Que tal um retiro, Palmeiras?

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

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Palmeiras ainda não se curou totalmente. Parece que cada jogador, interiormente, ainda traz um pouco dos graves danos emocioonais sofridos ano passado. Não se pode exigir um pronto restabelecimento de todos porque cada um sente mais ou menos as seqüelas da enorme infelicidade trazida pelo rebaixamento no Brasileirão.

Mas, como já está mais que na hora de se esquecer o tempo triste do final de 2012, a nova diretoria precisa fazer lógo alguma coisa. Todo mundo sabe que não é sua a culpa por tanto sofrimento da galera, mas, enfim, é a herança que recebeu. Tem que assumi-la.

Que tipo de solução seria possivel, Brunoro? Com sua experiência, sobretudo com sua incrivel serenidade para solucionar problemas (e você garantiu no MESA REDONDA que gosta de encara-los) que tal, por exemplo, afastar o grupo da cidade? Seria mais uma despesa, tudo bem, mas, enfim, uns dias de concentração longe da chiadeira da torcida e muito diálogo poderiam trazer a tranquilidade tão necessária a todos.

Ou será que não é bem o caso?

Riquelme sí, pero nó

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Certo dia, em Buenos Aires, visitei um agente de viagens encarregado de conseguir-me um lugar num voo entre a capital e Mendoza. Assim que entrei, de longe perguntei pela reserva. Resposta do simpático: “Sí, pero nó…”

Estava me informando que quase tinha conseguido me incluir no voo. Só que não deu.

Lembrei-me dele, agora, que Paulo Nobre, o presidente do Palmeiras, desfaz toda esperança de Riquelme jogar na equipe.

Desde o início do vem-não vem, achei que era difícil dar certo. No dia em que o craque recebeu seu prêmio das mãos de Flavio Prado e Michelle Gianella na noite do TROFÉU MESA REDONDA, ficou evidente que ele estava mesmo querendo vir para o Brasil.

Foi, portanto, o MESA REDONDA da TV Gazeta que aguçou o interesse do mercado nacional. Depois daquilo, todos sabemos, não foram poucos os interessados pelo seu futebol. Um a um, porém, os clubes foram deixando o assunto prá lá, até que o Palmeiras mostrou firmeza em seu interesse. Mesmo depois que o ex-presidente Tyrone foi à Argentina fazer tratativas pessoais com o craque, pairava baita dúvida. Ou seja, podia ser que sim, mas também podia ser que não.

E chega o momento em que Brunoro, o homem do futebol do Verdão na nova administração, em poucas palavras conclui o tema ao dizer com clareza não achar que pudesse Riquelme dar certo no Verdão. Fim das expectativas.

Foi “sí” por pouco tempo. Pena, seria mais uma estrela de alta classe em nosso futebol.

Que é intervalo?

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

É bom ser craque de bola. Muito bom virar titular insubstituível. É ótimo ser artilheiro, campeão, estrela do time e curtir no limite o amor da torcida.

E se não der, se o boleiro não chegar a tudo de seus sonhos? Será que – antes da glória, nem ainda campeão de nada, sequer sem um lugar seu na equipe – poderá cair nos braços da galera, dar autógrafos, posar para fotos com fanáticos/as e tudo mais a que tem direito um ídolo? Desde ontem sei que sim. A prova disso se chama Zizao.

Primeiro jogo todo de que participou foi o bastante. Aliás, a Fiel parece que estava adivinhando. Quando o serviço de som do estádio Jaime Cintra anunciou seu nome a explosão de aplausos subiu de volume.

O jovem chines encantou ao misturar bom toque de bola, sorriso humilde, velocidade, incrivel dificuldade ao pronunciar poucas palavras em portugues e – mais que tudo – um lance pessoal maravilhoso na assistência para Giovanni fazer o gol.

