A seleção não é de Bernardinho

Não me conformo com a moda de alguns companheiros de crônica esportiva em chamar a equipe nacional de voleibol de “a seleção de Bernardinho”.

Sem nenhum demérito à atual geração de técnicos daquela modalidade, por mais importante que seja a sua participação no êxito de um time, eles não podem simbolizar uma nação.

A nossa seleção de vôlei não é de Bernardinho, é do Brasil!

POLÍTICOS MUDOS

Com o total silêncio de nossos dirigentes esportivos de maior destaque e, principalmente, dos principais políticos de São Paulo, consolidou-se uma situação que afasta São Paulo do Mundial de 2014. O principal estado deste país, capital nacional da cultura e da economia, está completamente alijado da Copa das Confederações e do Centro Internacional de Imprensa. Ficou evidente a mudez de Kassab, Serra e Alckmin, mais interessados em lutas partidárias internas do que empunhar a bandeira das treze listas contra os que se uniram para esvaziar o Estado Bandeirante.

QUEM ESTÁ DO OUTRO LADO

Regionalismos para alguns e, principalmente, interesses inconfessáveis agruparam políticos do Rio e dirigentes da CBF.

A imprensa internacional, numa hora de eleição da FIFA, informa que a corrupção está instalada na entidade mundial do futebol. Dezoito dirigentes estão sob suspeita, inclusive Ricardo Teixeira.

As medidas discriminatórias contra São Paulo partem de porta-vozes da FIFA, mas está claro que existe um nítido “acupinchamento” das duas entidades em favor do lado carioca.

A bandeira de São Paulo ainda está por ser hasteada.

Como a história do beija-flor no incêndio da floresta, neste blog estamos fazendo a nossa parte, lutando contra a discriminação e a favor da justiça.

CORREÇÃO DA FIFA SOB SUSPEITA

Quando declaramos a nossa opinião de que a entidade mundial não é “flor que se cheire”, vimos neste fim de semana, através da TV Record, reportagem com um jornalista britânico mostrando o quanto a Inglaterra está “mordida” com a intervenção da FIFA na eleição das sedes dos mundiais de 2018 e 2022. Acusou de suborno os votantes, afirmando venalidade do voto do Brasil. São os indícios do relacionamento mais íntimo entre Joseph Blatter e Ricardo Teixeira que fortalecem a discriminação contra o maior Estado do país.

NOTÍCIAS DE LÁ

Enquanto isso, as notícias que nos chegam do Rio falam em relaxamento na fiscalização das prestações de contas das entidades envolvidas com o Mundial, duplicação do orçamento inicial da reforma do Maracanã, ausência de recursos para a remodelação dos aeroportos do país. Tudo isto nos leva a um panorama idêntico ao dos Jogos Pan-americanos de 2007, também no Rio de Janeiro, quando a despesa ficou dez vezes maior que o orçamento inicial. Os gastos previstos serão duplicados ou triplicados até 2014 pelos investimentos públicos e privados durante a Copa e os Jogos Olímpicos. Se tem dinheiro, é lá mesmo.

POR QUE NÃO EXCLUIR TAMBÉM O RIO DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES?

A Revista Veja da última semana analisou detalhadamente o ritmo das obras de todos os estádios que servirão ao Mundial de 2014, inclusive o Maracanã, e chegou à conclusão que, por critérios matemáticos, essas obras levariam anos para terminar, podendo aquele estádio do Rio de Janeiro ser reinaugurado somente em 2038.

Com exceção do Castelão, no Ceará, que ficaria pronto em 2013, os demais têm previsões preocupantes. O Mineirão estaria terminado, mantido o ritmo atual, em 2020, o Nacional de Brasília em 2021, a Arena Amazônia em 2024, o Beira Rio em 2017, a Fonte Nova em 2015. Outros estão também em situação penosa, como o do Rio Grande do Norte e o de São Paulo, que ainda nem começaram.

A situação de atraso é geral. Fora o Ceará, não se pode garantir que algum estádio esteja pronto a tempo da realização da Copa das Confederações, que se realizará um ano antes do Mundial.

Diante deste quadro, a não ser por discriminação, por interesses escusos ou políticos, estranhamos por que os holofotes concentraram-se em São Paulo.  Nossa cidade foi ruidosamente excluída como sede da Copa das Confederações. Por que não excluíram também o Rio de Janeiro?

