A minha São Silvestre

Os dias que circundam 31 de dezembro trazem à memória recordações da Corrida Internacional da São Silvestre. Inúmeras passagens ocorridas desde 10 de outubro de 1947, quando este jornal símbolo passou a ser publicado diariamente. Durante 30 anos, minha passagem foi na Avenida Casper Líbero, ao lado da Igreja de Santa Ifigênia, na Avenida Paulista, ou ainda a bordo do carro que acompanhava os ponteiros da então prova da Meia Noite.

Visitando Autoridades

Durante três décadas pertenci ao “staff” da prova. Entre outras missões, Carlos Joel Nelli determinava-me uma das mais destacadas, que era a de acompanhá-lo com as visitas que fazia às autoridades antes de cada corrida. Os temas eram o convite para o tiro de partida, a “coroação” dos vencedores, a interrupção do trânsito no percurso, ou a montagem das arquibancadas, atribuições do poder público.

O réveillon do prefeito ou do governador também se dava no local da prova. O diretor de “A Gazeta Esportiva” era o grande anfitrião.

Cicerone e amigo

Outra missão atribuída a mim e a Walter Ceneviva, hoje eminente jurista que também pertencia ao mais completo, era a de acompanhar e ciceronear os atletas europeus que vinham para a prova. Estas vivências permitiram-me fazer amizades com grandes nomes do atletismo mundial, como Wladimir Kutz, da Rússia, recordista mundial, Ken Norris da Inglaterra, Gastón Roelantz da Bélgica, Lassen Virren, Viljo Heino da Finlândia e muitos outros. Cada qual num contexto diferente. Alguns deles foram recebidos em minha residência.

Como era quem venceu a primeira

A São Silvestre nasceu por inspiração de Casper Líbero, o proprietário e diretor de A Gazeta Esportiva. Ele estivera na França, onde assistiu a uma corrida “aux flambleaux” , instituindo na volta a Corrida de São Silvestre, cujo primeiro vencedor foi Alfredo Gomes, defendendo as cores do Esperia, em 1925. Eu tive o prazer de entrevistá-lo décadas depois. Ele morava no Tatuapé, perto do campo do Corinthians.

Alfredo Gomes tinha um trabalho sui generis: era empregado da Cia Telefônica e sua função era percorrer as linhas de transmissão em plena Serra do Mar para livrá-las da interferência do crescimento indesejável de algumas árvores. Frequentemente, encontrava onças quando estava trabalhando, foi o que me contou na entrevista.

Correndo no meio do trânsito

As primeiras corridas eram o antônimo da grandiosidade de hoje, a chegada e a partida davam-se em frente ao prédio de A Gazeta, na Rua Líbero Badaró. Nem o trânsito era desviado, e os primeiros atletas corriam ao lado dos bondes da Light.

Nestor Gomes, o primeiro ídolo

No início da década de 30, a prova já era famosa e contava com seu primeiro astro: Nestor Gomes, que defendia as cores do C. A. Paulistano. Seu rival era Alfredo Carletta, da Sociedade Franco Brasileira, agremiação em destaque na época. Para que Nestor Gomes, desempregado, não deixasse de participar da S.S., a Gazeta ofereceu-lhe um emprego: trabalhar nas suas oficinas, na manutenção de rotativas e linotipos.

A casa nova

A Gazeta, em virtude de suas posições políticas, assumidas por ocasião da Revolução de 1930, foi “empastelada”, isto, suas instalações da Rua Líbero Badaró foram destruídas. Mais tarde, Casper Líbero ganhou na justiça uma ação indenizatória, fato que lhe permitiu construir uma nova e luxuosa sede na então Rua da Conceição, mais tarde Avenida Casper Líbero, com maquinário moderno procedente da Alemanha.

Adeus a Casper

Em 1943, quando ia para o Rio de Janeiro, em viagens de negócios, em avião da Vasp que o conduzia, bateu no prédio da Escola Naval. Casper morreu no acidente. Ele havia deixado um testamento que previa a criação da Fundação Casper Líbero.

