Juiz de Fora tem na Faculdade de Educação Física um justo motivo de orgulho

Estivemos neste último fim de semana em Juiz de Fora. A razão desta viagem foi participar do Congresso e Assembléia Geral do Distrito Brasil do Panathlon International, entidade de caráter mundial que visa preservar o culto à ética em todas as modalidades esportivas.

A programação geral daquele evento, além dos assuntos ligados ao panathletismo, previa um lado cultural, onde aquela cidade mineira apresentaria aos congressistas as suas atrações e pontos de interesse, principalmente seu patrimônio na área do ensino universitário.

A “vedete” da mostra que Juiz de Fora exibiu, plena de orgulho. foi a Escola de Educação Física da Universidade Federal. Nunca vimos em instalações voltadas ao ensino desta matéria um parque esportivo tão completo. Inserido no meio de um bosque, possui uma estrutura com uma pista digna de grandes eventos, utilizáveis até em certames de âmbito internacional, com uma tribuna para milhares de espectadores. O mesmo pode ser dito da piscina e do ginásio. Há ainda modernas quadras de voleibol, handebol e tênis. Não faltam também um exuberante auditório e um bosque para envolver este conjunto.

O autor destas linhas, que conhece por causa de sua profissão muitas instalações esportivas, pode dizer que a Faculdade de Educação Física de Juiz de Fora ou é a maior e melhor do mundo ou está entre elas. O seu acesso é franqueado a todos que querem visitá-la. A quem gosta de viajar e de conhecer o nosso país, sugerimos uma ida a Juiz de Fora para verificar o que acabamos de contar. É um bom motivo para ufanar-se do Brasil.

NO PÉ

Acreditamos que Toninho Fernandes, panathleta e presidente recentemente eleito para a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) lerá este artigo e começará a avaliar uma forma de brindar essa pista de alto nível com uma competição do seu mesmo padrão, de âmbito nacional ou internacional. Nossos amigos mineiros merecem.

“Mateus, primeiro os teus”

Eu continuo impressionado com o espaço exagerado que vem sendo dado, nas emissoras de TV e nos veículos gráficos, ao futebol internacional. É certo que o leitor e o espectador de nosso país não devam ignorar os principais fatos esportivos que ocorrem no resto do mundo, entretanto, pessoalmente achamos um erro a disparidade do volume de divulgação dos fatos esportivos ocorridos no Brasil e no exterior.

É óbvio que as notícias sobre os outros reduzem as disponibilidades de divulgarmos as nossas, fato que causa sensível prejuízo não só ao futebol, mas a todo o esporte nacional, principalmente às divisões de base, à estrutura de acesso ao estrelato nacional e internacional.

Já enfatizamos mais de uma vez em nosso Blog a importância de uma base quantitativa para que tenhamos na pirâmide do esporte um vértice técnico de elevado padrão. Transmite-se hoje, ao vivo, jogos de quase todos os países que militam no futebol europeu, times que ocupam o terço inferior da tabela de classificação dos respectivos campeonatos. Enquanto isto, partidas de nossas segunda e terceira divisões, com a participação de equipes de prestígio, o máximo que conseguem é um singelo resultado seco, sem nenhum comentário.

Enquanto o melhor do banquete da divulgação vai para países que chegam até a nos ignorar, os jogos das divisões menores do nosso país muitas vezes nem migalhas recebem. As vítimas desta segregação da mídia são clubes que já foram campeões estaduais, como o Internacional de Limeira e outros que envolvem importantes regiões, como a Ferroviária, a Francana, o América de Rio Preto, o Comercial e o Botafogo (os dois esquadrões de Ribeirão Preto, que se revezam entre a primeira e a segunda divisão), o São Bento de Sorocaba (que elegeu até o Mitidieri na FPF), o EC Taubaté (que simbolizou o futebol do Vale do Paraíba), o Marília, a Portuguesa Santista e outros. Todas estas nossas agremiações foram substituídas por clubes do exterior que, para sabermos onde ficam, é necessário recorrer ao mapa-múndi, ou a um atlas bem detalhado.

