A cabeçada do Paulinho

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sérgio Barzaghi/Gazeta Press

Tudo parecia seguir o roteiro de sempre. Nervossismo, desespero e fantasmas passando pelo Pacaembu. Nem lembrava a equipe bem assentada taticamente, maior virtude do time de Tite, tal o nível de estresse que se sentia no ar. Mas trabalho e treinamento constantes ficam registrados em algum ponto da memória e quando tudo parece perdido aparece, como numa passe de mágica, o reflexo do que se condicionou. O Corinthians esteve longe de jogar uma grande partida contra o Vasco. Porém, repetiu três vezes aquela jogada do cabeceio de Paulinho. Na primeira, bola na trave. Na segunda, bela defesa de Fernando Prass. Até que veio o gol. Escanteio bem cobrado e, quase no reflexo, gol de Paulinho. Mérito da insistência, da força de vontade, da gana de Tite. Nas últimas partidas, em especial da Libertadores, não vemos o Corinthians com o pragmatismo tático de outros momentos. Porém, o que se treinou intensamente, ficou, como material precioso, para uso na hora de uma necessidade. E assim foi. Em outras Libertadores, já vimos o Corinthians jogando mais e com mais talentos. Esse, porém, tem conseguido algo mais. Chegou numa semifinal, coisa que não ocorria há muito tempo. Quem sabe, não chegou a hora?

Campeonato com roteiro, mesmo

Vou sentir muita falta do Campeonato Ingles até a volta para a temporada 2012/2013. Sempre achei, que ele tinha roteiro, tal a emoção dos jogos e a beleza dos estádios e do espetáculo como um todo. Porém, a rodada final extrapolou. Os jogos, simultaneos, dos inimigos de morte, Manchester United e Manchester City, foram dignos dos melhores suspenses de Hollywood. O City só precisava ganhar e jogava contra o fraco QPR em casa. O United ia ao campo do Sunderland. 91 minutos depois o United tinha vencido e o City estava perdendo. Aos 92, Dzeco empatou e aos 94, Aguero virou. A torcida da casa enlouqueceu.Muitos não comemoram, ficaram se abanando com medo de um enfarto. Os “sobreviventes” invadiram o campo, pecado mortal por lá, mas para beijar os seus heróis. Fazia 44 anos que o City não ganhava a competição e ela veio de forma inacreditável. Futebol é o maior esporte do mundo,disparado, no entanto, o Campeonato Ingles é mais do que futebol. Tenho uma doce inveja deles, ao mesmo tempo, que sonho em ver algum dia, algo parecido por aqui. Afinal, lá também já foi a zona, que temos por aqui, desde sempre. Mas, o governo quis e resolveu o problema. Futebol não falta aos brasileiros, já governo e vontade política, aí já fica mais complicado.

Finalmente, começa a temporada brasileira

 

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Fim dos regionais. Ainda bem. Esse atraso de vida, que não se justifica e não leva a nada, nos deixou até metade do quinto mês do ano, falando de times menores, equipes de empresários e praticamente nenhuma revelação. Finalmente começa domingo a temporada brasileira com os torneios nacionais em suas diversas séries e a realidade dentro de campo. Guardem os nomes dos campeões regionais e confiram em dezembro, quem justificou o título. Lógico que o Santos vai estar bem. O Coritiba e o Internacional muito provavelmente. Porém, como estarão Atlético Mineiro e América, finalistas em Minas. Ou o Caxias, que engrossou para o Inter, além do Guarani, que encarou o Santos na segunda final. Ou ainda o histórico Santa Cruz, que segue na terceira divisão mas, é bi campeão em Pernambuco. São exemplos, que poderiam ser ampliados. Ilusões geradas em certames, que já foram importantes, mas que pararam no tempo e hoje prejudicam as equipes, realmente profissionais, as mais fortes, que não podem fazer pré-temporadas decentes e nem conseguem expor as suas marcas e ganhar dinheiro no exterior. Termos apenas competições nacionais, mesmo que em 10 ou 20 divisões, seria o ideal. Se alguns times dependem, apenas, dos regionais para demonstrarem grandeza, creio que devam repensar seus momentos atuais. Ou há adaptação aos novos tempos, ou qualquer um, humano ou empresa,  fica pelo caminho. É um absurdo o tempo, que se perde, com esses campeonatinhos. Talvez por essa razão o futebol brasileiro tenha entrado num atraso tático, tão grande.

Diretoria pequena

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Com Juvenal Juvêncio perpetuado no poder, Tricolor vive momento triste da sua história

O Dr.Paulo Machado de Carvalho foi o melhor, ou um dos melhores dirigentes, da história do futebol brasileiro. Ligado ao São Paulo, ao receber o privilégio de organizar a seleção para a Copa da Suécia, em 1958, convidou para técnico seu funcionário, Vicente Feola, que fora auxiliar do revolucionário Bella Gutman no tricolor.

