A ESPN Brasil está fazendo um belo trabalho mostrando como funciona o Chelsea, o que pensa seu torcedor e o momento difícil pelo qual passa o time inglês, eliminado precocemente da Champions League. E conversando, aleatoriamente, com pessoas da região, a pergunta girou em termos de Corinthians. E as respostas foram unanimes. Ninguém tem a menor ideia de nada sobre o time, que pode ser adversário do próprio Chelsea, dia 16, no Japão. Não há o menor traço de soberba. Ao ouvir o nome Paulinho, o rosto de um rapaz com a camisa do clube da Inglaterra denotou surpresa. Um arriscou perguntar se era o time do Neymar e sobre o Mundial de clubes, ninguém demonstrava preocupação, ainda, já que há problemas maiores a serem resolvidos, como o futebol fraco e a crise, que já envolve o recém-contratado técnico Rafa Benitez. Como pode uma equipe do porte e importância do Corinthians ser ignorada na Inglaterra? E isso se aplica a praticamente todos os times brasileiros. Já quando o tema é Seleção, o respeito fica evidente, em qualquer lugar. Algo está errado nisso. Em toda parte os clubes são mais importantes do que as federações e confederações. Aqui não. Há anos os times não podem excursionar, o marketing não é agressivo e os nossos campeonatos só passam nos grandes centros em horários ruins, além da baixa qualidade do que se mostra nos primeiros meses de todos os anos, com os arcaicos torneios regionais. A CBF monopolizou os craques. Neymar, nossa maior estrela, jogou três vezes mais pela Seleção em 2012, do que pelo Santos, que lhe paga com bastante sacrifício, um salário alto, merecido, porém para que a CBF o utilize bem mais do que o próprio pagador. É no voleibol as coisas funcionam assim. Nossas Seleções, feminina e masculina, são decantadas em todo lugar, pelo brilho que redundou em várias medalhas olímpicas. Porém, nem internamente, conhecemos os clubes que disputam as competições internas e pagam os atletas. Não fosse o grande amor do povo brasileiro pelo futebol, nossos times também não seriam lembrados, como ocorre com as outras modalidades. Os cartolas usam as Seleções, sem custo e com abundância e não se preocupam com as agremiações. Enquanto lá fora as seleções nacionais ficam em segundo plano, no Brasil o processo está inverso. Lá, cada mais se internacionalizam as marcas dos clubes. No Brasil as equipes pensam pequeno. Ninguém torce só para a Seleção, mas ela segue valorizada no exterior, enquanto os clubes são cada vez mais regionais. Por que isso? Espero ver quem banca o futebol valendo cada dia mais. Porém, o que assistimos a todo momento é um número maior de jovens brasileiros vestindo, orgulhosamente, camisas de times europeus.
dezembro 6, 2012 – 12:45 am
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Apresentador do programa Mesa Redonda.
Comentarista do programa Gazeta Esportiva e da Rádio Jovem Pan.
Profissional desde 1974, tendo iniciado a carreira jornalística na TV Gazeta, com passagens pelas TVs Record, Bandeirantes e Cultura.
Está de volta à TV Gazeta desde 2003.
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