As divisões A2 e A3 são etapas para um clube subir aos mais altos degraus do pódio do prestígio. Todas as divisões existentes, incluindo até as infantis e juvenis (que não conseguem ter nem os resultados publicados) são a base que sustenta o futebol de primeiro nível. Cada uma destas divisões já é um estágio desta escada. Ninguém chega ao seu topo sem pisar no primeiro degrau.

A única exceção a favor da tese que defendemos neste momento é a Copa São Paulo de Futebol Junior, uma obra dedicada ao futuro criada pelo amigo Fábio Lazzari, recentemente falecido, e pelo esportista Paulo Soares Cintra. Mesmo assim, a sua grande final, no dia 25 de janeiro, data da fundação da cidade de São Paulo, é “atropelada” pelo início do Campeonato Paulista e demais campeonatos Brasil afora.

Se este espírito de divulgação da base for ampliado pelo patrocínio de eventos de futebol amador, ou pela divulgação do futebol varzeano, ele poderá promover o aparecimento de mais talentos. Os participantes que não tiverem os méritos para ser um campeão, ainda assim poderão contribuir para o esporte como dirigentes, árbitros, jornalistas ou fiéis freqüentadores dos estádios.

Voltando à concorrência dos estrangeiros na distribuição do espaço dos jornais e da TV, um velho provérbio talvez resuma tudo o que procuramos dizer nesta crônica:

“Mateus, primeiro os teus”.

 

Fair Play para o XV de Piracicaba

Noticiamos em nosso último post que o E.C. XV de Novembro estava prestes a vencer o Troféu Fair Play, que equivale ao título de Campeão Paulista da Disciplina. O resultado desta avaliação, após o encerramento da fase classificatória do “Paulistão”, foi o seguinte:

1º – XV de Piracicaba       – 39 pontos perdidos

2º – Corinthians                  – 42 pontos perdidos

3º – Santos                           – 47 pontos perdidos

O menos “delicado” dos clubes foi o Guaratinguetá com 83 pontos. O critério para a classificação é a perda de 1 ponto por cartão amarelo e 3 pontos por cartão vermelho.

A entrega deste prêmio está prevista para o próximo dia 10 de maio, no Clube Esperia, em uma solenidade conduzida pelo Panathlon Club São Paulo em parceria com a Federação Paulista de Futebol.

Campeonato Paulista da Disciplina: XV de Novembro com a mão na taça!

Desde 1995, o Panathlon Club São Paulo, entidade particular vinculada ao Panathlon International, com sede na Itália, outorga o Troféu Fair Play, destinado às equipes que disputam o Campeonato Paulista de Futebol. Trata-se de uma parceria com a Federação Paulista dessa modalidade e destina-se a premiar o clube mais disciplinado do “Paulistão”.

A avaliação do vencedor é feita pelo número de cartões que cada time recebe: a cada amarelo, o infrator perde um ponto e, a cada vermelho, três. No regulamento leva-se em consideração somente a fase classificatória, momento em que participam todas as 20 equipes concorrentes.

Um levantamento da apuração parcial, feito após a penúltima rodada desta primeira etapa, apontou a liderança do XV de Novembro de Piracicaba, com 34 pontos perdidos, 4 pontos a frente do Corinthians (vencedor dos dois últimos anos), que aparece em segundo lugar. Em terceiro há um empate entre Santos e Palmeiras, ambos com 45 pontos.

O clube mais violento e menos disciplinado é o Guaratinguetá, com 81 pontos perdidos.

A vantagem piracicabana é considerada folgada. Se os jogadores do XV não fizerem nenhuma loucura na partida que lhes falta contra o Mogi Mirim, no próximo domingo, certamente o clube será “Campeão Paulista da Disciplina”, um título respeitável para aqueles que apreciam um futebol sem violência.

