Ei, futebol, acorda!

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Palavras, apenas palavras nunca irão resolver os problemas que o futebol (clubes, jogadores, técnicos e demais profissionais) enfrenta. É preciso que essa coletividade, enorme e dispersa, se toque de que os males que atinjam a um ou a alguns são ameaças a todos.

Cada associação esportiva é parte de uma sociedade que se harmoniza pelos mesmos costumes, mesmos compromissos, mesmos problemas e mesmos objetivos. O que interessa a uma, claro, importa a todas, sejam conquistas ou limitações.

Me espanta que a Federação Paulista não tenha tomado uma posição forte na defesa, neste momento, do Corinthians e seus atletas. Outros clubes podem até ter-se manifestado. Sei que o presidente do Palmeiras, por exemplo, declarou ter-se solidarizado com o do Corinthians pelo telefone. Tudo bem, mas isso também é nada mais que palavras. Claro, um gesto de solidariedade, gerado pelos melhores princípios de educação e elegância.

Além dessa prova de amizade entre os dois dirigentes, o problema é o que fazer na defesa da coletividade. Ninguém vai se mexer para realizar um encontro, uma assembléia, enfim, dar um passo sério para defender o futebol como um todo?

A instituição tem que cuidar-se. Para tanto, precisa ter atitudes, examinar o clima a que chegou, estudar e instituir regras mais rígidas de segurança para a enorme coletividade dos que sustentam suas familias vestindo alegres cores e correndo pelos gramados deste país.

Seria Tite o culpado?

Foto Fernando Dantas/Gazeta PressQuarta rodada do Campeonato Paulista e o Corinthians registra para sua história um enorme vexame na Vila Belmiro. Perder para o Santos não choca, mas do jeito como atuou e pela quantidade de gols que seu time tomou, aí é doloroso para a Fiel.

Estive perto do alvinegro desde o primeiro jogo, quando ganhou de uma Portuguesa que nem era time formado, só um grupo de atletas que mal se conheciam. Claro, não podia perder. Depois, foi a Americana e suou para obter um golzinho de vantagem sobre o Paulista. E veio a brincadeira contra o São Bernardo, um papelão justamente na volta ao Pacaembu, reencontro mal sucedido com a galera.

Tudo podia ser diferente no clássico, não? Em jogo de grandes, as coisas são imprevisiveis mas, de todo modo, o Corinthians bem que podia ter jogado um bocadinho mais.

O choro, ao final, a tentativa de responsabilizar o árbitro pelo fracasso, poxa, não pode ser desculpa de treinador de alta competência. Penalti? Erro por erro, houve dois, um de cada lado, e Paulo Cesar não marcou.

Quatro datas após o início da temporada, o time não se explicou ainda. Não, dentro do que se espera de uma formação recheada de craques famosos e caros. Os números expressam a realidade, pois foram só tres gols a favor em quatro partidas contra sete sofridos. Saldo negativo de menos tres. De quem a culpa? Ainda de Tite, por isso que demitiram seu técnico campeão do mundo?

Audax joga um bolão

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Quem viu o time do Osasco Audax na sua exibição contra o Santos ficou impressionado. Jeito de atuar moderno, com passes rápidos a meia e longa distância, alternâncias constantes no jogo ofensivo, e, sobretudo, uma rotatividade bonita de se ver entre os primeiros homens de defesa e volantes e meias. Enfim, deu-me a sensação de que podemos ver coisas novas no futebol desde país. Francamente, não me ocorre ter assistido, nos últimos tempos, por aqui, proposta tática tão eficiente baseada num exercicio constante de jogadores ambi e até polivalentes.

O pique adotado pela equipe de Fernando Diniz (mesmo considerando-se que atuou contra um Santos sem suas estrelas) chegou a impressionar até o técnico Oswaldo de Oliveira. A prática de jogo desobrigando cada atleta de fixar-se só numa posição não é fácil. Requer grande consciência do revezamento de funções, sem vacilos ou descuidos e, lógico, bom preparo físico. Parece que o Audax tem esse propósito e pode amadurecer assim.

Tomara que o plano de jogo de Fernando Diniz seja apreciado por mais pessoas que gostam do futebol. Afinal, já está na hora de se quebrarem velhas tendências muito manjadas por aqui.

Paciência, no começo é assim mesmo

Rubens Chiri/SPFC

Rubens Chiri/SPFC

Tudo normal na primeira rodada deste paulistão banhado por um sol que o acolhe com exagerada euforia (calor de quarenta graus para mais) enquanto as torcidas, ao contrário, não se animaram muito.

Times grandes jogaram para o gasto e os resultados foram do tipo amostra, prometendo para uns quinze ou trinta dias a plena forma da rapaziada.

