A festa é local mas os 25 Estados ajudam a pagar

Não é frequente eu responder aos comentários que nos chegam dos nossos leitores. Recebo frequentemente palavras de aplauso de amigos, ou de discordância de apaixonados radicais que, algumas vezes, esbarram na descortesia. Abrimos uma exceção ao leitor Paulo Pinheiro que não concordou com a opinião expressa em artigo recente, lançando mão da argumentação que merece uma observação de minha parte.

Disse-nos ele em seu e-mail que não vê o porquê desta nossa implicância com o Rio de Janeiro. E continuou: “o que você chama de “lobby” não será apenas o trabalho de marketing que qualquer Estado brasileiro poderia fazer, mas o Rio faz com mais competência? Não existem, por exemplo, mais deputados federais de SP do que do RJ?”

Paulo… a coisa não é bem assim. Dificilmente a escolha da sede de um mega evento é atribuição da Câmara Federal, portanto, não depende do número de deputados votantes. Esta volúpia por posições de comando (benesses nem sempre aceitáveis) baseia-se em um poder político esportivo que caracteriza o Rio. Lastreia-se em uma cultura regional. A cidade é a sede do Comitê Olímpico Brasileiro, da CBF (herdeira da CBD) e das Confederações dos principais esportes praticados em nosso país: futebol, voleibol, basquete, natação e outros com presidentes eternizados em seus postos.

Eu tenho 85 anos de idade e 65 ligados ao esporte nacional. Já exerci vários cargos e, entre eles, o de presidente da Federação Paulista de Natação. Vi delegações em que 90 por cento dos nadadores participantes dos campeonatos sul-americanos eram de São Paulo e 90% dos dirigentes eram do Rio de Janeiro.

É este poder político-esportivo dos Ricardos Teixeiras, dos Nuzmans, dos presidentes das Confederações citadas e dos governos municipais e estaduais do Rio, o que leva a direcionar tudo para uma única cidade, esquecendo-se que o COB e as Confederações desenvolvem uma atividade de âmbito nacional e não abrangem somente o Rio de Janeiro.

Quase todos os mega eventos realizados na Cidade Maravilhosa recebem recursos do Ministério do Esporte, Petrobrás, Correios e outros órgãos federais, sustentados pela arrecadação proveniente das outras 25 unidades que compõem a nossa República. Este fato, por si só, mostra a falta de equanimidade. A escolha da sede não deve ser produto simplesmente de um “lobby” ou de maior competência na área do marketing. Tem que haver justiça.

Ainda que, numa hipótese impossível, fossem usados somente recursos estaduais ou municipais, as arrecadações de fontes derivadas do turismo e de diversas rendas dos próprios eventos, não seriam nunca auto-sustentáveis. Isto provocaria grandes prejuízos aos orçamentos e uma conseqüente falta de recursos para a educação, saúde, transportes e, principalmente, para a segurança pública, cuja carência é reconhecida nacional e internacionalmente.

Em 1963, por descuido carioca ou prestígio consolidado do Major Sylvio de Magalhães Padilha, os Jogos Desportivos Pan-americanos foram efetuados em São Paulo. Alguns dirigentes do Rio de Janeiro nem compareceram às cerimônias dos Jogos. Paradoxalmente, o lucro obtido com o apoio estadual, com a bilheteria e uma gestão idônea inteiramente voluntária gerou um saldo significativo e condições para a aquisição da sede anterior do COB na Rua da Assembléia.

Resumindo: grande parte dos encargos é de origem nacional. Os proveitos com os espetáculos e a arrecadação com o turismo ficam para o Estado ou para a cidade.

            A contribuição dos outros

 

Neste e em outros artigos de nosso Blog estamos sempre chamando a atenção da desproporção (seria melhor dizer “exclusividade”) do Rio de Janeiro em relação às demais unidades do nosso país no que tange à sede dos mega eventos que, para se tornar realidade, contam com verbas federais, portanto, de todos os Estados.

