Não consegui entender como os clubes aceitaram, tão passivamente, a mudança de poder na CBF, que na realidade não mudou nada. Afinal, saiu Ricardo Teixeira e entrou José Maria Marin/Marco Pollo Del Nero. Mudou o que? Nem o estilo. Ricardo Teixeira não deveria ter conseguido o espaço que teve, porém, vamos admitir, depois de um certo tempo, voce perde o controle de uma situação, que perdura por muitos anos. Mas, quando entrou Marin, que ninguém sabia onde andava e só voltou às manchetes depois do caso da medalha na final da Taça São Paulo, era o momento certo para os clubes darem um bom bico nos fundilhos da CBF, que não serve para nada, a não ser explorar os clubes. Num movimento só, poderiam ainda acabar com as federações estaduais, da mesma forma párias, ricas, embora não tenham times, clubes, ou jogadores para pagar. Usam os dinheiro dos times para subjugá-los, através de empréstimos, que lhe garantem força, na hora de eternas reeleições. Esperava uma liga de clubes. Todos os países evoluídos no futebol são regidos por ligas. Não há razão para ter-se intermediários, que nada lhe acrescentam. Mas o discursinho vazio dos primeiros cartolas que ouvi, tirou-me a esperança de evolução no nosso principal esporte. Com a desculpa da Copa do Mundo por aqui em 2014, resolveram adiar a idéia para o pós-Mundial. Que raio tem uma coisa com a outra? Os clubes, os campeonatos, não tem qualquer atuação ou envolvimento na organização do evento. Estranhei. Mas, o tempo sempre mostra a realidade. E ela veio através de um projeto, arquitetado na CBF e coordenado pelo dirigente da FPF, o deputado Vicente Candido, que visa um perdão generalizado das dívidas do clubes brasileiros. O valor total passa de 5 bilhões de reais. Primeiro tentou-se a Time Mania. Com o fracasso inventaram essa, agora. Teoricamente, o dinheiro devido, seria pago com apoio aos esportes olímpicos. Cascata do mesmo porte da liberação de áreas públicas, em diversas cidades, para clubes de futebol, em troca de abertura de espaço para as comunidades carentes. É lógico, que isso não ocorre, como não haverá qualquer apoio olímpico a ninguém. Se alguém de uma comunidade próxima aos tais CTs, feitos nessas áreas públicas, se aproximar do local, será enxotado por seguranças mal encarados. Ninguém controla nada e ninguém saberá como foi investido o dinheiro das dívidas. E elas vieram, quase sempre, de maus investimentos, em grande parte por má fé. Está cheio de cartola rico, às custas do futebol. Roubo puro. O dinheiro sonegado ao FGTS, foi, muitas vezes,descontado dos funcionários. E rarissímos ladrões dessa espécie, forrada deles, prestaram contas ou foram parar na cadeia. E essa gente vai ter perdão. Tente voce, caro leitor, dever qualquer coisinha ao governo e o mundo cairá na sua cabeça, mesmo voce sendo um trabalhador e pessoa séria. Por essa razão os clubes aceitaram, calados, o continuísmo de Ricardo Teixeira, com outras caras no lugar. Querem esse perdão. Só a presidenta Dilma poderá evitar essa vergonha. Confio nela e espero continuar confiando. Tomara que eu não me frustre.
setembro 13, 2012 – 12:32 am
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Apresentador do programa Mesa Redonda.
Comentarista do programa Gazeta Esportiva e da Rádio Jovem Pan.
Profissional desde 1974, tendo iniciado a carreira jornalística na TV Gazeta, com passagens pelas TVs Record, Bandeirantes e Cultura.
Está de volta à TV Gazeta desde 2003.
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