Falando sério

Foto: Agência Brasil

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Longe da picaretagem que os clubes tentaram impor no final do ano passado, a Medida Provisória para o futebol, que a presidente Dilma está assinando, poderá ajudar a começar a colocar as coisas em ordem no nosso futebol.

O que os clubes queriam era pegar um montão de dinheiro do governo, fazer de conta que estavam fiscalizando e, em pouco tempo, novas dívidas monstruosas viriam e muitos bolsos de cartolas estariam forrados de grana. Felizmente o pessoal do Bom Senso FC entrou na parada e ajudou, com outro grupo de pessoas, que querem falar sério, na elaboração da MP, que entra em vigor agora.

O dinheiro será liberado em até 20 anos. Isso não tem jeito, porque os clubes estão quebrados por anos de roubos e desmandos. Mas serão criados dois órgãos fiscalizadores. O da CBF, que terá a presença até de atletas e não o ridículo esquema de hoje, onde querem que os jogadores denunciem seus patrões e fiquem expostos à ira das torcidas. E um segundo, montado pelo Ministério dos Esportes, já que a CBF não é confiável, mesmo com pessoas de fora em seus grupos de trabalho.

Os beneficiários dos empréstimos, terão que prestar contas mensais de quitação de débitos com jogadores e funcionários e não poderão aumentar as dívidas, já existentes, em mais de 20 por cento. Caso não façam isso podem ser multados, terem o refinanciamento cancelado e até mesmo serem rebaixados, no ano seguinte, para evitar que se mude o aspecto técnico da competição por problemas extra campo.

Ou seja, não cumpriu direto em 2015, cai em 2017. Isso tudo ainda será detalhado e algumas alterações poderão ocorrer. Porém, de modo geral o dinheiro será liberado, mas haverá cobrança séria das administrações das equipes beneficiadas. Há ainda a ideia de não se permitir mais de uma reeleição, valendo inclusive para a CBF.

A MP entra em vigor imediatamente, mas terá que passar depois pelo Senado e Câmara, onde tem gente remunerada pela CBF, que poderá criar dificuldades, a tristemente famosa Bancada da Bola, a mesma que propôs o projeto anterior, vetado pela presidente. Começa-se a falar sério no futebol brasileiro. Ainda há muito caminho pela frente, no entanto, num momento que cobramos um país passado a limpo, essa MP é uma boa notícia para o nosso esporte.

Imediatismo no futebol brasileiro

AFP

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Meu amigo Betão, ex Corinthians e que esteve na Ponte Preta, recentemente, voltou ao futebol europeu. Ele está na Ucrânia jogando pelo Dínamo de Kiev. De vez em quando trocamos idéias e recebi dele um texto, que compartilho com vocês. Fala, Betão:
Jogando praticamente 5 anos no “Velho Continente” e vendo de perto como as coisas caminham por aqui e acompanhando o futebol brasileiro “de fora”,  é inevitável a comparação do nosso futebol, com o futebol praticado na Europa em diversos aspectos: Qualidade dos campeonatos, qualidade dos jogadores, organização dentro e fora dos gramados e etc. O futebol do “Velho Continente” tem superado o futebol brasileiro em números e resultados. Mas, o ponto em que quero chegar é sobre o imediatismo que requer o nosso futebol ou o imediatismo que as pessoas envolvidas requerem. Na minha opinião esse tem sido um grande adversário para a evolução do nosso futebol. Enquanto na Europa a razão supera a emoção, no Brasil é exatamente ao contrário. A emoção toma conta e algumas opiniões e decisões (imprensa, torcedores, diretores) são tomadas sem qualquer perspectiva futura. Por exemplo, alguns jogadores que se destacam em uma temporada já são super valorizados, sendo que somente fizeram uma boa temporada. O contrário também acontece muito; o jogador não vai bem em uma temporada e a opinião sobre ele, é de que ele não serve, não está preparado. No “Velho Continente” as pessoas em geral não se iludem com uma boa temporada de um jogador e tampouco se decepcionam tanto com uma temporada ruim. No Brasil os treinadores são contratados já sabendo que, se os resultados não saírem em no máximo um mês, suas cabeças já estarão a prêmio. O clube investe bastante dinheiro em diversas contratações que o treinador solicitou, pensando em um planejamento a médio prazo, pois no Brasil a longo prazo não se pode pensar, e após um mês o treinador é demitido. O que fazer com jogadores que ele pediu? Será que servirão para o próximo treinador? O imediatismo pode jogar “por água abaixo” um ano todo de um clube. Vemos no “Velho Continente” treinadores que ficam uma, duas, três temporadas sem conquistas, mesmo assim seus trabalhos são mantidos por uma questão de planejamento. No Brasil, diretorias que assumem os clubes super endividados, devem fazer milagres logo no primeiro ano de mandato, caso contrário, devem ser trocados imediatamente. Não se pode fazer um planejamento a longo prazo. O imediatismo ou a emoção também interferem no que diz respeito da “paixão e ódio” de um um torcedor pelo jogador de seu clube. Se o jogador vive uma boa fase, ele é tido como um semideus, caso contrário não querem vê-lo nem pintado de ouro. Vai de herói à vilão em questão de dias. Quantos talentos perdidos por isso e quantas precipitações em super valorizar um jogador temos visto ao longo dos anos. Por essas e outras que reafirmo, o Imediatismo joga contra o futebol brasileiro.

