Olimpíadas

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Vão começar os Jogos Olímpicos. Para quem gosta de esportes é uma maravilha. Imagino que sintam o mesmo que eu, quando estamos em Copa do Mundo. Não sou assim. Eu sou futeboleiro, apenas. Respeito os esforçados atletas, que lutam contra tantas adversidades, ainda mais num país como nosso, onde jorra dinheiro para o esporte, mas pouquíssimo chega ao praticante. Não me agrada a idéia de levar delegações enormes, mesmo sabendo que virão poucas medalhas e que essa ladainha será sempre a mesma, sem que se sinta alguma evolução. No entanto, a CBF levou um avião de cartolas, do pior nível possível, gastando um caminhão de dinheiro, para tê-los nas mãos nos próximos anos. E eles aceitaram de bom grado. Estão nesses cargos para fazer isso mesmo, ou seja, respaldar os esquemões da CBF. O modelo João Havelange não mudou, mesmo com a saída da “sua mais completa tradução”, que era o Ricardo Teixeira. Ressucitaram o Marin e tudo segue como antes, o que significa que, está muito bom para eles, mesmo que os clubes estejam com dinheiro contado, quando não fica faltando. Mas, voltando aos outros esportes, acho muito engraçado ficar ouvindo comentários sobre os Jogos. Muita gente conhece mesmo, porém, alguns partem para o “seja lá o que Deus quiser”. Entram na onda e na moda. Não vou assistir nada, que não seja o futebol masculino e não vou dar palpites no que não sigo no dia a dia. Deixo para quem efetivamente sabe e aqui nos nossos blogs tem muita gente especialista nas mais diversas áreas. Para mim será legal fazer uma projeção do Mundial 2014, já que alguns meninos, que estarão nos gramados olímpicos, virão a Copa do Brasil. Para mim, não faz a menor diferença ganhar ou perder a medalha de ouro. Analisarei se o time de Mano Menezes evoluiu ou não. É o que basta para o meu gosto. Espero que muita gente assista e que alguns jovens se animem a praticarem os mais diversos esportes, mesmo sabendo de todos os sofrimentos que terão, por terem nascido no país errado. No meu tempo de Estadual da Penha,nos anos 70, eu era obrigado a pelo menos tentar praticar todos os esportes, antes de escolher o que gostava. Hoje nem aula de Educação Física tem. Gostava de corrida e futebol. Corrida para praticar e futebol para viver, já que não tenho a menos competencia para jogar, nem nas peladas. Para os que apreciam, e tenho vários amigos que se incluem nisso, aproveitem. Sei a emoção que sinto nos Mundiais. Eu, porém, não falo na hora do arroz com feijão e não falarei do banquete. Minha praia é apenas o futebol e está bom demais.

Proeza da CBF

AFP

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Tem que fazer muita força, mas a CBF conseguiu ter um Flamengo e Corinthians com apenas 13 mil torcedores. Pela maneira como as pessoas são tratadas nos estádios, acho correta a ausencia de pessoas e defendo essa postura, que demonstra cidadania. Porém, está cheio de torcedor que não se respeita e topa qualquer parada. Porém, tudo tem limite. Programar um jogo desse porte, para uma quarta feira, as 10 da noite, em Engenho de Dentro é pedir para as pessoas ficarem, mesmo, em casa. Até aqueles, que aceitam qualquer coisa, ficaram reticentes e preferiram não ir. As duas maiores torcidas do Brasil cansaram de levar mais de 100 mil pessoas no Maracanã e Morumbi, nos anos 60, 70 e 80. A esculhambação já existia, porém, a violencia não era tão latente como hoje. Uniformizados eram tratados como qualquer pessoa e quando fugiam da regra o bicho pegava. Hoje eles são donos dos campos, fazem o que querem e espalham terror. Os horários são feitos para as televisões, e entendo o lado delas, que pagam boa parte da conta, mas os grandes jogos eram montados para o público dos estádios. Isso ficou para trás, faz tempo. E não melhora nunca. Com a mudança do perfil do brasileiro, o grau de exigencia tende a crescer, no entanto o futebol não acompanha isso, em nada. Cada vez menos bons consumidores comparecem, trocando a arquibancada pelo sofá, ou pior, por outras atrações, que as grandes cidades oferecem. A mudança de hábito gera outro costume e outros gostos. Não há mais tanto garoto indo com o pai para ver futebol, a não ser os alienados, que não sabem os riscos inerentes a tal ato. E aí quando um grande jogo pode fazer o torcedor comum assumir o risco e resolver comparecer,apesar dos pesares, cria-se o problema extra e aí insolúvel, da quarta as 10 da noite em Engenho de Dentro. Uma proeza. Tem que ser muito incapaz para conseguir esvaziar uma partida como Flamengo e Corinthians.

