Uma boa e outra muito má!

Uma boa

Tão empolgante quanto os dois gols da seleção brasileira na partida que nos deu o título continental em Belém, foi o espetáculo das arquibancadas durante a execução do hino nacional.

O hino pátrio foi cantado pela multidão que lotou o Mangueirão, com tamanho entusiasmo e patriotismo, que até quem assistiu a festa pela televisão não deixou de se emocionar. Quando o cerimonial oficial concluiu a música no final da primeira parte, as arquibancadas e gerais se encarregaram de cantar por conta própria a segunda estrofe, criando uma atmosfera que, sem dúvida, influiu na motivação de nossos jogadores e até no resultado da partida.

Foi enorme o contraste com outras solenidades de abertura de partidas dos nossos campeonatos, nas quais os jogadores não cantam ou balbuciam as estrofes do hino pátrio e, muitas vezes, como já denunciamos em outros artigos do nosso blog (que antes era chamado de coluna), as torcidas nem paravam de bater os seus bumbos.

Esperamos que o exemplo dos paraenses encontre eco em nosso país, que nesta época, com tantos desafios pela frente, necessita mais do que nunca de patriotismo e consciência cívica.

Uma muito má!

Do outro lado, um balde de água gelada em todos que aspiram ver o Brasil menos subdesenvolvido foi a notícia veiculada nos jornais desta sexta-feira, último dia de setembro.

Foram divulgados os informes das despesas com o sorteio de grupos das eliminatórias da próxima Copa do Mundo. Os dados confirmam o que se temia. Um superfaturamento de praticamente todos os itens, alguns deles revoltantes. Para o curto espaço de tempo que o evento ocupou, a diretora de atendimento ganhou 54 mil reais. A Marina da Glória foi locada por R$ 3.747 milhões. O cachê de artistas do show concomitante ao sorteio custou R$ 416 mil reais, a cenografia R$ 2.246 milhões e o diretor de TV/ imprensa ficou com 162 mil. O aluguel de uma das 70 cadeiras com braço era de 204 reais cada (com um pouco mais dava para comprar uma!).

Naturalmente, devido ao caráter “especial” do evento, não houve concorrência pública e a missão de realizá-lo (por muitos milhares de reais) foi atribuída à GeoEventos, empresa das Organizações Globo e Grupo RBS.

As despesas reais e substanciais com a Copa de 2014 ainda estão na fase de previsão orçamentária e a primeira que realmente aconteceu já nos brindou com esse péssimo exemplo.

Pelas perspectivas que estão surgindo neste horizonte nebuloso, o Brasil vai muito mais lamentar do que se ufanar da conquista dos dois mega eventos da década, uma vez que estas mazelas podem nos desnudar perante a mídia de todos os países que integram o nosso planeta.

Nadir no posto de Maria Lenk

Em cerimônia realizada no último sábado (24/9), a nadadora mocoquense Nadir Lacerda de Figueiredo Taubert recebeu a láurea do “Top Ten”, ou seja, a da melhor nadadora do mundo em sua faixa etária (75 a 79 anos) na prova de 200 metros nado borboleta.

É muito gratificante, mesmo na categoria máster, ser a melhor do mundo. Até recentemente quem integrou este ranking como a número um foi Maria Lenk. Agora uma mocoquense, da época de ouro da aquática daquela cidade, volta a ser a melhor do mundo.

Nós fomos convidados para comparecer ao evento da consignação do prêmio em Ribeirão Preto e então pedimos ao grande amigo Cel. Sebastião Corrêa de Carvalho para nos representar naquele ato. Ele teve o cuidado de tirar do site da FINA o “Top Ten” dos 200 borboleta feminino e confirmar a proeza de nossa conterrânea. Vejam o “ranking”:

WOMEN 75-79  -  200  M.   FLY      

 5:23.68 NADIR TAUBERT     BRA    

 5:45.67 KAYO OKADA        JPN    

 5:51.44 JANET MOELLER     USA    

 6:10.16 S. FARLAND        AUS    

 6:54.15 PEONY MUNGER      USA    

 7:31.51 AILSA DUNCAN      AUS    

 7:36.72 JEAN DUNCAN       USA    

 7:45.00 A.BUTTARINI       ITA    

 8:04.27 DIANE MUELLER     USA    

 8:27.36 MARIA RUIZ        BRA

Em décimo, como vemos, outra brasileira.

