Cara boa

Foto: AFP

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O Corinthians tem um trauma na Libertadores. Desde 2000 não vence um mata-mata. Foram quatro participações, onde caiu nas oitavas de final, contra o River Plate, duas vezes, time que jamais eliminara qualquer outro brasileiro em fases decisivas, outra contra o Flamengo, depois de ser o melhor da primeira fase e por último o inesquecível vexame contra o Tolima, na Pré-Libertadores. Quer dizer, o aperto começa agora, seja quem for o adversário a  enfrentar. Não sei qual será a reação psicológica dos jogadores, porém, se depender do futebol apresentado, o time de Tite pode ir longe na atual edição da Libertadores. Equipe com clara definição tática, joga, quase sempre, com tranquilidade e parece saber o que quer. Tite está confiante e os boleiros também parecem acreditar. É uma equipe com cara boa. Ganhar o título pode ser questão de um ou outro detalhe. No entanto. não há como negar a força desse grupo, além da rodagem, que vem chegando. Afinal é a terceira vez, seguida, que disputa essa importante competição internacional, o que não era costume no clube. O Corinthians está entre os melhores, os favoritos, e só considero o Santos melhor que ele. Na verdade o que pesa, mesmo, é o fator Neymar. Dependendo do dia pode até dar para encarar. O tempo dirá, até porque eles podem nem mesmo se encontrar. Afinal, os campeões costumam dar esse tipo de sorte.

Tempo perdido

Já estamos caminhando para o final de abril e, no Brasil, ainda não começou a temporada séria de futebol. Os erros se repetem, ano após ano. Pré-temporadas mal feitas, campeonato regionais inúteis e o início da Copa do Brasil, torneio, que gosto muito, com as primeiras fases, naturalmente, medíocres. E vamos entrar em maio falando de equipes inexpressivas, sem condições de sequer avaliarmos  o nível daqueles que, de fato, importam, para, só então, começar o campeonato brasileiro, a fase boa da Copa do Brasil e o filé mignon da Libertadores.Por que essa insistência? No Brasil tem-se a mania de se confundir futebol profissional com beneficência. Times que não tem condições de se manter que fechem as portas. Vários maravilhosos pararam através dos tempos. O Paulistano, o Ipiranga, hoje belos clubes sociais, a Ambrosiana na Itália e tantos outros pela vida. E não ficaram menores por causa disso. Deixaram um passado de glórias. Esse desespero de ressucitar os mortos, no mundo da bola, não leva a lugar nenhum.Ao contrário, os timecos que se apresentam com aquelas camisas históricas, só fazem denegrir grandes momentos e atravancar o avanço do nosso esporte, já que mal se treina pelo acúmulo de partidas e torneios sem valor. É a politicagem no país. A brincadeira de faz de conta. E assim, faz de conta que, ainda temos, o melhor futebol do mundo.