Recebi de minha amiga Nádia Campeão, antes dela embarcar para a Ucrânia, onde participará de um importante congresso, um artigo de Pedro Bigardi, engenheiro civil, deputado estadual e líder do PCdoB (mesmo partido de Nádia, ex-secretária municipal de esportes). Pedro é vice-presidente da Comissão de Esportes da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo e batizou seu texto com um título muito feliz: Sem São Paulo, Brasil começa a Copa perdendo
Com a forte presença, visibilidade e dimensões universais, São Paulo tem a enorme e intangível capacidade para sintetizar de maneira definitiva o encontro de etnias, raças e nacionalidades em solo brasileiro. Sem abrigar a Copa de 2014 – ou abrigando-a de forma secundária – o território paulista deixará de mostrar ao mundo a magnitude e as imagens da maior cidade e do maior estado da América do Sul. Por outro lado, sem a força, a determinação e principalmente a capacidade dos brasileiros de São Paulo, a Copa de 2014 deixará de ser um evento nacional.
Tenho acompanhado de perto as ameaças da exclusão de São Paulo não só da abertura da Copa, mas também do próprio Mundial. Esquece-se que a escolha de São Paulo para sintetizar de maneira definitiva o encontro de etnias, raças e nacionalidades não foi feito num encontro de bastidores ou num acordo ligeiro e talvez mal explicado. Esta escolha foi feita a partir da importância da Capital paulista com o tema.
Sem São Paulo neste megaevento, não serão apenas os estádios paulistas que correrão o risco de ficarem vazios. O Mundial também corre o risco de esvaziar-se.
A Copa das Confederações, que seria um evento importante para nosso Estado, São Paulo já perdeu. E estamos falando de um Estado que abriga 40 milhões de brasileiros, que tem uma prática de futebol reconhecida em todo o Brasil. Há grandes clubes, futebol por todo o interior. O Campeonato Paulista é quase um Campeonato Brasileiro pela sua dimensão. São Paulo é um centro de turismo, de negócios; São Paulo tem capacidade hoteleira, tem infra-estrutura.
Agora, perdemos o Centro de Imprensa Mundial da Copa para o Rio de Janeiro, de uma forma inexplicável. Temos o Anhembi, que é muito melhor em termos de estrutura pela rede hoteleira do entorno, pelo Campo de Marte, pela capacidade de atendimento à imprensa internacional. O Rio de Janeiro, hoje, com grande respeito pela cidade, tem menor capacidade de estrutura para atender a mídia internacional.
Estamos às vésperas do mês de julho, quando será decidido em que local haverá a abertura da Copa do Mundo. Muita gente imagina que essa discussão acontecerá mais à frente, no segundo semestre, no ano que vem. Não! Isso vai acontecer em julho e podemos perdê-la também. Os olhos de quem tomará a decisão que pode excluir São Paulo da Copa de 2014 permanecem fechados para o agudo prejuízo que esta medida pode provocar.
Essa é uma situação preocupante para os brasileiros de São Paulo, mas é igualmente preocupante para o Brasil. Todos vão perder se não conseguirmos trazer a abertura da Copa do Mundo para o Estado de São Paulo. Todos vão perder se o Estado de São Paulo for excluído da Copa do Mundo. Estamos discutindo emprego, formação profissional, geração de riquezas, distribuição de riquezas, visibilidade mundial.
É importante lembrar que além da sede na Capital, teremos as sub-sedes que receberão as seleções e as acomodarão. Todos se lembram das Copas na África do Sul, Alemanha e Espanha, que geraram uma grande integração nacional e são lembradas até hoje por isso.
Todas estas questões, inclusive, foram discutidas no grande evento que fizemos na Assembléia Legislativa, o Seminário Internacional da Copa do Mundo, realizado em 2009. Naquela oportunidade, conseguimos reunir diversos setores, vários líderes de governo, representantes de federações e da CBF, gente ligada ao Turismo, atletas, ex-atletas e lideranças de diversos países que já tinham sediado o Mundial. A partir deste encontro, desencadeou-se uma expectativa muito grande para uma agenda de trabalho que até agora não foi cumprida.