Esporte perde Luciano Baccalá

A militância de seis décadas e meia na crônica delegou-nos a missão e a responsabilidade de transmitir os fatos mais significativos ocorridos neste período. É a função do resgate da memória esportiva do nosso Estado e do nosso país.

Não se pode dizer que estamos centralizando nosso interesse somente no passado, pois quem acompanha este blog deve ter percebido que a nossa preocupação, apesar da idade, é sempre com o presente e principalmente com o futuro.

Todavia, há ocasiões em que não podemos deixar de contar aos leitores mais jovens ou aos colegas das gerações de jornalistas da atualidade fatos que não poderiam deixar de ser registrados, muitos deles pesarosos, como o falecimento de excelentes atletas ou dirigentes, dos quais muitos nunca tinham ouvido falar.

Estas considerações são um preâmbulo para informar o falecimento de Luciano Baccalá. Médico, formado pela Escola Paulista de Medicina, ele foi o grande astro da equipe de sua escola nas inesquecíveis Pauli-Polis da época. Mais tarde foi um dos principais “cortadores” da FUPE e da seleção universitária de São Paulo nos certames da CBDU.

Formado, Luciano defendeu clubes de nossa cidade, principalmente o EC Pinheiros, e integrou a seleção paulista no Campeonato Brasileiro. Pertenceu também ao Panathlon Club São Paulo.

Luciano Baccalá dedicou-se profissionalmente à medicina esportiva e trabalhou no Clube Atlético Monte Líbano. Era casado com Dalva e teve três filhas, muito bem sucedidas profissionalmente.

Ele era irmão de Luiz Baccalá, um ícone da história do esporte e da medicina pelos importantes cargos que exerceu nestas duas áreas.

À família enlutada, os sentimentos deste escriba que acompanhou toda esta história e foi amigo pessoal de Luciano Baccalá.

Também Di Dio

O obtuário dos jornais noticiou nesta semana o falecimento, aos 83 anos, de Renato Di Dio que também teve seu nome vinculado à esgrima e ao esporte universitário.

Neste último mês São Pedro chamou para seu reduto outros grandes nomes do passado, como Walter Abrahão, Fábio Lazzari e Marcello de Castro Leite cujos passamentos foram registrados por nosso blog.

Meirelles já!

Os jornais da última semana publicaram a notícia que o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, poderá acumular o cargo de organizador da Copa do Mundo de 2014 com o de presidente do CPO, Conselho Público Olímpico, órgão máximo da organização dos Jogos Olímpicos de 2016. A autorização foi dada através do Decreto 7.560, publicado no dia 9 de setembro.

O próprio Henrique Meirelles informou que o intervalo de dois anos entre os dois eventos viabiliza a acumulação de cargos.

Toda a população brasileira ficou satisfeita com o fato. Ela deseja ver Meirelles em atividade e no noticiário da mídia o mais breve possível. Sua permanência por oito anos no Banco Central deixou-lhe uma imagem de grande capacidade administrativa como gestor das finanças do nosso país, além do reconhecimento geral por sua idoneidade ilibada.

Quando quase todos estão altamente preocupados com o possível mau uso dos recursos públicos destinados a estes dois mega eventos, quando aumenta a possibilidade de corrupção, o nome de Henrique Meirelles vale para aplacar esse temor. É verdade que ele vai ter que usar muita coragem para segurar a volúpia dos contratados e fornecedores que vêem a Copa e os Jogos Olímpicos como a grande oportunidade de enriquecimento através de procedimentos que não primam pela licitude.

