Salvemos o CR Tietê!

Recebemos da leitora e amiga Sally Palmeiro, presidente do Conselho Deliberativo do Clube de Regatas Tietê, um texto datado de 7 de junho (data em que este clube comemorava 105 anos de existência), manifestando toda a sua revolta contra o executivo municipal.

Um projeto que tramita na Câmara concedeu a renovação de comodato para oito clubes, cujos contratos haviam expirado, entretanto o tradicional clube vermelhinho foi discriminado e deixado fora dessa concessão. A grandiosidade desta agremiação, sua história gloriosa é um dos principais capítulos do meu livro “Tietê – O Rio do Esporte”, impresso pela Phorte Editora, do qual já foram vendidas mais de 18.000 cópias e no qual conto o que aconteceu com a Chácara Floresta nas últimas doze décadas.

Compartilho da justa revolta da Sally, pois, levado pelo meu pai, freqüentei este o CR Tietê desde os 5 anos de idade, aprendi a nadar no Rio Tietê, fui professor e, mais tarde, técnico de natação tieteano, antes de me dedicar ao jornalismo. Contemplei todos os aumentos patrimoniais, resultantes da incorporação do São Paulo FC e da AA São Bento, espaço físico em que já brilharam grandes astros como Friedereich e atletas do Corinthians de 1917 a 1926.

Vou contar nas próximas colunas deste nosso blog as glórias do CR Tietê, dividindo-as em artigos semanais. Nossos leitores poderão saber o que aconteceu naquela região entre 1890 (mesmo antes do Tietê ter sido fundado) e os dias de hoje.

Para começar, porém, é melhor passar a palavra para Sally, inspiradora deste artigo e de diversos outros que certamente virão. É importante desfraldar a sua bandeira, que é a de todos os tieteanos e esportistas de bom senso.

“Que crime o Clube de Regatas Tietê cometeu para ser assim tão discriminado pelo executivo municipal que, ao enviar à Câmara Municipal um projeto concedendo a renovação de contrato de comodato para oito clubes cujos prazos haviam expirado, deixou o clube fora dessa concessão?

 

Seria por falta de informações sobre a verdadeira participação do Tietê na história do esporte amador, pelo qual vem lutando há 105 anos?

 

Por mais de 70 anos o Tietê, com seus próprios recursos, formou grandes atletas que defenderam as cores do Brasil no esporte amador. De um charco que era o terreno quando lhe foi dado em comodato, à custa das taxas dos associados, foi construído um clube completo, com 23 modalidades esportivas. Agora, além de querer colocar na rua todos os seus associados (na maioria pessoas com mais de 60 anos e que foram seus atletas no passado) ainda deseja passá-lo para uma faculdade (Zumbi dos Palmares) que nunca fez nada na área esportiva, só entrou no Tietê através do executivo municipal e nunca cumpriu sequer o combinado de ajudar nas despesas. A essa faculdade foi entregue um prédio inteiro, onde funcionava a maior parte dos departamentos esportivos do clube, todo o patrimônio que seus associados construíram com tanto sacrifício. Nunca foi paga a taxa combinada, nem água e luz que usam.

Ainda para castigar mais aquele que já está caído, a Prefeitura elaborou um decreto desapropriando uma área que havia sido adquirida pelo Tietê, situada ao lado da represa de Guarapiranga, alegando que irá construir um parque linear. Se pudéssemos vender este terreno para o qual já se apresentaram vários compradores, o Tietê teria recursos suficientes para pagar todas as suas dívidas e ainda continuar em sua tarefa: formar atletas amadores.

Infelizmente, o CR Tietê teve, no passado, gestões que não souberam honrar suas tradições, deixando o clube em situação difícil, deixando os problemas para o grupo gestor que agora administra o clube, todos veteranos e antigos defensores das cores do vermelhinho. Os funcionários do clube, que lá estão há mais de 30 anos, também serão os grandes prejudicados.

