Afinando de novo

José Maria Marin chamou os presidentes de clubes da primeira divisão. Alguns estavam conversando sobre a liga brasileira, que poderia modernizar o nosso futebol. Não sei o tema da reunião mas, alguns, estão desistindo de partir para a evolução. A CBF é um atraso de vida, faz tempo. Usa os clubes e retribui bem pouco. É rica e os times pobres, embora ela não sirva para nada. Mesmo assim, parece que, vão afinar novamente. Não sei se por burrice, ou rabo preso, eles tendem a seguirem reféns. Não há nenhuma vantagem na manutenção do estágio atual. A Liga geraria, na pior das hipóteses, nova esperança. E eles só teriam, que se unir e cuidar das próprias vidas. Criar produtos próprios, pensar num campeonato rentável, excursionar, enfim, ganhar o dinheiro que pode ser gerado, se o futebol for bem dirigido. Mas, eles estão optando pela covardia. Não querem, ou não tem capacidade de crescer. Acho que a maioria dos clubes, tão grandes na história, está sendo dirigida por gente pequena demais. A revolução, que precisamos, talvez tenha que começar dentro das agremiações mesmo. Vão conseguir perder a grande chance, que se abre na nossa história, de tranformar as federações em cartórios e a CBF em “cuidadora” das seleções. É vergonhoso, porém, cada um é o que é. Talvez eu tenha imaginado, que os presidentes de clubes  fossem melhores do que são, ou seja, farinha do mesmo saco, que o pessoal das federações e da CBF.

A revolução dos baixinhos

Foto: AFP

Foto: AFP

Tenho me incomodado com o atraso tático no futebol brasileiro atual. Procurei ouvir jogadores,treinadores, colegas, enfim, pessoas ligadas ao dia a dia do mundo da bola. Praticamente todos concordam com a deficiência atual. Alguns ampliam a discussão. O Zico, maravilhoso Galinho de Quintino, acredita mais na falta de boas revelações, do que propriamente no mau momento tático. Zico não gosta de ver tantos brucutus saindo das bases dos clubes brasileiros. Chega a crer, que não seria sequer avaliado num teste nos dias de hoje. E com ele, Maradona, Messi, Tostão e outros pequenos brilhantes da história desse esporte. Xavi, Iniesta, Daniel Alves, são todos baixinhos. O Bilbao, que faz sucesso na Liga Europa, da mesma forma só tem pequenos. O próprio Coritiba, que agradou no Brasil no ano passado, tinha o que ? De novo jogadores rápidos e ágeis, não grandalhões fortões. Parece que o problema vai sendo detectado. Claro que fortões também são necessários nos dias de hoje, vide Pique, Cristiano Ronaldo e até Hulk, astro em Portugal, goste voce ou não. Porém, os times que dão espetáculo voltaram a acreditar na agilidade, rapidez e técnica. Isso só voltará se os reveladores de jogadores pararem de mandar garoto com menos de 1,70 mt serem joqueis, como brinca Zico. Esperemos a revolução dos baixinhos. Pode ser a salvação até da nossa seleção.

A melhor notícia do ano

Sérgio Barzaghi

Estou muito feliz. O final da ditadura Ricardo Teixeira é ótimo para o futebol brasileiro. Ele mostrou completa falta de virtudes. A administração sempre foi nebulosa, a seleção deixou de ser brasileira, virou um balcão de negócios, e o torcedor, com o passar do tempo, começou a ignorar um dos maiores patrimonios, que tínhamos. Hoje nossa seleção só gera indiferença. Ele ainda montou um time de assessores horroroso, tanto que assumiu José Maria Marin, que dispensa comentários negativos, tendo ainda filho de Sarney e toda espécie de coisa ruim, do nosso país, no grupelho. É hora dos clubes tomarem vergonha e dar uma reviravolta nisso. Uma coisa é o ditador, outra os auxiliares dele. A história mostra, que os herdeiros, não conseguem manter o poder anterior. Que venham administradores profissionais e que se fiscalize, a fundo, todo mal, que foi feito à entidade, além dos outros lugares por onde ele passou. Que não se perdoe nada pela queda. Ao contrário. Espero ver transparência, finalmente, na CBF. O ar pelo menos, está mais respirável.

O senhor e a bola

Era hora do banho de sol naquele retiro de velhinhos no Rio de Janeiro. Alguns se movimentam com dificuldade, outros são falantes, boa parte precisa de cadeiras de rodas e alguns de amparo pleno, quase que atados, para não tombarem no gramado.

Do lado de fora, separados por uma grade, um grupo de meninos joga uma animada pelada. De repente um deles erra e a bola cai dentro da clínica. Bate num senhor, que parece alheio ao mundo. Ele percebe algo, mas segue no seu sossego. A bola retorna aos meninos, só que logo volta e toca naquela mesma cadeira de rodas.

Menos de cinco minutos e a cena se repete. Dessa vez pousa no colo do senhor, até então sem qualquer reação. Para surpresa de todos ele abre os olhos, faz um movimento difícil e chuta com o pé direito, com tamanha perfeição, que parece ter naquele pé o complemento da própria bola. E aí ela não volta mais. E ele também não. Retorna ao seu silêncio, a sua indiferença, a sua espera de não se sabe o que.

Acervo/Gazeta Press

Acervo/Gazeta Press

O que foi descrito acima, talvez não tenha acontecido. Porém, deveria. A enciclopédia do futebol, Nilton Santos, hoje não consegue mais qualquer conexão com o mundo, onde ele sempre foi rei. Tomado pelo Mal de Alzheimer, passa seus dias muito longe dos estádios lotados, das glórias fantásticas e dos momentos de magia. As visitas são raras. Os filhos precisam cuidar da mãe, também bastante doente, no entanto com plena conciência de tudo. Quem sabe a bola, que ele domou tantos anos, pudesse trazê-lo de volta. Ele hoje, talvez nem saiba o que é aquele objeto esférico. Ela porém, sabe perfeitamente quem ele é. E por certo guarda grandes lembranças dos tempos em que  jogar futebol, se confundia com arte.

Que grande artista foi esse Nilton Santos.