Incompetência Crônica

 

Incrível como os cartolas brasileiros conseguem estragar qualquer grande, ou mesmo pequeno, evento de futebol. A final da Libertadores foi maravilhosa, pela televisão. Quem foi ao estádio do Pacaembú, inclusive profissionais da imprensa argentina e brasileira, sofreu humilhações, constrangimentos e as piores dificuldades, que se possa imaginar, a ponto de jornalistas da Argentina terem vindo para cobertura e assistirem ao jogo num telão próximo aos vestiários. Como sempre a comida muito ruim, os vergonhosos banheiros químicos e ninguém podendo se mexer direito. A vitória corintiana atenuou tudo isso e foi com se nada tivesse acontecido. No dia seguinte veio a primeira final da Copa do Brasil. Palmeiras e Coritiba em Barueri. Ali teve tudo de ruim. Não dava para chegar ao estádio, as vagas de estacionamento, pelo menos lá tem, super faturadas e briga com a polícia, além de depredação de carros da imprensa,do goleiro Marcos, acreditem, e do presidente Arnaldo Tirone. A vitória palmeirense foi acompanhada por torcedores ensaguentados, reclamando da polícia, que reclamava do comportamento vândalo deles, que  teria obrigado a polícia a agir com firmeza. Tudo errado. Uma zona. Na sexta feira, o que mais se ouvia, era o erro de se fazerem  jogos, desse porte, em estádios menores, enquanto o Morumbi ficava vazio. No domingo o São Paulo jogou contra o time reserva do Coritiba. No campo cabem, em tese, 60 mil pessoas.Foram 22 mil. Por incrível que pareça, o São Paulo não teve capacidade de acomodar um terço dessa lotação. Muitos só entraram para ver o segundo tempo, algo que quase sempre ocorre no estádio tricolor. As filas foram enomes e o torcedor destratado, da mesma forma que nos jogos do Corinthians e do Palmeiras. Só não houve problemas maiores, porque o jogo era pequeno. Fica claro, que se as duas partidas importantes tivesse sido lá, o caos seria o mesmo ou talvez maior, já que envolveria, também, um número maior de pessoas. Aliás, isso já ocorreu no Morumbi inúmeras vezes, com quebradeira,briga com policiais e todo tipo de desrespeito e desconforto. É uma incompetência crônica.Ou falta de consideração com quem paga. O pior é que os torcedores não se respeitam. Eles insistem em voltar. Falta cidadania aos brasileiros e os espertalhões tiram proveito disso, fazendo tudo de qualquer jeito e sempre dando um jeitinho de cobrar os ingressos mais caros, via cambistas. Não tem jeito. Quando o consumidor não reclama, nada sai do lugar. Há um misto incompetência, com boa dose de esperteza da cartolagem.E tontos, que aceitam qualquer coisa, como se não tivessem direito sequer a respeito humano, apesar do dinheiro que gastam, mantendo o futebol.

