Arquivos do mês: junho 2012

Foto: Site Oficial Copa Imprensa
Sempre se aprende algo a mais na vida. Que bom que é assim.
Segunda-feira nosso time foi eliminado da Copa Imprensa Aceesp Nike, competição que deveria ser para divertir a imprensa, mas que é jogada sob forte tensão. Para que se tenha uma idéia o superintendente geral da Fundação Cásper Líbero, Sérgio Felipe, foi ver o jogo da TV Gazeta, tal o entusiasmo pelo torneio, nos corredores do prédio. O Juca Kfouri e o João Palomino, estavam vendo a partida da ESPN, e assim por diante. Nas quadras alguns boleiros consagrados. Denilson e Ronaldo, ex-goleiro, jogam no time da TV Bandeirantes. Paulo Sérgio na ESPN, Caio Ribeiro na Globo e assim por diante.
Montei um time com os meninos, que fazem estágio no Mundo da Bola, meu programa da Jovem Pan. Reforcei com pessoal da própria Pan, da Rede TV, meu filho Bruno inclusive e também alguns da TV Gazeta e o Tatá Muniz. Um catadão. Começamos tomando uma goleada da Band e, para minha surpresa, ninguém dormiu naquela noite. Pensei, que aquela era a “brincadeira mais séria que me aconteceu”. Ganhamos os dois jogos seguintes, sempre numa pilha incrível e com jogadores expulsos.
E veio a quarta de final, jogo único contra a TV Record, vice do ano passado e com um timaço. Nós, meros melhores terceiros. Foi um jogão. 1 a 0 pra eles, 2 a 1 pra nós, 3 a 2 pra eles e, no último minuto, 3 a 3. Fomos para a decisão em pênaltis. Eu sou grossíssimo jogando futebol. E como todo grosso, ou compro a bola, ou faço um time ou me aperfeiço em algo. Fiz a terceira opção.

Foto: Site Copa Imprensa
Bato pênaltis bem. Já fiz gol no Zetti, no Carlos na Copa de 86, no Cristiano, ex Rio Branco, tudo devidamente gravado, e muitas vezes entrei nos jogos só para bater pênaltis. Incrível, nunca errei. E contava vantagem em cima disso. Na hora de escolher os batedores na decisão, os próprios meninos sabiam que só precisávamos de dois. O terceiro seria meu. O Daniel, que arrebentou no jogo não bate. Perdeu um, no tempo do exército, e não quis mais saber. A Record bateu e meu goleirão pegou. O Bruno Prado fez. A Record fez. O Fabinho, do meu time, fez. A Record fez o terceiro. Se eu marcasse, o que seria normal, estávamos classificados. Confesso que nem olhei para o goleiro deles, um bolão, o Márcio de Castro. Mas eu não olhei para o Zetti, nem para o Carlos, nem para nenhum outro, antes. Bati como sempre. Modéstia a parte, bem. No canto esquerdo com meia força. Não acreditei porém, no capítulo inédito. A mão do Márcio chegou na bola e a defesa estava feita.
Nunca sentira isso antes. Na cobrança alternada, é claro que perdemos. Eu é que não tinha direito de errar. Perdi o rumo por alguns minutos. O Bruno me abraçou, todos me consolaram. O campeão mundial Denilson, da outra quadra, me deu solidariedade. “Só perde quem bate, Flavião”. O rosto dele retratava pena. Eu devia estar um caco. No vestiário pedi desculpas a um por um. Até que entrou o Márcio de Castro. E eu dei parabéns a ele. “Você foi o único goleiro, que pegou um pênalti meu”. E ele respondeu. “Eu sei.Você já tinha feito dois gols em mim em jogos contra. Eu sabia onde você ia bater”. Dei um abraço nele e aprendi que, até em brincadeiras, há sempre alguém estudando tudo que a gente faz. E levando a sério.
Aprendi a respeitar a solidão do perdedor de pênaltis e a entender, um pouco, do que sentiram aqueles, que um dia erraram nas decisões, mesmo sendo gênios, ao contrário de um perna de pau, como eu. Vi a solidariedade de quem já sentiu essa pressão na pele. E entendi melhor, também, o que dizia o grande Barbosa, “culpado” por 1950, quando falava, que já tinha sofrido o gol do Gigghia mais de um milhão de vezes. Eu já perdi o pênalti de segunda-feira pelo menos dez vezes.
Os meninos querem nova chance. Eu também. Já estamos treinando para 2013. E pensando em reforços. Vampeta, por exemplo, que agora trabalha comigo na Pan e, ficará na Gazeta também, por uns três meses. E se tiver pênalti vou bater de novo. A menos que o goleiro seja o Márcio de Castro. Aí talvez eu passe a vez para outro. Afinal, duvido que o Barbosa, mesmo que tivesse chance, gostaria de jogar contra o Gigghia outra vez.
Veja a reportagem da TV Gazeta
Confira o site da Copa Imprensa

Foto: Site Copa Imprensa


