Baita lição do handebol

Foto: ANDREJ ISAKOVIC/AFP

Foto: ANDREJ ISAKOVIC/AFP

Simples e espetacular, foi um verdadeiro show de bola! O Brasil é campeão mundial de handebol. Tudo porque programou a conquista a começar pela contratação de um técnico competente que sabe como tirar o melhor das condições técnicas de cada atleta. Foi o plano perfeito: na quadra, o treinador sabe o que fazer, basta respeita-lo naquilo que decide. Claro, em se tratando de técnico competente.  Sem interferências de dirigentes.

Páginas e páginas na midia impressa, tempo nunca antes obtido nos espaços de tv e rádio, e uma fartura de orgulhosos comentários na internet – eis como a vitória brasileira explode nesta altura. O handebol obtém nível inédito de divulgação. Mais do que justo. Foi brilhante a campanha desenvolvida pelo time que arrancou da fortíssima seleção anfitriã o troféu que a Sérvia tinha como fava contada.

Que baita exemplo, gente, para o futebol (paixão nacional) que já não consegue, a nivel de clubes, reencontrar sua identidade perdida. Que excelente oportunidade tem a cartolagem que não consegue colocar seus times em campo com aquilo tudo que promete nas entrevistas. Que ótima ocasião para que se abram os olhos e se constate que crescer em dívidas e perder feio em prestígio internacional não são acidentes, nem fracassos que acontecem por acaso. São consequência lógica de uma organização mal feita.

Aproveitem a hora oportuna que o Bom Senso lhes oferece, tirem proveito dessa bola redondinha que os próprios jogadores do Brasil lançam em sua direção e repensem a modalidade que detêm em suas mãos. Quem sabe, a partir de uma reorganização de alto a baixo, lógo lógo o futebol não se recupere e volte a fazer tão bonito quanto as estrelas do handebol?

Para a Lusa, ainda há esperança

Fica como uma das mais mais inoportunas e dolorosas  punições já aplicadas a um clube brasileiro essa decisão da justiça desportiva que promove uma troca de lugares chocante nos resultados do futebol em 2013.

Um concorrente que não teve competência para marcar pontos que garantissem seu lugar na competição do ano seguinte é admitido na série A. Ao mesmo tempo, outro competidor, de melhor campanha, depois de completar uma soma superior de pontos, se vê despencar para a série B.

A punição é pesada, pode transfornar os planos para o ano que vem. Entretanto, ainda não é situação definitiva. Há chances para tentar reverter a situação. O bom senso manda aguardar pelo recurso à instância superior. Justiça ampla é isso aí, subir os degraus para se tentar expor em argumentos mais detalhados o significado catastrófico de um engano incrivel na hora de relacionar os nomes na súmula de uma partida.

Pagam para ver só futebol

Heuler Andrey / AFP

Heuler Andrey / AFP

Chega de discursos. Basta de lamúrias. Não dá mais para aceitar que os dirigentes não consigam acabar com esses pavorosos episódios de violência. Tanto quanto qualquer frequentador de jogos de futebol, eles sabem que a violência entra em campo a cada rodada das competições. Contra esse risco, têm a obrigação de antecipar providências. Até agora, ninguém cuidou disso. Após cada novo (e previsivel) espetáculo de selvageria, ouvem-se as mesmas declarações vazias, porque os donos do poder do futebol falam e não agem. Lamentam mas não buscam reagir. Continuam empurrando o problema como se nem fosse de sua alçada. E dá no de sempre: o tempo se encarrega de disfarçar a gravidade de uma tensão que continua crescendo nas mais diversas cores. Assim, até que de novo irrompa uma erupção de bestialidade em outro estádio, deixam prá lá, como se nunca tivessem existido os choques.

Está mais do que na hora de o futebol se defender, cuidar de sua sobrevivência como atividade esportiva capaz de aperfeiçoar as relações humanas, nunca destrui-las. Quem tem a obrigação de tomar a iniciativa são eles, os que detêm o poder. Será que nenhum iluminado pensa em tratar do tema com interesse em afastar a tragédia que ronda cada partida? Ninguém se preocupa em dar o primeiro passo? Quando virá um gesto de boa vontade para afastar do esporte a gravíssima invasão de ódio que corroi sua existência?

Quem administra associações esportivas tem o poder de ordenar os melhores procedimentos para que elas possam sempre evoluir. Cabe-lhes, no entanto, também, a obrigação de defende-las dos perigos que ameacem sua rotina e até ponham em risco sua sobrevivência. Isso inclue zelar pelas vidas das pessoas que compram ingresso para ver o futebol de perto, só futebol…

Eis o dilema: Espanha ou Holanda?

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Quem sabe de futebol está mais do que cansado de saber que prever resultados, dar palpites ou apostar em bolões nunca teve lá muita lógica. Os adivinhões de quaisquer plantões têm sido derrubados através dos tempos. Vai daí, fazer previsões após o sorteio dos grupos da Copa do Mundo é um exercício arriscado.