Henrique Meirelles é a esperança dos cidadãos conscientes que não querem o estouro dos orçamentos da Copa e dos Jogos Olímpicos, causando a conseqüente perda de recursos, não só para a educação e saúde, mas também para obras estruturais responsáveis pelo malfadado “custo Brasil”.

Queremos ver Meirelles logo em ação, de mangas arregaçadas, autorizando custos justos e fechando as portas para a corrupção e a malandragem.

A calamidade ocorrida no Pan-americano de 2007, em que o orçamento extrapolou e ficou 10 vezes maior que o inicial, não pode se repetir.

A aprovação de uma legislação especial para as despesas da Copa que, em nome da pressa e da agilização, dispensa medidas de controle exigidas para todas as contas públicas, já é sinal de alerta para a ação dos mal intencionados, deixando os brasileiros, como se dizia antigamente, “de orelha em pé”.

A esperança é Meirelles.

Nadadora master no “Top Ten”

Uma nadadora “master” da minha querida cidade de Mococa – Nadir Lacerda de Figueiredo Taubert – conquistou um lugar no “Top Ten” da natação master internacional. Ela classificou-se entre os que obtiveram os dez melhores resultados do ano da natação “master”, segundo ranking da FINA, a Federação Internacional de Natação.

O troféu correspondente ao seu feito será entregue no decurso do XVI Torneio Aberto Brasil Master de Natação, programado para os dias 24 e 25 deste mês de setembro, em Ribeirão Preto, na Sociedade Recreativa e de Esportes daquela cidade. Altas autoridades, nadadores veteranos e gente do esporte mocoquense estarão prestigiando esta significativa premiação.

Com o Bosque da Fama a história não morrerá

Foto: Fernando Dantas/Gazeta PressA Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo em parceria com o Panathlon Club da capital paulista programaram para o próximo dia 12 de dezembro a quarta edição da solenidade referente ao programa Bosque da Fama.

Trata-se de uma iniciativa que tem por objetivo o resgate da memória esportiva do Estado realizada de forma “sui generis”. Cada homenageado planta uma árvore que leva o nome do atleta, sua modalidade esportiva, seus principais títulos e a espécie botânica da muda plantada.

O Bosque fica no Ibirapuera, onde se localiza a Seme e o Centro Olímpico. Já conta com um verdadeiro Bosque pelos exemplares plantados nas três primeiras cerimônias pelas mais representativas figuras do nosso esporte, entre elas Maria Esther Bueno, Paula, Hortência, Nelson Prudêncio, Janeth, Mosquito, os futebolistas Pepe, Zito e Coutinho, o judoca Douglas Vieira, os nadadores Manoel dos Santos, Gustavo Borges e Ricardo Prado e, “in memoriam” Adhemar Ferreira da Silva, João do Pulo, Tetsuo Okamoto, Ayrton Senna, entre outros.

No presente momento, os organizadores estão entrando em contato com um novo contingente de figuras de primeira linha do esporte nacional para figurarem entre os homenageados, o que ocorrerá em dezembro, época em que se realiza aquela solenidade. Para integrar o Bosque da Fama, quem plantar uma árvore deve ser medalhista olímpico, campeão ou recordista mundial ou ter uma grande obra em favor do esporte nacional.

A preservação da história do nosso esporte torna-se cada vez mais importante, principalmente neste momento em que a avidez pelo dinheiro deixa em segundo plano os verdadeiros valores esportivos, quando se vê atletas (não usamos o termo esportista) abrirem mão da honra de defender a seleção brasileira em eventos olímpicos em favor de outros interesses ou por um punhado de dólares.

No Bosque da Fama o atleta será lembrado por um organismo vivo, uma árvore proveniente da flora nativa nacional e não pela marca de um pé ou uma mão impressa no cimento. Pelo número de grandes nomes que já figuram neste Bosque, ele tornou-se um atrativo que será incluído no roteiro turístico da capital de São Paulo e objeto de visitas educativas para estudantes.

Com este Bosque nossa história não morrerá!