Por esse motivo, pedimos que analisem melhor essa decisão e incluam o Clube de Regatas Tietê na lista dos que serão beneficiados com a prorrogação do contrato. Podem estar certos de que esse grupo de velhinhos, como dizem, irá mostrar o que pode ser feito quando se tem amor por um clube que é a sua vida. Caso ele venha a desaparecer, será o decreto de morte para esse pessoal que está acostumado a ir todos os dias ao Tietê para ainda praticar o seu esporte e ver os amigos.”

 SALLY B. PALMEIRO – Associada desde 1950 e presidente do Conselho Deliberativo.

 

Participe da campanha!

A lista dos oito clubes, cujo projeto o executivo enviou aos vereadores renovando o contrato de comodato, não incluiu o Tietê. Para reparar a situação, o vereador Adilson Amadeu preparou uma emenda para incluí-lo. É necessária a pressão junto à comunidade pelos meios de comunicação e, para tanto, convidamos a todos os esportistas favoráveis às reivindicações tieteanas para participarem da programação abaixo:

Dia 26/06/2012, terça-feira, às 14 horas – Câmara Municipal

Concentração em frente ao prédio.

Dia 30/06/2012, sábado, às 11 horas – Clube de Regatas Tietê

As portarias serão liberadas para associados, ex-associados, simpatizantes e familiares.

Compareçam, ajudem o Tietê a não terminar de maneira tão dramática a sua participação na vida da cidade.

Mais Prefeitura!

Fui contemplado com a multa de mais de 4.000 reais (fora as despesas de reparo) referente à calçada de uma propriedade que tenho na Vila Formosa. A Prefeitura não perdoa. Viu buraco na calçada, lá vai multa ao munícipe e mais arrecadação para a municipalidade.

Que tal se, da mesma forma, o cidadão que encontrasse buracos ou irregularidades nas vias públicas também pudesse multar a Prefeitura por inatividade e danos causados aos veículos de transporte e atraso para chegar ao trabalho?

A essência da questão é a mesma!

Investimento caminha para prejuízo

Quando foi noticiada a conquista da exclusividade da transmissão dos Jogos Olímpicos pela Rede Record, confesso que fiquei satisfeito com este fato. Em tese, sou contra o monopólio da divulgação e o privilégio de uma única emissora, situação que favoreceu a Globo desde quando os direitos de transmissão pela TV foram instituídos pelo Comitê Olímpico Internacional.

A citada exclusividade permite passar a toda a nossa comunidade, como verdade definitiva, informes sobre fatos que são somente de uma emissora ou de um grupo de repórteres ou noticiaristas.

Esta situação poderia ser minimizada pela alternância da exclusividade, mas, ao que parece, este desejável revezamento não está acontecendo pela parcimônia de noticiário olímpico que a emissora do Bispo Macedo tem apresentado até agora.

Faltando poucos dias para a inauguração da grande festa londrina, é desapontador o conteúdo olímpico que já foi para o ar pela Record. Com diversas alternativas para ocupar o espaço disponível na grade da programação da emissora, o esporte olímpico tornou-se secundário na preferência em sua escala de valores.

A Rede Globo, atenta a este fato, aproveitou a oportunidade para ampliar o noticiário olímpico e não deixou de atender seus telespectadores, implementando matérias na sua emissora de esportes da TV por assinatura (Sportv – Canais 38 e 39).

Não é por falta de material humano próprio que a Record está se restringindo. Ela contratou para a cobertura um contingente de excelentes profissionais, capazes de mostrar os Jogos de Londres no mesmo nível do 1º time da Globo.

Ainda há tempo de salvar pelo menos parte do investimento feito com a conquista da exclusividade. Não aproveitar estes dias com boa divulgação olímpica é entrar definitivamente em um grande prejuízo.

Um pontapé no traseiro da intolerância

É compreensível que tanto a FIFA quanto o Comitê Olímpico Internacional pressionem os países sede do Mundial de Futebol e dos Jogos Olímpicos para que a realização daqueles mega-eventos se aproxime ao máximo possível da perfeição.

A participação (que muitos chamam de intromissão) dessas entidades internacionais, entretanto, ultrapassa o controle das questões que seriam de sua égide, como arbitragens, sorteio das chaves, capacidade dos estádios etc., para pretender mudar a legislação do próprio país, interferindo em decisões como o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios. O interesse financeiro se sobrepõe a uma lei cujos bons propósitos são indiscutíveis.