Grupo A para 2014, por exemplo, pode representar alguma aparente facilidade para a seleção brasileira? Não é bem assim, não… De cara, a Croácia, hoje décima sexta colocada no ranking da Fifa. Sua posição é superior à da Russia e melhor também que a da França. Está mais bem classificada que o México, também do grupo. Dá para ganhar, mas não será de véspera, lógico. Já Camarões realmente não é perigo maior à vista. Aos otimistas mais exagerados, o que se recomenda é frieza. Que o tempo corra sem euforia descabida.

Evidente que a seleção brasileira precisa, mas precisa realmente muito terminar na frente na classificação após os tres primeiros compromissos. Pela simples razão de que, nas oitavas de final, o jogo seguinte poderia nos colocar logo diante da Espanha. Sendo o melhor do A, a galera tem mais é que torcer para os campeões mundiais também liquidarem a primeira fase na frente de Holanda, Chile e Australia. Os dois se evitariam apenas desde que qualificados na mesma posição, primeiro ou segundo. Seria uma decepção (como que um castigo para as duas seleções e para a própria competição) se Brasil e Espanha se encarassem tão cedo.

De todo jeito, a alternativa também será problemática. Mesmo escapando do confronto indesejável, a seleção nacional terá que enfrentar a Holanda. Inevitável. Mas, para time que quer ser campeão do mundo, não tem essa de escolher adversário.

A Fiel não sai de Tite

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Tudo acontece na maior elegância nestes últimos dias de Tite no Corinthians. As imagens dos personagens desse episódio nem parecem ter muito a ver com a realidade. Não sei… fica dificil entender. Diria que até parece o contrário, como se estivessem comemorando um contrato renovado, que o técnico estivesse apenas prestes a sair de férias para voltar em 2014 numa boa. Incrível, mas o profissional responsável direto pela maior glória alcançada pelo time do povo foi descartado. Dá para entender a lógica dessas providência?

Quando um empregado é competente e dedicado, que razões pode ter o empregador para dispensar seus serviços? Tite fez do clube o campeão do mundo, poxa! Não bastaria isso para mante-lo, fazendo de tudo para reforçar a equipe ainda mais e deixa-la ao nível de sua qualidade de treinador número um do Brasil?
Perguntas não terão respostas, óbvio. As dúvidas ficarão guardadas pela história.

Muito importante é que para o povão o treinador teria que continuar. Inconformada, a galera faz justiça a ele, quando grita seu nome em bordões inflamados, quando exibe faixas enormes cheias de elogios a ele e – principalmente – quando faz nas arquibancadas apelos para que ele volte.

Conclusão: O Corinthians sai de Tite. A torcida, não. Ao contrário, a Fiel o mantém em seu coração. Ela continuará reconhecida a ele, podem crer. Haverá de aplaudi-lo sempre, venha com que clube vier, como tem feito com outros profissionais que dignificaram a camisa do Timão.

Nem o São Paulo duvida: a Ponte foi grande!

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Muricy Ramalho tem razão quando diz que seu time até que foi muito longe na Sul-Americana. Mais que qualquer outra pessoa, o técnico tem como avaliar limites e possibilidades do grupo.

O São Paulo foi bastante esforçado, não se nega. Só não conseguiui mais porque lhe faltaram recursos. Lutou, sim, lutou bastante, mas seu papel foi aquele de todo concorrente só aplicado. Demonstrou dignidade, evidente, porém errou muito, tanto na defesa, mal ao sofrer contra-ataques quanto num ataque de limitada qualidade de finalização.

Enquanto os rapazes assumiam disputar o que fosse possível em campo, a diretoria corria por fora, tentando criar situações que dificultassem o adversário. Correu para que a arbitragem fosse estrangeira e conseguiu a façanha de impugnar o estádio Moises Lucarelli ao encontrar curiosa brecha no texto do regulamento. Digamos que tenha feito sua parte. Não foi suficiente.

Consciente, o técnico são-paulino foi elegante com a equipe campineira, deixando claro que nada tinha a dizer contra a justíssima vitória da Macaca.
E assim termina a sonhada esperança tricolor de se projetar melhor em 2014 no cenário internacional. Enquanto isso, aplicada, moderna e valente, a Ponte Preta vai para novo e grande desafio. Com ela, os torcedores felizes pela sua primeira vez no calendário da Conmebol.

Ponte mostrou garra de finalista

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Pode ser intrigante mas é verdadeiro. O time do São Paulo quase nunca repete no segundo tempo o futebol apresentado no primeiro. Contra a Ponte não foi diferente. Poderia ter acabado o primeiro tempo em vantagem. Pura infelicidade de Antônio Carlos estragou o placar a favor. Em todo caso, jogou melhor contra uma equipe visitante fechadinha na defesa. Só que prevaleceu o de sempre: recuado na reabertura e como que assustado com o surpreendente comportamento ofensivo do adversário, cedeu três escanteios seguidos. No terceiro, sob a chuva forte, Rogério não conseguiu segurar após o chute forte.

Incrível, nenhum defensor são-paulino apareceu na área. Aquela coisa elementar de estar atento ao perigo do rebote não preocupou ninguém. Coisa que não pode acontecer com time grande.

