Gazeta Esportiva

Postados por: fernandosolera

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Geninho - Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

A diretoria não tinha a menor ideia de pedir a Candinho mesmo para calçar chuteiras novamente e ir a campo de apito e bola na mão para voltar a treinar o time da Portuguesa.

Pode até ser que ele tenha sido consultado, mas declarado que não pensa em ser treinador nunca mais.

Bem, por uma razão ou outra, o presidente já tinha Geninho como opção B. Que sexta-feira agitada lá pelos lados do Canindé, meu povão…

Que sábado e domingo acalmem o ambiente e, segunda, o time possa engrenar sua marcha rumo aos projetos Copa do Brasil e Brasileirão.

Foi um plano bem elaborado. Na volta ( tristonha ) do mundial de clubes, o treinador santista imaginou que o melhor para seu grupo de jogadores era um tempo para esquecer a decepção e refazer o moral do time. E foi assim que conduziu as coisas. Esperou com paciência oriental a hora que julgou melhor para colocar seus titulares em campo.

Nada preocupado com o começo modesto no Paulistão, foi temperando bem sua equipe até que chegou ao ponto certo de recondicionamento. Hoje, sete jogos seguidos sem perder, o Santos é vice-lider do campeonato.

Assentado nos melhores momentos de Neymar em 2012, e contando outra vez com um inteligente ( e competente ) PH Ganso para colocar companheiros na cara de cada gol adversário, o Peixe vai em ascenção que empolga a todos.

Palmas ao técnico. Caladinho, chegou a um nível ótimo. Grande treinador é isso aí!

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Que ótimo! Bastaram dezoito minutos para o Santos aquecer e chegar próximo do seu melhor nível. Até então, com a bola entre lá e cá, a partida era veloz, alegre, equilibrada e, lógico, ineressante. Faltavam os gols.

Chegando aos vinte, o que era bom para os brasileiros começou a se tornar ótimo. Foi quando aconteceu o primeiro. Feito por quem devia – Neymar. Passe de quem mais sabe entregar a bola – Ganso. Pronto, estava oficialmente  apresentada ao mundo (e ao vivo) a dupla famosa. Um par de artistas excepcionais, dois legítimos representantes do melhor futebol do mundo.

Aberto o placar  – que beleza! – continuou o espetáculo do jeito que o torcedor gosta. Nem bem o time japonês havia se recuperado da pancada e Borges, em estilo espetacular também, fez o segundo. Voltar do intervalo com dois a zero era tudo que a galera alvi-negra queria.

Evidente que o show não podia parar. Mesmo sofrendo um gol do Kashiwa nem pensar em perder o ritmo. E foi no melhor da euforia local que aconteceu o lance que costuma decorar as melhores páginas do futebol de quem mais sabe e gosta de jogar – batida na bola parada. Ganso encenou. Só para deixar o goleiro confuso. E Danilo mandou a bomba certeira. Também empolgante o terceiro gol.

Foi marcado pela superioridade brasileira, foi encantador mas nada fácil. O vencedor teve que lutar para sair sob os aplausos. Aliás, ganhar de ninguém qualquer um ganha. Mas não tem a menor gaça; é obrigação. O Santos foi Brasil fazendo exibição contra um respeitável time dirigido por Nelsinho Baptista. Só podia ser um brasileiro a dar aquela qualidade de toque de bola aos garotos de camisa amarela.

Excelente que o Peixe tenha dado o retorno aos milhares que pagaram muitos ienes para ver de perto o melhor futebol. Um futebol em ritmo de samba, um show que o mundo adora.

Quanto à final, bem… tomara que seja tão verde-amarela quanto à saborosa estreia.

Ufa! Com essa vitória sobre a Argentina, quem sabe se vá para sempre a fase das cabeçadas no escuro. Mano Menezes, enfim, alcança o que procurava e estava merecendo: um resultado digno do grande futebol brasileiro.  Agora, pode dormir mais tranqüilo. Ganhou sua primeira partida contra um grande, justamente coincidindo com a primeira derrota de Sabella em quatro jogos com a seleção de seu país.