Quando foi sugerido que o estádio da Sociedade Esportiva Palmeiras garantidamente estaria pronto para o acontecimento e o Morumbi, com uma ligeira garibada, ainda é um grande estádio para receber o evento, a resposta foi que não tem sentido utilizar-se um campo que não sediará os jogos do Mundial na Copa das Confederações. Este argumento até que tem sua lógica, mas não é aceitável se o seu custo for alijar da festa a cidade de São Paulo, classificada entre as seis maiores do mundo e um centro cultural e econômico do Brasil.

Há muito de estranho nesta série de atitudes que estão ocorrendo. Lutar contra esta perene má vontade é a missão de Gilmar Tadeu Alves, personalidade que, com “status” de secretário municipal, foi nomeado para enfrentar todos os problemas da cidade em relação à Copa do Mundo. Esta bandeira deve também ser erguida com maior vigor por todos os titulares dos governos municipal e estadual e pelos nossos meios de comunicação.

Esta crônica já é a nossa maneira de participar deste esforço em favor da nossa cidade.

É HORA DE REAGIR

A FIFA, após excluir São Paulo da lista das sedes da Copa das Confederações, vem com outra ameaça contra os paulistas: tirar também a abertura da Copa do Mundo da nossa cidade com as alegações de sempre, a suspeita de que as instalações não ficarão prontas a tempo.

Cremos que já acabou o tempo de aceitarmos passivamente a arrogância do órgão internacional com o apaniguamento das autoridades esportivas federais e do próprio Ministério do Esporte. Torna-se necessária uma reação que pode ser feita de duas formas. A primeira é um trabalho de união de todos os dirigentes para que o Estádio de Itaquera fique pronto a tempo, removendo-se as dificuldades burocráticas, que entravam o início e o ritmo das obras. Neste particular, não deve haver espaço para rivalidades clubísticas que possam perturbar o clima de otimismo necessário para que as grandes obras se transformem de projeto em realidade.

Nesta circunstância, o Corinthians passou a simbolizar a cidade e o Estado de São Paulo e merece o apoio geral. De outra parte, o clube alvinegro deve se conscientizar que o objetivo do Estádio, há décadas projetado e nunca realizado, precisa ser efetivamente uma prioridade.

Chegou o momento de deixar de lado o dia a dia de contratações milionárias e desnecessárias, como a de Adriano, e partir para uma realização que perpetuará por um século a atual administração sob o comando de Sanchez. Todos, no limite de suas forças, devem contribuir para tirar do caminho as pedras que impeçam a conclusão das obras. Inclui-se neste aspecto a própria empresa privada, que tem como público alvo de seu marketing o Estado mais populoso e com maior poder de compra de nosso país.

A segunda parte da reação ao humilhante “status quo” que São Paulo enfrenta compete às autoridades estaduais e municipais, atualmente engalfinhando-se pela conquista da Prefeitura nas eleições do ano que vem. Nenhum político de renome comprou até agora a briga contra a perda da sede da Copa das Confederações ou as ameaças que impediriam os paulistas assistir em seu território aos jogos do Mundial. Todos continuam mudos, surdos e cegos.

As obras complementares como as vias de acesso a Itaquera, que não serviriam somente ao futebol, mas também a uma das regiões mais populosas da cidade, não receberam qualquer informação objetiva. Nossos políticos não estão aproveitando a Copa para obter recursos federais para a melhoria das condições aeroportuárias, que já são calamitosas nos dias atuais, quando centenas de milhares de visitantes estão previstos para os mega eventos dos quais seremos anfitriões.

A Federação Paulista de Futebol entrou na briga para a defesa do espectador desse esporte em São Paulo. É uma pena, mas estamos apanhando passivamente, sofrendo uma agressão sem a mínima reação.

PALMEIRAS BRILHOU!

 Sim, o Palmeiras brilhou. Não foi nos seus últimos jogos, mas por ter chegado a bom termo na construção do Estádio da Água Branca. A construtora W.Torre já retomou os trabalhos e, tanto ela quanto o alviverde esboçam uma luta pela sede paulista da Copa das Confederações. Foi a primeira manifestação de uma ação objetiva nesta lamentável maré de inatividade.

