AGORA VAI

Com tanta coisa importante para ser feita no nosso dia a dia e mesmo no futebol, os promotores públicos do Meio Ambiente e da Juventude e Infancia, além de algumas pessoas do Gaeco, resolveram ministrar palestras a jogadores. Eles querem dar a entender que a atitude do profissional, influencia a violencia nas torcidas uniformizadas. Acho que não estão bem informados sobre as referidas torcidas. A violencia faz parte do dia a dia desse pessoal. São bandos com esquemas de guerrilhas onde tem de tudo e eles não dependem de qualquer motivação para agir com vandalismo. Ou seja, o cara treina feito doido, está querendo ir para casa ver os familiares, já que tem concentração e jogo importante no final de semana e, ao invés disso, é obrigado a ouvir “palestras” vazias, em se tratando de conter os atos primatas de uniformizados. É sempre assim nas horas de decisões. Invariavelmente aparece algum “colombo” para por os ovos em pé. Nos jogos de badminton, beiseibol,tenis de mesa, não aparece nenhum herói. O futebol é mesmo a grande vaca leiteira, com tetas escancaradas para todos. Na prática fica tudo igual. É só viver o dia a dia da bola para saber disso. Com esse tal plano “pai”, agora vai.

RIVELLINO, CAMPEÃO NO CORINTHIANS

O Corinthians poderá homenagear um dos seus maiores jogadores, de forma inédita e criativa.

Roberto Rivellino, o grande jogador do clube nos anos 60, está inscrito e poderá jogar no Campeonato Paulista, como esteve pronto para atuar no Brasileiro.

O presidente Andrés Sanchez entende que o clube deve isso a Rivellino, que saiu em 1974, considerado vilão na derrota para o Palmeiras no Paulistão daquele ano. Foi para o Fluminense e ganhou tudo, como ganhara na seleção. Mas, na grande paixão futebolística dele, jamais venceu um título, pois era um dos poucos qualificados na equipe da época e ficava difícil vencer quase sozinho.

No ano passado, Andrés resolveu inscrever Rivellino no Brasileiro e ele jogaria contra o Goiás, caso a equipe fosse comemorar o título nacional lá em Goiânia, como se esperava. Com a queda de produção, adiou-se a homenagem e ele está inscrito no Paulistão e será no Brasileiro.

Rivellino entrará em campo para atuar, sendo assim campeão de fato, se o título vier. Aliás, Andrés pretende convercer Ronaldo a também entrar nesse eventual jogo, já que ele segue inscrito no Bid da CBF. O sonho dourado seria uma final contra o São Paulo, segundo jogo no Morumbi, e o título com Rivellino e Ronaldo em campo.

Será possível? Isso não dá para dizer, porém vale a tentativa e a ideia.

Rivellino foi um craque maravilhoso e mereceria esse lindo momento. Além de ser manchete no mundo inteiro, haveria um acerto do mundo da bola com Rivellino, que tem todo direito de ter uma faixa de campeão com a camisa do time que amou e, cá entre nós, onde jogou sempre um futebol de alto nível, embora sem companheiros que lhe acompanhassem na qualidade.

JOGADA INTELIGENTE

Há três semanas, numa reunião de pauta para o Mesa Redonda, veio a idéia de acompanhar os três últimos jogos da Portuguesa, que teria, ainda, chances de se classificar para a fase final do Paulistão. Todos concordamos, mas seria preciso fazer algo diferente. A produção foi ao clube e pediu abertura especial. Ninguém queria atrapalhar, mas seria legal humanizarmos os jogadores, mostrá-los na intimidade, concentrados na vitória, rezando, se ajudando, no auge do trabalho. E o pessoal da Lusa concordou. Mesmo perdendo o primeiro jogo, não criou obstáculos para que tudo fosse feito na segunda partida também. Venceu. E hoje, ganhou de novo. De forma emocionante, histórica. E tudo registrado lá de dentro. Para que os profissionais mostrem para seus filhos. Jogada inteligente da Portuguesa. Nos últimos tempos passamos a viver de treinos secretos, que nunca se transformam em evolução tática, assessores de imprensa, que são meros seguranças ou estafetas de jogadores. Coletivas inócuas. Nada criativo, ou porque se tenta matar a criação, ou porque os clubes tem muito a esconder. A Portuguesa abriu os vestiários, a intimidade, o coração. E se classificou com o brilho, que não viámos há anos. O camera e o repórter não atrapalharam em nada. Creio até que motivaram os boleiros. Bela lição. Futebol se resolve em campo, nos 90 minutos. Frescura não leva ninguém a lugar nenhum.

REGRA IMBECIL

Incrível. Rogério Ceni faz o centésimo gol, o primeiro e único, provavelmente, goleiro a conseguir isso e ainda por cima contra o arqui rival Corinthians. Tira a camisa, gira no ar, tem outra por baixo, mas ainda assim toma cartão amarelo. Neymar faz um golaço, depois de driblar quatro adversários, num jogo tão decisivo como o de ontem contra o Colo Colo. Recebe da torcida um máscara, com o rosto dele, que a própria galera trouxera em sua homenagem. Leva cartão amarelo, como já tinha levado outro durante a partida, acaba expulso e não vai atuar no próximo jogo, mais decisivo ainda. Guilherme Ceretta, que amarelou Rogério e Roberto Silvera, que expulsou Neymar, não podem ser condenados, se formos considerar, rigorosamente , o que está escrito no norma da Board, desde 01 de julho de 2007 e no caso das camisas, até antes. Mas, há o fator bom senso e espírito da regra. Não houve qualquer dólo, não se tentou provocar adversários ou ganhar tempo. Nada. Apenas uma explosão de alegria. Duvido que os legisladores tenham pensado nisso ao redigirem as normas. Há que se fazer consultas para que isso seja esclarecido. Quem sabe evitamos constrangimentos. Por certo os dois árbitros citados ficaram com vergonha do que faziam. Afinal puniam a arte. Se os homens da Board queriam isso mesmo, foram tolos. Ou talvez, tenha faltado pedir maiores esclarecimentos. Por certo meus mestres Flávio Iazzetti e Emidio Marques Mesquita não concordariam com uma visão tão tacanha. Uma coisa é punir a cera e a provocação e outra a arte. No primeiro caso concordo e apoio. No segundo, julgo uma regra imbecil.

SABENDO DEFENDER

Foto: Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

O Palmeiras continua na frente no Paulistão. Ganhou do Santos e depois de 17 rodadas sofreu somente 6 gols. Uma média maravilhosa. Normalmente, a melhor defesa vence o melhor ataque. Para atacar voce precisa de ousadia e craques. Para defender é necessário muito equilibrio, um senso comum e aí depende-se bastante de ter uma equipe bem condicionada e ligada na tática imposta. O Palmeiras funciona assim. Todo mundo marca. Começando pelo Kleber, lá na frente. Quando a bola chega, lá atrás, fica mais tranquilo para os zagueiros. Em time ofensivo, pelo contrário, a bola sobra nos defensores com mais facilidade. Para atacar muito, é preciso ousar bastante, deixando brechas na marcação. Eu, e por certo todos que estão lendo, gostam mais dos ataques vorazes, que fazem e sofrem muitos gols. Isso, porém, depende do material humano disponível. Felipão ajeitou o Palmeiras, com o que dispunha e esse equilibrio tem feito bem ao grupo. O Santos, com no mínimo três jogadores acima da média, Neymar, Ganso e Elano, praticamente não criou nada contra os trabalhadores “braçais” do Palmeiras. E venceu, quem mereceu. Isso é saber jogar futebol, dando o passo do tamanho da sua perna.