A internacionalização

Naturalmente, a São Silvestre também teve um ajustamento do seu status, um “upgrade” de acordo com as novas proporções do jornal. Em 1945 passou a ser internacional. No início com convites somente a sul-americanos, atletas do cone sul. Nesse ano, apesar deste aumento de seu âmbito, o vencedor ainda foi um brasileiro: Sebastião Alves Monteiro.

Heino – o marco na história da S. S.

Um dos maiores marcos da história da Corrida, deu-se no ano de 1949.

Num lance de arrojo Carlos Joel Nelli convidou o finlandês Viljo Heino, recordista mundial dos 5.000 e 10.000 metros rasos, o atleta mais famoso da ocasião.

De natureza muito afável, ele fez dezenas de amigos e aglutinou a colônia finlandesa.

Adhemar torna-se o ídolo em Helsinki

Um dos atletas que se aproximaram de Viljo Heino foi Adhemar Ferreira da Silva. Mais do que trocar dicas sobre técnica e treinamento, de violão em punho, Adhemar aprendeu ternas melodias do folclore finlandês. Este aprendizado fez com que ele fosse um dos atletas mais aplaudidos entre os que participaram dos Jogos Olímpicos de Helsinki em 1952, quando se sagrou campeão olímpico do salto triplo. Pudera: um atleta negro, de um outro continente, cantando no rádio a música local somente poderia gerar aplausos e empatia.

Por amor ao esporte

 Nas duas décadas seguintes, foi possível a Gazeta Esportiva convidar para a São Silvestre os maiores maratonistas do mundo. Predominava na época o amadorismo. As despesas com a prova reduziam-se a passagem e alojamento. Estas despesas eram ainda aliviadas por permutas e troca de espaço entre veículos da Fundação Casper Líbero e das Cias aéreas. É verdade também que a prova não gerava lucro, só prestígio.

Outra disputa da São Silvestre que ficou para a história foi a de Emil Zatopeck, da Tchecoslováquia, em 1953. Ele é considerado até hoje um dos maiores personagens da história do atletismo. Inclusive leigos, pessoas não vinculadas ao esporte tomaram conhecimento de tão grande presença. Naturalmente, ele venceu a prova com grande facilidade.

Zatopeck veio ao Brasil em pleno período da “Guerra Fria”, acompanhado por dois seguranças para evitar a possibilidade dele “preferir a liberdade” e ficar por aqui. Eu tive o prazer de transportá-lo em meu carro do hotel onde ele se hospedava até o local da partida, que naquele ano foi na Praça Oswaldo Cruz, pois Nelli queria preservá-lo do assédio exagerado da imprensa. Eu havia adquirido, meses antes, um Ford 0km e, naturalmente, não fiz feio.
Outra alegria que recebi no dia 1º de Janeiro daquele ano foi na festa de premiações caber a mim a tarefa de entregar-lhe o troféu de campeão da prova.

Na “guerra fria” da época não levamos a pior. Zatopeck, seus gendarmes e até os membros do consulado tcheco em São Paulo ficaram embasbacados com os mais de 30 tipos de carnes e outros pratos oferecidos numa destas churrascarias tipo rodízio, mostrando a fartura brasileira disponível. São fatos que superam qualquer dialética ideológica.

Um novo capítulo

O capítulo da guerra fria repetiu-se quando recebemos Wladimir Kutz, da então União Soviética, no ano de 1960. Ele veio acompanhado do técnico Gregori Nikifurof e do intérprete Alejandro Belakof. Depois, verificamos que o “técnico” era o vice-ministro dos esportes da então URSS e o “intérprete” era da KGB.

Diferentemente dos tchecos, os soviéticos vieram com objetivos de nos doutrinar para as excelsitudes do regime político social e o primeiro a receber toda a propaganda, naturalmente, seria eu, seu cicerone e anfitrião. Embora formado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da USP, eu não mordi a isca, e preferi mostrar como era a vida de um jornalista e professor em São Paulo.