BNDES SOLTA A VERBA

 O BNDES começa a soltar o dinheiro para os diversos estádios que irão receber os jogos da Copa do Mundo. Agora o objetivo é para que os órgãos de fiscalização do Governo e, principalmente, os veículos de comunicação e o próprio povo acompanhem a aplicação destes recursos, evitando desvios de verbas e a elevação dos custos das obras, fato que aconteceu vergonhosamente nos Jogos Pan-americanos. Já está na hora de sermos um país sério.

ATÉ O PROGRESSO!

 Esta onda de São Paulo não sediar jogos da Copa das Confederações e até do Mundial acaba prejudicando o Estado de múltiplas formas, até seu próprio progresso.

O empresariado, neste momento, já deveria estar iniciando a melhoria das condições locais para receber tantos visitantes, como a ampliação da rede hoteleira e demais instalações no campo do turismo. Diante da má vontade das autoridades federais e da rompância da FIFA, eles também entram no compasso de espera, atrasando a dinamização da economia e reduzindo a oferta de emprego.

Além da agressão ao amor próprio dos paulistas, a questão da sede dos mega eventos tem graves conseqüências econômicas até quanto ao nosso progresso!

BRASIL EXPOSTO AO MUNDO

Quando o Brasil conquistou, em memoráveis congressos realizados na Europa, as sedes do Mundial de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, o nosso povo exultou. Esta era uma oportunidade de mostrar ao mundo a parte positiva do país. Neste rol incluíam-se mais de oito mil quilômetros de litoral com belíssimas e famosas praias; tínhamos também a originalidade do Pantanal, a grandiosidade de Amazônia e outros aspectos que causariam impacto a europeus ou habitantes de outros continentes.

Entre os trunfos do nosso baralho, poder-se-ia incluir o Cristo Redentor, as escolas de samba, a originalidade da Bahia, o panorama das nossas plantações que transformam a agropecuária nacional em garantia contra a fome do mundo. Complementando este quadro, há a alegria e a cordialidade do povo brasileiro.

Uma visita de centenas de milhares de pessoas transformaria cada um dos hóspedes em propagandista de nossas virtudes e iria repercutir no incremento da economia e aumentar o índice de empregos formais do país. Seria um largo passo para nos colocar entre as maiores nações do mundo. Não seríamos mais os “emergentes”, mas um país da realidade.

É verdade que esta alta exposição das particularidades nacionais perante as outras 200 nações que integram a ONU tem o outro lado da moeda. Ela também projeta luz sobre as nossas fraquezas, as nossas imperfeições e a corrupção que, lamentavelmente, ocupa várias áreas da sociedade brasileira. Ficaríamos expostos às críticas dos veículos de comunicação que, praticando o jornalismo “mundo cão”, estão muito mais interessados em nossas mazelas do que em nossas virtudes. Estes últimos dias, aliás, estão sendo muito pródigos neste particular.

Em uma única semana recebemos um punhado de más notícias. De início, que São Paulo perderá o direito de sediar os jogos do certame das Confederações por vacilações, burocracia e falta de apoio à conclusão do estádio previsto para ser construído em Itaquera. A seguir, vem a informação que o presidente da CBF teria vendido seu voto a um país árabe na eleição para sediar a Copa do Mundo de 2018. Tem também a informação de que há sérios problemas para a construção do Estádio do Palmeiras, que será um futuro postal da cidade.

Outra informação negativa que nos chega é a de que as empreiteiras que ganharam as licitações para construir os estádios da primeira fase da Copa do Mundo já recorrem ao estratagema de apelar por verbas complementares, medida fortemente usada nos Jogos Pan-americanos e que decuplicaram o custo final daquele evento.

O público ficou sabendo também que o “doping” continua comendo solto em diversas modalidades, com maior destaque para o ciclismo, grande cultor desta ilicitude.

No mesmo dia também é divulgado o estranho acordo entre a Prefeitura do Rio de Janeiro e o COB com o Comitê Olímpico Internacional, estabelecendo um contrato “secreto” que privilegia o COI na organização dos Jogos Olímpicos de 2016. Por que ele é secreto? É que deve haver muito de vergonhoso a esconder. Uma das cláusulas prevê até a proibição de recursos ao Judiciário, medida que já causou a oposição da Ordem dos Advogados do Brasil. A distribuição dos eventuais rendimentos também tornou-se alvo de contestações.