Palmeiras patinou, tomou gol do Linense, batalhou muito e fez o mínimo para uma viradinha que garantiu tres pontos. Corinthians rolou a bola, até que foi bem no primeiro tempo contra uma Portuguesa de onze novos amigos sem suficiente entrosamento, mas na segunda fase sentiu a falta de preparo físico. O Santos se salvou só com um golzinho, menos mal (seu técnico não gostou) e o São Paulo, conservando a tradição, saiu chamuscado de Bragança Paulista a provar que a descontração das férias ainda não teve fim.

Os sempre candidatos ao título não me decepcionaram. Começo de temporada é assim mesmo. Ninguém traz preparo ideal nos primeiros momentos da competição. Mas tudo vai melhorar, esperem.

Abertura bonita

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Surpresa agradável, neste domingo, a quantos foram ao estádio Teixeira Duarte. No gramado, foi montado lindo trabalho cenográfico para oficialmente comemorar o inicio do Paulistão. O produtor caprichou e criou um cenário muito atraente. Bem feliz a idéia de compor o evento sobre um pano de fundo com bandeiras dos paises que virão a Copa do Mundo. Como resultado, em meio às cores vivas – mesclando os pavilhões com escudos e mascotes dos clubes paulistas – uma exibição viva de balé moderno, culminando com enorme bandeira nacional no centro do gramado, ao mesmo tempo em que os craques de Portuguesa e Corinthians entravam em campo. Faltou, pena, divulgar com antecipação o show a ceu aberto oferecido pela FPF.

Silêncio é ouro

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Encontrei-me com Ilídio Lico, o novo presidente da Lusa. Ao cumprimenta-lo ouvi: “Veja em que situação começo minha gestão…” E foi tudo. Mais não disse nem aceitou gravar um pronunciamento. Pediu desculpas a todos os colegas que se chegaram a ele pouco antes do jogo, lá no setor das cabines de rádio e TV. O presidente não quer correr o risco de fazer qualquer pronunciamento enquanto os advogados da Portuguesa conduzem a defesa do clube.

Justiça pelas bolas de ouro devidas a Pelé

OLIVIER MORIN / AFP

OLIVIER MORIN / AFP

As festas da Fifa são realmente muito boas. A da Bola de Ouro acaba de confirmar a tradição. Tudo voltou a acontecer em grande estilo, muita gente bonita, trajes elegantes e sofisticação por todo lado.

No todo, confirmaram-se as previsões. Os favoritos do povo foram os ganhadores dos diversos troféus constantes da coleção anual do importante evento.

Na verdade, poderia ter havido uma surpresa para os apaixonados pelo futebol. Só que homenageado não conseguiu esperar pela hora da linda solenidade. A sua premiação seria um ato extra, previsto para causar impacto, mas o maior craque de todos os tempos não se conteve e quebrou o segredo. Sábado, todo mundo ficou sabendo pelo próprio Pelé que haveria um momento especial, ato de justiça para com o maior nome da história do futebol.

Mas valeu, porque, quarenta anos após encerrar carreira no Santos, percebeu-se que ele continua a ser o menino que chorou, campeão do mundo aos 17 anos, nos ombros do goleiro Gilmar, alí nascendo o fenômeno que começou a encantar o mundo a partir de 1958.

Qual portador de passaporte universal, o emotivo Edson Arantes do Nascimento vai às lágrimas quando homenageiam o Pelé ídolo de reis e estadistas, Atléta do Século 20, amado em todos os idiomas. Pois, hoje, Pelé continua amado e aplaudido de pé, como nesta sua Bola de Ouro, jóia que deveria ter sido sua entre 1958 e 1974 (sabe-se lá quantas delas… ) como maior craque, o fenômeno do futebol que realmente sempre foi.

Mano foi claro, vida nova no Timão

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Mano Menezes foi bem na sua primeira fala ao retornar à casa corintiana. O discurso foi abertamente honesto e claro. Experiente que é, o técnico sabe como são as coisas quando um grupo tem mais candidatos do que vagas disponiveis.

Tenho certeza de que o treinador já vinha analisando há tempos o Corinthians, provavelmente desde que deixou o Flamengo, a ponto de chegar, agora, ao Parque São Jorge, com um plano pronto para reverter o comportamento técnico do grupo. Seu pronunciamento prova que pensou bem em um novo jeito motivar os craques do Timão.

As palavras foram muito bem escolhidas ao mencionar a certeza de alterações, expectativa de possiveis atritos e a necessidade de um novo projeto tático para o Timão. Esse tipo de advertência evitará que, amanhã, substituido, um jogador considerado absoluto em sua posição até o final da era Tite se julgue no direito de exigir o lugar.