‘Jeitinho brasileiro’

O mostrar encontrou eco na curiosidade deles. Eu os deixei dirigir um Aero Willys novo, fabricado no Brasil, convidei-os para um cafezinho numa residência do conjunto do Instituto da Previdência, onde eu morava, casa com três dormitórios em um terreno de 500m². Depois, levei-os a Santos para comer no restaurante Caravelas, na Ponta da Praia, um santuário gastronômico dos anos 60. Trocaram-se num apartamento kitchinet no Embaré e ainda tomaram um banho de mar no Guarujá. Voltaram vermelhos como pimentão, amigos e sem a voracidade de nos doutrinar.

No dia de ir embora, os russos nos ofereceram uma dose de Vodka, trazida de suas plagas para uso interno e receberam meias de seda e material de maquiagem não encontrados naquela época nem em Moscou nem em outras repúblicas integrantes da URSS.

Ken Norris

Entre as recordações que nos deixou a corrida de São Silvestre está a visita que Ken Norris (vencedor de 1955) fez a nossa casa, acompanhado pelo destacado dirigente do esporte inglês, Mister Truelove.

Cinquentenário

Em 1975, quando a S. S. comemorava o seu cinquentenário, tivemos o prazer de dirigir a festa. Fomos o locutor oficial, comandamos a premiação do pódio e a execução dos hinos dos países vitoriosos. Lembranças que nunca se esquece.

O primeiro sintoma

O primeiro sintoma de que o amadorismo olímpico havia começado a emigrar da São Silvestre ocorreu no ano de 1962. No dia seguinte à prova, o técnico de Abebe Bikila, o atleta vencedor dos Jogos Olímpicos de Roma (famoso por ter corrido descalço), veio pedir “algo mais”, além de passagem e hospedagem. Muito constrangido, Carlos Joel Nelli concordou em pagar.

Quantidade e qualidade

A prova, embora nunca houvesse perdido o seu aspecto popular, no primeiro século de disputa esteve preponderantemente voltada para o vértice. O predomínio africano ainda não havia acontecido.

Uma combinação de fatores técnicos, logísticos e até mercadológicos levou a prova para o período da tarde, com a possibilidade de remessa da imagem para a Europa, que assim recebia a transmissão na noite do próprio dia 31.

Com o correr dos anos o número de participantes passou de 20 mil e agora seus aspectos social e popular se equivalem, se é que não superam a própria luta pelo pódio. Este total qualitativo tão avassalador anual até retirará a prova da Avenida Paulista, o que, sem dúvida, será uma perda.

Centenário

A São Silvestre caminha para o centenário. A sua duração e permanência têm a história como lastro. Embora outras iniciativas também tenham sido lançadas nas últimas décadas, nada conseguiu retirar-lhe o mérito de maior prova pedestre da América Latina.

MUNDIAL DE NATAÇÃO


Vibramos com a participação do Brasil no Campeonato Mundial em piscina curta (25 metros). Conseguimos a 7ª colocação entre 127 nações participantes. Nossa presença poderia ter sido ainda melhor, se, em vez do 3º lugar no revezamento 4 x 100, quatro estilos, tivéssemos obtido a vitória. Nada mal para a nossa natação em uma competição tão aguerrida. Afinal, conquistamos oito medalhas no certame, sendo três delas de ouro.

LINGUAGEM DOS CRONÔMETROS

O que impressionou no evento efetuado em Dubai, nos Emirados Árabes, em uma piscina cinematográfica, foi o nível técnico de todos os participantes. Recordes mundiais e recordes do campeonato foram relatados pelos anunciadores da FINA.

É uma pena que a maioria do nosso público esportivo não entenda a linguagem dos cronômetros, que transmitiu de maneira eloqüente a grandiosidade da competição.
A culpa deste desconhecimento é, em parte, dos meios de comunicação. Atualmente, os nossos veículos ocupam o espaço com entrevistas em que os nadadores ou falam o óbvio, ou nem informam a “performance” obtida por eles.

O MEU COMEÇO

Eu comecei minha carreira como repórter, cobrindo justamente a área da natação. Naquele tempo, publicávamos os resultados de todas as provas até o sexto lugar e os leitores tomavam conhecimento da maioria das marcas obtidas pelos participantes. Eles tinham assim uma ampla visão técnica do nível da competição. Eles chegavam a ser tão especializados quanto nós.

