Gazeta Esportiva

Postados por: gazeta

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Deu Santos. Um espetacular tricampeão, capaz de levar ao Morumbi (junto com o Guarani) quase 60 mil que pagaram e respeitável número dos que não precisam de ingresso.

Foi um jogo de futebol do jeito que os apaixonados amam – técnico, ritmado, de duas equipes interessadas em dar show, uma festa digna de uma final paulista.

Para os otimistas, um prato cheio. Para os pessimistas, a constatação de que o Morumbi continua a ser o palco principal em que os craques gostam de exibir seu talento.

A final do Paulistão juntou duas formações afinadas com a seriedade do jogo limpo e aberto. Ao campeão, a festa emocionante do povo com seus bordões e foguetório. Ao vice, o reconhecimento de como soube ser leal, limpo, competente e bom de jogo também.

Neymar – a estrela fora de série – completou mais um jogo em que exibiu fintas, toques e passos de um balé mágico. Mas todos fizeram sua parte. Dos dois lados. O principal foi a exibição coletiva.

O time de Muricy fez o que o que o povo queria: venceu. O Guarani jogou, tentou na bola levar o título que lhe resultou impossível. No fim, Cada qual com seu caneco, ambos fizeram mais um espetáculo com a qualidade inigualável do futebol do Brasil.

Foto: AFP

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Foi retumbante o jeito santista de vencer. Brilhante a forma de jogar. Obcecada, a equipe começou cêdo contra os jogadores bolivianos que julgavam ter o plano ideal para evitar que as feras chegassem ao seu gol – sair atacando.

Contra craques como Neymar, Ganso, Elano, Borges e Arouca sair para o jogo é cair no que eles mais adoram. Óbvio: para quem sabe de bola, adversário que esgarça sua defesa e dá espaços está mais é pedindo para tomar gols. Os pupilos de Muricy adoraram a proposta dos visitantes.

Na verdade, o Bolivar serviu o prato mais saboroso. A Baleia jantou até se fartar.
Comentam jornais de La Paz que, para seu representante, foi a noite do futebol-desastre, consequência de uma ousadia sem propósito e ingênua. Lembram os colegas lá do alto que foi a segunda humilhação . Recordam que, em 2005, depois de ganhar na altitude por 4 a 3, os celestes desembarcaram ao nivel do mar para sofrer 6 a 0. Foi, coincidentemente, num dia ll de maio.

Na Vila tudo é diferente, é histórico. Mesmo com o adversário fazendo o melhor que possa, a diferença fica por conta de um esquadrão que, na praia ( o hino já diz ) é quem dá bola.
E como é grande a diferença quando o pacto de vestiário de Neymar e sua banda é dar show. Show de matar saudades dos velhos tempos de Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe, reprise fascinante de um modo encantado de exibir os noventa minutos mais lindos de se ver sobre um gramado.

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Do princípio até as semifinais do Paulistão tudo corre nos conformes do tradicional. Cada clube tem seu estádio, portanto desfruta do seu direito de jogar uma em casa e outra fora, vai somando (ou perdendo) seus pontinhos, sobe ou cai, mas, enfim, nada muda o andar da carruagem.

Chegamos à final e, pronto, ninguém mais manda nada; só a Federação. Nem se pode discutir, pois o regulamento aprovado por todos os participantes antes da temporada começar é claro: nas duas partidas a organizadora do torneio decide. Daí, que se disputará o título no Morumbi.

Justo? Sim, pelo que os homens assinaram no dia em que se reuniram para estabelecer regras. Não, entretanto, se entendermos que cada um dos dois finalistas bem que merecia arrumar direitinho sua casa, acolher o visitante, alcançar renda substancial ou não, permitir que sua torcida participasse da festa só pagando pelo ingresso (sem ter que gastar em viagem) enfim, produzir o seu espetáculo como mandante.

Agora, só resta a Santos e Guarani mandar encher o tanque do onibus e sair para a estrada nos dois próximos domingos. E sair cedo, que as rodovias andam muito movimentadas nos fins de semana…

Ano que vem, que tal os 20 presidentes examinarem bem tudo quanto estiver escrito e tentarem alterar o texto?

Ou será de novo na base do “onde é que eu assino?”.

Bastaram quatro dias com duas derrotas e um empate amargo tanto quanto para a torcida do Barcelona ir ao exagero do pessimismo. “Termina um ciclo?” – perguntou, logo após a eliminação do time da Liga dos Campeões um jornal espanhol.

Incrivel, setenta por cento sofridos seguidores da melhor equipe do mundo foram logo respondendo que sim. Esqueceram-se em instantes dos treze títulos que Guardiola deu ao Barça. É o cúmulo da precipitação, uma incrível falta de consideração aos espetaculares jogos disputados pelo “blau-grana” dentro e fora de seu estádio.

Fumagalli, jogador do Guarani, comemora seu gol durante partida contra o Palmeiras, válida pelas semifinais do Campeonato Paulista 2012 -  Foto:Djalma Vassão/Gazeta Press

Fumagalli, jogador do Guarani, comemora seu gol durante partida contra o Palmeiras, válida pelas semifinais do Campeonato Paulista 2012

Vinha sendo um campeonato apenas môrno. Apresentou uma primeira fase que nem teve grandes momentos, tudo bem. Inclusive, tivemos dezenove rodadas marcadas até por algumas críticas intolerantes aos clubes de fora da capital e da baixada.