As coisas vão mudar, que fiquem atentos. Na base da velha máxima “ano novo, vida nova”, cada um está alertado. Que saibam fazer direitinho as lições desta temporada. Mano Menezes avisou, ninguém poderá se queixar.

Copa São Paulo, linda como sempre

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

É sabido que empre há pessimistas de plantão tentando transformar em fracasso um projeto que nem tenha começado. Um desses, amigo meu, veio ontem, com o maior descrédito: “Vai começar a Copa São Paulo. Que pena, antigamente ela revelava jogadores. Hoje, muitos participantes são times de empresários, cada um faz seu catadão e faz a inscrição”.

Verdade total ou parcial, não me importo com isso. De uma forma ou de outra, se os garotos têm chance de mostrar seu nivel, que problema? O que vale é que a competição continua a ser importante, provoca o maior interesse de cidades, clubes e – principalmente – do povão. Se os grandes (como exceção temos o São Paulo e o Santos) vão jogar a primeira fase longe de casa e da grande torcida, nem isso chega a sser problema. Por poucos que sejam, os palmeirenses e corinthianos que conseguirem viajar de ão Paulo a São Carlos e Limeira encontrarão seus colegas locais, de forma que os jovens não estarão abandonados.

Teremos mais de 2.000 jogadores lutando para passar nesse lindo vestibular da bola, incluindo-se entre eles pouco mais de 20 japonesinhos mostrando seu futebol nascente.

A Copa contará com 104 clubes federados, camisas de todas as cores imaginaveis enfeitarão os estádios. O evento irá requerer enorme trabalho dos organizadores. Afinal, só de árbitros, a cada rodada, serão 52 apitando, 52 suplentes, 104 assistentes, além de pessoal de apoio, delegados da FPF, 26 ambulancias e respectivas equipes médicas em atuação simultânea na primeira fase.

Em tudo e por tudo, os números confirmam a grandeza da “Copinha” ( que de “inha” não tem nada ) para que seja, sob regras oficiais, uma sucessão de partidas lindas de se ver. A garotada estará correndo com vontade, com isso exibindo toda pureza e beleza do mais autêntico futebol amador.

Com empresários na área ou não, a vitrine continua a mesma de sempre – grande, atraente, baita nascente de craques, do jeito como sonhou o Dr. Paulo Machado de Carvalho.

Ano Novo, arenas e bom senso

CAMPEONATO BRASILEIRO 2013: SANTOS FC X BAHIA

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O ano que termina pode servir para uma revisão de alto a baixo em nosso futebol. Convenhamos que ele não foi dos mais felizes. Ainda bem que teve a Copa das Confederações – uma beleza! – com vitória justamente contra a Espanha, melhor seleção da atualidade. Afora isso, pouco a comemorar, principalmente na organização.

Foi um dos piores o Campeonato Brasileiro que teve o Cruzeiro ( grande campeão, verdade) levantando a taça antes do fim porque não encontrou adversários que disputassem com ele até a última data. Melhor time da atualidade, iria obter o mesmo sucesso ainda que com um pouco mais de competitividade, com certeza.

Na parte de baixo da classificação, os desastrosos resultados para Portuguesa, Vasco da Gama e Ponte Preta. Quanta tradição rolou agua abaixo na competição… E por que? Será que os cartolas poderiam explicar. Ou não gostariam de tocar no assunto?

O episódio insólito da Lusa pontuar e não ficar, e o Fluminense cair mas continuar, bem ao estilo de um futebol nacional que vai, pouco a pouco, sendo desfigurado pela desorganização, ficam entre as tristes lembranças de quem admira o jogo da bola.

Tivemos os dias de ilusão da Ponte Preta, grande até chegar ao momento final da Sulamericana. Se não ganhou o caneco, pelo menos fez campanha bonita e deu lição a alguns concorrentes de prestígio. Menos mal, a Macaca projetou-se e mostrou a América um pouco mais de Brasil.

No campo, bola rolando meio quadrada e bola parada antes de várias partidas, com os atletas chamando os dirigentes à realidade – de braços cruzados, sentados ou de joelhos – fazendo um surdo mas vigoroso protesto contra os rumos que lhes dão à sua profissão. Foi a inédita e oportuna mensagem de BOM SENSO repetida pelos artistas donos do espetáculo que o povo admira.

Que os craques sejam ouvidos – eis o melhor pedido que se pode fazer para o Ano Novo. Seja 2014 – até em razão da maior Copa do Mundo de todos os tempos que o país fará – o ano da virada, para que tudo venha a ser melhor, que o trabalho dos dirigentes vá além das gigantescas e modernas arenas que estão sendo erguidas.