Felizmente, o que se viu pela TV, principalmente na etapa de domingo do mundial, foi uma ampla comunicação informatizada, dando a todos um outro sabor para o evento. Transformou leigos em “experts” e o espetáculo ganhou adeptos. É disso que a natação e os esportes aquáticos necessitam. Os órgãos impressos, porém, não publicaram nem mesmo as marcas com que Cielo venceu os 50 e os 100 metros livres.

O FUTURO DO BOSQUE DA FAMA

Na solenidade de plantio das árvores do “Bosque da Fama”, com o comparecimento de grandes nomes da história do nosso esporte e já divulgada neste blog, tivemos oportunidade de discursar sobre este projeto, resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Esportes e o Panathlon Club São Paulo.

Minhas palavras foram em direção ao futuro deste evento, que se consolida a cada ano em que é realizado. Vejam o que foi dito naquela ocasião:

“O programa Bosque da Fama tem como objetivo o resgate da nossa memória esportiva. Ele não se circunscreve somente a uma envolvente cerimônia anual entre uma dezena de astros do esporte que se incorpora à nossa história através do plantio de uma essência florestal nativa. Esse projeto é muito mais amplo, incluindo outras iniciativas que permitem a conquista da meta estabelecida pelos seus organizadores.

Já esta sendo preparada uma publicação com o currículo e todos os feitos de cada um dos patronos das árvores deste bosque, a fim de que as novas gerações tenham conhecimento mais detalhado dos feitos dos personagens do nosso passado esportivo.

O Bosque da Fama é um verdadeiro pantheon vegetal. A ecologia não será esquecida nessa publicação, pois também as árvores têm uma história para ser contada.

A partir do próximo ano, será desenvolvido um esforço para realizar visitas monitorizadas de estudantes, esportistas e turistas a este local, uma vez que, a partir de hoje, já existe uma quantidade de árvores madrinhas de nossos maiores campeões. Este local já pode ser considerado efetivamente um bosque.

Serão acrescentadas ainda, colateralmente a este museu esportivo e vegetal, um verdadeiro centro de cultura à memória esportiva e a restauração de uma coleção completa do jornal “A Gazeta Esportiva”, que servirá como uma fonte inesgotável de dados aos pesquisadores do esporte do passado. A municipalidade também está preparando um grande pórtico para identificar, aos frequentadores deste parque que nos envolve, onde estão situadas as árvores que nossos ídolos plantaram.

Para que o vínculo desses campeões com o Bosque da Fama não se restrinja simplesmente ao plantio das árvores, foi criada a “Ordem do Bosque da Fama”. Essa é a melhor maneira de fazer com que os homenageados sintam-se integrantes de uma comunidade privilegiada e tenham a oportunidade de ampliar a amizade com outros campeões e outras modalidades.”

EM CADA CABEÇA UMA SENTENÇA

O leitor Bianco Santos escreve a todos os colunistas da gazetaesportiva.net pedindo sugestões para uma pesquisa com o objetivo de aumentar a visibilidade do Espírito Santo, seu Estado, no cenário esportivo nacional.

O desejável sentimento de estima em favor de sua terra apresenta como meta a ser atingida a “profissionalização” do esporte como um ponto de partida, quando esse objetivo seria aceitável como meta de chegada, isto é, o final de um processo de consolidação das bases esportivas de toda a região.

A profissionalização precoce não seria o melhor caminho a seguir para se conquistar o objetivo pretendido pelo leitor, que é o de ver a terra capixaba participando e brilhando em eventos importantes da maioria das modalidades. Eu estou, já há algum tempo, escrevendo um livro que tem o título de “Esporte – Da Base ao Vértice”, justamente o tema de interesse do leitor.

Nesta obra, eu coloco alguns princípios que afirmam que, na pirâmide do esporte, somente chegaremos a um vértice técnico elevado se tivermos uma larga base quantitativa de praticantes. Nós dizemos sempre que ninguém chega ao topo de uma escada (em nosso caso o pódio olímpico) sem pisar no primeiro degrau.

