Não foi por acaso

Foto: Ricardo Stuckert/CBF

Foto: Ricardo Stuckert/CBF

A  derrota do Brasil para a Alemanha por 7 a 1 não foi um acaso. Os sintomas da decadência do futebol brasileiro vêm sendo apresentados faz tempo. Mas as pessoas fingem não perceber. É mais ou menos como o cara que fuma três maços de cigarro por dia e está, aparentemente, bem. De repente vai ao médico e descobre que tem câncer .

Era lógico que ocorreria, porém ele insistia em se enganar. Os vexames brasileiros têm se acumulado. O Internacional perdeu para o Mazembe. O que parecia um acidente repetiu-se com o Atlético Mineiro sendo derrotado pelo Raja Casablanca. O melhor time dos últimos anos, o Santos,  tomou primeiro de 4 e depois de 8 do Barcelona e não teve nem coragem de marcar novo jogo na Vila, coisa que tem direito pela venda do Neymar.

O Campeonato Brasileiro é um lixo. Os jogos são tediosos nem lembrando exatamente futebol, se comparado com os certames que vemos na Europa. Os métodos são arcaicos, as bases só servem para negociatas e não revelam ninguém . A maioria dos garotos que tenta jogar futebol é barrada por um esquema de cartas marcadas. A cada 3000 meninos que gostariam de atuar, somente um consegue. Quantos neymares não estarão sendo desperdiçados.

Nunca houve um projeto de futebol. É tudo empírico . Fora a corrupção que impressiona, mesmo vivendo-se num dos países mais corruptos do mundo. Se os alemães perceberam que estavam em decadência e fizeram um plano de trabalho, uma metodologia de treino a partir de 2004, no Brasil a opção é pela enganação.

Lembram-se da força à base com o Ney Franco no comando? Depois de um ano tinha uma pessoa cuidando de todas as categorias e estava uma zona completa. Não há alternativa que não seja a criação de uma liga, um plano de trabalho com tempo determinado e projeto público para acompanhamento de todos. Cursos para treinadores, intercâmbio , uso da academia e métodos de modernização e transparência obrigatória nos clubes e afastamento dessa corrupta CBF do comando do nosso futebol.

Fora isso não haverá jeito. Outras vergonhas virão. A Liga Alemã é considerada a instituição de maior credibilidade pelo povo alemão. No Brasil a CBF é comandada por José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Por essa razão não se pode dizer que o 7 a 1 foi obra do acaso.

Blatter cínico

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

A Copa do Qatar subiu no telhado, como naquela velha piada do português. Fora de contexto, sem tradição, com uma temperatura infernal, claro que não é lugar para o maior evento esportivo do mundo. A eleição do Qatar foi uma clara demonstração de como funciona a Fifa.

Não só essa Copa foi indevida como as da África do Sul, a do Brasil, é bom não confundir o nível lindo dos jogos com o que sobrará de tudo isso, a da própria Rússia e essa no mundo árabe. Rolou dinheiro para todo lado. Alguns foram premiados por ajudar Blatter em reeleições. Outros pela grana fácil e sem procedência, que precisaria ser usada em corrupção. E Blatter, até por seguir os passos do seu mestre e criador, João Havelange, sempre soube de todos os movimentos.

Agora fala, surpreso, em eventual compra de votos pelos catarianos. Eventual ? Qualquer um sabe como as coisas funcionaram e funcionam os Conselhos Executivos da Fifa. Tirar a Copa do Catar é bom senso. Não deveria nem ter chegado a esse ponto. Mas Blatter fingir que foi enganado é muita cara de pau. Ele é o chefão. O todo poderoso. Ele sempre sabe o roteiro. Quando não executa pessoalmente o filme.

A Copa na Paulista

Foto: AFP

Foto: AFP

Sai caminhando. Nem acreditava que era 12 de junho. Finalmente a Copa do Mundo começou no Brasil. Sou apaixonado por Mundiais e até divido fases da minha vida, entre períodos do torneio. Logo vejo um grupo de croatas. Os carros passam e buzinam. Eles sorriem e gesticulam. Nos postes discretas bandeiras do evento, como já vi tantas vezes, em tantos lugares do planeta. Ontem passei o dia em Itaquera acompanhando a seleção brasileira. A sala de imprensa fala as mais variadas línguas. Voltei de metro como não faço aqui, porém cansei de utilizar nas copas da França e da Alemanha  e o melhor é que, depois de várias estações, cheguei em casa, não no hotel.