Bacana, na sua primeira chance, a despeito de ainda precisar evoluir muito, mostrou que tem possibilidades na carreira. Tite vai se encarregar de ensina-lo a repetir, quando outras chances tiver, o que já aprendeu a fazer. Como estréia, agradou bastante. Deu entrevistas e cativou pela simpatia.

Agora, especial, muito especial, foi na coletiva, quando alguém lhe perguntou o que Tite lhe recomendara no intervalo. Um ingênuo ar de dúvida, sorrisinho de criança e a resposta inesperada: “E… que é intervalo?”

Enfim, futebol de gente grande!

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Pelo menos neste ano as coisas serão mais atraentes para o torcedor brasileiro. Estou falando dos amistosos da seleção agendados contra equipes que têm o que mostrar, jogam a nivel de importância futebolística. Chega, enfim, a hora de encarar jogos de verdade, partidas que proporcionem algum tipo de proveito na formação do time nacional que entrará para a Copa das Confederações.

Já não vem ao caso, nesta altutra, porque até 2012 os amistosinhos eram de pouca ou nenhuma expressão. O que vale é que, no ano do primeiro grande evento mundial do jogo da bola, tudo comece por aqui com  testes realmemnte válidos. Inglaterra (duas vezes), Rússia e Itália valem o preço do ingresso porque estão no cenário do futebol inernacional.

Pena que faltará a Espanha. Seria perfeito se o melhor time do mundo fizesse uma festa ante a equipe brasileira.

Pato no Corinthians: novo futebol do Brasil!

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Pato chega ao Corinthians e inicia muito mais que uma simples volta ao futebol de seu país. O significado de sua passagem pelas portas do Departamento Médico e da academia do Corinthians para, aprovado, ser, de imediato, outra estrela brilhando no Timão campeão mundial pode abrir horizontes maiores para toda a estrutura clubística profissional.

A contratação de Pato pode ser a virada de página que projete clubes e associações brasileiros a um patamar bem acima daquele dos tempos em que neste país clube nenhum tinha como resistir às chamadas propostas irrecusaveis. Falo dos dias em que esperávamos, a cada ano, pelas ofertas em moeda estrangeira sempre um santo remédio para balanços no vermelho.

Será que podemos conseguir que um dia a riqueza possa vir a ser parceira da alta qualidade técnica que sempre tivemos? Neste momento, o Corinthians sai na frente na tentativa de provar que a mudança da mão de direção pode ser perfeitamente viável.

Na visão dos modernos dirigentes do Time do Povo, o jogo da bola tem que, enfim, profissionalizar-se fóra dos gramados e com isso abrir um enorme leque de receitas bem além da simples venda de ingressos e marcas comerciais nas camisas. Gigante na parte técnica, o futebol nacional pode ser enorme no mais avançado sentido empresarial.

Aplauso, direito e respeito.

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Ele foi um dos mais importantes no ano que passou. Pode mesmo ter sido o mais importante. Seja pelos gols que fez, seja pelos passes perfeitos que ofereceu a colegas que marcaram pelo Verdão. Mais do que justo reconhecer que garantiu resultados e pontos importantes para sua equipe.

Na linguagem do torcedor, terá sido meio time, com lances decisivos que, nos empates, evitaram derrotas e, nas vitórias, o consagraram como indispensável.

Se seu time caiu de divisão, certamente não terá sido por falta de grandes atuações suas. Individualmente, cumpriu o que lhe cabia. Coletivamente, fez por sí e por outros, em diversas ocasiões.

Claro que me refiro a Marcos Assunção. Um jogador exemplo. Suas palavras reproduzidas aqui em nosso site são típicas de um profissional mais que cumpridor. Passou disso. Foi dedicado. Foi leal e generoso dentro e fora de campo.

Ao exercer seu direito de não contar mais com seu trabalho, o Palmeiras tem que, no mínimo aplaudi-lo pelos golaços salvadores que marcou, entender seu direito a um reajuste salarial e, enfim, fazer uma declaração pública de respeito pelo quanto honrou a gloriosa camisa verde-branca.