O IBGE divulgou recentemente os dados relativos a participação de cada Estado no Produto Interno Bruto (PIB) Nacional. Seguem os dez mais e os dez menos do nosso país:

1º. São Paulo: 33,1% de participação no PIB Nacional
2º. Rio de Janeiro: 11,3%
3º. Minas Gerais: 9,3%
4º. Rio Grande do Sul: 6,6%
5º. Paraná: 5,9%
6º. Santa Catarina: 4,1%
7º. Bahia: 4%
8º. Distrito Federal: 3,9%
9º. Goiás: 2,5%
10º. Pernambuco: 2,3%

Menos:

1º. Roraima: 0,2%
2º. Acre: 0,2%
3º. Amapá: 0,2%
4º. Tocantins: 0,4%
5º. Piauí: 0,6%
6º. Rondônia: 0,6%
7º. Alagoas: 0,6%
8º. Sergipe: 0,6%
9º. Rio Grande do Norte: 0,8%
10º. Paraíba: 0,8%

            Mais dois

 

Depois do Festival da Juventude, mais dois outros mega eventos também se abrigarão no Rio de Janeiro: o Mundial de Judô de 2013 e a disputa da luta UFC, que se tornou uma das mais populares entre as artes marciais da atualidade. A fome ainda não está saciada.

            Medo da “faxina” da Dilma

 

O “Estadão” do último domingo publicou uma entrevista do presidente da FIFA, Joseph Blatter, concedida ao jornalista Jamil Chade, na Suíça.

Entre as “barbaridades” ditas pelo confuso dirigente máximo do futebol mundial, estava a informação de que o Rio de Janeiro é a cidade mais adequada para receber “também” a abertura da Copa. Ele deu “uma banana” para os esforços dos diretores do Corinthians e das autoridades governamentais estaduais e municipais que tanto estão se empenhando para que o “Itaquerão” esteja pronto a tempo de dar um espetáculo de alguma valia a um Estado fora do Rio de Janeiro.

Mais adiante, Blatter se abriu e disse que era mais fácil “dialogar” com Lula do que com Dilma Roussef. Pudera… até ele, cuja integridade é discutida pela imprensa mundial, também está com medo da “faxina” que a nossa presidente começa a fazer nos que não se comportam bem.

O Esporte perde Marcello de Castro Leite

O esporte de São Paulo perde uma das suas maiores figuras e este colunista um de seus maiores amigos.

Morreu Marcello de Castro Leite, um Esportista (com E maiúsculo) que brilhou nas várias frentes em que lutou num tempo em que os dirigentes esportivos eram efetivamente voluntários e a ética prevalecia nos estádios e quadras.  Ele nasceu em Santos, em 16 de janeiro de 1916, tinha 95 anos e faleceu de um tumor nos pulmões no último dia 23.

Marcello destacou-se nos anos 30 por liderar a fundação da Liga Santista de Voleibol, a primeira entidade do Estado de São Paulo desta modalidade esportiva, que precedeu a própria Federação Paulista.

Em seguida, ingressou no Santos FC, onde em pouco tempo passou a integrar a diretoria daquele clube paulista e a representá-lo na Federação Paulista de Futebol, entidade da qual também tornou-se dirigente, com atuação ativa no futebol estadual.

Assumiu a seguir o cargo de diretor da Divisão de Esportes do SESI, onde teve uma atuação brilhante. Os Jogos Desportivos Operários de sua gestão foram épicos, altamente divulgados em páginas inteiras de A Gazeta Esportiva. Este dirigente trabalhou durante anos no SESI. Criou uma excelente equipe de atletismo no SESI de Santo André e incorporou ao seu brilhante currículo excelente contribuição ao atletismo bandeirante.

Em 1974, em companhia do autor destas linhas e outros ilustres esportistas, fundou o Panathlon Club São Paulo, o pioneiro do Brasil. Esta entidade é filiada ao Panathlon International, com sede na Itália e tem por finalidade lutar a favor do esporte ético, a amizade entre seus membros, combater a violência, a corrupção e o doping no esporte. O movimento panathlético reúne hoje mais de 30 países, em 300 unidades, sendo 22 no Brasil. Marcello presidiu por 17 anos o Panathlon da Capital paulista.