Estudar é preciso

Daniel Augusto Jr/Corinthians

Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Tite não nega. O ano sabático de estudos fez com que seus conhecimentos melhorassem, os sistemas de treinamentos fossem aprimorados e a confiança até ficasse maior. Tite não saiu para aprender os princípios do futebol. Ele foi se atualizar, ver o que os outros estão fazendo e crescer no intercâmbio. Pessoas inteligentes agem assim. Os menos dotados sentam nas conquistas já obtidas e se acham os melhores.

O Corinthians de 2015 está melhor, mais consistente, jogando em espaços menores de campo, marcando mais à frente e ganhando de equipes com o mesmo nível de jogadores, até com certa facilidade, vide o primeiro jogo da Libertadores contra o São Paulo. Agora Vagner Mancini e Dorival Junior estão fazendo o mesmo. É muito bom trocar ideias com Guardiola, Ancelotti, Carlos Bianchi, pessoas com outros conceitos, outros conhecimentos e que podem ajudar na formação de qualquer pessoa do mundo da bola.

É só ver os jogos do Brasil para percebermos a diferença tática. É um abismo. Não adianta vir com a história de que aqui o calor é maior, a cultura é outra e bobagens semelhantes. Já era assim nos anos 60 e 70 e o Brasil sobrava no futebol. Enquanto os europeus usaram as novas tecnologias, estudaram formatações diferentes, criaram metodologias novas de treinamentos, onde José Mourinho é o papa, os brasileiros inventavam desculpas.

O 7 a 1 foi só mais um detalhe. As duas goleadas sofridas pelo Santos contra o Barcelona, as derrotas de Internacional e Atlético Mineiro para times africanos de quinta linha, já tinham deixado claro, que as coisas vão mal. Ainda bem que os profissionais, por iniciativa própria, resolveram sair em busca de evolução. O material humano morre sem a utilização correta. E o Brasil tem sido perdulário com meninos, que querem jogar futebol. Nem chance eles têm, a menos que aceitem esquemões com empresários, clubes e tudo que pode haver de pior no meio.

A CBF não serve para nada. Então temos que saudar essas iniciativas particulares. Eles poderão levar o Brasil à patamares onde nosso futebol já esteve, mas de onde saiu, faz tempo e sem perspectiva de volta tão cedo de dependermos de quem está na direção das nossas entidades.

Desperdício

AFP

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Não é raro um pai ligar pedindo ajuda para colocar o filho, “bom de bola”, num time de futebol. Antes, era só dar um bilhetinho e o treinador da base, de qualquer time, observava, por um tempo o garoto e aproveitava ou não.

Hoje as coisas mudaram. Só os empresários de futebol têm acesso aos clubes. Nem sempre entram os melhores, mas sim os mais apadrinhados. A grana, que corre solta em negociações do mundo da bola, gerou tanta ganância, que não são preparados jogadores e sim, brucutus, que possam ser repassados o quanto antes.