Sob a chuva, como um castelo de açúcar, o dono da casa foi-se derretendo. Até que perdeu a consistência de vez. E, nos contra-ataques, aos poucos, com incríveis passes num meio de campo todo esburacado, os rapazes orientados (bem) por Jorginho chegaram ao terceiro, não sem que, de novo, um acidente (desvio em Wellington) tirasse qualquer chance do goleiro, artilheiro e recordista milionário de partidas como titular – o grande Rogério Ceni.

Não seria justo apontar só erros do São Paulo. Não, pois, se a Ponte não partisse corajosamente para cima, óbvio, as falhas por certo não aconteceriam. Então, ao ganhador, que jogou muito, com obsessiva vontade e grande qualidade nos bem organizados contra-ataques, parabéns. Que grande passo esse de voltar para casa com tamanha vantagem para os restantes noventa minutos.

Enfim, um teste de verdade!

AFP

AFP

Foi um jogo de verdade. Nada daquele perigoso amistosinho anterior. Desta vez, ninguém entrou só para mostrar que seria capaz de matar jogadas de Neymar e de quem mais se projetasse com a bola dominada. Foi o Chile, sim, um baita adversário.

Vai daí, a vitória teve peso, ganhou significado. E terminou, com certeza, satisfazendo muito mais aos torcedores que viram o jogo de perto e pela TV. Lógico que o próprio time saiu de campo mais compensado. E Felipão, que andou berrando muito na dureza do segundo tempo, terá obtido conclusões bem melhores para sua futura e definitiva chamada dos craques.

Em tudo a partida foi, como teste, muito importante. Os andinos fizeram o trabalho que seu retrospecto recomendava. Posicionados logo abaixo no atual ranking da Fifa, mostraram modernidade e um preparo físico invejável. Enfim, a equipe brasileira ganhou de um adversário forte.

Isso é o que mais interessa. Porque foi uma vitória contra um futebol que mostrou competência, exigiu muito dos craques brasileiros.

Vá lá que oportunidades houve, na segunda fase, que poderiam ter feito um placar maior. Mas até pelos erros dos atacantes a disputa teve seu valor. Eles deram cores ainda mais reais a uma vitória de bom significado. No futebol, erros acontecem. Só que geralmente vence quem erra menos. E foi o caso do Brasil, no Canadá.

Campeão voltou para mais desafios!

Djlalma Vassão/Gazeta Press

Djlalma Vassão/Gazeta Press

De direito e de fato, o Palmeiras retorna ao lugar dos maiores clubes brasileiros. Com duas rodadas de antecedência, os pontos positivos bastam para uma conquista que qualifica como ótimo o trabalho de um ano da diretoria. Parabéns ao clube e àqueles que ajustaram sua rota rumo ao sucesso.

Lindo e comovente ver o que tive a felicidade de presenciar neste sábado no Pacaembu – famílias vibrando, pais e filhos, “nonos” e netos trajando camisas atuais e de várias épocas, uma festa em que até lágrimas rolaram.

O som dos bordões foi o som ambiente dessa tarde encantadora. A galera foi grande parceira do time vencedor.

O episódio vai durar mais duas rodadas. Felizes e cientes do dever cumprido, os dirigentes farão, ao mesmo tempo em que as contas forem sendo fechadas, os primeiros estudos para projetar um 2014 mais fácil para a família palmeirense, pelo menos sem os sobressaltos e as dificuldades que precisaram contornar na Série B.

É hora de avaliar tudo – elenco de alto nível, provável nova comissão técnica, revisão de contratos – inclusive de patrocínios. Claro, a série A custará mais, portanto, será preciso faturar mais. Sem problemas, afinal,  desafio nenhum jamais foi problema para esse espetacular Palmeiras.

Classificação tricolor na raça

AFP

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Consciente de sua capacidade, o São Paulo de Muricy Ramalho não se deixou levar por sonhos muito altos. Foi com a maior humildade que tratou de marcar o adversário da melhor forma possível, arriscando pouco na frente, dividindo bolas no meio-campo e, na defesa, recorrendo até a chutões para onde o nariz apontava. Sem retranca, tudo bem, mas, lógico, sem dar espaços maiores.

No primeiro tempo chegou a tocar direitinho para os lados, com passes bem feitinhos, um expediente que chegou a limitar os chutes do adversário. O técnico visou, tanto quanto possível,  afastar, a bola para longe da área. Só por causa disso ou não, a verdade é que foi pouco feliz a atuação dos rapazes de Barranquilla. Exceção feita a Cárdenas, ninguém chegou a preocupar.

Difícil foi suportar o tempo final. Claro, o esperado (e afoito) serviço ofensivo do Nacional foi constante. Aí, o tricolor deixou o futebol de lado e mandou ver nos chutões e cabeçadas defensivos. Conseguiu o que precisava. Se virou bem num sistema nada vistoso de se defender, no que foi até auxiliado pelo jogo sistemático de lançamentos  altos, minuto a minuto dirigidas à sua área. Quanto mais “choviam” os chutões sem precisão, mais o São Paulo devolvia. Virou um bumba meu boi.

Muricy planejou e o time cumpriu. Valeu a experiência do técnico.