Quando alguns craques perceberam, que a equipe precisava de mudanças, já no transcorrer do Mundial e comentaram com o chefe da delegação, ele percebeu que algo precisaria ser feito. Porém, respeitando a ética, não quis interferir no trabalho do treinador. Inteligente, achou um jeito de passar o recado. Em conversa informal, sorrindo disse, “Feola, aquela sua idéia de colocar Pelé, Garricha, Zito e Vavá no time, que eu achava absurda, parece que é boa sim. Faça o que achar melhor”.

Feola nunca comentara sobre o fato, mas, inteligente, passou a considerar a hipótese, falou com os jogadores e montou a equipe, que ganharia a primeira Copa do Mundo para o Brasil. O São Paulo era uma escola de grandes dirigentes. Havia  Manuel Raimundo Paes de Almeida, Porfirio da Paz, Laudo Natel, antes Cicero Pompeu de Toledo, Frederico Menzen, entre tantos. E o São Paulo virou um dos maiores times do mundo.

O tempo passou e hoje o estágio do clube é um dos mais tristes da sua história. Perpetuaram Juvenal Juvencio. A oposição é frágil. Os parceiros de diretoria só servem para apagar e acender a luz da sala do presidente. E ele toma posições dignas dos piores ditadores de republiquetas de bananas. O episódio Paulo Miranda mostrou exatamente isso. Ao contrário da sensilidade de Paulo Carvalho, veio uma atitude ridícula, que ao invés de humilhar o técnico Leão, talvez o grande objetivo, apequenou o clube, de novo.

O São Paulo vive hoje da união do treinador com seus jogadores, muitos deles também limitados, mas que correm por Emerson Leão. E assim venceram a Ponte por 3 a 1 e se classificaram para a próxima fase da Copa do Brasil. Porém, mesmo depois da vitória dificílima contra a Ponte, que só foi assim pela intervenção indevida dos cartolas no jogo de Campinas, ninguém teve o bom senso de, sequer, abraçar o comandante, e agradecer por evitar o vexame, que eles, dirigentes, quase provocaram.

O São Paulo nunca esteve tão mal dirigido. Está se apequenando rapidamente. Quando demitiram Muricy, após o tri brasileiro, com mérito quase todo dele, disseram que tudo se devia ao clube, e sua estrutura, e não ao técnico, que saía. Muricy se foi e só fez ganhar, inclusive Libertadores, para a qual o São Paulo não consegue, no momento, nem a classificação.

Muito triste. E não custa lembrar, que para subir demora, mas a queda é sempre rápida. E Juvenal está caprichando. Faz tempo que ele não dá uma bola dentro.

Tabu quebrado

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

As grandes conquistas não acontecem de um dia para o outro. Você tem que ir vencendo etapas e, muitas vezes, fica no meio do caminho. O Corinthians entrou em neurose com a Libertadores depois da sequencia de derrotas contra equipes, às vezes, insignificantes, como o Tolima. Desde 2000 não ganhava um mata-mata e nesse período caiu duas vezes para o River Plate, que jamais eliminou outro time brasileiro nessa competição. E teve o Flamengo, último da primeira fase, ganhando do melhor, no caso o Corinthians, gerando mais frustração. Era preciso acabar com isso, para que as coisas entrassem no seus lugares. Pode-se perder um torneio desse nível, porém não para si mesmo, como já vimos ocorrer. Não sei se o título virá em 2012, porém andou-se um pouco mais e isso é o que importa, nesse momento. O jogo do Vasco será muito difícil para o Corinthians, no entanto, o Vasco agora sabe que para ele também.

Bastidor é que decide

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

O Campeonato Paulista é um torneiozinho como todos os regionais. E ficou menor com a decisão de dois jogos em São Paulo, tirando a maior arma do Guarani, que é o Brinco de Ouro. Mais curioso é que as partidas serão no Morumbi. Banido nos últimos anos, quando Andrés Sanchez ganhou, de goleada, todas as pendências com Juvenal Juvencio e com o respaldo da CBF de Ricardo Teixeira, o campo do tricolor voltou ao protagonismo com a acensão de Marin, ligado ao São Paulo, ao poder. De repente, o Morumbi foi escolhido não para um jogo decisivo, mas sim para os dois. Ou seja, claramente houve influência de bastidor até mesmo para se resolver onde se jogará a final de um campeonatinho, como existia antes, para ninguém jogar lá. E podem esperar jogos e mais jogos, outra vez, no Morumbi. E aí fica a dúvida. Se a CBF pode influenciar em algo tão menor, podemos imaginar o que ocorre nas coisas mais importantes.  Nada é resolvido com profissionalismo, previsão ou lógica. Tudo funciona na base da vantagem, que se possa tirar, daquilo que está sendo feito. Fica fácil entender porque os clubes estão sempre duros e, mesmo assim, os cartolas, normalmente, não querem deixá-los. O futebol no Brasil não é feito para a evolução das equipes, mas sim para que alguns, os mesmos, possam sempre tirar proveito.