De cada 3 mil meninos, que tentam jogar profissionalmente, apenas um consegue algo efetivo. Os que ficam pelo caminho somem nas estatísticas. O Brasil é o país do desperdício. Quer na água, na comida, na energia e também no futebol.

Com um território enorme e tanta miscigenação racial, que ajuda nessa modalidade esportiva, um trabalho sério, dirigido e com cunho nacional, faria toda diferença para o futuro. Nem os 7 a 1 sensibilizaram os cartolas. A arrogância segue a mesma, a vida vai igual, como se nada tivesse acontecido.

Não falo só de um jogo. Há os 8 a 0 do Barcelona no Santos, as eliminações em mundiais de clubes, para africanos e os constantes vexames em copas do mundo.

O novo presidente da CBF será o Marco Polo Del Nero. O novo Ministro dos Esportes nunca foi do ramo.

Ou seja, nada indica que teremos mudança.

Que desperdício.

Esperanças

Os Campeonatos Regionais são torturantes. Times horrorosos, locais feios, estádios vazios, enfim, o anti-espetáculo. Mas vi algumas coisas nos jogos que trabalhei, os únicos que assisto nessas inúteis competições, que me agradaram.

O Audax Osasco, do Fernando Diniz, não é uma surpresa. Joga ofensivamente, ataca os adversários, grandes ou pequenos e faz sempre partidas agradáveis. O XV de Piracicaba, mesmo sem obter um ponto, enquadrou o São Paulo no Pacaembu, com ofensividade, campo curto, toques rápidos e posse de bola.

Claro que a derrota foi inevitável pela enorme diferença no nível dos jogadores. Roque Junior, o treinador, no entanto, mostra que sabe montar um time moderno. E o Corinthians. O Tite voltou colocando em prática ideias, que trouxe do ano sabático, tendo a humildade de conversar com outros profissionais, captar novos métodos de treinamentos e filosofias de jogo, diferentes do que vemos, normalmente, por aqui.

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Lógico que o Corinthians joga no estilo brasileiro. Só que com algo a mais. Se tudo seguir normalmente, será uma equipe boa de ser vista. Ninguém se apaixonou pelo futebol vendo brucutus dando bicões para a frente e fazendo cera.

Futebol bem jogado é algo delicioso. Assim, mesmo na mediocridade de um certame estadual, que só serve para captar votos para a CBF, pude sentir algumas equipes e treinadores tentando algo de novo. Bom sinal. Ainda está bem longe do mundo ideal. Porém, para quem esperava um primeiro trimestre tedioso, não posso me queixar.

Vitória do futebol

Fernando Dantas/Gazeta Press

Fernando Dantas/Gazeta Press

Palmeiras e Corinthians será jogo de torcida única. A ideia não foi da FPF, é lógico, mas,  finalmente, pensou-se em algo para o torcedor do bem e não para uniformizados. Faz tempo que, nos clássicos, só temos famílias entre os mandantes. Da parte contrária, 5% de lugares são ocupados por vândalos, que chegam como reis, escoltados por policiais, na verdade estafetas de marmanjos mal encarados, sujos, drogados, bêbados, que vão espalhando terror por onde passam. Esses caras afugentam o que é bom das praças esportivas.  Com isso as rendas são menores, ficam enormes espaços vazios e todos perdem. Felizmente o Dr. Roberto Senise, o único que ainda tenta esclarecer a vergonhosa venda da vaga da Portuguesa em 2013, exigiu que se respeitasse, a maioria. E teremos um jogo com mais público, mais seguro, higienizado e que, espero, passe a ser o padrão para o futuro. Se os bandidos uniformizados brigarem longe dos estádios é problema deles. Que se matem. Não matando os clássicos do futebol como têm acontecido, já será uma grande vitória do futebol. Que a experiência desse Palmeiras e Corinthians sirva como marco definitivo da volta de pessoas do bem aos campos de jogo. Essa deveria ser a função dos organizadores das competições. Mas o rabo preso deles, não têm permitido qualquer ação a nosso favor. Autoridades, cartolas, governantes e políticos olhem sempre para a bandidagem organizada. A minoria asquerosa está ganhando de mil a zero. Ou melhor, a um. No Palmeiras e Corinthians de domingo, o gol é nosso.