Desta maneira, querer custear os iniciantes das mais diversas disciplinas esportivas, sem uma prospecção dos verdadeiros valores de uma cidade ou de um Estado, é muito prematuro. Este dinheiro, arrecadado de patrocinadores provavelmente com grande dificuldade, poderia, no máximo, contribuir para a área da inclusão social dos mais carentes.

A solução, do meu ponto de vista, é mobilizar os “sponsors” para o patrocínio de programas de alta participação, envolvendo campeonatos inter-colegiais de diversas modalidades, campeonatos intermunicipais e estimulando os centros esportivos municipais e escolas de esportes. A realização constante destes eventos (que podem levar o nome do investidor e outras promoções) valeria por um programa de prospecção de talentos que poderiam ser encaminhados para centros dedicados a atletas de alto rendimento.

É, naturalmente, um trabalho de médio e longo prazo. Não se pode pretender construir uma casa a partir do telhado, querendo resultados nas primeiras semanas de trabalho.

 Outros cronistas, naturalmente, irão pronunciar-se sobre este mesmo tema. Cada um, de acordo com suas vivências e áreas da qual são provenientes, irá dar opiniões provavelmente diferentes. É compreensível esta diversidade de conceitos. O provérbio já diz: “Em cada cabeça uma sentença”.

Preservação da nossa memória esportiva


A preservação da memória histórica é um critério de grande importância na avaliação do índice cultural de um país. Na área do esporte, que é o espaço específico desta coluna e de todo este site, é fundamental o culto aos esportistas de outras gerações que fizeram a grandeza da imagem do Brasil em diversas modalidades. Muitas pessoas hoje ignoram o nome de campeões mundiais, medalhistas olímpicos de futebol, basquete, vôlei, atletismo, judô, natação e de vários outros esportes que emocionaram os espectadores nas dezenas de décadas de prática esportiva.  

Visando a recuperação de um passado glorioso, o Panathlon Club São Paulo e a Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo uniram-se e criaram, nos espaços desta última, no Ibirapuera, o Bosque da Fama, onde cada homenageado planta uma árvore, uma essência florestal nativa, numa união a outro valor cultural nobre, a ecologia.  

No último dia 6 de dezembro, foi realizada a terceira cerimônia de um projeto de periodicidade anual, na qual uma nova leva de celebridades plantou as árvores que irão simbolizar seus feitos. Desta lista de 2010 constavam Coutinho, campeão mundial de 1962, que fez ala com Pelé nos anos gloriosos do Santos F.C., Jair Picerni, técnico vice-campeão olímpico de futebol em 1984, as voleibolistas Ana Moser e Ida, Maurren Maggi, a única medalha de ouro olímpica brasileira em uma prova feminina de atletismo, e o também medalhista olímpico de judô Douglas Vieira.  

Foram igualmente homenageados “in memoriam”, representados por seus familiares, os inesquecíveis Ayrton Senna da Silva e o campeão mundial de basquete Ubiratan (1962/Chile). Juntando-se a estes astros do passado os provenientes das duas cerimônias anteriores, já foi totalizado um total de árvores que configuram um verdadeiro bosque, pois já estavam plantadas as árvores correspondentes aos tenistas Maria Esther Bueno e Fernando Meligeni, aos futebolistas (também campeões mundiais) Zito e Pepe, aos atletas Adhemar Ferreira da Silva, João Carlos de Oliveira e Nelson Prudêncio, aos cestobolistas Hortência, Paula, Janeth, Alberto Marson, Rosa Branca e Mosquito, ao técnico de basquete Moacyr Daiuto, ao voleibolista campeão olímpico Amauri Ribeiro, aos nadadores
Gustavo Borges, Ricardo Prado, Manoel dos Santos e Tetsuo Okamoto, e ao pugilista Eder Jofre.  

Este local vai ser alvo de visitação de estudantes, esportistas e turistas. Será mais um memorial a ser visitado em nossa cidade pelo seu extraordinário simbolismo. Espera-se, com esta iniciativa, salvar do olvido o nome de inúmeros heróis que, na arena esportiva, muito fizeram para a imagem de nossa pátria.  