De repente, com os quatro tradicionais ganhadores de títulos na parada, dois dos mais fortes caem justamente diante de equipes de fora desse eixo.

Campinas sai nas manchetes ao dar verdadeiro show com seus dois representantes.

Ironia, Ponte Preta e Guarani aplicam o mesmo placar em seus jogos e afastam Corinthians e Palmeiras. É pouco?

Na sequência, dos dois “grandes” que vão às semifinais, um cairá. Quem se sair melhor entre Santos e São Paulo terá que brigar pelo título contra um dos dois interioranos.

Ainda que, após os dois jogos decisivos, o caneco não vá para Campinas, o registro histórico já está consumado: seus dois clubes foram espetaculares promovendo algumas das maiores emoções das quartas de final na temporada regional.

Jorginho e Candinho - Fotomontagem: Gazeta Press

Jorginho e Candinho - Fotomontagem: Gazeta Press

Esta manhã, julguei muito legal que a Portuguesa contratasse Candinho como gerente de futebol. Nem de longe imaginava que, na mesma altura em que escrevia para o blog, Jorginho estivesse saindo do clube. Para mim, com o treinador mantido e o velho conhecedor das coisas rubro-verdes dando uma força, tudo poderia melhorar.

Nada disso, e não me interessa se pediu mesmo demissão ou foi demitido. O certo é que esbanjou dignidade ao fazer as despedidas. Do jeito mesmo daquele Jorginho que a gente aprendeu a admirar.

Diante da nova realidade, que tal se Manoel da Lupa revisse a posição do Candinho e entregasse a ele o time? Experiente, competente e trabalhador, conduziria muito bem a náu Canindé.

Como é possível que nenhum brasileiro tenha conseguido convencer os observadores internacionais a ponto de obter vaga no quadro de árbitros do futebol dos Jogos Olímpicos? Nada contra os apitadores das demais Confederações continentais ou Federações nacionais, mas – pôxa! – será que os rapazes que apitam por aqui andam tão sem qualidades assim?

Isso não preocupa CBF e COB? E o Sindicato dos Árbitrros, não vem a público? Fica complicado o que possa estar ocorrendo com o futebol mais vezes campeão mundial. Embora nunca tenha conseguido ganhar medalha em Olimpíada.

Marcado por históricas discordâncias, o relacionamento entre cartolas de São Paulo e Rio vai ganhando, depois da posse de José Maria Marin na CBF, mais um capítulo. Marco Polo ou Zagallo? – eis a questão.

O perfil do dirigente paulista o habilita para esse tipo de banco de reservas, tá bom. Mas o perfil do Mario Jorge no futebol é invejável. De forma que ambos têm direito, sim, de pretender a cadeira de vice do Centro-sul.

Um detalhe burocrático que venha a ser levantado ( Zagallo não tem formação como executivo) não me parece ter maior importância. Quem “diplomou” Ricardo Teixeira como administrador esportivo?

Como nenhuma das Federações conseguirá convencer a outra a retirar sua candidatura – acrescentando-se que Marin já deixou claro que não vai se meter no assunto – a corrida aos votos, claro, já começou. São, cada um com seu currículo, nomes respeitáveis em todo o país. Vai depender de quem trabalhar melhor nas reuniões, telefonemas e emails que já andam acontecendo.

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Romário vem crescendo como deputado. Mostra, cada vez que se pronuncia, uma visão ampla dos temas esportivos nacionais e um senso crítico muito forte. Especialmente quando o assunto é particularmente o seu – futebol.

De novo ele bate pesado na maneira como os planos da Copa 2014 vêm sendo conduzidos. Reafirma sua independência e não poupa nem velhos companheiros como Ronaldo Fenõmeno.

Ao revelar que o ex-colega de Seleção sonha em presidir a CBF após o Mundial brasileiro, confirma sua posição independente. Com a clareza que lhe é peculiar, o hoje atuante deputado pode estar até criando um clima de preocupação entre os cartolas tradicionais que têm o mesmo objetivo.
Eles podem recear, por exemplo, que o próprio Romário surja como um baita candidato ao cargo mais alto do futebol brasileiro.

Seu perfil de lider fora dos gramados se acentua. É craque também de terno e gravata. E com enorme apoio popular.

Enfim, os clubes, autores de tudo na prática do futebol, conseguem passar pelas portas abertas da CBF. O ingresso dos homens que fazem o dia-a-dia do maior fenômeno socio/esportivo deste país no palácio administrativo de sua modalidade repercute – incrível! – como fato surpreendente.

Impressionante, os que dirigem clubes e federações (portanto fazem a história do futebol brasileiro) revelam surpresa e incontida alegria pelo novo tempo do futebol nacional. Não esperavam pelo novo jeito de administrar a modalidade.

Ninguém se furtou a reconhecer como excelente a mudança no mundo verde-amarelo da bola. Todos os presidentes de associações que participaram da quebra do hermetismo da Confederação respiraram o ar puro do novo clima.

Unanimidade entre os que foram à sede da entidade brasileira no Rio, a confiança em rumos novos e muito melhores se espalha pelo país. José Maria Marin fez o anúncio formalmente. A CBF não é mais um centro de imposições sem diálogo.