Há três anos o então presidente Lula fez uma espalhafatosa reunião em Brasília, com grande cobertura da mídia, é claro, onde anunciou que os campeões mundiais do Brasil, especialmente de 58, 62 e 70, passariam a ter direito a uma pensão vitalícia pelos serviços prestados ao país. Nunca soubemos exatamente os valores, algumas pessoas contestaram, inclusive meu querido Tostão, porém as coisas seguiram. Ou pelo menos deveriam ter seguido. Na realidade nada aconteceu. Os velhinhos estavam em suas casas, com suas dificuldades, suas vidinhas de luta, como bons brasileiros, quando foram iludidos por algo, que eles gostaram, porém, não tinham pedido. Aqueles respeitáveis senhores, alguns com mais 80 anos, foram usados por Lula e pelo ministro “segundo tempo” Orlando Silva, para politicagem. A promessa era de 100 mil reais na mão e 3 mil e 500 reais por mês. Imaginem como ficou a cabeça dessa gente. Sonhos, projetos, esperanças e nada. O pior é que Lula disse a eles na saída do evento, que poderiam contar com o dinheiro, pois no final do mês já sairia o primeiro depósito. Fico pensando nas vezes, que esses pobres senhores, foram aos bancos pedindo extratos, falando com gerentes e não acreditando, que poderiam ter sido usados para algo tão baixo. Devem ter se telefonado, reclamado da burocracia, até concluirem, que tudo não passou de jogo de cena. É nojento isso. Mais ainda quando ficamos sabendo das mazelas que, também o Ministério dos Esportes, tem feito com nosso dinheiro. Os campeões do mundo poderiam ou não merecer a pensão, que eu acho justa, embora respeitando opiniões divergentes. O que é inaceitável é serem usados como foram, para populismo barato. Depois ficam falando em “pátria de chuteiras”, “dar a alma pela seleção”, “se matar pelo time brasileiro”. Palhaçada pura. Que mais essa safadeza sirva de lição para os jovens atletas. Cada um que cuide de si, porque lá na frente, o máximo, que eles conseguirão, é fazer papel de tolos e serem manipulados por políticos, que se dizem amantes do mundo da bola.
Arquivos do mês: outubro 2011
O povo brasileiro, de modo geral, é alienado, não sabe sequer a força que tem. Tantos corruptos são reeleitos, criminosos perdoados e até bandidos de fora são recebidos de braços abertos, por aqui. Não poderia esperar que jogador de futebol fosse diferente. Só que tudo deve ter um limite e o limite é a vida e a segurança pessoais deles e de seus familiares. As agressões a boleiros tem se sucedido e aumentado de intensidade dia a dia. Primeiro eram ameaças, depois pressões, chutes nos carros e agora ataques de gangues, como aconteceu ontem com o garoto João Vitor do Palmeiras, que foi parar no hospital. A polícia, o Ministério Público, os clubes e as federações, não estão nem aí. Ao contrário, são unidas com esse marginais de torcidas uniformizadas, faz tempo. Se os profissionais da bola não tomarem providências, por conta própria, não haverá solução viável. Sabemos quanto vale o futebol na economia brasileira. Cartolas faturam fortunas, por dentro e por fora, com o jogo. Federações e confederações e seus “proprietários” enriqueceram e enriquecem com tudo isso. Só há um jeito de tomarem uma posição decente. Com uma greve, não só do pessoal do Palmeiras, mas de todos. Será que essa gente não tem vergonha na cara? Eles são achacados por marginais, de todas as formas, com livros de ouro, com camisas, com ingressos, enfim tudo que é possível. Os clube tem relações prá lá de promíscuas com esses bandos, a polícia e o Ministério Público trata-os com solenidade e sobra tudo nas costas do trabalhador da história, no caso o jogador. Se eles parassem, nem que fosse uma vezinha só, por certo muita coisa mudaria. Os que vivem às custas dessa safadeza toda, sentiriam no bolso e aí a sensibilidade mudaria, por certo. Não prendem ninguém das gangues porque não querem. Qualquer entrada de surpresa nas sédes deles resolveria o assunto. Cartolas, polícias, justiça e uniformizados virou uma coisa só. Só resta aos jogadores criarem a própria proteção e isso só conseguirão usando sua maior força, ou seja o jogo de futebol. Está na hora de tomarem vergonha e fazerem uma greve. Ou vão esperar alguém morrer para isso. Se for essa a opção, creio que não precisarão esperar muito, não. Logo, logo essa bandidagem assassinará um profissional, em nome da impunidade.
