Prática do futebol está cada vez mais elitizada

Começou mais uma Copa São Paulo de Futebol Junior, reunindo em sua 44ª edição jovens com até 20 anos de idade. Desfilam pelos gramados de
25 cidades sedes cerca de 2,5 mil atletas divididos em uma centena de equipes.

Impossível exigir equilíbrio técnico e qualidades futebolísticas com tanta diversidade. Até nos principais campeonatos do país encontramos grandes diferenças. Ou não? Vejam a Copa do Brasil, onde estão campeões e vices de cada estado.

Não podemos esquecer do aspecto financeiro. O quanto é investido na captação, formação e manutenção dos atletas e nas estrutura oferecida a eles, inclusive, já profissionais.

Como já dizia o “maluco beleza”: tudo se transforma. Como em nosso país não conseguimos reunir 2,5 mil jovens bons de bola? Uma explicação está na maneira que o futebol para os iniciantes é praticado hoje. Será que alguma criança dá os seus primeiros chutes e dribles descalço pelas ruas e campinhos esburacados e com carrapicho dos terrenos baldios?

Me lembro como era difícil evitar que a bola caísse no vizinho chato que ameaçava fura-la ou devolve-la somente para os pais. E, não jogar em um determinado espaço porque havia cacos de vidro. Por incrível que pareça, os obstáculos obrigavam os garotos a desenvolverem as habilidades, principalmente a precisão.
Hoje, o acesso à prática do futebol está mais difícil e elitizado. São raros os “timinhos” de vilas como tinhamos em São José do Rio Preto: o Botafogo do Mané, Juventus do Netinho, Brasileiro do Ditinho, Corinthinha do Dionizio, Santos do Renato e tantos outros.

Moleque bom de bola se apresentava sozinho ou trazido pelo pai. Ser indicado por algum colega também ajudava. Ninguém pagava nada. Hoje!
Ah.

Pelo que vimos nos primeiros jogos da 44a Copa São Paulo, não teremos zebra. O campeão será quem já foi. A finalidade principal do evento é comercial, até para a “escolha” das equipes e sedes.

Vender os direitos dos garotos passou a ser mais importante que dar a volta olímpica. Retorno financeiro é sinonimo de garantia de emprego para muitos. Pela bola que jogam, alguns, ao término da competição terão que usar o balcão de classificados dos jornais ou as redes sociais para arranjar emprego e dividir o salário sabe-se lá com quantos.

Um comentário em “Prática do futebol está cada vez mais elitizada

  1. MUITO BOM SEU COMENTÁRIO GODOY, POIS A COPINHA PERDEU SUA CARACTERÍSTICA, QUE ERA DESCOBRIR TALENTOS E AGORA VIROU UM MERCADO CAPITALISTA DA BOLA. PARABÉNS.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>