Perdendo para ele mesmo

Perdendo para ele mesmo O Palmeiras conseguiu mais uma proeza. Nada justifica perder para o rebaixado e fraco Goiás, dentro de casa e com o empate a favor. O problema é que, quando se fica muito tempo sem ganhar nada, qualquer pena vira uma bigorna. Ou não lembramos do drama do Corinthians na fila de 23 anos? Ou a luta do São Paulo, durante sete anos, para voltar à Libertadores? E até a seleção brasileira, que para ganhar uma Copa do Mundo, depois de 24 anos, teve que fugir das suas características e jogar numa retranca brava, enfiando só bolas para o Romário que, gelado, resolveu.

O Palmeiras não pode perder para o Goiás em nenhuma hipótese. Menos ainda nas condições que, não só foi derrotado, como eliminado de uma competição de nível tão baixo, que praticamente levou o Palmeiras a ter tantas chances de ir à final, sem ter de enfrentar qualquer equipe de nível, sequer sofrível, como Vitória, Sucre, Avaí e o próprio rebaixado Goiás. O Palmeiras perdeu dele mesmo. Perderia de qualquer um, porque não consegue tirar do caminho os fracassos dos últimos anos.

E não adianta querer começar do zero. Isso já foi feito nos últimos cinco anos, sem qualquer resultado prático. E isso com Luxemburgo, Muricy e agora Felipão. Até os presidentes mudaram e nada saiu a contento. Começar do nada não é, por certo, a solução. O jeito é esquecer esse novo apagão, aproveitar as virtudes, que foram mostradas nas últimas partidas e tentar transformar esse novo vexame no início da pavimentação de um novo caminho rumo a, finalmente,quem sabe, em 2011, conquistar algo consistente, para poder voltar à normalidade.

E, lógico, essa não é a normalidade do Palmeiras através da história. Apesar de vários tropeços pelo caminho, eles sempre foram entremeados com grandes conquistas. Mas agora elas ficaram para trás e não há o que dê jeito. E esse jeito não virá radicalizando e partindo do nada. Foi triste, foi terrível, porém, talvez com persistencia, as coisas tomem outro rumo no futuro. Vale tentar. Mudar a toda hora, já foi demonstrado, não leva a lugar nenhum.

Ronaldinho não é mais Messi

Quando Ronaldinho Gaúcho foi convocado por Mano Menezes, cheguei a ficar surpreso. Nada contra o jogador, que sempre foi muito simpático e gentil com todos. Mas, ele não vem mostrando, no Milan, nível para ser o armador da seleção brasileira. Aquele jogador de fantasia, já acabou faz tempo.

Não sei exatamente porque, porém, com 30 anos e sem ter sofrido nenhuma contusão grave, nada justifica a queda vertigionosa desse jogador, que já foi o melhor do mundo, com todos os méritos, nos tempos áureos de Barcelona. De repente ele foi, caindo, caindo e como o torcedor brasileiro não o vê no dia a dia, poderia ainda imaginar que seria o mesmo de antes. Não é. O Ronaldinho de hoje, até com a mesma camisa, se chama Messi. E foi por essa razão, que Ronaldinho saiu extenuado de campo ao 30 minutos do segundo tempo, sem grande brilho, enquanto Messi fez um gol decisivo já no período de descontos.

Fica difícil dizer se Messi joga hoje, o que Ronaldinho jogou no auge. Messi é grande, no entanto, talvez, Ronaldinho Gaúcho tenha sido maior. Isso porém, é coisa do passado. Agora, para termos um jogador no nível de Messi, temos que torcer por Paulo Henrique Ganso, nosso melhor meia.

Ronaldinho não é mais páreo para o argentino. Não decepcionou no amistoso do Qatar, só que, claramente está virando abóbora. Se formos pensar em nossa “cinderela” teremos que contar, lá na frente, com a eventual magia de Ganso.

Foi pênalti

A polêmica não para e ficará no ar sempre. Se o Corinthians ganhar o título de 2010, em algum momento, alguém lembrará, que “meteram a mão”, como se fala de 1977 e de 2005, até agora. Esses rolos são normais no futebol, porém, ganham uma dimensão maior quando envolvem o Corinthians e a força de sua torcida. Pouco importa se houve ou não a falta no Ronaldo. Para o corinthiano foi claríssima. Para os outros, um roubo. Fosse ao contrário, a marcação para o Cruzeiro e as opiniões seriam totalmente opostas.

Poucos se preocupam em conhecer detalhes da regra. O fanatismo e o coração falam mais alto. Afinal, estamos falando de futebol, onde a razão não entra, ou fica em décimo plano. Lógico que no futebol, como na nossa sociedade, tem de tudo. Tem bandido, tem mocinho (poucos), tem malandro e alguns que tentam, nem sempre com sucesso, manter a ética. Mas até o que é ou não ético no futebol, fica difícil de se definir.

A torcida gosta disso que vivemos nesse final de semana. Falatório, suspeitas, crimes premeditados (?), um pouco de novela, com todas as tramas, imaginadas por grandes autores, transferidas para a realidade, dentro do campo, ou, vá lá, nos bastidores.

As declarações de Cuca e Zezé Perrela, no Mesa Redonda do dia 12, mostram como são as coisas no mundo da bola. Entrevistados, na chegada ao Pacaembú, elogiaram Sandro Meira Ricci, comprovaram a lisura dele e até deram a entender que ele era o melhor árbitro do Brasil. Duas horas depois, Meira Ricci era um “vilão, um mafioso e até, no perrelês, um filho da ….”. Bom retrato do futebol e da paixão tresloucada da bola.Ou alguém duvida que se o lance fosse O mesmo, só que do outro lado, no mesmo minuto, o árbitro sairia do Pacaembú dentro de um camburão, atacado por aqueles, que no sábado, acharam que o penalti no Ronaldo, foi indiscutível?