Voltando à Paulista velhos, jovens, crianças, todos têm algo amarelo ao redor do corpo. Um chato helicóptero sobrevoa, pela milésima vez, o hotel onde estão os jogadores americanos. Mais croatas. Agora um casal. E lá na frente outro grupo bebendo cerveja. Nunca imaginei que veria tantos croatas, fora da Croácia. O “Elvis Presley” da esquina com a Augusta ajeita seus play backs com mais capricho. É dia especial. Passam dois mexicanos. Volto no tempo e lembro, como me encantou, o domingo em que cheguei a Buenos Aires para cobrir o Mundial de 1978.

Essa mistura de gente nunca saiu da minha cabeça. Fico emocionado com a lembrança. Aquele foi o primeiro. Hoje começa o décimo que participo como jornalista. Sempre fui e continuo sendo absolutamente contrário à Copa no Brasil. Sabia que seria um roubo antológico e foi. Temo pela nossa economia com tantos desfalques. Mas agora não tem jeito. É como se roubassem seu cartão de crédito e organizassem uma enorme festa, que você não queria e nem poderia pagar, usando o seu dinheiro. Cancelar a festa não ia ser mais possível. Então o jeito é aproveitar e depois ver no que dá.

Se a seleção brasileira não for campeã do mundo deveremos ter enxurradas de CPIs, explicando os gastos absurdos com o evento. Se ganhar vão deixar para lá. Eu gostaria que todos os ladrões da Copa acabassem na cadeia. Com ou sem título dos jogadores. Agora, no entanto, darei uma trégua. Como disse a Joana Havelange, com conhecimento de causa, é claro, “o que tinha que ser roubado, já foi”. Lamento e cobrarei punições. Mas darei uma trégua.

O futebol, que amo, está no seu máximo. Veremos grandes jogos em campos brasileiros, coisa que faz tempo não acontecem. Vou viver a Copa intensamente, vendo todos os jogos, fazendo anotações e trabalhando com enorme prazer. Minha agenda está fechada para todo o resto até dia 13 de julho. Em seguida voltarei com carga toda contra a bandidagem do futebol.

Passar vergonha?

YASUYOSHI CHIBA / AFP

YASUYOSHI CHIBA / AFP

Está todo mundo preocupado com as obras da Copa. De fato o roubo é escrachado, mas não surpreendente e nada ficará pronto totalmente, nem hoje e talvez nunca. Mas não sei se isso será exatamente motivo de vergonha. O que interessa para o gringo se os acessos prometidos aos estádios, as facilidades nas cidades sedes e as obras de melhorias nos estados não ficarão prontas?

Eles, como a Fifa, querem saber dos jogos. Se der para vê-los  bem, com mobilidade nos dias das partidas, o resto pouco lhes  importa. O que me preocupa é a imagem que o Brasil deixará como um todo. Será que estamos educados para receber tanta gente? O brasileiro, de modo geral, é legal, hospitaleiro, gentil e receptivo. Porém, metido a espertalhão, querendo levar vantagem em tudo. Imagine a pessoa que desce no Rio de Janeiro e pega um táxi. Por certo haverá, no mínimo, a tentativa de se cobrar muito mais pela corrida. Em São Paulo tentou-se dobrar o preço dos hotéis. Voltaram atrás quando as reservas não apareceram, mas queriam explorar os visitantes. Restaurantes de toda nação estão remanejando seus preços, muito além da natural lei da  oferta e procura. Até os ambulantes já mexeram nos valores cobrados.

Querer levar vantagem desse tipo é cara do nosso país. Há exceções sim, aquelas que justificam a regra. Muito de nós, e reparem que me incluo, temos a mania de achar que os outros são tolos, pelas suas bermudonas, pernões brancos e meias soquetes engraçadas. Não são. Nem falo dos riscos de assaltos, que hoje em dia estão espalhados pelas grandes cidades do mundo, mas sim da nossa forma de ser. Será que dará tempo de mudar a postura? Não acredito.

