Muricy, Abelão ou quem?

Na mesma data em que elege os melhores do Campeonato Brasileiro ( entre eles o técnico campeão, Abel Braga ), Mano Menezes é demitido. E logo após derrotar a Argentina em Buenos Aires! Que “presente”, heim?

Tudo bem, pura coincidência. Mas, de todo jeito, a eleição de Abelão tem que ser considerada um fato positivo para que pudesse vir a ser o próximo treinador nacional. Claro que ele bem merece. Acaba de incluir em seu rico currículo mais um título de grande importância, fazendo do Fluminense um campeão antecipado antecedência, dono do melhor ataque e da defesa menos vazada da competição. Um vencedor que pratica um jogo mais próximo da modernidade do futebol mundial.

Mas, óbvio, outros pesos pesados estão na lista dos provaveis. Se é que ainda não há um eleito, quem pode ser o novo treinador brasileiro?

Tite é muito forte, embora o Corinthians, de início, demonstre que vá resistir a liberá-lo. Pode ser que a entidade nacional, ao prometer só para janeiro o anúncio do sucessor de Mano, esteja aguardando pela solução do mundial de clubes. Vale a hipótese.

Muricy é outro dos maiores profissionais da atualidade no país. Será que desta vez ele aceitaria? Um chegado meu, velho companheiro dele em outras jornadas, me diz que sim. Inclusive o referido já teria sido sondado para fazer parte da comissão técnica. Pode ser…

Outro grande candidato é Luis Felipe Scolari, lógico. Robustece seu rico curriculo o prestígio que lhe empresta hoje o Ministério do Esporte. Pelo que se percebe, ele toparia entrar nessa tarefa. No que contaria também com o apôio já declarado do craque-deputado federal Romário. Não se nega que é forte sua possibilidade.

Claro que todo mundo sabe quais são os nomes provaveis. Impossílvel que ocorra uma surpresa. Provável, até, que antes mesmo da virada do ano venha a vazar o nome eleito, o treinador que terá a missão de levar a seleção às duas próximas maiores competições do mundo – Copa das Confederações e Copa Mundial da Fifa.

Palmeiras, Silvestre e a arena

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Falo do Palmeiras com meu irmãozinho, o repórter Alexandre Silvestre, da  TV Gazeta. Ele é bom de frases de efeito “Dez anos depois, o Palmeiras ainda não aprendeu a lição. E prega, como fundamental na etapa difícil que 2013 reserva aos queridos (e sofridos) torcedores do Verdão: “Apenas a união política tornará mais fácil o retorno do clube ao seu lugar.”

Se estou com ele? Lógico! Em gênero, número e grau. Só praticando uma convivência leal os palmeirenses que administrarem o complicado caminho de volta devolverão a felicidade à coletividade esmeraldina. Sem ambições pessoais, sem jogo de bastidores, apenas trabalhando a favor da entidade que é a maior campeã no futebol do Brasil a paz voltará ao Palestra Itália

Por falar em Palestra Itália, também opina legal o Silvestre: “Tem que ser como nas obras da arena. Baita esforço com participação de todos, um trabalho de reconstrução em ritmo acelerado.”

Enfim, justiça a Cavalieri e Fred!

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foi preciso haver todas as razões e mais uma para Mano Menezes chamar, enfim, Diego Cavalieri e Fred para a Seleção. Além das grandes atuações dos rapazes, do clamor popular e da crítica, o mais óbvio dos motivos, evidente, terá sido a conquista do título brasileiro pelo Tricolor carioca tantos dias antes da última rodada.

Claro que, se o título da competição ainda estivesse em aberto, os dois (e os outros craques do Flu) não estariam no grupo. Até porque, nessa hipótese, a convocação não interessaria ao clube e nem mesmo aos prróprios atletas. Não, principalmente, pelo significado pouco expressivo da partida prevista para a capital argentina.

De qualquer forma, embora apenas para o “Superclássico das Américas” (tão desprestigiado depois da passagem pelo apagão de Resistencia), essa brecha que surge para Fred e Cavalieri pode, de repente, recolocar coisas em seus lugares, no mínimo fazendo justiça a dois destaques do Brasileirão, nada menos que o melhor goleiro na opinião unânime dos especialistas e o grande artilheiro do torneio.

Tomara que Mano aproveite a chance desse jogo para acolher os dois jogadores, coloca-los como titulares e fazer deles membros efetivos para as futuras  convocações. Simples questão de justiça.

Para aumentar a fome de bola de Ganso

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Contratado por uma fortuna, Ganso chegou para, primeiro, tratar-se e, depois, voltar a jogar futebol. Ao investir tudo aquilo que o Santos exigiu, o São Paulo deu provas de uma enorme certeza na total recuperação do atleta. Além do que, sua diretoria revelou-se prudente ao dar ao departamento médico o tempo que precisasse e tantos recursos quantos necessários para ter em campo sua mais cara estrela.

O tricolor foi um investidor corajoso, apostou alto, convicto de que o retorno será certo ( e grande ) na medida em que tiver paciência para aguardar pela hora certa.

Surpreende que, hoje, já se fale que Ganso pode, de repente, entrar com o time em campo, daqui a dois domingos. Chama a atenção que a previsão de estreia em 2013 possa ser antecipada em uns dois meses. Será possível que o tratamento já permita reduzir o prazo inicialmente anunciado?

Prefiro imaginar que, prudente e inteligentemente, se trabalhe na direção de um pré-condicionamento do atleta naquilo que seria seu reencontro com o público, vivência do clima de jogo, até no seu aquecimento emocional. Talvez seja só isso, sem a intençao real de lança-lo numa partida pra valer? Pode ser, afinal, ele entraria para o banco de reservas e isso seria também capaz de aumentar – digamos – sua fome de bola. Nada para participar, apenas para que veja bem de perto seu time em tempo real, levando-o a conhecer melhor o jeito de seus companheiros numa disputa de tres pontos.

Prefiro achar que é isso. Clube nenhum precipitaria um evento dessa importância. Afinal, faltando só tres jogos do time são-paulino no ano, por que ir com tanta sêde à fonte deixando de dar ao tempo o tempo certo?

570 pontos distante da melhor

Mais um mês de triste exposição mundial do futebol brasileiro. Subiu um ponto mas está como se nunca tivesse sido ganhador de copas do mundo e outros campeonatos da maior importância. Sem dúvida, não é o décimo terceiro lugar no ranking da Fifa a posição mais confortável para a mais famosa e mais amada seleção de todos os tempos.

Se é por falta de jogos oficiais ou porque outras equipes estrangeiras vêm atuando com maior frequência ante os olhos do mundo, isso não vem ao caso. O que marca é saber que algumas, entre as doze outras equipes acima na tabela de grandeza da entidade mundial, não têm nem a metade das conquistas verde-amarelas. Mesmo assim, praticam um futebol moderno e de resultados compensadores. E a classificação mundial resulta dos títulos e disputas de hoje.

Nada de viver de glórias do passado, certo. Não, porque, para ser qualificado como o melhor, o time nacional teria que sustentar a qualidade, o respeito e a capacidade histórica de vencedor, coisas que as escalações dos últimos anos já não conseguem.

Nossos treinadores não repetem o que Feola, Aimoré, Zagalo, Parreira e Felipão realizaram. Daí é forçoso que nos conformemos por estar a 570 pontos da Espanha, a maior de todas as seleções.