 

No futebol, o mal sempre vence o bem

AFP

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<br /> “Apertado”, Felip o deixa Thiago Silva iniciar reconhecimento de gramado | GE.Net na Copa

Corria o ano de 1995. Uma transferência insignificante do futebol europeu mudava a história do esporte, para sempre, em todo mundo. O desconhecido Jean-Marc Bosman, do Liége da Bélgica, recebeu proposta de um time menor da França, o Dunquerque, à época na Terceira Divisão. Não estava mais nos planos dos belgas, mas, reclamão,  criaram problemas para liberá-lo, solicitando impagáveis, para o Dunquerque, um milhão e 600 mil euros. Bosman, contra todas as previsões, foi à Justiça. E seguiu até a Corte Européia. Lá, alegando necessidade de liberdade para trabalhar livremente, ganhou a ação. Virou jurisprudência.

Hoje atletas ganham fortunas com contratos espetaculares. O jogador de futebol passou a ser pago regiamente e vai jogar onde bem entende. A Lei da Liberdade do Futebol, ganhou o nome de Lei Bosman. Entrevistei o belga quando veio ao Brasil. Fiquei emocionado. Sabia que falava com um personagem histórico. O tempo passou e não se falou mais dele. Mas os efeitos da Lei permitem que jogadores geniais exijam seus direitos sem receios. O Real Madrid paga cerca de 60 milhões de reais por ano a Cristiano Ronaldo. Gareth Bale leva 36 milhões. O brasileiro Marcelo passa de 13 milhões de reais por ano e até o jovem Casemiro tem direito a 4 milhões de reais, anualmente.

Atletas bem pagos e com liberdade. Os contratos acabam e eles estão livres. Se alguém pagar a multa estipulado, leva quem quiser, desde o craque queira. Tudo por causa da briga de Bosman na Corte Europeia. Aí li, no competente blog O Mundo é uma Bola, matéria do jornalista Alex Sabino, sobre aquele, que deveria ser o herói dos boleiros de hoje. E fiquei assustado. Bosman, 20 anos depois de abrir caminho para todos os futebolistas do planeta, está absolutamente só. Nunca mais foi aceito por clubes e não frequenta estádios. A pressão levou-o ao alcoolismo e, através dele, a problemas familiares e condenação a três anos de detenção por agredir a filha de sua esposa. Bosman , que fez o bem, está fora de combate.

Foi assim  lá atrás com Afonsinho. Sócrates também incomodou e teve dificuldades e Paulo André precisou aceitar exílio na China, só para citar alguns. No futebol tentar algo de bom custa muito. As coisas do mal sempre prevalecem. João Havelange passou a Fifa para Blatter, que manda em tudo. No Brasil ele inventou Ricardo Teixeira, que ressucitou José Maria Marin, que repassou a CBF a Marco Polo Del Nero, invenção de Eduardo Farah. Até Eurico Miranda está de volta. Eles sempre estão por aí. O futebol é bem estranho. Minha avó dizia que o bem sempre prevalecia sobre o mal. É que ela não entendia nada de futebol.

Segue a matéria À procura de Jean-Marc Bosman  http://omundoeumabola.blogfolha.uol.com.br/2015/01/12/a-procura-de-jean-marc-bosman/