É questão de jeito, de educação, de vivência. Muitos acharão graça ao enganarem os forasteiros. Eles formarão a imagem do nosso país no dia a dia de convivência. E isso ficará registrado. Alguém ficará envergonhado?. Mas é esse o Brasil. Reclamamos dos políticos, que são apenas reflexos do que fazemos diariamente. Uns conseguem pegar mais, outros menos de acordo com suas atividades. Os estádios estarão ajeitados. Os jogos vão sair. Ninguém tem que se preocupar. Já o resto dos nossos problemas, o jeito de ser do brasileiro, aí não tem mudança de uma hora para outra. É isso que o gringo vai levar para casa. Você está preocupado?

Figurinhas

É uma febre. Quem não tem um album da Copa está fora de moda. As trocas estão em todos os lugares. Bares, lojas, no vão livre do Masp, em parques, bancas de jornais e por aí vai. Numa cidade como São Paulo os albuns são bençãos. Pessoas que não se conhecem, conversam, fazem “negócios”, trocam sorrisos, coisas que fazíamos no dia a dias anos atrás, e que ficaram num passado distante. Hoje as relações estão nas redes sociais. O cara acha que têm amigos virtuais. Que são virtuais não há dúvida. Já amigos são outra coisa. Lembrei da minha infância lá na Penha. Tinha album de tudo. Desde bandeiras dos países, até museus pelo mundo. De futebol então, qualquer campeonato virava album. O jeito era diferente. Valiam prêmios. Para isso precisava completa-los com as famosas figurinhas carimbadas, normalmente os craques dos times. Nunca consegui nada, mas era uma grande curtição. E olha que eu estava totalmente envolvido no processo. Minha família trabalhava empacotando as figurinhas. Tínhamos uma mesa enorme onde netos e avós separavam, fechavam e colavam os pacotinhos. As carimbadas não vinham para nós. Das outras, a gente cuidava. Dava um dinheirinho legal, para a  “mistura”. O trabalho, que ajudava nas despesas, servia também como agradável encontro familiar, que durava horas. E bem novinho, a gente já aprendia o gosto pelo trabalho. Trabalhar e receber algo em troca. Hoje me assusto quando proíbem crianças de trabalhar. Eu fui balconista, feirante, empacotador de figurinhas, enquanto estudava e tinha que apresentar resultados na escola. Não tenho nenhum trauma por causa disso. Ao contrário, só me fez bem. Atualmente os menininhos não podem ter essas atividades, sei lá por que. Algum gênio definiu e acabou. No tempo ocioso eles servem de aviõezinhos para traficantes, ou ajudam quadrilhas, aproveitando o fato de serem “dimenor”. Acho que empacotar figurinhas era bem melhor e você internauta, o que acha?

Medo, incompetência ou os dois ?

AFP

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Estou lendo El Efecto Simeone, livro escrito, na primeira pessoa pelo, hoje, badalado treinador argentino do Atlético de Madrid. Num determinado ponto ele fala da queda do nível do jogo na Argentina. E eu estico para a América do Sul. Vendo a Libertadores não conseguimos sentir prazer nas partidas. São batalhas de força com técnica exígua, chutões e tentativas de burla às arbitragens. Na Europa há um contra ponto de beleza técnica e tática. Mas, muitos dos astros, que estão lá, não são sulamericanos ?. Então como se explica isso ? Para Simeone passa muito pela forma de se torcer de cada continente. Enquanto aqui os estádios são dominados por bandidos uniformizados, em boa parte da Europa eles foram chutados para longe e proibidos de entrar em campos de futebol. Não recebem nada dos clubes, que pelo contrário, dão todo privilégio aos torcedores comuns, ou sejam as famílias. Isso traz mais leveza aos espetáculos. Simeone conta sobre as pressões, violências e ataques a que jogadores são submetidos na Argentina, e eu repasso para o Brasil, pelos vândalos, que têm carta branca nas principais equipes da América do Sul. Com receio de errar, os jogadores arriscam pouco, fazem o mais simples, o óbvio. Sem ousadia não há futebol bem jogado. Claro que o raciocínio é lógico, até pela experiência dele como jogador e treinador. No caso do Brasil acrescento também a preguiça e a incompetência na formação de jogadores. Os cartolas fizeram obras bonitas, em CTs,  mas não credenciaram os profissionais para o objetivo principal, que é revelar bons atletas. É tudo de qualquer jeito. Grandões, que possam entrar em negociatas, valem ouro. E fica nisso. Se assistimos os jogos europeus aplaudindo de pé a muitos sulamericanos, como podem os campeonatos daqui serem tão medíocres ? Será por medo, por incompetência, ou pelos dois ?