Muita gente me pergunta sobre a falta de futebol da Seleção Brasileira. Nada é mais aborrecido do que ver o time jogar. Claro que não existe fórmula mágica e nem pretendo descobrir a pólvora. Mas, algumas coisas são bem evidentes. Primeiro foi um erro gravíssimo ter desmontado a base da Copa de 2010. Intragável ou não, o Dunga conseguiu montar um time competitivo, mas, como sempre, Ricardo Teixeira tinha que dar uma cabeça na hora da derrota e escolheu a do treinador, que cortou privilégios de parceiros do presidente, por ordem dele aliás, só que perdeu argumentos com a derrota para a Holanda e ficou sozinho. Teixeira não se importou em trair um conceito para não correr riscos. Veio Mano Menezes e, no embalo da caça as bruxas, defez tudo que estava certo, junto com as correções necessárias dos erros cometidos. Ou seja, voltou ao zero, coisa que a Alemanha, a própria Holanda e até a Argentina, não fizeram. Mesmo a Inglaterra manteve uma certa estrutura. O Brasil quis detonar tudo, como se fosse um absurdo perder um Mundial, coisa mais do que normal. Na verdade voce precisa ser competitivo, o resto não dá para prever. Logo ficou claro que a molecada não conseguiria segurar a onda sozinha e foram “reabilitados” alguns da Africa do Sul. Pior é que engoliram até mesmo Ronaldinho Gaucho, que já não servira em 2006 ,2010 e na Olimpíada. Precisavam de uma peça de marketing e ela foi dada. Com isso ficou difícil montar um time. E na própria montagem, Mano Menezes coloca suas convicções táticas, e aí ele está certo, “sacrificando” no entanto, talvez o único talento que resta no futebol atual do nosso país. Não seria mais fácil colocar o Neymar para fazer o que faz no Santos? Lógico que ele é moleque e tem que obedecer ordens, porém, quando tem que ajudar na retomada de bola, voltar para dar combate, perde muito da liberdade que possui no Santos. Com Muricy ele também marca, mas não num setor pré determinado. Fica solto e inicia a marcação no setor que estiver. Com Mano cabe a ele cobrir o lado esquerdo. Nenhuma tragédia, se tivéssemos outros jogadores do porte dele. Como a safra atual é limitada e Ronaldinho não quer nada, faz tempo,colocar o único talento da equipe para cumprir uma função tática específica, não me parece uma boa política. Na Seleção ele vem como um dos três meias preso num setor. No Santos é segundo atacante solto. E isso muda tudo, já que se espera que ele resolva. São detalhes, que somados, podem gerar mais dificuldades. Creio que dê para melhorar, mas por hora essa Seleção não passa a menor credibilidade. Se a Copa fosse hoje, dificilmente chegaria à semifinal. E mesmo assim jogando muito feio.
Ontem a noite participei de um evento maravilhoso no Tatuapé. Na Pizzaria Paulista 10, do Juninho Paulista, centenas de pessoas foram servidas, por garçons iniciantes e famosos. Os campeões mundiais de 2002, sofreram com pegadores, bandejas, pratos e pedaços de pizzas, vivendo uma noite diferente, para eles e para os frequentadores do local. Todo dinheiro arrecadado foi revertido para a Associação Cruz Verde, da Vila Clementino. Bom para todos. Mas, para mim foi uma noite nostálgica. Numa salinha, no fundo, enquanto esperávamos a hora de “trabalhar”, a conversa era prá lá de descontraída. Na roda com Felipão, Murtosa,o Baixinho da Kaiser, sósia do Murtosa (rs,rs), Juninho, ouvíamos piadas do humorista Batoré. Na verdade era uma troca. Todo mundo contava e ouvia. As conversas da bola eram inevitáveis, mas, mais na gozação do que na informação. Chegaram Roque Junior, Nilson, ex Corinthians, Denilson, Zetti, Caio, da Globo, e depois Vampeta entre outros. Imaginem o que rimos. Tenho certeza que os amigos mais jovens como Celso Cardoso e Michelle Gianella, ficaram impressionados com o que viram. Era um papo de amigos, coisa anormal, hoje. Brincamos, sorrimos, fomos iguais. Imprensa e boleiros, como tem que ser. Aliás, era assim. Não sei porque mudou, porém, garanto que ficou muito pior. A única coisa séria, que perguntei para o Felipão, foi se tem fundamento essa história dele ir para o São Paulo. E ele num misto de riso e irritação respondeu claramente. “Cada dia me colocam num lugar diferente. Isso enche. Não conversei, não sei de nada e ainda tenho que ficar toda hora desmentindo essas informações”. Mais algumas histórias e estórias e fomos embora lá pela meia noite. Muito bom. Como era o dia a dia, nos velhos tempos. Na saída Felipão ainda elogiou Celso Cardoso. “Gosto muito do trabalho dele. Tem bom senso. Pedi para minha mulher assistir e ela concordou. Um dia desses eu passo no Mesa para dizer isso no ar”. Agradeci pelo Celso e fui pelo caminho relembrando dessas rodinhas com Telê Santana, Enio Andrade, Rubens Minelli, Candinho, Luxemburgo,etc. Todo nós ficavamos bem melhores no finais dos dias.
Poderíamos enumerar um monte de falhas nesse jogo entre Cruzeiro e São Paulo, mas acho coisa de mala colocar defeito num 3 a 3. Claro que o São Paulo perdeu, duas vezes, a chance de ficar com a vitória. Lógico que o Cruzeiro não soube segurar o 1 a 0, que tanta precisava. Mas, os dois resolveram sair para o jogo e isso é que vale para quem ama o futebol. Se bom o ruim na tabela para os dois, só saberemos no domingo quando terminar a rodada. Por hora fica um gosto agradável de ver uma partida bem gostosa, por mais erros, que possam ter ocorrido.



