Cuidado com elas!

A insurreição das Polícias Militares da Bahia e do Rio de Janeiro teve uma repercussão que vai permanecer ainda durante muito tempo. Nos dias da crise, ela foi motivo de ampla divulgação em nosso país e no exterior, principalmente pela diversidade de abordagens que ela oferecia.

Muitos consideraram a questão do ponto de vista do incremento da criminalidade, amplamente aumentada nos dias da greve. Outros ficaram perplexos com a ousadia da invasão do prédio da Assembléia Legislativa, justamente por uma classe que tem a missão de preservar a lei e a ordem.

O “affair” demonstrou a vacilação de políticos no exercício da gestão pública. Eles não exerceram uma plena autoridade neste episódio, quando era a única forma de preservar a ordem e o estado de direito. Este ângulo deixou claro o paradoxo do Governador Estadual que, meses antes, na campanha eleitoral, fazia a apologia da greve e logo depois teve a obrigação moral de combatê-la com todo o rigor.

Este incidente acarretou ainda uma discussão de cunho ideológico na área jurídica. Houve até radicais que tiveram a ousadia de defender o direito de greve para uma categoria que tem a responsabilidade precípua de preservar a segurança dos habitantes de todo o país. Felizmente predominou nos órgãos de comunicação e, consequentemente na opinião pública, a repulsa ao movimento grevista e o aplauso ao encarceramento de seus principais líderes, policiais militares e bombeiros.

Compreende-se, até, a reivindicação de melhor remuneração para um trabalho de risco como é o policial, mas a paralisação da atividade para chegar a “benesses” é inaceitável.

Quando o incidente já estava adiantado, aumentando sua adesão nos quartéis, escutas telefônicas, autorizadas pelo Ministério Público, mostraram que até táticas terroristas, incêndios de viaturas e paralisação do tráfego nas estradas estavam na programação, no melhor estilo de um movimento subversivo e bandido.

Inclusive a escolha dos locais e das datas próximas ao Carnaval da Bahia e Rio de Janeiro deu ao movimento o sentido de “chantagem”. O objetivo era o de surpreender as autoridades num momento em que a segurança pública tornava-se ainda mais necessária nos folguedos momísticos.

A Copa e os Jogos Olímpicos

Este fato vale como um alerta, daqueles de tirar o sono, para as autoridades ligadas ao esporte. Se o Carnaval (de realização anual a mais de um século), já serviu para a citada chantagem, o que dizer dos dois mega eventos previstos para 2014 e 2016 – a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Se a ameaça a um singelo Carnaval já causou um grande estrago e preocupações, o que se pode esperar das duas maiores coberturas da mídia esportiva mundial?

A breve insurreição do Carnaval deste ano já repercutiu intensamente na imprensa mundial. O Brasil não foi poupado pelos principais veículos e agências de informação e que causaram o cancelamento de vários pacotes turísticos, com sérios prejuízos econômicos para nossa nação. E o que dizer de uma situação análoga nos dois grandiosos certames internacionais?

Numa hora em que, em termos políticos, econômicos e sociais é fundamental uma excelente imagem do Brasil no exterior, meia dúzia de líderes carreiristas colocam em perigo o turismo nacional, a nossa economia e retiram o emprego de muitas centenas e milhares de habitantes do país.

Está na hora de nossas autoridades mostrarem coragem e não cederem a pressões ideológicas ou eleitorais. John F. Kennedy ganhou o Prêmio Pulitzer de literatura quando escreveu sobre os vultos da história de seu país que souberam dizer não quando submetidos a pressões.

Nos próximos quatro anos, é preciso estarmos com o olho muito vivo nos arrivistas que buscam, através deste tipo de subversão, a consolidação de uma liderança para conquistar cargos eletivos e políticos. Basta apenas analisar a biografia daqueles que nos comandam há dez anos

De mutreta ninguém esquece

A nova geração de leitores pertence a uma faixa etária que não sentiu a revolta do torcedor brasileiro com o destino dado à Copa do Mundo de 1978.

Já na semifinal, a Argentina (que jogou depois do Brasil) entrou em campo sabendo que somente se classificaria para a decisão final contra a Holanda se vencesse na semifinal, no mínimo, por quatro a zero frente ao Peru, equipe que até então tinha tido um desempenho excelente naquela Copa. Entrou então em campo uma mutreta de alto coturno e o país andino acabou perdendo por 6 a 0, favorecendo os platinos que se tornaram campeões do mundo. O Brasil foi vice invicto e campeão moral.

Somente agora, trinta e quatro anos depois, apareceram os detalhes da vergonhosa transação, que não mereceu nenhuma atitude mais firme da FIFA, hoje tão intrometida.

O Judiciário argentino abriu, no ano passado, investigações contra o ex ditador peruano Francisco Morales Bermúdez e, na semana passada, pediu a sua prisão contra crimes de seqüestros e assassinatos. Depondo nesse processo, o ex-senador peruano Genaro Ledesma revelou dados inéditos sobre o certame de 1978. Disse ele que a “entrega” do jogo por goleada foi pactuada entre os dois ditadores que governavam os dois países na época: Bermúdez (Peru) e Jorge Videla (Argentina).

