A guerra que se intensificou na última semana entre o crime organizado e os órgãos de segurança federais, do Estado e do município do Rio de Janeiro repercutiu em todo o mundo.
No exterior, o fato de se tratar da cidade-sede do Campeonato Mundial de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 preocupou a todos.
Desta vez, o poder público entrou para valer na luta contra o crime, evitando a danosa política de acupinchamento com os grandes traficantes, o que caracterizou alguns governos anteriores. A união das polícias civil e militar, o entrosamento da Marinha, Exército e Aeronáutica e a franca colaboração do Ministério da Justiça mostraram aos dominadores dos morros o poderio estatal “nunca dantes” mobilizado neste país.
A população, neste mega faroeste, desta vez passou a torcer abertamente para o “mocinho”. E ao lado do bandido ficaram apenas os próprios delinqüentes e alguns outros interessados na desmoralização de uma estrutura estável para o nosso país. São os que inventam “filigramas” jurídicos para arrefecer o ímpeto da inédita ação das autoridades constituídas nesta luta que se transformou em guerra.
Se o Governo perdê-la, ou houver qualquer tipo de “arreglo” que interrompa a ação policial, adeus Olimpíadas e Copa do Mundo.
Outras nações passarão a vir acompanhadas de escolta militar e, apesar de todo o nosso desenvolvimento esportivo e econômico, vestiremos o berrante uniforme de terceiro mundista.
Se, ao contrário, as autoridades correrem atrás e perseguirem até o fim todos os traficantes e assaltantes, acabando definitivamente com a estrutura que dominou nossos morros e periferias, a imagem internacional do nosso país ganhará um enorme “up grade”. Sem os temores da ação das gangues, teremos superávit na balança do turismo internacional e mostraremos que as nossas aves gorjeiam aqui melhor que as de lá.
Não só o esporte, mas todo o país está nesta guerra que mais do que nunca precisa ser vencida.
NO PÉ
“Com UPP não há Olimpíada” – É altamente preocupante a mensagem contida em um bilhete deixado por bandidos num ônibus incendiado no Rio de Janeiro: “Com UPP não há Olimpíada”.
Este fato mostra como as gangues dos morros já estavam ligadas em ações visando àqueles eventos esportivos, não se importando em jogar o Brasil no lixo perante a opinião pública mundial e causando prejuízos econômicos ao país, milhões de vezes maiores do que aqueles que eles auferiam com o tráfico e o contrabando de armas.
As Unidades de Polícia Pacificadora estão constituindo uma fórmula que, realmente, acaba com a influência dos traficantes. Urge, portanto, não ceder aos apelos de paz, permitindo que, a médio prazo, a criminalidade volte reconstituída e ainda mais forte ao Rio de Janeiro, com danos reais ao Brasil e o fim dos nossos sonhos de um grande êxito ao sediar, numa mesma década, os dois maiores eventos esportivos do mundo.
Quem cuidou de uma horta sabe que com uma carpa superficial não se extingue a danosa tiririca. É preciso cavar fundo e arrancar a batatinha reprodutora que existe em cada raiz.
“Se ganharmos esta guerra…” – Quando conquistamos as sedes da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos de 2016, a maioria dos órgãos de comunicação de nosso país citou as vantagens da obtenção da sede dos dois eventos. Desenvolvimento de nosso turismo, melhoria da infra-estrutura urbana, redução do desemprego, propaganda do país no exterior e outras grandes oportunidades de crescimento.
Creio que não se iria imaginar que conseguiríamos, pela primeira vez, vir a enfrentar um problema como a redução, ou até a extinção das gangues que dominam os morros cariocas, um objetivo de tal magnitude, que ninguém se atreveu a incluí-lo entre os possíveis benefícios e que agora se apresentou como um objetivo possível.
Oxalá a turma do “deixa disso” não interfira na atual guerra, propondo um acordo com o crime. Somente levando a luta até o fim é que poderemos extirpar este verdadeiro tumor social adquirido há meio século.
Esta também será uma vitória do esporte, com E maiúsculo.
Unanimidade gloriosa – O Brasil apoiou orgulhoso a ação das autoridades e o trabalho harmônico das Polícias Civil, Militar e Federal, do Ministério da Justiça, Exército, Marinha e Aeronáutica. Estes últimos colocaram para funcionar equipamentos chineses, que saíram de quartéis e foram às ruas demonstrando a enorme potencialidade do país quando existe união e coragem cívica dos responsáveis pela nossa segurança.
Até os meios de comunicação, normalmente mais voltados à crítica do que ao aplauso, também vestiram as roupagens éticas desta campanha e enaltecem com justo vigor a ação das autoridades.
Seria um sonho – O autor destas linhas sabe que seria um sonho, mas seria extraordinário para o nosso país se a mesma empolgação cívica que mobilizou toda a nação contra o tráfico, em um segundo momento, empunhasse a bandeira contra a corrupção. Isto poderia fazer com que as despesas com o Mundial e as Olimpíadas pudessem ter reduzidos seus custos em mais de setenta por cento, sobrando recursos para a consequente aplicação em saúde e educação.
A mesma união que aconteceu com os órgãos voltados à segurança pública na atual guerra contra os traficantes poderia reunir todos os órgãos de fiscalização, os tribunais de contas, a Polícia Federal, a Magistratura e o Ministério Público. Estes órgãos iriam receber igual dose de aplauso da opinião pública, reduzindo a voracidade de muitos políticos e dirigentes esportivos, mais interessados nas intermediações do que no brilho dos Jogos em si. É mais uma forma de ingressarmos no primeiro mundo. Um bom ponto de partida seria o reexame dos orçamentos dos últimos Jogos Pan-americanos.