Fico pensando como nosso treinador terá sofrido durante aquele duro período de jogos contra adversários sem nenhuma expressão técnica mais significativa, dados seus péssimos resultados. Imagino também como terá sido complicado  explicar nas coletivas o inexplicável mau futebol  do time.

Ganhar da Argentina, seja em amistoso, seja em final de copa, em qualquer nível de uma seleção nacional é importantíssimo. O triunfo de Belém, aplaudido até pelo treinador ( e pela mídia ) deles vai repercutir, com certeza, no mundo inteiro.

Tenho forte esperança de que Mano Menezes venha a fazer essa seleção crescer. E acredito que volte com ela ao lugar em que quase sempre esteve – a primeira posição no ranking da Fifa.

Sem conseguir vitórias em seu estádio, o São Paulo vê crescerem suas dúvidas quanto aos motivos desse estranho comportamento.

Poxa, com um estádio enorme e a presença sempre candente de sua torcida, o que está faltando a esse time que, fora, tem sido muito mais competente? O mistério paira no ar do Morumbi.
O último episódio foi desconcertante. Mostrou um futebol pobre, uma preocupante ( no modo de dizer do próprio técnico Adilson Batista ) sonolência inicial que animou o tricolor carioca a sair para o jogo e encarar o dono da casa sem a menor cerimônia.  Por fim, uma derrota que afasta o clube do chamado G-4 seguida de um clima de tensão nervosa que vai além dos limites admissíveis para atletas experientes.

Derrota que só não foi por dois a zero porque o Rogério Ceni fez o golzinho de penalte. Penalte considerado injusto.
Claro que não é normal o capitão recordista mundial de gols com bola parada correr até o árbitro para questionar coisas de uma página virada e receber cartão amarelo depois do jogo encerrado.
Está no ar uma dúvida séria, muito séria que  vai além da rotina do futebol: o que acontece com esse tradicional ganhador de canecos nacionais e internacionais?

Foto: AFPPrimeiro foi Fabiana Murer, campeã mundial na acrobática e complicada prova do salto com vara. Ganhou bonito de concorrentes de países com tradição nessa especialidade. Abocanhou o ouro e deu mais um recado importante aos governantes, um forte clamor por um programa nacional de desenvolvimento esportivo.

Nesta sexta-feira foi a vez de Fabiane Beltrame remar fortíssimo com seu incrível single skiff e botar dois barcos de vantagem sobre as meninas famosas na modalidade. Mais uma brasileira campeã mundial que chega ao pódio por pura vocação e enorme força de vontade.

Será que não dá  – num país de tantas crianças fascinadas pela atividade esportiva – para as secretarías de esportes e as federações respectivas organizarem um baita programa básico de formaçao para talentos que se perdem por falta de chances e recursos financeiros?

Pode não ser tão fácil. Mas possível, sim, claro que é. As duas fenomenais brasileiras acabam de dar provas de que da quantidade se extrai, lógico, a qualidade.

O resultado diante da Alemanha não pode surpreender ninguém. Desde quando a atual seleção brasileira vem jogando bem e ganhando com alta qualidade?

O jogo com o time germânico foi só uma confirmação de que todo o processo de formação de um time para jogar  em 2014 está errado.

Não deu para perceber naquele amistoso contra a Holanda? Nem, agora, no resultado negativo das duas provas contra o Paraguai, na Copa América? A eliminação humilhante no torneio sul-americano tem que ser levada a sério. A verdade atual exige profunda reflexão. Nosso joguinho está muito pequeno. 

Preservar antigos titulares durante um tempo de testes é o maior engano. Qual deles é certeza de que vai chegar, daqui a três anos, como dono de uma posição? A hora é de laboratório nos amistosos que não comprometem o passado que temos. O bom senso manda tentar amadurecer os talentos jovens.