A moeda de troca foi a Argentina ficar temporariamente com exilados contrários ao governo peruano. Além disso, Bermúdez recebeu empréstimos e a doação de 14.000 toneladas de trigo.

Está claro que a Copa de 1978 foi decidida fora de campo.

Novamente “pixados”

Continuamos na nossa campanha para a melhoria de imagem do nosso país no exterior nesta década dos mega eventos e, a cada dia, chegam notícias que nos afastam deste objetivo.

O “motim” da Polícia Militar da Bahia – força armada não pode fazer greve – já começou a dar sua contribuição para “pixar” o nosso país. O Consulado dos Estados Unidos no Rio de Janeiro emitiu uma nota de alerta e desaconselhamento de viagens de norte americanos à Bahia enquanto durar esta situação de falta de segurança. Isto inclui o Carnaval. Os pacotes turísticos para o período momístico estão sendo cancelados levando a um prejuízo econômico, a uma perda de receita que as autoridades tanto desejavam.

Um fato deste, como qualquer outro que seja desairoso ao Brasil, já ganhou uma cadeira cativa na imprensa do exterior, a começar pela inglesa, que tem uma bronca endêmica contra o nosso país. Fomos destaque negativo na BBC e em muitas agências noticiosas transmitindo informes pelos cinco continentes. O El Pais, espanhol, disse que em Salvador o crime ganhou as ruas. O El Clarin, da Argentina, também tirou sua casquinha, divulgando com destaque matéria venenosa.

Afinal, Salvador é uma das mais prestigiosas sedes da Copa do Mundo de 2014.

Se não quisermos aumentar o prejuízo é chegado o momento de o governo baiano agir com energia, esquecendo a doutrina populista do partido que governa tanto o Estado quanto a nação.

Prioridade mal escolhida

Fiquei revoltado quando li a notícia que, por arbítrio de Andres Sanchez, o Todo Poderoso diretor de seleções da CBF, deixou para segundo plano o preparo da equipe brasileira para os Jogos Olímpicos. Em vez de destinar as vagas privilegiadas pela FIFA para os jogos da nossa seleção olímpica, que estará em Londres dentro de cinco meses, ele preferiu destiná-las a nossa seleção principal, que disputará a Copa do Mundo do Rio de Janeiro somente em 2014, daqui quase três anos.

Esta mudança revela uma ignorância histórica do significado de um evento que tem uma tradição de milênios e integra o ponto mais alto da escala de valores de qualquer cidadão medianamente culto.

Vários fatores apontavam para que, neste semestre, as luzes da ribalta iluminassem na Olimpíada uma plêiade de jogadores jovens na qual já estão Neymar e Ganso. O Brasil vem de bons desempenhos em certames Sub-20, e nosso país, sem dúvida, ganharia a mídia mundial neste efervescente período pré-olímpico.

Devemos nos lembrar que os órgãos de comunicação andam à procura de fatos específicos do período pré-olímpico. O Brasil entraria em foco na divulgação internacional, o que seria de grande interesse para o nosso país, que caminha para um upgrade em seu prestígio mundial. Lembremos que os Jogos Olímpicos reúnem mais de 200 nações e terão uma cobertura internacional maior do que o próprio Mundial de Futebol.

Na frente interna, o fato do Brasil nunca ter sido campeão olímpico seria um tema para a motivação e mobilização da nossa opinião pública.

Oxalá, nesta medida inoportuna da CBF não haja o dedo da Globo, que perdeu para a Record a exclusividade de transmissão do certame programado para Londres.

Em muitas modalidades (natação e atletismo, por exemplo) o título de campeão olímpico tem mais peso que o de campeão mundial.

A população brasileira precisa colocar o esporte olímpico em uma posição mais elevada na escala de valores e melhorar com isso seu índice de nação desenvolvida.

Este texto pode ser enquadrado nos objetivos da campanha sugerida em nosso último artigo. Nele, eu defendo a tese de que cada cidadão deveria defender a integridade moral brasileira e não aceitar qualquer desmando como vaca de presépio.

Parabéns ao STF

 

Queremos cumprimentar o Supremo Tribunal Federal pela decisão de manter a autoridade do CNJ, sob presidência de Eliana Calmon. Qualquer atitude em defesa da moralização tem a conseqüente repercussão positiva, alastra-se para outras áreas, notadamente entre os responsáveis pela administração da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Se nem o Judiciário vai ter moleza na hora de ser julgado, obviamente este espírito vai abranger também as empreiteiras e os órgãos governamentais ligados aos mega eventos.

Um leitor escreveu ao “Estadão” que votaria em Eliana Calmon se ela fosse candidata a presidência da República. Eu também e, creio, grande parte da população brasileira.