A delícia do gol roubado

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

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O futebol sempre viveu de polêmicas. A única coisa que concordo com o João Havelange é que o brilho do futebol se deve, muito, aos erros de arbitragem. E eles passam para a história mais, as vezes, do que dribles bonitos ou momentos de criatividade. Quem não lembra do “gol de mão” do Leivinha na final do Paulista de 1972. Ou da expulsão do Rui Rei em 1977 e não expulsão do Edmundo em 1993. Tem ainda o Garrincha disputando final de Copa do Mundo, depois de ser expulso na semi final, ou o gol de Maradona de mão contra os ingleses. Ingleses que não tiveram pudor de comemorar o gol, que não entrou, contra a Alemanha Ocidental em 1966, tomando o troco na Africa do Sul, frente aos próprios alemães. É o gol “roubado”, é o erro que dá raiva ao penalizado, porém traz um prazer imenso ao beneficiado. Já vivi os dois lados. Já xinguei mãe de juiz e já gargalhei vendo o rival duas vezes irado. Uma pela derrota em si e outra porque a regra não foi cumprida e contra o time dele. O penalti a favor da Ponte Preta no jogo contra o Corinthians na quarta a tarde, para mim, não existiu. Espero que não tenha existido mesmo. O que teve de corintiano resmungando, não tem dinheiro que pague. O jogo não valia grande coisa. Na verdade nem o campeonato paulista vale. Porém, valeram várias brincadeiras, urros, broncas e gozações. Ganhar é muito bom. “Roubado”, então, nem se fala. Nesse momento de bom mocismo no Brasil, sei que muitos não vão gostar dessa opinião.  Sugiro que joguem e acompanhem, mais amiúde, golfe.

Felipão dentro do esperado

Foto: AFP

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A primeira convocação do Felipão mostrou a tendência que esperávamos. A seleção ficou mais velha na média de idade, ou em outras palavras, deu-se mais respaldo aos craques Neymar, Oscar e Lucas.  Luiz Fabiano, Fred, Julio Cesar, Hernanes, Ronaldinho Gaucho entre outros, ajudarão aos meninos, que podem fazer a diferença, para que o Brasil tenha alguma chance na Copa de 2014.

Aí não é questão de melhor ou pior é aproveitar a rodagem que eles adquiriram. E nenhum deixou de merecer, em algum momento de 2012, uma oportunidade. Ou seja, dos 20 nomes chamados, 17 já tinham passado pelo Mano Menezes na sua imensa lista de convocados. Talvez em momentos diferentes. Felipão apostou em uni-los para ver o que acontece. Pode dar certo.

Quanto a Filipe Luis , Dante e a volta de Miranda, concordo plenamente.  Todos estão muito bem e acostumados a enfrentar os ingleses, adversários do próximo dia 6.

Rogério Ceni, Maguila e Kaká

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Rogério Ceni faz 40 anos nessa terça feira. Deveria receber como prêmio a convocação para a seleção brasileira, já que será o dia da primeira chamada de Felipão. Não há nenhum melhor do que ele, menos ainda com a experiência acumulada. Eu não teria dúvida em chamá-lo.

Adilson Maguila está internado vítima do terrível Mal de Alzheimer. Lamento muito. Vivi o auge do Maguila na TV Bamdeirantes. Ele sempre deu grandes entrevistas e é um cara especial. Lembro do casamento dele com a Irani, que agora está lhe dando grande força. Foi num sítio em Mogi das Cruzes numa festa linda. Maguila trouxe respeitabilidade ao boxe com seu enorme carisma. E grandes audiências em suas lutas. Não era fora de série, porém cumpriu bem seu papel. Pena.

Kaká está voltando ao Milan. Lembro de um ditado da minha avó que “não se deve voltar aos lugares onde se foi feliz”. Kaká conseguiu tudo com a camisa do Milan e nada em Madrid. Baixou bastante o salário para retornar a Itália. O Milan não é o mesmo de antes, no entanto ele perde pouco deixando o time de Mourinho,  onde nunca rendeu o esperado. Chega como salvador a Milão. Não sei se conseguirá. De qualquer forma precisava fazer algo. Não dava para continuar como méra terceira opção,  mesmo no grande Real.

Neymar ou Penapolense ?

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

A boa estreia no Campeonato Paulista trouxe um certo destaque ao Penapolense. O presidente Nilso, assim mesmo, sem o n final, Moreira deu uma entrevista horas depois, falando do clube

Primeiro explicou que o público nunca será maior do que os pouco mais de 2 mil que estiveram no jogo contra o Ituano. Justificou que o preço mínimo, $ 40,00, é caro demais para a região. Garantiu que tem jogadores próprios, só faz convênio com outros clubes, não empresários, além de não ter projeto exato para o segundo semestre.

Fundado a 68 anos vive seu maior momento, com acessos rápidos na A3, em 2011 e na A2, no ano passado. O custo anual do Penapolense é de pouco menos de 5 milhões de reais. A comparação é inevitável. Esse é o mais ou menos o ganho mensal de Neymar. Penapolis não depende do futebol. Seus 58 mil habitantes vivem  da indústria canavieira, da pecuária, das lavouras de café e o estilo de vida é diferente.