Todo este noticiário, divulgado em apenas um dia, na quinta-feira, 12 de maio, não ficará, certamente, dentro das divisas do território nacional. Com tantos correspondentes representando em nosso país os seus respectivos veículos, ele ganhou, na mesma hora, as páginas e horários dos mais influentes veículos de comunicação do mundo.

Toda a imagem positiva que fora a meta motivadora de nossa candidatura a anfitrionar os dois maiores eventos do esporte radicaliza-se exatamente no extremo oposto. Nesta altura, é preciso parar um pouco e ponderar que esta avidez por um lucro pessoal deve ser arrefecida em favor de um valor coletivo mais amplo que se chama Brasil.

O PERIGO DE MEXER COM SÃO PAULO

A notícia bomba destes últimos dias é a exclusão de São Paulo como uma das quatro sedes da Copa das Confederações, evento que se realiza um ano antes do Mundial e que vale como um teste da estrutura e organização de um país para o mega evento do futebol no quadriênio.

A citada notícia, atribuída ao secretário geral da FIFA, embora negada, contou com a complacência dos principais dirigentes do futebol nacional residentes no Rio de Janeiro.

A alegação é de que o estádio de Itaquera não estaria pronto para sediar a Copa das Confederações. Este fechar de portas com grande antecedência, partido de quem está longe da realidade nacional, demonstra um completo desconhecimento das conseqüências desta resolução.  Partiu de uma insensibilidade saxônica, que ignora que a Grande São Paulo beira 15 milhões de habitantes, sendo maior do que muitos países europeus e que o Estado bandeirante tem mais de 40 milhões, superando diversas potências mundiais.

Naturalmente, um certame que segrega os paulistas vai causar uma revolta que certamente interferirá não só no brilho da Copa das Confederações, mas do próprio Mundial. Esta atitude fará secar o entusiasmo de um Estado responsável por 33,9 por cento do PIB nacional, grande centro esportivo, com seus clubes obtendo quase sempre as melhores colocações do futebol brasileiro.

O evento sem o beneplácito de São Paulo será um evento aleijado. Vai estar incompleto.

Se os dirigentes da CBF e outras entidades federais, por regionalismo, estão apaniguados ou são cúmplices da FIFA, eles não estarão levando vantagem em podar os paulistas, pois vão ficar com o “resto” do Mundial. Na hora em que os bandeirantes verificarem que estão na segunda classe, perderão o entusiasmo pelo certame do qual o Brasil é o anfitrião.

Na África do Sul, um ano antes, também alguns estádios não estavam completos e, mesmo assim, a Copa das Confederações foi realizada nos locais então disponíveis. Morumbi, Pacaembu e até possivelmente o estádio do Palmeiras poderão ser palco de muitos jogos internacionais sem que este fato implique em qualquer grande prejuízo ou fator de vergonha. O que faltou foi vontade política ou espírito de luta de quem deveria, por obrigação, defender o Estado de São Paulo.

A responsabilidade pelo possível desinteresse dos paulistas, obviamente, está com aqueles que, como “vaca de presépio”, deram o sim aos alheios e prepotentes dirigentes internacionais.

Já há vozes dizendo abertamente que o Brasil não deveria ter lutado pela sede da Copa do Mundo.

Em tempo: Se o Maracanã não ficasse pronto para a Copa das Confederações, a CBF concordaria em tirar a sede do Rio de Janeiro?

O PASSADO COMO OBJETO DE MARKETING!

Os veículos de comunicação estão plenos de notícias que têm como protagonistas os futebolistas brasileiros que, após uma participação de destaque no exterior, retornam aos seus pagos com uma sobrecarga de anos em seus ombros.

Estes retornos, em geral, são saudados com grandes “manchetes”, mensagens de esperança e motivam o investimento da empresa privada em “marketing” do jogador e do clube.

“A posteriori”, o tom do noticiário geralmente muda e os louvores aos filhos que retornam à casa paterna desaparecem. Passam a informar o desaponto com a atuação e a ida dos super astros ao banco de reservas. Comunicam, principalmente, as contusões e os longos afastamentos para a realização de cirurgias, seqüelas que os re-importados trazem do exterior.

