Neymar ou Penapolense ?

Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

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A boa estreia no Campeonato Paulista trouxe um certo destaque ao Penapolense. O presidente Nilso, assim mesmo, sem o n final, Moreira deu uma entrevista horas depois, falando do clube

Primeiro explicou que o público nunca será maior do que os pouco mais de 2 mil que estiveram no jogo contra o Ituano. Justificou que o preço mínimo, $ 40,00, é caro demais para a região. Garantiu que tem jogadores próprios, só faz convênio com outros clubes, não empresários, além de não ter projeto exato para o segundo semestre.

Fundado a 68 anos vive seu maior momento, com acessos rápidos na A3, em 2011 e na A2, no ano passado. O custo anual do Penapolense é de pouco menos de 5 milhões de reais. A comparação é inevitável. Esse é o mais ou menos o ganho mensal de Neymar. Penapolis não depende do futebol. Seus 58 mil habitantes vivem  da indústria canavieira, da pecuária, das lavouras de café e o estilo de vida é diferente.

Lá não tem show do Elton John, não há baladas estilo Nova Iorque, nem a violência das grandes cidades. É outro mundo. E de repente, Penapolense e Neymar estão no mesmo caminho. Durante 19 rodadas veremos Alexandre Pato e Linense, Rogério Ceni e Ituano, Barcos e Barbarense. Coisas muito desiguais. A falta de profissionalismo é latente. Quando não havia campeonato brasileiro as lutas regionais se justificavam. Hoje são saudades, como as ruas sem asfalto, as tvs preto e branco e os papos de vizinhos nas esquinas.

O mundo mudou. Alguns entendem que para melhor e outros para pior. Só o futebol brasileiro não se deu conta disso e insiste nos regionais. Coisas do passado, que atualmente só atrasam o nosso futebol. As pré-temporadas são atropeladas, os verdadeiros craques se desgastam e os clubes pequenos não saem do lugar, faz tempo. Se as federações querem insistir nesse esquema ultrapassado, que subsidiem os pequenos. O interior teve equipes de excelencia em vários esportes. A pequena Sertãozinho era o máximo em hoquéi, lembram? E as ”seleções” de basquete masculino de Franca e Sorocaba, além do fantástica Ponte Preta, campeã mundial  no feminino? Mas, havia muito dinheiro por trás. Sem dinheiro não se faz esporte de nível elevado.

As federações são riquíssimas com a grana dos clubes. Emprestam o dinheiro, conseguido através deles mesmos, cobrando juros e dependencia dos verdadeiros donos do capital. Então que se distribua o dinheiro, que se dê chance de algum equilibrio. Mas, já que não é assim, então precisamos preservar os neymars e acabar com esse tipo de competição. Ou você, internauta, acha que devemos virar todos penapolenses?

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