Não optamos pela rendição à realidade dos fatos. Afinal, existe uma matriz de responsabilidades assinada pelo Governo Federal, pelo Governo Estadual e pelo Governo da Capital, na qual estão claramente definidas as responsabilidades de cada ente da federação. Essa matriz foi assinada em janeiro de 2010 e até agora não se vê um movimento vigoroso no Estado de São Paulo e na cidade de São Paulo a favor da realização da Copa do Mundo.
A Prefeitura de São Paulo criou a Secretaria Especial da Copa do Mundo para tentar organizar, mas falta ao Governo do Estado entrar mais decisivamente nessa questão. Falta o comitê local da Copa do Mundo do Estado dialogar com a Assembléia Legislativa, com o Governo Municipal. Não é possível que a discussão entre partidos fique acima dos interesses do povo paulista, que sairá perdendo se os interesses partidários de 2012, de 2014 ou sei lá de quando se sobrepuserem.
A história mostra que, desde que cada setor envolvido cumpra o seu dever, projetos da envergadura estão destinados ao sucesso. São Paulo é esse esforço multicultural, étnico e coletivo que todo o país conheceu e valorizou. Sem São Paulo, entraremos na Copa já perdendo de muito; substituindo o espírito de abnegação, ousadia e esforço coletivo pelo conformismo, pela miopia e a ênfase em complicadas e desastrosas tramas de bastidores.
Mostrem para o ministro!
Nós concordamos inteiramente com o teor deste trabalho. Se necessário, assinaríamos embaixo. É uma pena que o Ministro do Esporte, Orlando Silva, não faça coro com os seus companheiros do PCdoB em São Paulo.
Suas declarações estão para endossar as posições tomadas por Ricardo Teixeira que, por sua vez, está mais interessado em tirar vantagens pessoais e políticas, em desnudar São Paulo de qualquer privilégio.
Nossos companheiros da TV Record, também esbulhada pela gestão suspeita da CBF e da FIFA (através da influência de Teixeira), estão fazendo um brilhante trabalho esclarecendo quem e porque está do lado de lá.
Masters do Paineiras em destaque
Antonino Silva, past-presidente do Panathlon Club Mococa, encaminhou-nos um trabalho de pesquisa da nadadora master Maria Cecília Figueiredo Nardi, com base no ranking da FINA. Esta entidade publica anualmente o TOP 10, isto é, os dez melhores resultados obtidos na temporada em todas as faixas de idade da natação masters, quer em piscina curta (SC) ou piscina longa (LC), além dos melhores nadadores de todos os tempos.
Este trabalho, direcionado especificamente para a turma masters do Clube Paineiras do Morumbi, mostra uma significativa presença desta agremiação, mesmo quando avaliada segundo padrões mundiais. Nada menos de seis nomes estão nele incluídos:
*- José Loro (Zebra) – Listado como TOP 10 de todos os tempos na prova de 50m Costas em piscina curta e longa. Além de ser TOP 10 de 2010 nas provas de 50m e 100m Costas em piscina curta, tudo na categoria mais de 60 anos.
* Nadir Taubert – Melhor tempo do Mundo em 2010 na prova de 200m Borboleta categoria mais de 75 anos. Prova esta da qual até os “meninos” com menos de 40 têm medo de participar.
* Douglas Alpino – Listado TOP 10 em 2010 na prova de 200m Costas categoria mais de 70 anos e revezamento 4X50m livre categoria 280+.
* Raul de Thuin – Revezamento 4X50m livre categoria 280+.
* Nelson Campelo – Revezamento 4X50m livre categoria 280+.
* Lorival Dias – Revezamento 4X50m livre categoria 280+.
Seria interessante se o esforço de Maria Cecília Nardi fosse além do seu interesse pelo Paineiras e nos contasse como estão alguns veteranos brasileiros no ranking dos melhores de todos os tempos, nadadores como Maria Lenk e outros que competiram até o final da própria existência.