Pelo futebol civilizado

Enquanto as autoridades policiais seguem – na Bolívia e no Brasil – cuidando das responsabilidades pela morte do jovem Kevin, os administradores do nosso futebol têm que refletir sobre o que a tragédia, por via de consequência, lhes recomenda doravante.

Este é o momento de se repensarem os métodos e a lojistica de segurança do futebol. O simples hábito de expor faixas e cartazes com recados tímidos e bordões de pouco efeito já era. O momento impõe providências que modifiquem hábitos que ja não se podem aceitar. A convivência pacífica entre frequentadores de cada jogo pede dos mandatários titudes, mas que sejam definitivas.

AFP

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A cúpula do futebol precisa se reunir e encarar as ameaças que circulam pelas arquibancadas. Representantes de todos os clubes, despidos de suas paixões e emoções, têm que se entender na busca do objetivo maior – a paz nos estádios – por enquanto apenas pregada nos cartazes de letras frias.

Ou se capacitam os donos do poder da bola de que é preciso arejar o clima em que todos convivem ou a tragédia se repetirá. Num lugar ou noutro, voltará a ocorrer. Eles têm que fazer um trabalho bem feito, convincente, para mostrar ao  torcedor que ele só precisa levar ao estádio sua voz e sua paixão. Coisa de gente civilizada.

São Paulo no vermelho

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Calma, nada sobre a vida econômica do clube. É que o time do São Paulo vai disputar uma única partida do Paulistão, no mês de março, sem qualquer de seus uniformes tradicionais. Explico: devidamente autorizado pelo Conselho Deliberativo, o time vai vestir traje especial para comemorar o final da troca das cadeiras e a colocação de milhares delas nos degraus das arquibancadas.

No momento em que as cores azul, laranja e amarelo desaparecem, todos os aneis do Cicero Pompeu de Toledo se tornam vermelhos. Para comemorar o novo visual, o tricolor entrará em campo trajando camisa toda vermelha também.

Por enquanto, não se informa em qual dos jogos, mas poderá ser a 10/03 ante o Palmeiras, 17/03 diante do Oeste, 24/03 frente ao Bragantino ou 31/03 no maior clássico do turno, contra o Corinthians.

Incrivel cena inédita!

Bruno Cantini/CAM

Bruno Cantini/CAM

O São Paulo não tem do que se queixar. Perdeu porque falhou, e falhou feio. Inexplicável uma defesa se deixar distrair a ponto de não perceber Ronaldinho isolado e com jeito de quem não queria nada, tomando um gole de isotônico que Rogério Ceni lhe ofereceu, num lance em que a regra do impedimento não existe… um arremesso lateral.

Qualquer tentativa de desculpa é em vão. Durante o jogo, nenhuma bola pode ser desprezada. Alguém tinha que ir marcar o jogador, mesmo com o jogo parado.  Foi ingenuidade incrível  da defesa tricolor. E tem mais: quando Ronaldinho cruzou, dois zagueiros foram para a bola e, ainda assim, quem tocou foi Jô. Nunca vi coisa igual no futebol. Pode ter sido um lance inédito!

Depois de andar mal no primeiro tempo, o time são-paulino até que reagiu, avançou a marcação e ficou bem mais esperto. Tinha tudo para tentar o gol de empate. Tinha… até que Ronaldinho de novo mostrou sua capacidade de prender a bola (agora em jogada normal) mesmo sob pressão na dividida. A resposta dos dois zagueiros do São Paulo aconteceu fora de tempo. E ficou fácil para Rever subir entre os dois e fazer o segundo.

Depois do gol de Aloisio, caiu a ficha. A partida poderia ter acabado em empate. É, podia…

Boa sorte, Presidente!

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Desconfiado antes de examinar a documentação, Paulo Nobre, agora, vê confirmados seus temores. E segue ostentando o mesmo ar de serenidade, coisa típica de quem entende que, para enfrentar grandes problemas, nada melhor que respirar fundo e sair jogando aberto.

É o que faz o Presidente. Embora a realidade seja chocante, declara com firmeza que vai encarar. Confirma que o buraco é grande, mas promete que, pelo menos, não deve crescer nos próximos tempos. Transparente, sinaliza  com extrema sinceridade ao dar conta do momento dificil. É muito importante que seus conselheiros e a galera torcedora entendam o recado.

Mais uma vez constatamos que futebol, no Brasil, é isso aí. Para governar um clube grande um recém-eleito encara com certeza dois inevitaveis problemas – finanças combalidas e pesadas cobranças da torcida que exige vitórias, se possível, títulos.

Essa dupla tarefa inicial é o que outros administradores, em diferentes clubes de alto prestígio vem, há anos, enfrentando, na maioria das vezes, sem sucesso. Grandes associações esportivas têm lutado contra  balanços no vermelho, ações trabalhistas que se acumulam, dívidas crescentes com fornecedores e, lógico, a pressão que desce das arquibancadas contra todos, dos cartolas aos boleiros.

No caso do Verdão, o peso das dificuldades administrativas é só um dos grandes problemas. Pois a nova diretoria sabe que precisa, acima de tudo e sem caixa,  montar uma equipe capaz de tirar o clube da segunda divisão no Brasileirão. Haja apôio e compreensão.

Desejar boa sorte a Paulo Nobre é o mínimo que os palmeirenses precisam fazer. Procurar apoia-lo na duríssima tarefa, com certeza é indispensável. Para que ele possa realizar tudo que o clube precisa, na medida do seu enorme amor ao Palmeiras e da sua inegável disposição de trabalho.