O prêmio é um troféu e um diploma que, por ser oficial, leva o logotipo e a assinatura do presidente da Federação Paulista de Futebol. Eles serão entregues em meados de maio, numa cerimônia que terá o comparecimento dos organizadores, dos clubes da 1ª Divisão, autoridades, convidados e membros do Panathlon de São Paulo e de Piracicaba, além da crônica esportiva.

Também o técnico Estevam Soares receberá um diploma, pois a comissão organizadora considera muito importante a contribuição deste profissional numa conquista como esta.

Desde que foi instituído, já receberam o Troféu Fair Play os seguintes clubes:

1995         -       São Paulo F.C. e América de Rio Preto

1996         -       S.E. Palmeiras

1997         -       Santos F.C.

1998         -       São Paulo F.C.

1999         -       Portuguesa de Desportos

2000         -       São Paulo F.C.

2001         -       Botafogo F.C.

2002         -       C.A. Juventus e E.C. Santo André

2003         -       Paulista (Jundiaí)

2004         -       S.E. Palmeiras

2005         -       Santos F.C.

2006         -       Portuguesa de Desportos

2007         -       S.E. Palmeiras

2008         -       Paulista (Jundiaí)

2009         -       E.C. Santo André

2010         -       S.C. Corinthians Paulista e A.D. São Caetano

2011         -       S.C. Corinthians Paulista

A primeira medalha de Prudêncio

O “Estadão”, visando criar desde já uma atmosfera de interesse para os Jogos Olímpicos de 2016, está publicando aos domingos um caderno sobre cada modalidade. Fala naquelas páginas das possibilidades de nossos atletas para o evento programado para o Rio de Janeiro e conta um pouco da história de cada esporte olímpico.

O último trabalho foi sobre o Atletismo. Entre as matérias da pauta, foi destacado Nelson Prudêncio. Dele constavam seus dados biográficos, sua brilhante participação nos Jogos Pan-americanos realizados no México e suas duas medalhas olímpicas.

A reportagem, que ocupou toda a última página daquele caderno, despertou-me muitas recordações, pois este atleta, até hoje um grande amigo, tem muito a ver comigo.

Após fazer o então curso primário em Lins, onde nasceu, ele foi residir em Jundiaí e cursou a Escola Industrial Antenor Soares Gandra, da qual eu era professor. Com os alunos, construímos uma quadra de voleibol e outra de futebol de salão, ambas de terra. Não havia verba para aquele estabelecimento de ensino da rede pública.

Ágil como ele só, era um dos melhores do time de futsal de sua classe e, por esta qualidade, foi apelidado de “Pelé”. Seu time, no final dos anos 50, venceu o Campeonato Interno da Escola e eu tive o prazer de entregar a ele a sua primeira medalha, à qual vieram juntar-se, anos mais tarde, a de prata, nos Jogos Olímpicos da Cidade do México (1968) e a de bronze, nos Jogos Olímpicos de Munique (1972).

Durante os anos 60, o município de Jundiaí construiu seu ginásio de esportes, conhecido localmente como “Bolão”, e a pista de atletismo, obras estas necessárias para a cidade sediar os Jogos Abertos de 1961. A última vez que o vi na “Terra da Uva” já foi saltando extensão e triplo. Ele ainda era desconhecido naquela época.

Mesmo formado em Escola Industrial e estando preparado profissionalmente para trabalhar em uma empresa deste ramo, ele resolveu seguir os apelos da Educação Física e dos esportes que já ocupavam os seus sonhos. Foi estudar na Escola de Educação Física de São Carlos, da qual se tornou professor muito prestigiado. Atualmente é vice-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo.

Fico feliz com estas recordações, quando me lembro que o meu palito de fósforos ajudou a acender a chama de um ideal que se transformou numa grande carreira. Há uma década, quando Nádia Campeão, então Secretária Municipal de Esportes, resolveu candidatar São Paulo para sede dos Jogos Olímpicos (aspiração vetada por Nuzman), era Nelson Prudêncio quem estava sentado na parte central da mesa principal, e quem falava em nome de todos os atletas.

Os verdadeiros campeões não nascem em berço de ouro.