A escolha

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Depois da produtividade, que alguns não apoiam, mas eu acho legal, o Palmeiras inova outra vez, agora na escolha do novo treinador. Os nomes estão escolhidos e são três. Wanderley Luxemburgo, Ney Franco e Dorival Junior. Qualquer um deles é visto com respeito e competência para dirigir o antigo time de Gilson Kleina. Aí vem o diferencial. Os três serão, ou já foram, procurados, para apresentar seus projetos e ideias sobre, o que pode ser feito com o atual Palmeiras.

Todos conhecem o elenco e sabem que ele terá alguns reforços, mas que,  por certo, não serão peças caras, simplesmente porque não há dinheiro para isso. E nesse item  entra também outro fator decisivo. Quanto o treinador contactado pretende ganhar ? A somatória das ideias apresentadas e o custo delas indicará o nome do novo técnico palmeirense.

Assim são escolhidos os mais importantes executivos das grandes empresas. Um projeto, o custo do projeto, com uma “concorrência” aberta, porém não livremente. No caso do Palmeiras, os nomes admitidos na tal “concorrência” foram, previamente,  escolhidos pelos dirigentes.

Gosto da novidade. Dá mais responsabilidade a todas as partes. É um trabalho profissional, sério, que implicará em exposição maravilhosa ao escolhido, mas também enormes cobranças. O executivo/treinador precisará de muito respaldo da direção. Nesse sistema, eles terão uma certa “cumplicidade” de pensamentos, o que poderá ajudar, lá na frente, se vierem crises.

Num momento tão difícil no futebol apoio a criatividade. E o Palmeiras está fazendo isso. O esquema de produtividade funcionou. O time não está pior que os demais , e muito mais caros, concorrentes, pelo menos no nosso estado. E esse jeito de escolha, que já foi usado até pela seleção do México, que sabatinou treinadores em 2001, sendo um deles Luiz Felipe Scolari, preterido por Della Volpe, gera conjunção de objetivos. Coisa de empresas de grande porte. Vejo como uma evolução no nosso combalido futebol.

As quedas dos gênios

AFP

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Futebol é um esporte terrível. É o único onde nem sempre vence o melhor. É o único onde nem é preciso conhecer as regras, para se  jogar em alto nível. É o único onde o acaso pode resolver e deixar marcas eternas. Procuro estudar muito futebol. É o meu trabalho. Valem cursos, leituras e pesquisas. E nestes últimos anos li muito sobre José Mourinho e Pep Guardiola. Agora mesmo estou lendo Paradigma Guardiola e já li, algumas vezes, o,  Mourinho, porque tantas vitórias ? Não tenho dúvida que são dois dos maiores técnicos da histórias do futebol. Guardiola é o que traz mais DNA do maior de todos, o histórico Rinus Mitchels, da Laranja Mecânica de 1974. Pegou de Cruyff, de Van Gaal e Rijkaard as sementes, que implementou no mágico Barcelona dos últimos anos. Mourinho é um revolucionário. Seus métodos de treinamentos, únicos, revertem todas, ou quase todas, as ideias anteriores. Para mim, haverá um modelo de treinamento antes e depois de Mourinho. E sonhava ver um contra o outro na final da Champions League. Deu tudo ao contrário. Primeiro Guardiola e depois Mourinho, levaram banhos de bola de Carlo Ancellotti  e de Diego Simeone. Menores do que eles, pelo menos por enquanto, porém, que viveram momentos mágicos e classificaram-se sem discussão. É o encanto do mundo da bola. O momento pode ser algo definitivo. Talvez uma semana antes, ou depois e a história seria completamente outra. Até por essa razão, não dá para julgar o pontual. Tem que se analisar o conjunto da obra. Não é simples, mas me fascina. Continuarei lendo e aprendendo com Guardiola e Mourinho. Porém não perderei a final da Champions por nada. E nem vou me arriscar a dizer qual será o ganhador.

