Nunca entendi o que faz alguém querer ser árbitro de futebol. O cara vira suspeito, num esporte cheio de suspeitos, simplesmente pelo fato de que vai administrar uma partida. Quando entra, xingam-lhe a mãe. Para muitos ele só vai bem quando não percebem sua presença. E é julgado por todos, sendo que mais de 99%, não tem o menor conhecimento das regras, que regem o trabalho dele.
E não pode viver disso. Primeiro porque as taxas são baixas. Depois por depender do sorteio, também suspeito, que pode premiá-lo com muitos jogos, ou simplesmente, nenhum. Mesmo assim, ano após ano, bandos de jovens vão aos cursos de arbitragem atrás do “sonho”. E poucos conseguem. Os vencedores estarão condenados a abandonar família, amigos, trabalhos dos quais sobrevivem, dependendo da famigerada escala semanal. Enfim, cada um é cada um.
Rodrigo Braghetto foi vencendo etapas. E bem. Conseguiu montar uma empresa de eventos, ficou independente e imaginou que um dia estaria nas grandes decisões, mesmo no papel de “vilão”, como os juizes são vistos no futebol. E veio o sorteio para a final do Paulista. Era o que havia para o momento e ele ficou feliz. Horas depois estava vetado. Carlos Amarilla armou uma cilada para o Corinthians e alguns suspeitos de serem mandantes, são do próprio estado de São Paulo. Misturando coisas, ou pensando em desviar focos, a FPF criou um festival de mentiras envolvendo Braghetto e o jogo seguinte do prejudicado Corinthians.
Primeiro o chefe dos árbitros disse que não connhecia a empresa dele, prestadora de serviços, também a clubes de futebol. Depois alegou que o árbitro pedira para sair da escala. As mentiras duraram pouco, porém acabaram com o sossego e expectativas futuras dele, nessa profissão de faz de conta. Jantei com Braghetto no domingo, depois do Mesa Redonda. É um homem triste, com olheiras, desiludido. Vai seguir a vida, vai ser pai, vai se afastar da sujeira do futebol e não precisará frequentar mais os corredores obscuros da FPF.
Bom para ele. Mas, é difícil conviver com a injustiça. Sobreviver com seriedade durante 17 anos no futebol e sair assim, dói profundamente. Logo o sorriso de seu filho vai fazê-lo esquecer das corridas nos campos de futebol. O calor da família deixará de lado o vazio do costume dos últimos tempos. Hoje, porém, as noites têm sido duras, complicadas. A cabeça parece que não está no devido lugar. É da vida. A FPF, cujo presidente é advogado e presta serviços a clubes de futebol. A mesma Federação, que confiou cegamente em Edilson Pereira de Carvalho, achou que poderia julgá-lo, publicamente, como fez. Ele vai embora de cabeça erguida. Como homem de fato. Fará falta. Poucos são como ele, naquele sinistro prédio do futebol.