Procurando más energias

A notícia veio bombástica. Hernan Barcos, um dos melhores jogadores do Palmeiras, teve uma crise de apendicite, será operado e está fora das finais da Copa do Brasil.

Impressionante o que acontece com esse histórico clube. São azares. Mas, esse tipo de situação, muitas vezes é gerada dentro do próprio time.

Às vésperas da decisão, o presidente Arnaldo Tirone e o conselheiro Gilton Avalone trocaram tapas. Não sei quem tem razão, porém boa coisa é que não traz. No entanto, pior do que isso foi a atitude, pequena, contra o querido Valdir Joaquim de Morais. Nome histórico no nosso futebol, especialmente no próprio alviverde, onde participou da Academia e criou a profissão de treinador de goleiros.

Não sei exatamente quantos anos Valdir de Morais trabalhou no Palmeiras. São muitas décadas. Esse homem, um dos melhores caráteres do mundo da bola, foi demitido, sumariamente do dia para a noite, sem maiores explicações. E o mais grave, sem a menor consideração. Nem sequer foi recebido por diretores ou pelo presidente, que ele conhecia desde criança. Simplesmente foi chamado pelo Departamento Jurídico e comunicado que estava fora.

Valdir tem 81 anos, é muito inteligente, está bastante lúcido e só joga a favor. Ficou chocado com o menosprezo, com a desconsideração e voltou para sua Porto Alegre, muito decepcionado. Nem creio que ele precise de dinheiro. No entanto, necessita trabalhar, passar seus importantes conhecimentos aos mais jovens, até mesmo o presidente do clube, que vive pisando na bola em entrevistas e atitudes.

A ingratidão dói demais. E o coração do grande Valdir está doído. Ele continua amando o Palmeiras e desejando o melhor.

Só que essas atitudes pequenas geram maus fluídos. Talvez por essa razão a bola bata na trave e não entre. Ou a apendicite do Barcos venha num momento tão impróprio. Mas nosso planeta é assim mesmo. Você atrai as energias positivas ou negativas pelas suas próprias posturas. E os homens do Palmeiras insistem em procurar coisas ruins para eles e para a agremiação.

Título mordido

Foto Fernando Dantas/Gazeta PressNão é brilhante esse campeão da América, o Corinthians. Mas, é um time. Um conjunto montado com paciência, com tranquilidade, com inteligência. Não era fácil, a princípio, identificar o estilo Corinthians, numa equipe pragmática, calma e até fria, em alguns momentos. Não foram poucos os momentos de crítica ao treinador Tite. Porém, o respaldo da diretoria e a convicção de que se trabalhava corretamente, fez com que o caminhada seguisse, até chegar ao momento mágico do título contra o Boca Juniors. Um título invicto e contra um grande papão de brasileiros. Não poderia ser melhor. E jogar no Pacaembú, outra mostra de personalidade, abdicando do Morumbi, deu um prazer ainda maior aos torcedores. O, antes, bagunçado Corinthians, mudou. Hoje ganha mais dinheiro que os outros, dita as normas no futebol e , dentro da normalidade, repetirá muitas vezes a noite gloriosa da conquista dessa primeira Libertadores. Teve de tudo. De talismã, Romarinho, ao “malandro” Emerson, que fez com os argentinos, tudo aquilo, que eles estão acostumados a fazer, em finais, com brasileiros. A mordida na mão do zagueiro Caruzzo, que quase endoidou com ele, simbolizou a maneira como esse grupo vinha encarando a competição. Tinha que ser dessa vez. Nem que fosse a dentadas.