Sem Marcello, o Esporte de São Paulo ficou mais pobre. Agora que ele passa a integrar a história esportiva, a expectativa é de que seu nome seja relembrado por iniciativas que visem preservar a sua memória merecedora das maiores homenagens.

Mais um mega evento para o Rio

A volúpia do Rio de Janeiro querer açambarcar todos os mega eventos realizados em nosso país foi o tema do nosso blog em 26 de julho, que ainda se encontra à disposição de nossos leitores.  O título “Para os outros, nada?” resumia praticamente todo o contexto do artigo, que recebeu dezenas de mensagens de apoio, sobre a discriminação de 25 unidades da Federação em favor de apenas uma.

Os jornais de quinta-feira, 18 de agosto, noticiam que o Papa Bento XVI confirmou a próxima “Jornada Mundial da Juventude”, que está sendo realizada este ano em Madri, para o Rio de Janeiro. O “lobby”, provavelmente feito em favor da Cidade Maravilhosa, deve ter sido tão grande que até a periodicidade do evento foi alterada. Por causa da Copa do Mundo de 2014, aquela realização (marcada este ano por uma série de protestos na capital da Espanha) foi antecipada para 2013.

Num grupo de amigos que comentavam este fato, uma voz mais ferina saiu-se com uma frase que não deixou de ser hilária: “Precisamos estar atentos se alguém lá do Rio, mais radical, resolver pedir ao Papa a mudança da Padroeira do Brasil. No lugar de Nossa Senhora Aparecida, que seja indicada a da Candelária!”

É hora da FIFA “baixar a bola”!

A disputa de uma Copa do Mundo é uma grande oportunidade para a FIFA reforçar a sua caixa (que por sinal anda bem robusta) e proclamar a sua autoridade e a sua força afim de que todos os países conheçam o seu poder e se acomodem em uma vassalagem de cordeiros.

Quando o Brasil foi eleito sede de um dos maiores eventos da atualidade do esporte, até que a entidade sediada em Zurique exultou com o resultado. O nosso país, potência emergente, a sétima ou oitava economia do mundo, tinha escapado praticamente imune àquela primeira crise mundial de 2008 e possuía condições plenas de se submeter a regras contratuais e despesas com arenas que superavam em muito as avaliações iniciais. Muita tinta dos nossos jornais foi gasta em noticias de exigências, algumas estapafúrdias, que iriam sacrificar por muitas décadas os investimentos em educação, saúde, transporte e infra-estrutura portuária.

Autoridades esportivas, principalmente as da CBF, por razões conjunturais, políticas ou mesmo por interesses econômicos, entraram em acordo e aceitaram sem relutar reformas desnecessárias no Maracanã e descartaram, “a priori”, sem discussão, o Morumbi, que já foi o principal estádio da iniciativa privada do mundo. Alem destes dois casos, também orçamentos públicos federais, estaduais e municipais foram sangrados, com grandes prejuízos sociais e fortemente apontados pela quase unanimidade dos veículos de comunicação de nosso país.

Neste agosto, o mês de desgosto, um novo dilúvio inundou o mundo da economia mundial, praticamente sem nenhum país na arca de Noé. Dúvidas acerca da capacidade de alguns países europeus pagarem suas dívidas, principalmente a Itália, geraram grande nervosismo nos mercados financeiros. O quadro piorou com a discussão acerca do teto da dívida nos EUA e o rebaixamento da avaliação dos Estados Unidos por uma das três agencias que regulam o setor, a Standard&Poor’s. Todas as nações do planeta foram afetadas e não se salvou ninguém. Na segunda-feira 8 (só faltava ser dia 13), só no Brasil o índice Bovespa caiu 8,08%, o segundo mais alto do mundo.

O “Estadão” de 09 de agosto dava a notícia que as empresas, com esta baixa, perderam 147 bilhões nesse dia (poucos investimentos em estádios passam de 1 bi). As ações da Petrobras se desvalorizaram em 22 bi, e as da Vale 21 bi.