É preciso ter a determinação suficiente para descartar medalhões e dar as camisas às revelações.

Foto:AFP

Foi melhor, sim, o time brasileiro. Fez, com bola correndo, quase tudo que os fundamentos do jogo mandam. Pelos detalhes não conseguiu nada. Procurou e não achou jeito de mexer no placar. Com certeza, poderia ter sido diferente. Chutou mais vezes a gol, ficou na frustração de não conseguir nenhum. Por que não conseguiu? Muito, claro, pela presença (e sorte) dos defensores paraguaios, retrancados e sempre incrivelmente na linha da bola.

Quanto à falta de pontaria, na hora de chutar penaltes, essa não, não poderia acontecer.

Do jogo, nem pensar em fazer criticas. Agora, dos tiros na derradeira chance de decisão, nem dá para encontrar palavras. Profissionais de experiência internacional não podem errar daquele jeito. Uma só vez, o arqueiro guarani precisou defender. O resto foi por conta de um desequilíbrio inaceitável.

Vai daí, sem essa de loteria, papo furado tão antigo quanto a bola. Ademais, foi incrível alguém chegar a culpar o gramado pelos chutes por cima ou de lado. Que estranha falta de argumentos. Melhor seria não dizer nada. Ou pedir desculpas ao torcedor e fim. Acaso os paraguaios não fizeram seus três gols chutando da mesma marca de cal em que os nossos chutaram?

Então, por uma questão de justiça, valeu pelos 120 minutos. Nem sempre o melhor vence. Quanto ao fracasso, ficou por conta de tomar 3 a 0, quase uma goleada nos penais. Assim se joga fora o sonho da Copa América.

É preciso levar muito a sério a possibilidade de o Peñarol fazer um grande jogo em São Paulo. Nenhum atleta do Santos ignora ou deixa de considerar essa perspectiva. O feito do Peixe na capital uruguaia foi, lógico, um passo importante, que lhe dá maior serenidade para a partida de volta. Os visitantes chegarão aqui carregando nos ombros um stress muito maior. Ainda assim, no entanto, serão onze contra onze.

Na noite do estádio Centenário se viu bem como o respeito entre os times foi considerável. Em cada rosto mostrado pelas câmeras se percebia a marca da preocupação. Dos dois treinadores, então, só se viram tomadas  pesado estado nervoso. E, depois da primeira parte da disputa da Copa, a tensão cotinúa.

Ninguém se poderá considerar injustiçado pelo empate. Os dois tiveram suas chances  (poucas, é verdade) e não souberam ou não conseguiram aproveitar. O equilíbrio marcou a partida como se ela estivesse sendo jogada em campo neutro. Em nenhum instante se percebeu o Santos assustado com a continua participação da torcida local em favor de seu antagonista. Nada revelou o Peñarol maior ou mais competente por causa do povão que tentou empolga-lo. Foram duas equipes tensas, sim, mas muito aplicadas. Verdade que desprovidas de qualquer estilo mais acadêmico. Claro, não havia condições para os craques das duas camisas demonstrarem exuberância nos toques e nos passes. A correria foi a tônica da partida. Uma busca impressionante da vantagem que afinal não veio.

Na volta, com certeza, será adrenalina pura a disputa dos noventa minutos que ainda restam para a decisão da Libertadores. O que se previa aconteceu no Uruguai – igualdade entre dois grandes finalistas. A perspectiva para a próxima quarta feira é a mesma. A torcida sabe que fator campo não anda valendo muito, não. Ainda estamos naquela de quem ganhar leva o caneco.

Como será que Mano Menezes vai fazer? Ao anunciar que os 22 convocados para a Copa América sairão dos 28 chamados para os amistosos contra Holanda e Romenia, o treinador criou aquele clima de ansiedade para os reservas que precisarão lutar por uma vaga. Entrará em campo, nos dois jogos, a equipe mais experiente -coisa lógica para tentar vencer os dois adversários – ou Mano pensa dar oportunidade igual a todos?