Pra lotar o Morumbi

AFP

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Taí, antes da chegada do ano novo pinta um bate-boca à distância entre Bolivar e São Paulo.

A partir da “suspeita” partida do Bolivar, veio, como consequência natural, a “proposta” do presidente do Tricolor.

E assim tem início um trabalho do marketing que só vai valorizar o espetáculo.

Que o clube boliviano esteja realmente querendo tirar do Morumbi o primeiro jogo, lógico que é dificil de crer. Afinal, quantos times do país e a própria seleção nacional da Bolivia passaram sem nenhum constrangimento pelo campo do Tricolor paulista? Por trás da alegada falta de segurança surgem contornos de uma catimba (pode ser até bem salutar) para redobrar a atenção da Conmebol e – por que não? – da própria mídia sulamericana.

Por via de consequência, está iniciado um processo de valorização do jogo, coisa que importa aos dois clubes.

Depois de milhares de partidas nacionais e internacionais de qualquer competição – realizadas nas mais absolutas condições de normalidade – o conjunto esportivo do São F. C. continua a ser confortável, seguro e ótimo para quem gosta de jogar futebol

Quanto às estilingadas iniciais, são mais motivos para lotar o Morumbi.

Vem, Corinthians Papai Noel!

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Deu Brasil de novo e o mundo está feliz. Deu Corinthians, Timão perfeito no embalo da Fiel. De novo assistimos ao sucesso da bola mais rica e mais brilhante de um futebol que não tenta ganhar de véspera.

Mais um caneco vem vindo, vem dando meia volta ao mundo nos braços dos campeões que ignoraram os incorrigíveis “favoritos”.

Na ida, o grito foi “VAI CORINTHIANS”! Agora, VEM CORINTHIANS!, vem logo, Corinthians. Vem que o país do futebol lhe espera. Ansioso, aguardando para ver de perto o presente que você – Grande Timão!, Papai Noel em branco e preto – traz para lhe entregar.

Velhos e superados hábitos

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

No jogo de Buenos Aires, bateram, tentaram intimidar e não chegaram a nada. Empataram em casa, depois de buscar, no grito, um milagre que na verdade não sabiam como alcançar. Costuma ser assim mesmo na primeira vez de um time sem maior experiência.

Poderiam ter tirado proveito da lição. Mas, nada…Trouxeram ao Morumbi a mesma “tática”. Outra vez não deu certo. Enquanto faziam coisas de principiantes, um futebol com jeitão amador, mais na canela dos adversários do que na bola, o São Paulo ia mostrando como é que se deve fazer. Ao término do primeiro (e único) tempo, o tricolor já havia ensinado duas vezes (Lucas e Oswaldo foram os encarregados) que partida que vale taça também tem que ser disputada dentro do respeito que todos em campo merecem. Até a bola…

Bom, julgaram ter motivos para desistir. Preferiram sair, deixando metade do serviço por fazer. Respeite-se. Assumiram e não desejaram participar do ato final, quando a Conmebol fez o fecho oficial do campeonato com a cerimonia de premiação.

Foi a escolha de um clube cuja equipe se desequilibrou no momento tenso da decisão. Seu grupo inexperiente, para tristeza de quem gosta de assistir a jogos importantes, trouxe para a última jornada da Copa Sul-americana um projeto superado, um jeito antigo, de comprovada ineficácia. Futebol se ganha jogando melhor que o adversário e fazendo gols. O visitante não conseguiu nem uma coisa nem outra.

Tudo quanto terá ocorrido no tempo de intervalo, longe dos olhos de todos nós, nos camarins e galerias do estádio, pertence a outro departamento. As pessoas envolvidas irão se explicar. A editoria em que continuo trabalhando é a de esportes.

A Fiel sabe decidir

Foto: AFP

Foto: AFP

Nada de novo na estréia corinthiana no Japão. Se alguém punha em dúvida a qualidade do time egípcio começou a cair do cavalo logo após Guerrero fazer o gol do Timão. A imediata mudança tática deles foi só mais uma prova de que não podia haver moleza. Times bobos não disputam um torneio como esse da Fifa.

Esconder escalação, esconder que tem certeza de ganhar, esconder o jogo dentro do gramado – isso tudo faz parte. São algumas das coisas mais velhas do jogo da bola.

Os rapazes do Al Ahly não pestanejaram um segundo sequer quando viram sua casa começar a cair. Deixaram de lado o disfarce, o joguinho de espera e sairam mostrando, aí, sim, o quanto sabem jogar.

Aliás, sabem jogar, respeite-se. Mas são fracos na hora de chutar a gol. E foi por esse seu surpreendente ponto falho que cairam fora da final.

Agora, quanto ao Corinthians, o que precisa mais é marcar direitinho as jogadas do ganhador entre Chelsea e Monterrey para, na decisão, chegar na frente e apanhar o caneco.

Dá para vencer. Mas todo mundo ( lá e aqui ) entendeu bem que vai ser complicado. Tipo do jogo para a Fiel ajudar a decidir. E, como ela está lá, pode fazer isso muito bem.

Tricolor mais que cuidadoso

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

O São Paulo é o favorito nesta decisão? Por todas as circunstâncias, tem que ser. Uma decisão que vem terminar em casa sempre joga para as costas do anfitrião, no mínimo, a obrigação de ganhar.

Vai daí, os os fatores em jogo são: dono do campo, torcida enorme a favor, jogadores mais experientes e time maduro contra adversário debutante, sujeito a sentir demais aquele frio na barriga na hora de valer taça.

Os próprios argentinos do Tigre dizem reconhecer, sim, as condições a favor do tricolor brasileiro. Mas… Isso, mas… ( é sempre bom considerar muito o mas… ) acham que tudo isso pode ser nada se fizerem direitinho seu papel de finalistas que não admitem ser vice-campeões. Isso, eles chegam declarando que não se conformarão em ser vice-campeões. Dificil, mas preferem adotar um discurso otimista. A ver…

Tricolor precisa estar preocupado? Sim, afinal é futebol. Respeito é sempre fundamental. Esse jogo tem mais de um século de pegadinhas e surpresas que recheiam sua história. Então, é bom que o time são-paulino entre com toda humildade e mais um pouco. Ney Franco sabe que deve mandar seu grupo a campo para jogar bola, jogar sério, cheio de respeito, pra lá de cuidadoso.

Sem essa de Grupo da Morte

Foto: Fernando Dantas

Quem sabe não escolhe adversários. Na Copa das Confederações (também) não tem essa de tentar fugir. Ora, forte por forte, o futebol do Brasil sempre foi –  mais que todos! – e eles é que deveriam se preocupar. Como em tudo na vida, quem conhece não estranha parada. Ao contrário, vai lá e desempenha.

Não vejo nenhuma dificuldade em jogar no grupo A. Encarar a Itália é normal, ou seja,é só mais um confronto de adversários que se respeitam. Agora, chamar de grupo da morte porque tem México na mesma tabela, decididamente, é se assustar demais. 

Se é para voltar a jogar bola como sempre soubemos, se, de fato acreditamos em Felipão orientando como se deve os craques brasileiros, melhor que seja mesmo contra quem vier. Importante é impor nosso estilo, sobretudo usando pra valer os fatores campo e torcida.

Que bobagem falar do Grupo da Morte…