Uma rua Paulo Rafael

Morreu na semana passada, Paulo Rafael. A maioria nem sabe de quem eu falo, mas os que trabalham no meio de rádio, reconhecem facilmente. Paulo Rafael era um técnico de som, que passou pela Gazeta, Jovem Pan e ultimamente estava na 105 FM. Simplório, trabalhador, dividia sua vida entre o rádio e um táxi, que só abandonou há pouco tempo. Lutava para sobreviver. Tinha tempo ainda para ajudar pessoas em pequenas ações solidárias no centro espírita, que frequentava. Na 105 passou a falar, ou tentar, já que era um gago convicto. Contava histórias e estórias hilárias. Ensinava os mais jovens dando apoio e conselhos e isso ocorreu, inclusive, com meu filho Bruno Prado. Paulo Rafael batalhava pela vida. Só fez o bem e durante seus 62 anos, aliás morreu no dia que fazia aniversário, só somou coisas positivas. Agora que ele foi embora abro uma propositura. Que se dê o nome de uma rua a Paulo Rafael. Por que ? Por tudo que foi dito antes. Reparem os nomes dos logradouros em São Paulo. Há uma, por sinal inútil, Passarela Orestes Quércia. Há outra, perto do aeroporto de Congonhas, que faz uma homenagem ao filho de ACM, Luiz Eduardo Magalhães. Qual a razão de tal deferência? O Minhocão chama-se Elevado Costa e Silva. Nome de um ditador. Valeria mais reverenciar as minhocas. Enfim, se o meio radiofônico se sensibilizou com a morte de Paulo Rafael por ser bom cara, amigo, trabalhador e decente, não é o caso de se fazer uma homenagem a ele, que de fato merece?. Até depois da morte os políticos ganham prioridade. Mesmo sendo do tipo, que se torce o nariz, até quando é viaduto. Não é hora dos simples, do povo, de gente como a gente? Fica a proposta que, provavelmente, cairá no vazio, mas pela qual abro luta e sei que será apoiada por pessoas, que vivem, como o velho técnico de som vivia. Pena que, também, os nomes dos logradouros sejam escolhidos por políticos. E eles só façam homenagem aos seus iguais, mesmo que sintamos azia.

Chinelinho rei

Crédito da foto: César Greco/Agência Palmeiras

Crédito da foto: César Greco/Agência Palmeiras

Foi um sufoco mas, felizmente, o Palmeiras escapou da Serie B. Torci bastante porque gosto dos conceitos do Paulo Nobre. Ganhos por produção, técnico estrangeiro, cuidado com as finanças do clube, pouco contato com uniformizadas, são coisas que defendo, faz tempo. Aliás, só no Brasil não se percebeu que os muros caíram.

Os grandes times do mundo são multinacionais com jogadores, treinadores e executivos de todos os lugares. Isso a parte quero falar de Valdívia. Fiquei estupefato com a consagração a ele no final do jogo contra o Atlético Paranaense. Durante a semana ele fez um grande teatro com uma cocheira enorme, mancando muito e entrou para o jogo, querendo o título de herói. Alegou que não conseguia andar na quinta feira. E jogou 90 minutos no domingo. Estranho. E ainda disse que foi graças ao “Jose”, o fisioterapeuta, que  trouxe de Cuba.

O Departamento Médico do Palmeiras não teve qualquer mérito, pelo dito. Valdívia só jogou 17 dos 38 jogos do Brasileiro. Não fez um gol sequer. Ganha muito mais do que os outros e o Palmeiras sempre esteve em segundo plano, perdendo para a seleção chilena, os problemas particulares e até a Disney. Se houve alguém que salvou o time da queda foi o goleiro Fernando Prass e o contestado Henrique, marcador de 16 gols, num time ruim de doer.

Quando Prass saiu, ele sim machucado de verdade, os goleiros que entraram deixaram o Palmeiras a pé. A volta de Prass recuperou a equipe. E Dorival Junior chamou Valdívia de melhor de todos. Claro que o venezuelano/chileno tem alguma técnica, insuficiente, porém, para ser titular da seleção, até, do país dele. Mas o comprometimento é zero. Transformar um chinelinho em rei é um perigo.

Qual o exemplo que ele dá? É isso que queremos do futebol profissional? Se ele é bom o que dizer do Alex, que fez mais gols na carreira do que Zidane, Baggio ou Ronaldo Fenômeno, jogando na mesma posição de Valdívia?. E o Palmeiras, com ele, Alex, ganhava, não caia, como em 2012 e nem comemorava salvação. Nem falo de Ademir da Guia e Marcos, porque, apesar de tentarem elevá-lo a esse a patamar, considero uma aberração tão grande, que faço de conta que não ouço.