Adriano, o Imperador, é o melhor exemplo, Ronaldo fez alguns gols, mas jogou aqui em um período efêmero. Roberto Carlos foi vencido pela decadência própria da idade e o Rivaldo de hoje é muito menos do que aquilo que foi. Ronaldinho Gaúcho foi apresentado em um estádio lotado de torcedores, que somente queriam vê-lo em dia que não havia jogo. Ele mobilizou fortunas, criou débitos para os que venceram o seu leilão e agora está em campo com atuação discreta, em nível de companheiros de equipe que nunca receberam uma mega badalação.

O prejuízo, além dos clubes, atingiu naturalmente os patrocinadores. Estes, tentando investir no presente, estão realmente investindo no passado. O retorno em imagem para os produtos ou instituições promovidos dura pouco.

Seria muito melhor para os jogadores, para os clubes e para o próprio esporte brasileiro, que os empresários viessem a investir no futuro. O custo seria infinitamente menor e os resultados mais duradouros. Ficaria ainda, como “recall”, a imagem de ter proporcionado progresso aos jovens e ao esporte do Brasil.

Esta reciclagem de atitude poderia ser colocada na pauta das reuniões dos conselhos diretivos das principais empresas do país. Fica aqui a sugestão.

UM NÃO AO INDIVIDUALISMO!

Reportagem do “Estadão”, publicada no último domingo, chamou a atenção para o fenômeno da migração dos associados dos clubes para as academias e para as salas de ginástica dos condomínios, tendência ampliada nos últimos tempos. Esta tendência está levando os clubes a perder sensível quantidade de associados e alguns estão até em extinção. O Juventus, de 130 mil, perdeu 100 mil sócios e algumas agremiações, como o C.R. Tietê, estão agonizando.

Não se pode dizer que a educação física esteja deixando de ser praticada pela nossa população. Comparando-se à realidade de há meio século, o culto à saúde corporal e a consciência de sua significação até que aumentou.

O fato citado indica, porém, outro problema. O ser humano está se individualizando, perdendo o espírito gregário e o associacionismo está quase que desaparecendo. Uma pessoa não conversa mais pessoalmente com outra. Usa principalmente o computador, numa comunicação à distância, através de fórmulas e linguagem sincopadas.

O esporte de competição tende a perder com esta mudança do pêndulo. Não existe mais o mesmo clima para a formação de equipes de base nos certames das federações esportivas, principalmente as das modalidades coletivas.

É preciso que se faça algo para manter o clube como uma instituição. A primeira sugestão é que o próprio poder público deixe de contemplar os clubes somente como uma fonte de arrecadação, mas, ao contrário, os considere como entidades que devem ser subvencionadas como órgãos que dão uma inestimável contribuição para a formação da juventude, afastando-a dos desvios comuns a esta fase da vida.

O clube, também para os adultos, tem uma grande função social pela diversidade de atividades que proporciona. Cada real destinado ao esporte retorna em poupança nas despesas de saúde e, até, de segurança pública.

É uma pena que esta tendência ao individualismo continue progredindo, uma vez que ela indica também um avanço do egoísmo humano. Esperamos que os condomínios residenciais maiores, com estrutura para formar equipes, compensem esta perda do esporte oficial.

Conseguiremos dar um grande passo na reversão desta perda na hora em que for anunciada a primeira competição poliesportiva entre os condomínios de São Paulo. Uma sugestão para os voluntários desejosos de ver o Brasil no lugar que merece no “ranking” do esporte mundial.

MOSTRAR O QUE É NOSSO!

No mesmo tempo em que, no último sábado, além de mega eventos esportivos, eram realizadas partidas sensacionais da Série A2, decisivas para o acesso à divisão principal, a televisão brasileira projetava jogos dos campeonatos russo e argentino. Isto é uma incoerência que muito prejudica o futebol nacional. O desprezo às divisões de base significa ofuscar a visibilidade que merecem jogadores novos que defendem clubes com grande tradição (como o XV de Piracicaba, o Comercial de Ribeirão Preto e outros), que disputam certames que devem ser valorizados por todos e jamais permanecer sem a divulgação merecida.

A exceção É o bom exemplo da Rede Vida, que merece todos os aplausos dos amantes dos esportes, dos torcedores conscientes que sabem que, na pirâmide do esporte, a altura do vértice técnico depende da firmeza da estrutura da base. Ela dedica seu espaço a jogos das séries A2 e A3 e televisiona muitas pelegas equilibradas, repletas de belos lances. Mostra o que é nosso.