Sem essa de Grupo da Morte

Foto: Fernando Dantas

Quem sabe não escolhe adversários. Na Copa das Confederações (também) não tem essa de tentar fugir. Ora, forte por forte, o futebol do Brasil sempre foi –  mais que todos! – e eles é que deveriam se preocupar. Como em tudo na vida, quem conhece não estranha parada. Ao contrário, vai lá e desempenha.

Não vejo nenhuma dificuldade em jogar no grupo A. Encarar a Itália é normal, ou seja,é só mais um confronto de adversários que se respeitam. Agora, chamar de grupo da morte porque tem México na mesma tabela, decididamente, é se assustar demais. 

Se é para voltar a jogar bola como sempre soubemos, se, de fato acreditamos em Felipão orientando como se deve os craques brasileiros, melhor que seja mesmo contra quem vier. Importante é impor nosso estilo, sobretudo usando pra valer os fatores campo e torcida.

Que bobagem falar do Grupo da Morte…

Isso é que é campeão!

A ginástica artística brasileira já tem um lugar bem seu. Agora ampliado pela vitória espetacular de Arthur Zanetti contra o baita favorito Chen Yibig.

Modalidade extraordinariamente linda, misto de dança, acrobacia e leveza, cada competição é fascinante.

Desde que Danielle Hypolito começou a mostrar que brasileiros também são capazes de praticar coisas lindas numa das mais encantadoras das atividades olímpicas, a juventude verde-amarela abraçou a causa.

Hoje, Daiane dos Santos, Diego Hypolito, Jade Barbosa e outros pisam os ginásios e arenas do mundo sob aplausos tão reconhecidos quanto entusiastas.

Agora, a vez é de Arthur Zanetti, mais um campeão que empolga o mundo. Quase perfeito, melhor que todos, Zanetti explodiu na pontuação. Cem pontos a mais que o segundo colocado são o registro inconteste da incrível competência de um  vencedor.

Zanetti venceu o até então mais perfeito e isso valoriza ainda mais seu ouro. Ganhar a medalha mais  valiosa é ótimo. Desbancar um favorito é muito mais. Isso é que é campeão, Brasil.

Paulinho pagou o ingresso do povão

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Velho ditado diz que água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

Todo time motivado faz desse jeitinho. Desenvolve obsessivamente um plano de continuado ataque, até conseguir desestabilizar e tirar proveito do erro que é quase inevitável. Argentinos e uruguaios fazem isso muito bem.

Poucas vezes tenho visto uma equipe competente e batallhadora, mesmo diante de uma outra do mesmo nível, deixar de fazer pelo menos um gol e quebrar uma resistência fortíssima. Tudo fica por conta do acidente dentro da área.

O Vasco encarou o Timão em pleno Pacaembu. Esteve algumas vezes a pique de fazer seu gol. Não soube dar o bote certeiro na hora de finalizar. Pagou caro porque Diego Souza preferiu colocar a bola no canto esquerdo a dar uma cavadinha.

Paulinho, na sua vez, foi diferente: tirou partido da desatenção adversária que o deixou livre, subiu só e de olhos abertos. Ao cabo de noventa e dois minutos, em não mais que tres segundos tirou o esquadrão cruzmaltino da Libertadores.

Fez o Pacaembu explodir, como que devolveu em dobro o preço do ingresso de cada torcedor e está fazendo render gozação para alguns dias, nas horas saborosas de contar vantagens aos torcedores de outros times.

Que velocidade!

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Geninho - Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

A diretoria não tinha a menor ideia de pedir a Candinho mesmo para calçar chuteiras novamente e ir a campo de apito e bola na mão para voltar a treinar o time da Portuguesa.

Pode até ser que ele tenha sido consultado, mas declarado que não pensa em ser treinador nunca mais.

Bem, por uma razão ou outra, o presidente já tinha Geninho como opção B. Que sexta-feira agitada lá pelos lados do Canindé, meu povão…

Que sábado e domingo acalmem o ambiente e, segunda, o time possa engrenar sua marcha rumo aos projetos Copa do Brasil e Brasileirão.

Grande, Muricy

Foi um plano bem elaborado. Na volta ( tristonha ) do mundial de clubes, o treinador santista imaginou que o melhor para seu grupo de jogadores era um tempo para esquecer a decepção e refazer o moral do time. E foi assim que conduziu as coisas. Esperou com paciência oriental a hora que julgou melhor para colocar seus titulares em campo.

Nada preocupado com o começo modesto no Paulistão, foi temperando bem sua equipe até que chegou ao ponto certo de recondicionamento. Hoje, sete jogos seguidos sem perder, o Santos é vice-lider do campeonato.

Assentado nos melhores momentos de Neymar em 2012, e contando outra vez com um inteligente ( e competente ) PH Ganso para colocar companheiros na cara de cada gol adversário, o Peixe vai em ascenção que empolga a todos.

Palmas ao técnico. Caladinho, chegou a um nível ótimo. Grande treinador é isso aí!

Santos do jeito que o Brasil gosta

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Que ótimo! Bastaram dezoito minutos para o Santos aquecer e chegar próximo do seu melhor nível. Até então, com a bola entre lá e cá, a partida era veloz, alegre, equilibrada e, lógico, ineressante. Faltavam os gols.

Chegando aos vinte, o que era bom para os brasileiros começou a se tornar ótimo. Foi quando aconteceu o primeiro. Feito por quem devia – Neymar. Passe de quem mais sabe entregar a bola – Ganso. Pronto, estava oficialmente  apresentada ao mundo (e ao vivo) a dupla famosa. Um par de artistas excepcionais, dois legítimos representantes do melhor futebol do mundo.