Lá não tem show do Elton John, não há baladas estilo Nova Iorque, nem a violência das grandes cidades. É outro mundo. E de repente, Penapolense e Neymar estão no mesmo caminho. Durante 19 rodadas veremos Alexandre Pato e Linense, Rogério Ceni e Ituano, Barcos e Barbarense. Coisas muito desiguais. A falta de profissionalismo é latente. Quando não havia campeonato brasileiro as lutas regionais se justificavam. Hoje são saudades, como as ruas sem asfalto, as tvs preto e branco e os papos de vizinhos nas esquinas.

O mundo mudou. Alguns entendem que para melhor e outros para pior. Só o futebol brasileiro não se deu conta disso e insiste nos regionais. Coisas do passado, que atualmente só atrasam o nosso futebol. As pré-temporadas são atropeladas, os verdadeiros craques se desgastam e os clubes pequenos não saem do lugar, faz tempo. Se as federações querem insistir nesse esquema ultrapassado, que subsidiem os pequenos. O interior teve equipes de excelencia em vários esportes. A pequena Sertãozinho era o máximo em hoquéi, lembram? E as ”seleções” de basquete masculino de Franca e Sorocaba, além do fantástica Ponte Preta, campeã mundial  no feminino? Mas, havia muito dinheiro por trás. Sem dinheiro não se faz esporte de nível elevado.

As federações são riquíssimas com a grana dos clubes. Emprestam o dinheiro, conseguido através deles mesmos, cobrando juros e dependencia dos verdadeiros donos do capital. Então que se distribua o dinheiro, que se dê chance de algum equilibrio. Mas, já que não é assim, então precisamos preservar os neymars e acabar com esse tipo de competição. Ou você, internauta, acha que devemos virar todos penapolenses?

Hora das Federações

Vivi grandes emoções em campeonatos paulistas. Ferroviária, Botafogo, América, minha Ponte Preta, o Guarani, XV de Piracicaba, enfim um monte de times que dava gosto ver atuar. O Botafogo do Sócrates, a Ponte do Dicá, o Guarani do Zenon, a Ferroviária do Dudu e sei lá quantos craques mais. Eram anos de brilho. Mas, o tempo passou. Veio o Campeonato Brasileiro a partir de 1971. No meio dos anos 80, já não era mais a mesma coisa, no entanto ainda tinha alguma emoção. Nos últimos tempos  porém, acabou o sentido. Em São Paulo, Eduardo Farah destroçou o interior, junto com presidentes irresponsáveis, que só pensavam neles. Marco Polo deu sequencia perfeita a destruição. Os regionais hoje, em especial o de São Paulo, só servem para angariar poderes aos presidentes. Os votos de cabrestos são acertados examente com eles. Os clubes do interior, na maioria, são entregues a empresários de jogadores, que usam a vitrine das camisas tradicionais. Não há revelações e se elas vierem, a grana das negociações não retornará aos clubes. Ou seja, eles continuarão exatamente como estavam, situação comoda para a federação. E os grandes são usados. Não conseguem boas pré temporadas, não podem viajar e ainda cedem seus produtos caros, para dar rendas aos  menores, que, como já explicado, não sairão do lugar. Ou seja, começam os regionais e só será bom para as federações, especialmente a de Marco Polo Del Nero, padrinho, de patrocínio,  de um monte deles. Tecnicamente não devemos esperar nada. No entanto, os votos futuros estarão garantidos, para os donos do poder.

Vitor Andrade

Ricardo Saibun/Santos FC

Ricardo Saibun/Santos FC

Nunca conversei com o Vitor Andrade, mas ouço falarem muito mal dele. Dizem que é chato, mascarado, folgado, etc. Conheci o pai dele na inauguração da quadra do Neymar em São Paulo. Vi um pessoa entusiasmada com o filho, sonhadora, humilde e que sofre quando ouve esse tipo de coisa. O rapaz tem pouquíssima idade. Jogaram muitas coisas nas costas dele. Essa é uma fase da vida no futebol onde um erro pode ser fatal. Muita gente boa ficou pelo caminho e outros com menos talento chegaram longe. Todo mundo precisa ter limites. E eles devem vir dos patrões e familiares. Nenhum garoto de 16 anos é de trato fácil. Imaginem badalado por todos. Hoje as escolas não impõe disciplina, os empresários são babões e os pais, que deveriam ser os ídolos dos filhos, invertem esse processo. Muito material humano pode se perder com essa estrutra. Mais ainda no futebol, onde o herói vira vilão do dia para noite. Ou aparece outro tão bom, ou melhor, como se viesse do nada.