Maurren Maggi, Técnico Jair Picerni e Douglas Vieira

  

90 ANOS DE LAUDO NATEL  

Os organizadores da solenidade do Bosque da Fama aproveitaram a oportunidade para homenagear o ex Governador do Estado, Laudo Natel, ex-presidente do São Paulo F.C. e o dirigente que construiu o Morumbi. Laudo recebeu um mimo por ter completado 90 anos de idade. Ele fez um discurso emocionado, louvando a importância daquela festa.  

MUITA GENTE  

Entre autoridades, homenageados, panathletas e esportistas em geral a cerimônia do Bosque da Fama reuniu mais de 200 pessoas. Teve música ambiente ao vivo e a Corporação Musical da Polícia Militar para executar o Hino Nacional.  

FALECEU ANTIGA CAMPEÃ DE BASQUETE  

Um dos maiores (ou o maior) nomes das primeiras grandes equipes brasileiras de basquete faleceu na última semana. Trata-se de Adib Abujamra, que nos anos 40 integrou a seleção nacional que brilhou em vários certames internacionais, inclusive no campeonato sul-americano realizado naquela década, no Chile.  

Ela era professora formada pela Escola Superior de Educação Física de São Paulo e ocupou também lugar de destaque como docente. Pelo casamento, Adib passou a chamar-se Adib Abujamra Ferrreira. Se em sua época tivéssemos tido uma cobertura de mídia como o basquete recebe hoje, ela seria comparável a Hortência, Paula ou Janeth.

Exército: daqui não saio!

Há mais de um ano, desde que o Brasil conquistou, em assembléias memoráveis, o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, estamos escrevendo artigos sobre o perigo representado pela bandidagem dos morros.

A ação perversa dos criminosos poderia anular todas as metas que pretendíamos obter por intermédio da realização daqueles mega eventos. Além de perdermos importantes posições na economia, no turismo e no esporte, nossa imagem externa ficaria numa posição lamentável, daí a freqüência com que abordamos este assunto.

Chegamos a nos afligir com a demora do início ao combate ao crime e, no artigo da semana passada, num texto longo, nos rejubilamos, felizes com as conquistas da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão.
Sempre ficava, porém, a dúvida de um possível retorno do comando aos bandidos no Rio de Janeiro e sobre até que ponto as forças da ordem conseguiriam manter o território conquistado.

Daí veio um novo alento. Lemos em manchete a notícia de que, por influência do futuro Governo Federal, o Exército vai manter seus efetivos para a preservação dos espaços recentemente dominados até a Copa do Mundo e, provavelmente, mantê-los até os Jogos Olímpicos, dois anos mais tarde.

Esse efetivo abrange material humano e bélico de enorme poder, como vimos nesta etapa da guerra. A mobilização de recursos do Exército, Marinha e Aeronáutica, que permaneciam ociosos em quartéis e galpões, foram a razão da grande vitória. Os tanques de guerra da Marinha foram as verdadeiras vedetes desta luta que tirou uma fortuna em armas e entorpecentes das mãos dos traficantes, causando-lhes enorme prejuízo.

Não somos especialistas no assunto, mas achamos que colocar na ativa os homens e o material bélico que permanece em reserva estratégica é a forma de maximizar os recursos que os orçamentos públicos destinam às nossas gloriosas Forças Armadas. A conjuntura atual é tão séria que pode ser considerada uma guerra.

As circunstâncias são tão favoráveis às instituições do Governo que, longe de qualquer ciumeira, estão irmanados nesta luta fuzileiros navais, polícia civil, exército, pilotos da aeronáutica, policiais militares, bombeiros e polícia federal, numa atitude que faz com que cada brasileiro tenha um bom motivo para se orgulhar deles.

Os criminosos têm de ser vencidos definitivamente e, nesta altura, qualquer tentativa de uma paz com o tráfico será, por definição, provisória. Se não forem capturadas todas as armas e toda a droga, o crime voltará sequioso para assaltar as centenas de turistas endinheirados que os Jogos vão nos trazer. Parabéns para o Exército com sua expressiva declaração: Daqui não saio!

Vencida esta primeira guerra, resta ainda uma outra mais cruenta contra a corrupção, contra os bandidos de “colarinho branco”.