Aberto o placar  – que beleza! – continuou o espetáculo do jeito que o torcedor gosta. Nem bem o time japonês havia se recuperado da pancada e Borges, em estilo espetacular também, fez o segundo. Voltar do intervalo com dois a zero era tudo que a galera alvi-negra queria.

Evidente que o show não podia parar. Mesmo sofrendo um gol do Kashiwa nem pensar em perder o ritmo. E foi no melhor da euforia local que aconteceu o lance que costuma decorar as melhores páginas do futebol de quem mais sabe e gosta de jogar – batida na bola parada. Ganso encenou. Só para deixar o goleiro confuso. E Danilo mandou a bomba certeira. Também empolgante o terceiro gol.

Foi marcado pela superioridade brasileira, foi encantador mas nada fácil. O vencedor teve que lutar para sair sob os aplausos. Aliás, ganhar de ninguém qualquer um ganha. Mas não tem a menor gaça; é obrigação. O Santos foi Brasil fazendo exibição contra um respeitável time dirigido por Nelsinho Baptista. Só podia ser um brasileiro a dar aquela qualidade de toque de bola aos garotos de camisa amarela.

Excelente que o Peixe tenha dado o retorno aos milhares que pagaram muitos ienes para ver de perto o melhor futebol. Um futebol em ritmo de samba, um show que o mundo adora.

Quanto à final, bem… tomara que seja tão verde-amarela quanto à saborosa estreia.

Virada de Mano em Belém

Ufa! Com essa vitória sobre a Argentina, quem sabe se vá para sempre a fase das cabeçadas no escuro. Mano Menezes, enfim, alcança o que procurava e estava merecendo: um resultado digno do grande futebol brasileiro.  Agora, pode dormir mais tranqüilo. Ganhou sua primeira partida contra um grande, justamente coincidindo com a primeira derrota de Sabella em quatro jogos com a seleção de seu país.

Fico pensando como nosso treinador terá sofrido durante aquele duro período de jogos contra adversários sem nenhuma expressão técnica mais significativa, dados seus péssimos resultados. Imagino também como terá sido complicado  explicar nas coletivas o inexplicável mau futebol  do time.

Ganhar da Argentina, seja em amistoso, seja em final de copa, em qualquer nível de uma seleção nacional é importantíssimo. O triunfo de Belém, aplaudido até pelo treinador ( e pela mídia ) deles vai repercutir, com certeza, no mundo inteiro.

Tenho forte esperança de que Mano Menezes venha a fazer essa seleção crescer. E acredito que volte com ela ao lugar em que quase sempre esteve – a primeira posição no ranking da Fifa.

Quem explica o São Paulo?

Sem conseguir vitórias em seu estádio, o São Paulo vê crescerem suas dúvidas quanto aos motivos desse estranho comportamento.

Poxa, com um estádio enorme e a presença sempre candente de sua torcida, o que está faltando a esse time que, fora, tem sido muito mais competente? O mistério paira no ar do Morumbi.
O último episódio foi desconcertante. Mostrou um futebol pobre, uma preocupante ( no modo de dizer do próprio técnico Adilson Batista ) sonolência inicial que animou o tricolor carioca a sair para o jogo e encarar o dono da casa sem a menor cerimônia.  Por fim, uma derrota que afasta o clube do chamado G-4 seguida de um clima de tensão nervosa que vai além dos limites admissíveis para atletas experientes.

Derrota que só não foi por dois a zero porque o Rogério Ceni fez o golzinho de penalte. Penalte considerado injusto.
Claro que não é normal o capitão recordista mundial de gols com bola parada correr até o árbitro para questionar coisas de uma página virada e receber cartão amarelo depois do jogo encerrado.
Está no ar uma dúvida séria, muito séria que  vai além da rotina do futebol: o que acontece com esse tradicional ganhador de canecos nacionais e internacionais?

Elas ensinam como

Foto: AFPPrimeiro foi Fabiana Murer, campeã mundial na acrobática e complicada prova do salto com vara. Ganhou bonito de concorrentes de países com tradição nessa especialidade. Abocanhou o ouro e deu mais um recado importante aos governantes, um forte clamor por um programa nacional de desenvolvimento esportivo.

Nesta sexta-feira foi a vez de Fabiane Beltrame remar fortíssimo com seu incrível single skiff e botar dois barcos de vantagem sobre as meninas famosas na modalidade. Mais uma brasileira campeã mundial que chega ao pódio por pura vocação e enorme força de vontade.

Será que não dá  – num país de tantas crianças fascinadas pela atividade esportiva – para as secretarías de esportes e as federações respectivas organizarem um baita programa básico de formaçao para talentos que se perdem por falta de chances e recursos financeiros?

Pode não ser tão fácil. Mas possível, sim, claro que é. As duas fenomenais brasileiras acabam de dar provas de que da quantidade se extrai, lógico, a qualidade.

Medalhões por revelações

O resultado diante da Alemanha não pode surpreender ninguém. Desde quando a atual seleção brasileira vem jogando bem e ganhando com alta qualidade?

O jogo com o time germânico foi só uma confirmação de que todo o processo de formação de um time para jogar  em 2014 está errado.

Não deu para perceber naquele amistoso contra a Holanda? Nem, agora, no resultado negativo das duas provas contra o Paraguai, na Copa América? A eliminação humilhante no torneio sul-americano tem que ser levada a sério. A verdade atual exige profunda reflexão. Nosso joguinho está muito pequeno. 

Preservar antigos titulares durante um tempo de testes é o maior engano. Qual deles é certeza de que vai chegar, daqui a três anos, como dono de uma posição? A hora é de laboratório nos amistosos que não comprometem o passado que temos. O bom senso manda tentar amadurecer os talentos jovens.

É preciso ter a determinação suficiente para descartar medalhões e dar as camisas às revelações.