Quando a vida judia

Djalma Vassão/Gazeta Press

Djalma Vassão/Gazeta Press

Sonhar é o melhor da vida. Boa parte dos brasileiros sonha com o futebol pelo prazer, pelo amor, mas principalmente para tirar a família das privações. Adilson era apenas mais um desses sonhadores. Nunca foi um grande jogador, porém aprendeu uma arte, misto de sorte e gana, que é fazer gols. Grandão, veloz, chamou a atenção nos times do interior, primeiro no Noroeste e depois no XV de Piracicaba. Quando ficou sabendo do interesse do Corinthians, deve ter perdido o folego. Equivale a um pico de carreira, que pouquíssimo conseguem e os felizardos, normalmente, mudam seus patamares de vida para sempre. Há seis meses Adilson chegou cheio de sonhos no Corinthians. Deu até coletiva e chegou a atuar em algumas partidas. Os familiares estavam em extase. Até parentes e amigos distantes faziam questão de dizer que, um dia, conviveram com aquele rapaz. A conta bancária, ufa, deu uma trégua e os sonhos começavam a virar realidade. Mas, não ficou assim. A passagem meteórica pelo Corinthians  faz com que muitos nem lembrem dele. No Ceará também não conseguiu se firmar. Afinal o que estava acontecendo? E aí veio a notícia cruel. O coração de Adilson tem um problema. A princípio ele está afastado por alguns meses. Talvez volte, talvez não. Os projetos foram arquivados, os amigos voltaram a ser raros e ninguém aponta para ele quando passa pela rua. Não deu tempo de fazer o pé de meia e a conta bancária, logo, logo, não será mais gentil. Adilson é jovem tem todo tempo do mundo pela frente. No entanto, para fazer o que ? Ele foi preparado para jogar futebol, chegou ao Corinthians, quase foi campeão do mundo, deu entrevistas, apareceu nas televisões. Como começar tudo outra vez? O diagnóstico definitivo virá em alguns meses. Meses de insonia, de medo, de reclusão. As vezes a vida judia. Tudo poderia ter sido mais simples. Bastava não ter dom para bola, não passar nos testes e não fazer gols pelo interior afora. Ele não teria pisado o Pacaembú e não teria sentido o encantamento da camisa corintiana. Agora é tarde. Ele já viveu tudo isso. Como ser outra vez uma pessoa comum ? Como fingir que tudo não foi um conto de fadas? Como ser um pacato cidadão do interior, depois de ter vivido tantas emoções na cidade grande?

Andrés X Marco Polo

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

A guerra já foi declarada. Andrés Sanchez fala abertamente que será candidato a eleição da CBF em 2014. Marco Polo Del Nero, o braço direito de José Maria Marin, na verdade o presidente de fato, articula para não perder a boquinha, que lhe vale prestígio para ter tentáculos de dar inveja a Ricardo Teixeira, com cargos em tudo quanto é confederação do mundo da bola. Quando Marin e Marco Polo contrataram Felipão a revelia do então diretor de seleções, Andrés Sanchez, ele se viu obrigado a sair e partir para o ataque. Andrés tem amplas ligações com os figurões do PT, especialmente o ex presidente Lula. Marco Polo usa os cargos com habilidade. Enquanto Andrés articulou com canais do partido facilidades nas obras do Itaquerão, Arena Palestra e cobertura do Morumbi, cooptando Palmeiras e São Paulo para o seu lado, Marco Polo conseguiu patrocinador para todos os campeonatinhos regionais, inclusive de federações insignificantes, se bem que para mim todas são. Marco Polo adoça a boca das federações. Andrés tenta trazer os clubes. Se ficar assim Marco Polo vai levar vantagem, pois,  as federações tem mais votos do que os clubes. Porém, pode surgir aí o mundo ideal, que seria a liga de clubes. Com a liga, federações e confederação seriam organizações decorativas e os clubes passariam a usar suas forças para eles mesmos e não, como agora, para intermediários indevidos. A guerra promete e poderá ter capítulos emocionantes até mesmo envolvendo as vidas particulares dos dois candidatos. 2013 promete.

Na NBA

AFP

AFP

Sexta-feira de muito transito, lembrando Sampa. Finalmente fui convencido a ver de perto um jogo da NBA. Na verdade era a primeira vez em tudo. Nunca tinha parado para assistir integralmente uma partida do basquete americano. Cheguei em cima da hora. Na bilheteria muito bem organizada, eu consegui um ingresso razoável. Entrei por uma escada rolante no meio dos torcedores, com as respectivas camisas, do New York e do Orlando. Tudo calmo. O clima lá dentro era efervescente. Festa, gritaria, danças e era apenas um jogo comum, nada de final. Mas o clima lembrava nossas finais. Jogo tenso, comemorações, mas cada um na sua. Um mais exaltado saiu algemado rapidinho. Fui ao banheiro no intervalo, enquanto um mágico se apresentava na quadra. Tudo impecável. Melhor que os dos nossos shoppings. E eram 20 mil pessoas circulando. Comida fácil em vários pontos, interação com o público em tempo integral e no final as duas torcidas saíram juntas deixando tudo livre em dez minutos. O banheiro seguia impecável e as lojistas vendiam de tudo. O estacionamento circulava bem e em poucos minutos eu estava num restaurante jantando. Não serei seguidor da NBA. Não sou conhecedor e sigo apaixonado pelo velho futebol. Porém vou cada vez cobrar mais dos nossos cartolas. Dá para receber bem as plateias e faturar muito com profissionalismo. Por que o nosso principal esporte precisa seguir tratando os consumidores como lixo?