Luciano do Valle

Divulgação

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Trabalhei com Luciano do Valle em duas oportunidades. Primeiro na Tv Record, por volta de 1984 e depois como funcionário dele na Tv Bandeirantes. Sempre me tratou muito bem. No começo achou que eu poderia acompanhá-lo nas jornadas históricas de vôlei. Sai da parada. Tinha gente muito melhor para a função, no caso, Ely Coimbra. Depois fui para a equipe do Show do Esporte e ,de repórter, passei a comentar jogos para a Rede e depois do Campeonato Italiano. Foi um divisor de águas na minha carreira profissional.

Quando sai para a Jovem Pan tinha outra cabeça e outras pretensões. Depois da Copa de 1990, onde trabalhamos juntos, cada um foi para o seu lado, porém nossos encontros eram sempre festivos. Fica, da minha parte, um enorme respeito. Mesmo quando ele criticou uma postura minha, num evento em Recife, jamais respondi. Isso chama-se respeito. Ele ajudou muita gente no meio. Deu muitos empregos, criou bastante. O esporte no Céu ficará mais inventivo.

 

 

Coutinhos

AFP

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O Santos de dos anos 60 foi o melhor times de todos os tempos, pelo menos na minha opinião. Mesmo que alguém tenha visto algo melhor, em algum lugar do planeta, não conseguirá deixar de reconhecer aquela “magnífica escola de bola” com uma das principais da história da bola. Pelé viveu seu auge por lá. Grandes craques desfilaram ao lado dele, mas um, em especial, conseguia acompanhá-lo e fazer com ele as famosas “tabelinhas”. Estou falando do fabuloso Antonio Wilson Honório, ou simplesmente, Coutinho. Esse gênio da bola seria titular em qualquer seleção do mundo na Copa de 1962 no Chile. Menos em uma.

Acervo/Gazeta Press

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Na do Brasil. Ele foi reserva de Vavá em todos os jogos. Coutinho era muito mais jogador que Vavá, mas Vavá era campeão do mundo de 1958. E, naquele tempo,” time que ganhava, não se mexia”. Passam-se os anos e estamos às vésperas da Copa de 2014. Na Europa um jovem, Philippe Coutinho, ou só Coutinho como eles dizem lá, é um dos condutores do Liverpool rumo a um título, que o clube não tem há 24 anos. Não se pode pensar em comparar o Coutinho de hoje com o Coutinho do passado. Primeiro que são posições bem diferentes. Segundo que o primeiro era genial e o de hoje apenas bom jogador, que deverá evoluir, mas nunca chegar´ao nível do Antonio Wilson Honório. No entanto, chama a atenção a repetição da história. Philippe Coutinho jogaria em qualquer seleção do Mundial de 2014. Ou pelo menos estaria entre os 23. E, provavelmente, não será chamado por Felipão. Ele deu azar. Quando sua convocação seria certa, num dos amistosos do Brasil, veio uma incomoda contusão, que complicou até mesmo o Liverpool. Abriu-se espaço para William, que aproveitou, muito bem, a chance. E aí, quando ele voltou a jogar em grande nível, o espaço estava preenchido. Philippe Coutinho só será chamado, dentro da normalidade, em caso de algum problema sério com os meias brasileiros, que estão jogando muito bola nos clubes e na equipe nacional. Outro Coutinho, que poderia ter melhores oportunidades. Um foi e não jogou. O outro provavelmente não irá. O Philippe Coutinho é novinho e ainda poderá ter outras chances. O outro, na Copa seguinte em 1966, já estava em final de carreira, vitimado por muitas dores no joelho. Que o Coutinho de hoje seja mais feliz. Deve ser muito frustrante ter tanto potencial e tão pouca condição de mostra-lo, no maior espetáculo da Terra.