Este panorama é mundial e não somente brasileiro. As autoridades estão falando que, comparativamente, seremos um dos menos atingidos. Com esta fotografia reproduzida e ampliada em outros países, a FIFA não vai conseguir o financiamento desejável para as concessões que ela iria negociar diretamente com o mercado em favor do seu próprio caixa.

No Brasil, obviamente, o apoio que se contava da iniciativa privada e mesmo a oficial correm um sério risco de ficarem no terreno das promessas. Todos (governo e empresariado) vão refazer contas e cálculos, o que também acontecerá em estados e municípios.

Na opinião deste modesto escriba, chegou a hora dos dirigentes do Brasil (esportivos e do governo) chamarem a FIFA às falas e, com a personalidade que devemos ter neste momento, mandá-la “pegar leve” nas suas exigências iniciais. A economia mundial não é mais a mesma.

Adiar para ver como é que fica e atitudes contemplativas só aumentarão a dimensão do estrago quando a bomba estourar.

Mais condições para o esporte – O momento é agora!

Nesta época do ano passado, a comunidade esportiva de São Paulo e alguns setores da Assembléia Legislativa mobilizaram-se a fim de obter da cúpula do governo um aumento substancial de recursos para os esportes olímpicos de nosso Estado. É inviável atender todas as necessidades de uma importante área sócio-cultural com as verbas vigentes nos dias presentes de um pouco mais de meio por cento do orçamento estadual.

Esta realidade obrigou os últimos Secretários do Esporte a lançar mão de medidas que oneram a atividade de clubes, federações, comissões municipais de esportes e outros órgãos que correspondem à base do nosso esporte, medidas essas que seriam impensáveis há algumas décadas, principalmente no tempo em que o Major Sylvio de Magalhães Padilha era diretor do Departamento de Educação Física e Esportes do Estado de São Paulo (DEFE).

Até recentemente, o poder estatal procurava facilitar em tudo o que fosse possível a vida daqueles órgãos que representam os primeiros degraus da infra-estrutura do esporte. Enquanto hoje existe um indisfarçável movimento provocando o despejo das Federações que funcionavam em próprios estaduais, no tempo de Padilha foi construído um edifício específico para abrigá-las. Nos anos seguintes até os espaços disponíveis do Ibirapuera foram destinados às entidades de várias modalidades e à Associação dos Atletas Veteranos de São Paulo.

Em um curto espaço de tempo Padilha conseguiu a construção dos conjuntos da Água Branca (prédio das federações, piscina coberta, ginásio coberto – Baby Barioni – e o edifício dos alojamentos) e do Conjunto Constâncio Vaz Guimarães, com os Ginásios Geraldo José de Almeida e Mauro Pinheiro, a piscina e a pista de atletismo (hoje denominada Ícaro de Castro Mello).

Pelo alojamento em próprios estaduais era cobrada uma pequena taxa para cobrir somente as despesas operacionais com a limpeza e a lavagem da roupa dos apartamentos.

Quando o transporte ferroviário era fundamental para o deslocamento de passageiros, o DEFE, precursor da Secretaria de Esportes e Turismo, fornecia passes para delegações de equipes de esportes individuais e coletivos que participariam de competições das federações amadoras.             Os Jogos Abertos do Interior e os Jogos Regionais eram implementados com verbas próprias do Governo, sem sangrar os concorrentes.

A insensibilidade de setores de alto escalão que planejam e aprovam os orçamentos dos últimos anos levou a este contraste na história do esporte paulista. Salvo reformas, nada mais na área de obras foi realizado. Agora, existem taxas caríssimas de ocupação para o uso dos próprios do Estado, que oneram federações e inviabilizam eventos. Que se cobre a ocupação para grandes “shows”, com objetivos específicos de lucro é válido, mas cobrar de um evento infanto-juvenil ou colegial que têm o objetivo de alargar a base quantitativa do esporte paulista, não é aceitável.

Fomos informados que, para que os Jogos Regionais não fossem extintos, a Secretaria hoje é obrigada a cobrar inscrições por prova dos municípios inscritos naquele evento e nos Jogos Abertos do Interior.