Organização Bostera

Fui a La Bombonera. Não gosto dos estádios brasileiros, desorganizados, sujos, destruturados, inseguros, enfim, tudo que já falei tantas vezes. Como aprecio muito Buenos Aires, porque não ir a uma final histórica como Boca e Corinthians?. Mas, Buenos Aires estava diferente. Era corintiano para todo lado. Aos poucos, deixei de lado os passeios, para viver o jogo e conversar com torcedores. E foi estarrecedor. Primeiro o hotel do Corinthians, um cinco estrelas de muito luxo, tomado por bandos de fanáticos, no saguão e lá fora, desesperados por um ingresso. Os seguranças autorizavam a entrada ou não, pela cara da pessoa. Não havia esquema pré estabelecido, fazendo com que, um monte de bicos, circulasse livremente, inclusive na estrevista coletiva de Tite. E começaram a surgir as histórias. Alguns conseguiram ingressos com os cartolas do próprio Corinthians na base da sorte (a bem da verdade, não vi nenhum conselheiro falando em cobrar pelos bilhetes.Quem conseguia um bloco, distribuia aos sortudos do momento). Quem não conseguiu partiu para o desespero. Num hotel, ao lado, o gerente negociava por 550 dólares. Dizia que eram de jogadores do Boca. Alguns compraram um, numa vaquinha, e tiraram cópias grosseiras. O motivo disso era passar pelas barreiras da polícia. Uma vez na porta, com o ingresso não sendo aceito na catraca, eles iam ficando ao lado, esperando um número razoável. E aí fazia o “cavalo louco”, ou seja entravam em blocos e na marra. Outros esperaram o jogo começar e fizeram acertos com porteiros, pagando entre 100 e 200 reais, pela abertura da porta. Assim, o espaço de dois mil lugares foi usado por mais de quatro mil. Ninguém conseguia sentar. Foram horas em pé, sem água, sem banheiro por perto e, o pior, sem conseguir enxergar a trave, exatamente do lado onde saiu o gol de Romarinho. Os gritos de gol, vieram imitando aqueles, que estavam nas primeiras fileiras, porque os de trás não puderam ver a bola entrar. Para chegar ao terceiro andar, de La Bombonera, os corintianos tiveram que subir perto de trezentos degraus. Um cadeirante foi levado no braço pelos amigos, porém, não pode assistir a partida, com todo mundo em pé, na frente dele. Quando tudo terminou a luta foi para sair do estádio. E foi um tal de andar a pé, de madrugada, numa região perigossíma, em bandos, para evitar assaltos ou coisas piores. Os privilegiados, que foram com uma excursão oficial, tinham, pelo menos, um onibus à porta. A empresa não falhou em nada, porém, cobrou um preço absurdo, mais de quatro vezes o valor normal de um pacote à capital portenha. Quanto ao ítem hospedagem, vi grupos de uniformizadas embolados nos hostess de San Telmo. Hospedarias decadentes devem ter recebido até dez pessoas num único quarto, de precárias condições. O Corinthians trouxe um bom resultado e esses desrepeitos foram contados como aventuras de torcedores. Mas, aí vale perguntar. E se perder no final? Qual será a reação dessa gente?. O pessoal do Boca está chegando e não se espera coisa melhor por aqui. O Pacaembú também não oferece grandes condições e tem até a baixaria de banheiro químico. Agora os argentinos é que padecem o diabo para verem seu time. Tudo isso porque não há interesse em se organizar. A Conmebol é nojenta. Não respeita nada e ninguém. Pode ser que sejam apenas incompetentes, mas me permito acreditar que goste desse caos, pois assim, não há controle de nada dentro da entidade e durante os jogos. Seria ótimo se a Libertadores passasse a ser organizada pelos europeus, ou asiáticos ou mesmo norte americanos. Essas duas finais, fora de Argentina e Brasil, dariam decência as partidas, tudo seria feito como se deve e o torcedor seria tratado como consumidor. Mas, isso é um sonho tolo. Os nicolas leoz da vida, só pensam neles, apequenando cada vez mais o futebol, desse lado do mundo. O apelido do Boca é bostero. O que ocorreu no primeiro jogo, justificou plenamente o apelido. E aqui no Pacaembú, fiquem certos, de que não se fará nada diferente. Valerá o mesmo apelido.