Elas interferem, por exemplo, na programação político-administrativa, como a construção de metrô, de aeroportos e até em inúmeras obras que, por onerarem um orçamento geral, têm que levar em conta outras prioridades: educação, saúde e segurança nacional. No confronto entre pão e circo, não podemos esquecer do pão.

Embora esta interferência passe bem longe do justo e do correto, seria até admissível em uma fase de fartura e de sobra de recursos orçamentários de um país sede. Na atualidade, porém, quando uma crise econômica atormenta os cinco continentes, esta insistência das entidades máximas visando, além dos jogos perfeitos, o reforço de seus caixas, precisa haver uma revisão da atitude tomada até agora e adotando-se uma dose massiva de tolerância, pois nem países importantes da Europa estão isentos desta crise.

Na realidade, é o comportamento da economia mundial que vai determinar o rumo a seguir, pois as dificuldades, que não são somente nossas, vão se encarregar de dar um pontapé no traseiro dos intolerantes.

“Pique-pique”, “Pique-pique” e “Meia-hora”

Outro dia, em um aniversário da família, após cantarem o “Parabéns a você”, versão do “Happy Birthday”, veio o “Pique”, sempre subseqüente ao canto importado da tradição norte-americana.

O tradicional grito nacional, todavia, difundido em todas as comunidades, é hoje diferente de suas origens. O original é: “pique-pique”, “pique-pique”, “meia-hora, meia-hora” e não “é hora, é hora”, como cantam os jovens (e até alguns maduros) nos dias atuais.

Este “canto de guerra” foi criado por estudantes em um bar na Praça do Patriarca, bem próximo da Faculdade de Direito. De lá, ele ampliou seu âmbito até se generalizar e chegar ao Ponto Chic, no Largo do Paissandu.

Alguns estudantes de direito foram os criadores de muitos fatos que se incorporaram à nossa história, fatos esses acontecidos principalmente nos anos 40 do último século.

Na série de cânticos, além do “pique-pique”, havia o “Quim-quim-quero, miri-miri-miri-mate”, seguido dos versos que diziam: “O Nicodemo, oh gela uma”. Nicodemo era um conhecido garçom daquele famoso bar da Praça do Patriarca.

Outra tradição proveniente dos acadêmicos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco foi o “trote”. Ele era muito criativo e não obrigava, como nos dias de hoje, os futuros colegas a concessões até sexuais, ultrapassando as normas da tradição e chegando a práticas condenadas pelo código penal.

Um trote que eu não esqueço foi aquele de um veterano de Direito que mandou um calouro medir a Rua Direita com um palito de fósforo. Naturalmente, ele não chegou ao fim, mas o clima hilariante da “gozação” durante a medição refletia o espírito do trote dos tempos de antanho.

Uma “estudantada” criada pela turma mais avançada do XI de Agosto foi a “Peruada”. Havia um professor da faculdade que tinha como “hobby”, ou como segunda fonte de renda, a criação de perus, em lugar não muito distante do centro da cidade.

Um dia, um grupo de estudantes foi ao criatório e roubou algumas dessas aves. Levou-as a um restaurante e promoveu um grande jantar. O “charme” foi terem convidado o próprio professor, dono dos perus, para a cabeceira da mesa daquele ágape.

Hoje, a maioria das manifestações são políticas, invasão de universidades, greves nem sempre justificadas que nos levam a ter muitas saudades dos tempos em que as lideranças estudantis estavam nas mãos de Rogê Ferreira, que mais tarde foi senador da República, e a parte esportiva com Renê Arruda ou José Júlio Sampaio Seabra.

Nós, que nos matriculamos no Sindicato dos Jornalistas em 16 de julho de 1946, temos uma obrigação de contar fatos ocorridos há mais de seis décadas, para que as novas gerações saibam um pouco mais sobre os caminhos trilhados pelos que os antecederam neste grande revezamento de gente que é a vida.

Esta informação de fatos de outrora não deve nos rotular como um saudosista, pois o conhecimento do passado sempre constituiu um instrumento para analisar o presente e programar o futuro.