O Palmeiras precisa ser profissional. Precisa de gente que honre o clube. E que dê exemplos bons. Com Valdívia o time é ruim. Sem ele é péssimo. A história do Palmeiras merece mais. Não um chinelinho, que deixe ruim, um time péssimo. E sim de gente que vista a camisa histórica e gloriosa do clube, para ganhar títulos.Como, aliás, fazia o tio do Dorival, o Dudu.

Velhinhos nos Estaduais

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Estive numa pelada de fim de ano em Cesário Lange, interior de São Paulo. Em campo o genial Careca, os craques Silas, Renato, que à época era Pé Murcho, Velloso, os ex-zagueiros Alexandre Rosa, Fonseca e Toninho Cecílio, além de Marcos Lange, que teve a carreira truncada muito jovem, depois de ser um dos melhores sub 15 do mundo com a camisa do São Paulo.

Detesto saudosismo. A vida tem que ser vista pela frente, não pelo que passou. Mas veio uma ideia, que quero compartilhar com vocês, depois de “jogar” com  Careca. Ventava muito contra o gol que ele atacava. Tentou um chute e  saiu errado. Outro e o goleiro pegou fácil. No terceiro, da entrada da área, ele deu uma curva com efeito. O vento foi desafiado e puxou a bola no sentido contrário. E ela entrou no ângulo. Um golaço. Ao lado dele perguntei como fez aquilo e ele explicou, que depois dos dois chutes iniciais, entendeu o jeito correto de bater na bola para usar a ventania a favor. Isso dentro do campo, numa brincadeira e, convenhamos, praticamente  ”sem”  joelhos.

Aí olho para a tabela de artilheiros do Campeonato Brasileiro. Entre os primeiros estão Henrique, Fred, Ricardo Goulart. Jogadores que funcionam bem nas suas equipes, porém jamais teriam a capacidade de uma ação como a do Careca na brincadeira entre amigos. E ele sempre fez isso. Especialmente ao lado do mitológico Maradona nos anos 80 e 90. Sim, hoje eu paro qualquer coisa para ver o Messi, o Cristiano Ronaldo, o Neymar, o Bale e outros do tipo. Mas não no Brasil.

Esses momentos mágicos deixaram de existir nos nossos campeonatos. Há várias razões para essa realidade. Uma delas a falta dos campos de várzea, as bases usadas para negociatas e não para revelar jogadores e mesmo as frescuras dos jovens, incapazes de admitirem suas limitações. Aí lembrei que os primeiros quatro meses do futebol brasileiro são jogados no lixo com os campeonatos regionais.

Na Alemanha, depois de constatada a crise na Eurocopa de 2000 foram feitas algumas alterações importantes, que resultaram no brilhante 2014. Uma delas colocar um número mínimo de juvenis nas equipes principais nos grandes torneios. Aqui, apesar do 7 a 1, tudo segue igual. Vai uma sugestão. Já que as bases estão poluídas por negociações vergonhosas e o que menos se faz é ensinar algo aos meninos iniciantes, que tal obrigar os clubes a colocar pelo menos um jogador com mais de 50 anos em cada time, nos falidos estaduais?

Primeiro que haveria alguma atração. Segundo que os meninos conseguiram ver de perto, como eu vi, o que era a técnica apurada brasileira no passado. Antes que vocês me perguntem se não é mais fácil os ex-jogadores dirigirem as bases, já respondo que não dá, por dois motivos. Primeiro porque defendo a plena pedagogia. Eles teriam que estudar para isso. E segundo porque  teriam que aceitar esquemas, que lhes fariam mal para o fígado.

Seria legal ver os patéticos regionais com pelo menos alguns minutos de Ademir da Guia, Rivellino, Careca, Silas, Renato, etc. A rendas, que são baixíssimas, aumentariam. Fica a sugestão.

Seria um jeito bem mais interessante de suportamos os meses iniciais do ano com seus joguinhos inúteis. Pelo menos relembraríamos momentos lindos e os meninos mais espertos, de repente, aprenderiam algo de muita utilidade para o futuro. Como, por exemplo, usar a força do vento para jogar a bola no ângulo. Salve, Careca.