Obviamente, a culpa por esta situação não é daquela Secretaria, mas dos setores das cúpulas do Executivo e do Legislativo que, querendo economizar, diminuem a freqüência da juventude nas praças de esporte e aumentam o consumo de drogas e a criminalidade. É claro que o Estado vai ter que gastar em segurança pública, internações de menores e em saúde uma cifra muitas vezes maior do que “economizam” no esporte, na educação física e recreação sadia para a juventude.

Apesar do movimento do ano passado não ter surtido o resultado desejado, já é hora de fazer nova campanha pelo aumento do orçamento de 2012 e mudar tudo isso. O momento é agora.

O Brasil na aquática mundial

O Brasil conquistou quatro medalhas de ouro no Campeonato Mundial de Natação realizado na última semana em Xangai (quatro medalhas com três nadadores diferentes), sem contarmos outras classificações entre os finalistas das provas oficiais do programa. O fato de serem nadadores diferentes mostra que temos uma natação bastante promissora e não apenas um ou dois campeões, pois primeiros lugares obtidos pelo mesmo atleta não têm o mesmo significado desta diversidade.

Sem dúvida, a natação brasileira vive nos últimos cinco anos o seu melhor momento desde o início de sua prática como modalidade esportiva organizada. Esta conclusão está lastreada na nossa experiência em diversos mandatos no comando da natação paulista (de 1960 a 1964 e de 1992 a 1995), e por termos ocupado por mais de uma década o cargo de membro do conselho técnico da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), precursora da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

Dois fatos influíram para colocar nosso país entre as principais forças da natação mundial: o aumento da base (do número de praticantes desta modalidade) e a melhoria do conhecimento profissional dos nossos técnicos.

Em São Paulo, nos anos 60, procuramos aumentar a quantidade de praticantes, estimulando os clubes do interior do Estado, e criando as “regiões” que até hoje subsistem. Este esforço, entretanto, esbarrava na dificuldade da falta de piscinas e problemas de natureza econômica e social. O Brasil não havia passado ainda pelo desenvolvimento industrial e agrícola que hoje o coloca entre os oito maiores do mundo. Apenas a classe A e parte da classe B tinham acesso a uma piscina e à militância nos esportes aquáticos.

Não tenho conhecimento de que, nos anos 60, um afro-descendente, ou mesmo os miscigenados tivessem participado de uma competição aquática. Estas barreiras atingiam principalmente a população de baixa renda, fato superado atualmente com os natatórios e as equipes de centros educacionais geridos pelo poder estatal. Hoje, a natação é acessível a praticamente toda a nossa população e o número de pessoas que nadam é infinitamente superior ao da época de Manoel dos Santos ou Tetsuo Okamoto.

Enfim, confirma-se a regra que, na pirâmide do esporte, a altura do vértice técnico depende da largura da base quantitativa.

Coroando este fenômeno social, verifica-se que o êxito esportivo do Brasil contou também com uma evolução da cultura especializada de nossos técnicos de natação, fisiologistas, nutricionistas e outros estudiosos que puseram à disposição de nossos nadadores emergentes o máximo de tecnologia de ponta dos processos de treinamento, além de outros fatores que influem nas performances dos competidores da primeira grandeza.

É verdade que o intercâmbio e a super tecnologia também trouxeram a vergonha do “doping”, que esperamos seja devidamente erradicado para então atingirmos o destaque mundial sem esta mácula.

Na realidade, esta promoção do estágio de coadjuvante para o de protagonista da natação mundial é mais uma amostra da potencialidade do Brasil em outras áreas da atividade humana.

É verdade que podíamos ter ido ainda melhor, além dos quatro ouros obtidos por César Cielo (2), Felipe França (50 peito) e Ana Marcela Cunha (25 km) na maratona aquática. Thiago Pereira e Kaio Márcio, de certo modo, decepcionaram em Xangai. Mas se considerarmos que nosso primeiro bronze aconteceu em 1952, em Helsinque, estarmos no quarto posto coletivo, somente após os Estados Unidos, China e Rússia já é uma glória.